Serie A

Preview: Serie A, parte 2

Segue a segunda parte do preview da Serie A, que terá sua primeira rodada neste fim de semana. Assim como na temporada passada, o campeonato 2009-10 terá transmissão de RAI, ESPN, Sportv, Gazeta e Esporte Interativo. A novidade é a entrada da TV Cultura, que substitui a Band como parceira do Esporte Interativo e transmitirá uma partida por domingo, sempre ao vivo. Para ler a primeira parte do nosso preview, clique aqui.

O Napoli de Hamsík, pronto para tomar o lugar do Milan de Ronaldinho

Lazio

A casa: Estádio Olímpico (Roma, 72.698 lugares)

O cara: Mauro Zárate (atacante)

A promessa: Ettore Mendicino (atacante)

O técnico: Davide Ballardini (desde 06/2009)

Competição europeia: Liga Europa

Principais reforços: Julio Cruz (atacante), Eliseu (meia) e Roberto Baronio (meia)

Principal perda: David Rozehnal (zagueiro)

Na temporada passada: 10º lugar

Objetivo: Vaga na Liga Europa.

Time-base (4-3-1-2): Muslera; Lichtsteiner, Siviglia, Diakité, Kolarov; Brocchi, Baronio, Dabo (Mauri); Matuzalém (Foggia); Rocchi, Zárate.

Sobrou pouco para a Lazio gastar no mercado, ao torrar quase 27 milhões de euros só para manter Matuzalém e Zárate no elenco biancoceleste. Os dois jogadores haviam chegado por empréstimo na última temporada, convencido, e o presidente Lotito não pôde arriscar perdê-los em alguma negociação demorada. Até por isso, pouca gente chegou: basicamente, o português Eliseu e o veterano argentino Julio Cruz.

Com a chegada do bom Ballardini, a Lazio mira um campeonato melhor do que o do ano passado e a vitória contra a Inter na Supercoppa é um bom augúrio. Baronio voltou de empréstimo e se encaixou muito bem na pré-temporada e Rocchi parece ter de vez se recuperado de lesão. Um problema está em Pandev e Ledesma, afastados há semanas e ainda não negociados.

Livorno

A casa: Estádio Armando Picchi (Livorno, 19.238 lugares)

O cara: Francesco Tavano (atacante)

A promessa: Antonio Candreva (meia)

O técnico: Gennaro Ruotolo (desde 05/2009)

Competição europeia: nenhuma

Principais reforços: Cristiano Lucarelli (atacante), Mirko Pieri (lateral-esquerdo) e Cristian Raimondi (meia/lateral)

Principal perda: Massimo Loviso (meia)

Na temporada passada: 3º lugar na Serie B

Objetivo: Fugir do rebaixamento.

Time-base (4-3-1-2): De Lucia; Raimondi, Perticone, Migliónico, Pieri; Pulzetti (Candreva), Moro, Bergvold; Diamanti; Tavano, Lucarelli.

O futuro do Livorno está ligado aos últimos dias de mercado, quando as infinitas especulações sobre o ótimo Diamanti cessarão. Se ele ficar, o Livorno pode fugir do rebaixamento. Mas, se sair, é complicado esperar que o time comandado por Ruotolo consiga se manter na Serie A. Mesmo com o retorno de Lucarelli para seu doce lar, algo que pode se revelar uma faca de dois gumes.

A defesa amaranto vai ser uma dor de cabeça à parte: o bom De Lucia não é suficiente para segurar os deslizes da dupla de zaga, que não deve ter laterais de boa marcação para auxiliá-la. Candreva, grande promessa da base da Udinese, fará mais uma temporada no Livorno. Olho nele.

Milan

A casa: Estádio Giuseppe Meazza (Milão, 81.389 lugares)

O cara: Massimo Ambrosini (meia)

A promessa: Tabaré Viudez (atacante)

O técnico: Leonardo (desde 06/2009)

Competição europeia: Liga dos Campeões

Principais reforços: Klaas-Jan Huntelaar (atacante), Oguchi Onyewu (zagueiro) e Flavio Roma (goleiro)

Principal perda: Kaká (m, Real Madrid)

Na temporada passada: 3º lugar

Objetivo: Vaga na Liga dos Campeões.

