Mercado

Notícia nenhuma é boa notícia

Maicon e Ibra: chaves para que o mercado de Moratti continue tranquilo

É com esse pensamento que os torcedores da Internazionale encaram seu mercado até agora. As confirmações para a próxima temporada vieram no início das férias: saídas de Crespo (Genoa), Figo (fim de carreira), Jiménez (West Ham), Dacourt e Cruz (fim de contrato, ambos) e chegadas dos destaques do Genoa, a dupla sul-americana Diego Milito e Thiago Motta. O brasileiro chega tarde: em 2002, o Barcelona de Van Gaal o ofereceu junto de alguma compensação por Seedorf, mas Moratti recusou para pouco depois entregá-lo ao Milan por Francesco Coco. Sete anos e várias lesões depois, a Inter paga caro por ele.

O que importa é que desde o início do mercado não se passou um dia sem que se especulasse a saída de Maicon ou Ibrahimovic. Para Chelsea, Barcelona, Real Madrid, Manchester United, Manchester City, tanto faz. O que importa é que a maioria das declarações desse possível vai-ou-fica ganhou um espaço mais importante do que realmente merecia, muito porque costumaram sair de empresários, às vezes nem ligados com o jogador, mas com algum interesse escuso.

Tudo bem que é inegável o declínio da Serie A, já muito atrás da Premier League inglesa e agora perdendo espaço considerável para a plástica Liga espanhola. Entre os anos 80 e 90, jogavam na Itália os melhores jogadores do mundo à época, exceção feita a Romário. O Bari tinha o capitão da seleção inglesa e o melhor croata da história, Platt e Boban. O Pisa tinha Dunga, capitão do Brasil tetracampeão em 1994. Hoje, luta para buscar de volta na Roma o horrível romeno Adrian Pit, que deixou o clube em janeiro.

É também fato que Ibrahimovic deu fortes declarações de uma possível falta de motivação há alguns meses. E que Maicon disse que não confirmava seu futuro, depois de ser colocado numa suposta lista de reforços de Chamartín. Mas daí para muitos dos jornais e endereços que ganham com um mercado movimentado tratarem de aquecê-lo por conta própria… Nenhum dos dois saiu ainda. Nem devem fazê-lo, especialmente Ibra. Enquanto isso, a Inter se move aos poucos para que Deco e Ricardo Carvalho façam seu terceiro trabalho com Mourinho. E o mercado continua aberto para possíveis chegadas promissoras, como Arnautovic (Twente) e Diamanti (Livorno). Por outro lado, não é de se esperar alguma perda mais importante que as de Mancini, Quaresma, Obinna, Vieira, Materazzi, Burdisso e Rivas, só a toque de caixa.

Então que a torcida da Inter não aguarde demais, pois nenhum verdadeiro fuoriclasse vai chegar. Mas a soma dos dois ex-jogadores do Genoa pode bastar. Porque uma contratação-bomba, ainda que Moratti tenha condições financeiras para (e nenhuma vontade ou sustentabilidade de) fazê-la, poderia valorizar o mercado italiano para então quebrá-lo de um jeito que tornaria impossível a missão europeia da Inter. Nesse cenário, notícia nenhuma é, realmente, uma boa notícia.

Renovar!
Se a ordem é renovar, melhor buscar técnicos de fora. José Mourinho lançou Santon e Balotelli em apenas um ano como treinador. Uns podem dizer que é pouco, comparado aos talentos disponíveis na base nerazzurra. Outros podem defender que o português não fez mais do que sua obrigação. Mas bancar um lateral-direito primavera improvisado na esquerda não é nada comum na Itália, nem lançar dois jovens com tantas oportunidades em uma só temporada. Comum é desperdiçar Andreolli ou Acquafresca, ainda que ambos tenham passado mais pela seleção de Marco Branca que pela do treinador.

