Serie A

Um caminho a passos curtos

O futebol italiano passa por tempos de crise e essa não se restringe à renovação necessária da seleção nacional ou a escândalos envolvendo grandes clubes. Na última década, constatou-se uma queda de 25% no público do calcio, enquanto na Inglaterra e na Alemanha houve um aumento de quase 20%, no mesmo setor. Um dos motivos para essa queda de popularidade é a falta de cuidado com os estádios do país, que ao invés de atrair o público, o espanta, graças ao desconforto e a pouca segurança.

Na Itália, os estádios mais novos são aqueles da Copa do Mundo que o país sediou, em 1990. E os únicos dois que foram inteiramente construídos foram o San Nicola, em Bari, e o Delle Alpi, de Turim. Todos os outros passaram por reformas apenas. Então, considerando a inconstância do Bari na elite do futebol italiano e que o Delle Alpi já foi demolido para a construção de um novo em seu lugar, é notável a carência de bons estádios na Serie A há muito tempo.

É claro que há bons estádios, como o San Siro, o Olímpico de Roma e ainda o San Filippo, na Serie B, mas a maioria ainda deixa a desejar se comparada a outros estádios europeus. Até mesmo o Olímpico de Roma, que passou por reformas recentes para receber a final da Liga dos Campeões, tem os seus defeitos, como a pista de atletismo, que atrapalha a visão dos torcedores, mas garante o auxílio financeiro do CONI (Comitê Olímpico Nacional Italiano).

Já na Inglaterra, os clubes investiram mais de 3,2 bilhões de euros, nos últimos 15 anos, em stadium facilities, ou seja, conforto para o torcedor, e suas receitas com estádio mais que dobraram. E é exatamente esse conforto que os estádios italianos não oferecem. Na maioria deles, o torcedor tem dificuldade de acesso, fica longe do campo, por causa das pistas de atletismo presentes em quase todos, não tem boa alimentação, nem higiene e a segurança ainda é falha. Com isso, os torcedores preferem ficar no conforto de suas casas e assistir os jogos pela televisão, sem correr risco nenhum.

A solução são as badaladas arenas multiuso. Nelas unem-se jogo de futebol com compras, atraindo os tifosi e suas famílias não só para assistir a uma partida do seu time, como também para usufruir de outros serviços do estádio, como restaurantes e shoppings, gerando mais renda. Outra característica dessas modernas arenas é o tamanho, sempre pensado de acordo com a média de público de cada clube. De nada adianta um estádio enorme, com 70 ou 80 mil lugares e alto custo de manutenção, se ele nunca atinge sua capacidade máxima.

Os primeiros passos
O antigo Delle Alpi foi um exemplo de estádio colossal, que mesmo sendo um dos mais novos do país, já era ultrapassado em termos de conforto. Não a toa foi demolido e está em processo de reconstrução. Os seus 69.041 lugares passam a ser só 40.200, garantindo estádio cheio quase toda rodada. E agora, a distância da arquibancada para o campo será de apenas 8,85 metros, contra os 50 metros do anterior.

Além disso, o projeto prevê oito restaurantes, 24 bares, 34 mil metros quadrados de área comercial e 4 mil vagas de estacionamento, adequando-se aos mais elevados padrões europeus. O custo aproximado da nova casa bianconera é de 150 milhões de euros, que serão pagos com ajuda de parceiros, como a Sportfive, que negociará os naming rights, direito cedido a uma empresa de dar o seu nome ao estádio, e a Nordiconad, que comandará a área comercial do estádio. Será a primeira grande arena particular da Itália, abrindo caminho para novos projetos.

A inauguração do novo Delle Alpi está prevista para 2011

Outros times já se manifestaram a favor de projetos e investimentos próprios, como a Fiorentina, Lazio, Inter, Palermo, Roma, Sampdoria, Udinese e possivelmente o Cagliari. Os blucerchiati foram os primeiros a apresentar um projeto, mas aguardam uma posição do governo, que alega que a construção de uma arena é o último dos problemas da região, sem perceber, no entanto, que talvez ela seja a solução para muitas carências sociais.

O Palermo foca seus argumentos na utilização diária do estádio, pelos habitantes da região, e no aumento do turismo que ele poderia trazer. Em Udine, é estudada uma reestruturação da cobertura e das funções do estádio, sendo o comércio que este pode abrigar o ponto principal. Lazio e Roma já têm projetos, mas ainda não têm lugar definido para a inserção do mesmo.

O importante é que a modernização já começou e os clubes estão se preocupando em acompanhar esse ritmo, que vai fazer muito bem ao calcio, carente de bons estádios há muito tempo. É um passo fundamental para a recuperação do público e a reestruturação do tradicionalíssimo futebol italiano.

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