Time-base (4-3-1-2): Roma (Abbiati), Zambrotta, Nesta (Onyewu), Thiago Silva, Jankulovski; Gattuso, Pirlo, Ambrosini; Ronaldinho; Pato, Huntelaar.

Ter perdido uma pá de jogos na pré-temporada aumentou muito a pressão sobre o Milan, tanto que Leonardo teve de abandonar até sua vontade de escalar o time num 4-3-3, ao menos por enquanto. Mas as críticas abafam um fato incontestável: no papel, este Milan realmente está abaixo daquele dos últimos anos, mas não é assim tão ruim quanto pintam, e nem tão bom quanto pensa (ou quer fazer pensar) Berlusconi.

Perder Kaká, Maldini e Ancelotti, três grandes bandeiras, de uma só vez, pode não ser tão fatal. Aos poucos, o time deve se renovar de dentro para fora, reaproveitando peças de dentro de Milanello. Nesta fez uma pré-temporada convincente, Thiago Silva finalmente poderá estrear, Abate deve ter uma chance real e toda a direção e comissão técnica apostará em Ronaldinho até o fim. Pode mesmo não ser suficiente para continuar na Liga dos Campeões e certamente não será para conquistá-la. Mas a camisa do Milan continua a mesma.

Napoli

A casa: Estádio San Paolo (Nápoles, 76.824 lugares)

O cara: Marek Hamsík (meia)

A promessa: Erwin Hoffer (atacante)

O técnico: Roberto Donadoni (desde 03/2009)

Competição europeia: nenhuma

Principais reforços: Morgan De Sanctis (goleiro), Fabio Quagliarella (atacante), Juan Zúñiga (lateral-direito) e Luca Cigarini (meia)

Principal perda: Daniele Mannini (meia)

Na temporada passada: 12º lugar

Objetivo: Vaga na Liga dos Campeões.

Time-base (3-5-2): De Sanctis; Campagnaro, Cannavaro, Contini; Zúñiga, Gargano, Cigarini, Hamsík, Vitale (Maggio); Lavezzi, Quagliarella.

Se o Napoli corresponder às expectativas criadas na apresentação do elenco para a temporada, conquista o título com rodadas de antecedência. Numa exibição em um barco, digna de Hollywood, o farfante presidente Di Laurentiis pôde se orgulhar do que seu dinheiro fez embarcar em Nápoles: De Sanctis, Campagnaro, Zúñiga, Cigarini e Quagliarella. Meio time para ser titular e recolocar os napolitanos no mapa do futebol europeu.

Um grande time que começou a ser construído desde a contratação de Donadoni, em março, quando a Serie A já havia ido por água abaixo. Para fechar o elenco, o técnico ainda pediu um lateral-esquerdo, mas ouviu do presidente que o comprasse com seu próprio dinheiro. A ala deve ser um problema se Donadoni colocar por ali Zúñiga e jogar da janela os nove milhões gastos em sua contratação. Com Milan e Roma convalescentes, é o ano perfeito para o Napoli sonhar em voltar para a Liga dos Campeões.

Palermo

A casa: Estádio Renzo Barbera (Palermo, 36.871 lugares)

O cara: Fabrizio Miccoli (atacante)

A promessa: Javier Pastore (meia)

O técnico: Walter Zenga (desde 06/2009)

Competição europeia: nenhuma

Principais reforços: Rubinho (goleiro), Nicolás Bertolo (meia), Javier Pastore (meia)

Principal perda: Roberto Guana (meia)

Na temporada passada: 8º lugar

Objetivo: Vaga na Liga Europa.

Time-base (4-3-1-2): Rubinho; Cassani, Kjaer, Bovo (Goian), Balzaretti; Bresciano, Simplício (Bertolo), Nocerino; Pastore; Cavani, Miccoli.

Zenga chegou com pompa ao Palermo, jogando para a torcida ao dizer que a meta do time seria conquistar o título italiano. E, quando se fala torcida, se fala em Zamparini, vulcânico presidente que tem como hobby demitir treinadores a seu bel prazer. Zenga fez um ótimo trabalho no rival Catania e chega respaldado.