Numa temporada de estreia convicente, Santou marcou – e bem – Cristiano Ronaldo

Talvez o problema não esteja na Serie A em si, mas sim no comando técnico dos times. Antes o único estrangeiro do campeonato, agora Mourinho terá a companhia do brasileiro Leonardo, que também prevê uma renovação para construir um Milan mais low-profile que o dos últimos anos. Muito treinador italiano já teve chances para lançar bons jogadores nessa década – quantos talentos (discutíveis ou não) foram desperdiçados, por exemplo, com as contratações de Amoruso, que já trocou de clube italiano dez vezes? Não apenas gênios como Maldini, Totti e Baggio devem ter sua chance aos 17 anos. Para a Serie A respirar, os Stovini, Delvecchio e Brienza também precisam subir mais cedo e ter chances.

13 comentários

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  • Braitner,na realiade o Mario já era usado por Mancini, jogou inclusive na final da Copa Italia onde a Roma foi campeã no final da temporada passada. 😉 Quanto a Santon, tudo bem, mesmo porque é dificil ter espaço pra talento, onde se tem meia Argentina a disposição, aliás se falou pouco de Cambiasso.

  • "José Mourinho lançou Santon e Balotelli em apenas um ano como treinador."

    Mourinho não precisa de ser elogiado além dos seus merecimentos. Balotelli foi Mancini quem descobriu e lançou, assim como tinha sido Maicon, Cambiasso e Jimenez (que Mourinho estragou). O técnico português descobriu Santon e "estragou" Mancini, Jimenez, Quaresma, Bolzoni..

    A Itália realmente atravessa um período difícil, o modo de se levantar todos sabem: investir em talentos da juvenil. O que muitos não sabem é o porque a Itália chegou até este ponto…

  • Mourinho não estragou Jiménez. Ele se estragou sozinho, no final de 2007. Entrou 2008 lesionado e com Mourinho não teve muito mais espaço do que teve no fim da última temporada de Roberto Mancini na Inter. Mancini já vinha de uma temporada NADA brlhante com a Roma e chegou achando que seria titular só por ter sido pedido pelo treinador e se acomodou. Acho que agora ele aprendeu um pouco com isso.

    Mourinho não precisa ser mais criticado do que deve ser. Se quer fazer uma crítica, que seja justa.

  • A explicação da saída dos craques do futebol italiano é muito fácil, o seu nome é dinheiro. Não se trata da crise (na Espanha com uma taxa de desemprego do 17% a crise é muito mais pesada do que na Itália onde a taxa de desemprego é do 10%: a média da União Européia é do 12%).
    O “problema” são as dividas, na Itália há alguns anos atrás a federação de futebol decidiu de não permitir a inscrição ao campeonato aos times endividados. Os problemas da Roma começaram em 2004 quando para poder participar da temporada 2004/05, Sensi teve que vender bens pessoais e ceder o 49% da Italpetroli ao banco Capitalia (atual Unicredit).
    Berlusconi, chefe do governo italiano e dono do Milan não pode esbanjar com o time de futebol enquanto explica como vai resolver a crise econômica italiana. Querendo poderia, a Fininvest do Berlusconi não conheceu a crise, mas politicamente seria um desastre.
    A filosofia da FIAT após a morte dos Agnelli não é mais de dar a prioridade ao futebol mas aos negócios, veja a aquisição da Chrysler e a tentativa de adquirir a Opel.
    O único que pode ainda brincar com o futebol é Moratti, o preço do petróleo aumenta as entradas da Saras, empresa da família.
    Um empresário ainda mais rico de Moratti e Garrone, dono da companhia petrolífera ERG e da Sampdoria que, segundo a sua visão, não é o passatempo prioritário.

    Enquanto o balanço dos times de futebol italiano deve ser igual positivo ou azerado, os times ingleses enfrentam a temporada com essas dividas em libras (artigo do jornal The Guardian do 3 de junho): Chelsea 701, Man Utd 699, Arsenal 416, Liverpool 280, Fulham 197, Man City 147, Newcastle 106, Middlesbrough 93, Aston Villa 73, Sunderland 69, Wigan 66, Tottenham 65, Portsmouth 58, Bolton 52, Everton 39, West Ham 36, Blackburn 17, WBA 9, Stoke 2, Hull 1.
    Desses times, com um pequeno esforço, apenas o Stoke e o Hull, talvez o WBA, poderiam participar da serie A….