Seu grande problema deve ser Simplício, caso este fique. De peça-chave da equipe, o brasileiro deve ir para o banco se os argentinos Pastore e Bertolo cumprirem as expectativas. No gol, a troca entre Amelia e Rubinho deve mudar pouca coisa, na prática. Na frente, com um Cavani já totalmente adaptado à Itália, o Palermo pode realmente sonhar alto: uma vaga na próxima Liga Europa e não mais que isso.

Parma

A casa: Estádio Ennio Tardini (Parma, 27.906 lugares)

O cara: Christian Panucci (zagueiro)

A promessa: Jonathan Biabiany (atacante)

O técnico: Francesco Guidolin (desde 09/2008)

Competição europeia: nenhuma

Principais reforços: Daniele Galloppa (meia), Christian Panucci (zagueiro/lateral) e Valeri Bojinov (atacante)

Principal perda: Marco Rossi (zagueiro)

Na temporada passada: 2º lugar na Serie B

Objetivo: Fugir do rebaixamento.

Time-base (4-3-3): Mirante, Zenoni, Panucci, Lucarelli (Paci), Castellini; Morrone, Mariga, Galloppa; Bojinov, Paloschi, Biabiany (Coppola).

Depois do vice-campeonato na Serie B, o Parma de Ghirardi retorna com ambições em médio prazo, mas para isso terá antes de se safar de voltar de onde veio. O goleiro, problema crônico do time nos últimos anos, deve ter uma solução com a chegada de Mirante. Na linha, Guidolin já tinha o elenco em suas mãos e agora terá trabalho para encaixar nomes que chegam para o time titular.

O veterano Panucci deve ser utilizado na zaga para evitar desgastes físicos desnecessários, enquanto na frente Bojinov e Paloschi (de empréstimo renovado) são os únicos com vaga garantida. O promissor Biabiany faz Guidolin cogitar um esquema com três atacantes nos jogos em casa, mas a postura geralmente deve ser mais defensiva, com a entrada dos dois bons meias ex-Siena, Galloppa e Coppola.

Roma

A casa: Estádio Olímpico (Roma, 72.698 lugares)

O cara: Francesco Totti (atacante)

A promessa: Stefano Okaka (atacante)

O técnico: Luciano Spalletti (desde 06/2005)

Competição europeia: Liga Europa

Principais reforços: Stefano Guberti (meia)

Principal perda: Christian Panucci (zagueiro/lateral)

Na temporada passada: 6º lugar

Objetivo: vaga na Liga dos Campeões

Time-base (4-4-2): Doni; Motta (Cicinho), Mexès, Juan, Riise; Taddei, De Rossi, Pizarro, Guberti (Ménez); Vucinic, Totti.

Pelo que foi demonstrado na pré-temporada (e a Roma retomou os trabalhos antes de qualquer outro time da Serie A), Totti, Juan, Taddei e Ménez parecem totalmente recuperados dos problemas físicos que os afastaram de tantos jogos no campeonato passado. Em especial o capitão romanista, que faz um trabalho de pré-temporada completo pela primeira vez nos últimos cinco anos e teve atuações em ótimo nível nas preliminares da Liga Europa.

Com o mercado paralisado pela falta de dinheiro e pelos boatos de venda do clube, a Roma só deve contratar na última semana de janela. Até agora, só dois reforços: Guberti, um dos melhores da última Serie B, e Ménez. Mal escalado como meia externo na temporada passada, o francês jogou muito bem nos amistosos de julho e agosto, atuando mais centralizado, sua posição original. No ritmo da Roma, sem ideias claras para gastar o dinheiro de Aquilani, não deve passar muito disso. Ainda assim, é um trabalho sólido que pode, sim, fazer os giallorossi retornarem à Liga dos Campeões.

Sampdoria

A casa: Estádio Luigi Ferraris (Gênova, 36.743 lugares)

O cara: Antonio Cassano (atacante)

A promessa: Guido Marilungo (atacante)

O técnico: Luigi Del Neri (desde 06/2009)

Competição europeia: nenhuma

Principais reforços: Daniele Mannini (meia), Franco Semioli (meia) e Fernando Tissone (meia)

Principal perda: Gennaro Delvecchio (meia)

Na temporada passada: 13º lugar

Objetivo: Vaga na Liga Europa.