    Na Espanha temos o Real Madrid que enfrentou a compra do Ronaldo e Kaka tendo uma divida de € 562 milhões, o Barcelona deve aos bancos € 439 milhões…

    Temos certeza que o futebol em crise seja aquele italiano?

  • Esqueci de um presente do governo espanholo ao futebol: os times que contratam um jogador extra-comunitário pagam, pelos primeiros cinco anos, a aliquota do 24% do imposto sobre os salários.
    Pela felicidade do 17% de desempregados….

  • excelente explanação Igor, você é uma enciclopédia ambulante. Sabe ver o glamour da UCL é algo que tira atenção até mesmo dos menos aficionados do esporte. Porém esta inflação criada no esporte pelos clubes de fachada (e quando falo isto, digo gastam como uns dementes e administram muito mal), estraga e tira a magia do futebol de uma vez. Minha nostalgia deve incomodar muita gente que adora e facina estes gastos absurdos, mas precisará de uma crise financeira acentuada para daí cair em si que o buraco é mais embaixo e nada dura pra sempre.

  • Sabe quando os clubes ingleses vão pagar essas dívidas? Nunca. O processo de rolamento delas se arrasta e elas nunca serão cobradas. Não estou dizendo que eles estão certos, mas ou a Itália se adapta ao que virou o futebol, ao modo como o esporte se tornou negócio, ou vai virar campeonato de segundo escalão mesmo. E aí entra tudo, desde apresentação de jogadores, violência nos estádios (maior que na espanha e inglaterra), divulgação da marca em outros lugares etc etc

  • Nunca? Tenho as minhas duvidas, os bancos já começaram cobrar a divida do Liverpool. Não tem nenhuma lógica não cobrar, os bancos não são instituições beneficentes (talvez no caso do Real, Perez e os donos do banco que está emprestando o dinheiro são ligados politicamente*). A crise financeira mundial surgiu propriamente da filosofia de conceder empréstimos com muita facilidade; nos EUA os bancos concediam a vontade os “subprime”, ou seja empréstimos de risco sem garantias que foram transformados em obrigações que inundaram o mundo. O dia que os bancos começaram a cobrar faltou a cobertura financeira dos subprimes e obrigações.
    Prefiro viver em um país onde o campeonato seja de segundo escalão, mas os empréstimos bancários sejam acessíveis de mesma forma a todos. Enquanto o Real Madrid e outros times estão conseguindo empréstimos fáceis, o desempregados não tem nenhuma chance de receber um empréstimo; pessoalmente iria em busca de um AK 47.

    O assunto violência é totalmente desligado do assunto econômico. Na Inglaterra as violências acabaram quando o governo decidiu que qualquer violação da lei cometida num estádio de futebol é punida com a prisão sem a possibilidade de obter a suspensão da pena. Há dois anos, na Inglaterra, um torcedor que entrou no gramado, ficou do lado da linha lateral e xingou um jogador foi condenado a 14 meses de prisão sem a suspensão da pena. A diminuição da violência nos estádios italianos coincidiu com uma a nova lei promulgada por um governo de direita que, culturalmente, é favorável a penas mais severas. A última temporada a violência nos estádios italianos diminuiu: policias feridos -41,3%, torcedores feridos -66,1%, denuncias -46,9%. Nos estádios italianos a presencia da policia diminuiu também, foram 28.000 policiais a menos, o estado economizou € 7 milhões. (fonte: Ministério do Interior e Federação italiana de futebol)

    * O jornal italiano La Stampa publicou um artigo interessante sobre Florentino Perez e amigos, aqui um trecho: O banco “Caja Madrid”, que empresta dinheiro ao Real, é controlado pelos políticos de centro-direita que governam a prefeitura de Madrid. O velho centro Ciudad Deportiva é uma área não-edificável que a prefeitura torna edificável enquanto ainda é propriedade do Real Madird; Perez urbaniza essa área, e cede quatro prédios a prefeitura que em troca cede um outro terreno edificavel a Perez, esse terreno é utilizado para construir a nova Cuidad Deportiva junto a outros prédios. A transformação da área não-edificável em edificável foi uma ação pouco transparente, um presente dos políticos à Florentino Perez.

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