Time-base (4-3-2-1): Castellazzi; Stankevicius, Lucchini, Gastaldello, Zauri; Semioli (Mannini), Palombo, Sammarco (Tissone); Bellucci, Cassano; Pazzini.

O sonho blucerchiato de retornar à Liga Europa no próximo ano tem nome: Antonio Cassano. Ainda com chance de perder um entre Palombo e Sammarco nos próximos dias, a Samp tem um elenco fraco para disputar de verdade um posto mais alto no campeonato. Mas os titulares têm um bom nível e o ataque comandado por Cassano promete bastante com o retorno de Bellucci e a continuidade de Pazzini.

Para acomodar o trio ofensivo, Del Neri mostra-se disposto a abandonar o seu fiel 4-4-2 que fez milagre através dos anos e cobrar mais do trio de meio-campo que contará com um de seus pupilos favoritos, Semioli. Não só o treinador terá de se habituar: depois de anos com Mazzarri e Novellino, a própria Samp terá de relembrar como é funcionar uma defesa com quatro jogadores.

Siena

A casa: Montepaschi Arena (Siena, 15.373 lugares)

O cara: Simone Vergassola (meia)

A promessa: Mato Jajalo (meia)

O técnico: Marco Giampaolo (desde 05/2008)

Competição europeia: nenhuma

Principais reforços: Michele Paolucci (atacante), Michele Fini (meia) e Reginaldo (atacante)

Principal perda: Juan Zúñiga (lateral-direito)

Na temporada passada: 14º lugar

Objetivo: Fugir do rebaixamento.

Time-base (4-3-3): Curci; Rossettini, Terzi, Brandão, Del Grosso; Fini, Vergassola, Parravicini (Codrea); Reginaldo, Paolucci, Maccarone.

O Siena de Giampaolo jogou e encantou na temporada passada. O castigo por isso não demorou a surgir e o time perdeu três de seus jogadores mais importantes: Zúñiga, Kharja e Portanova – este último, sob protestos clamorosos da torcida. Numericamente, Gerolin reforçou seu elenco se reforçou bem. Mas sem pensar em suas reais necessidades.

A espetacular venda do lateral colombiano não lhe garantiu um substituto e os bianconeri também não possuem uma opção válida ao trequartista marroquino. Por outro lado, o ataque e o meio estão recheados de jogadores de nível e até características semelhantes. O trabalho de Giampaolo é sólido e deve segurar o Siena mais uma vez na Serie A. Mas não há dúvidas de que a missão será bem mais complicada, dessa vez.

Udinese

A casa: Estádio Friuli (Údine, 41.652 lugares)

O cara: Gaetano D’Agostino (meia)

A promessa: Ergün Berisha (meia)

O técnico: Pasquale Marino (desde 06/2007)

Competição europeia: nenhuma

Principais reforços: Bernardo Corradi (atacante), Piermario Morosini (meia) e Fabián Orellana (atacante)

Principal perda: Fabio Quagliarella (atacante)

Na temporada passada: 7º lugar

Objetivo: Vaga na Liga Europa.

Time-base (4-3-3): Handanovic; Isla (Ferronetti), Zapata, Felipe, Pasquale; Inler, D’Agostino, Asamoah; Pepe, Floro Flores, Di Natale.

A sétima posição na Serie A passada mascara a campanha decepcionante da Udinese, que viu um sprint final salvar um pouco de sua honra. A Liga Europa é mais uma vontade do que um objetivo real, porque dessa vez a Udinese realmente começa atrás de seus rivais, com um chamuscado Marino em seu comando. Sem Quagliarella, Floro Flores herdou a posição, mas a desconfiança fez o clube buscar Corradi para ser um porto seguro.

O assédio a D’Agostino e Di Natale, que ficaram no Friuli mesmo depois de terem declarado vontade de sair, pode atrapalhar o futebol da dupla – assim como aconteceu com Zapata, Felipe e Inler nos anos anteriores. Mas se os recém-chegados Orellana e Caruso convencerem, a Udinese merece felicitações eternas por tanta competência no exterior.

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