Serie A

900 minutos em 9: 31ª rodada

Festa pouca é bobagem: Roma tem o time mais equilibrado desde 2001 e, nessa temporada,
o sonho de scudetto está mais vivo do que nunca (LaPresse)

Para fechar a maratona de jogos dessa semana na Serie A, uma rodada decisiva para o futuro do campeonato. Roma e Inter fizeram o jogo que abriu a giornata, no sábado, e conseguiram a atenção até dos torcedores de outros times, que vibraram com a chance de ver um campeonato emocionante e competitivo novamente. Destaque também para mais um tropeço do Milan e para a boa vitória do Palermo, na disputa pela quarta vaga da Liga dos Campeões. Napoli e Juventus vêm logo atrás. Lá embaixo, ninguém venceu. Livorno e Siena empataram, vendo cada vez mais de perto a Serie B, enquanto Atalanta e Udinese foram derrotados e perderam a chance de se afastar da zona de rebaixamento. As últimas rodadas prometem.

Na capital, cerca de 70.000 torcedores lotaram o Estádio Olímpico para assistir ao jogo mais esperado do fim de semana. Roma (2ª colocada, 62 pontos) e Inter (1ª, 63) fizeram a melhor partida da rodada, como era de se esperar, e acrescentaram um pouco mais de emoção nesse campeonato que, finalmente, fica bom de acompanhar. O jogo começou com certo equilíbrio, mas o meio de campo bem montado por Ranieri já mostrava alguma superioridade. De Rossi e Perrotta, com ajuda de Ménez anulavam muito bem Sneijder, no meio, enquanto Riise não permitia qualquer investida mais perigosa de Maicon, pela direita. A velocidade das ações romanistas era o que mais incomodava o time da Inter, em um 4-4-2 que mais parecia um 4-3-3, com Ménez e Vucinic abertos pelos lados. Mas foi em uma jogada de bola parada que saiu o primeiro gol: falta cobrada no segundo pau, cabeçada fraca de Burdisso, falha de Júlio César e oportunismo do capitão De Rossi, para empurrar para as redes e coroar sua melhor partida na temporada. O nervosismo e a marcação mais forte tomaram conta do resto do tempo: foram quatro cartões amarelos. Um deles para o pendurado Zanetti, que não enfrenta o Bologna na próxima rodada. A suspensão deixa em 137 o número de partidas consecutivas disputadas pelo argentino na Serie A. O recorde é do goleiro Dino Zoff, com 332. Maicon, Lúcio e Eto’o também perderão a próxima partida, suspensos.

No segundo tempo, Mourinho arriscou e promoveu a entrada de Pandev no lugar de Stankovic, mudando do 4-3-1-2 para o 4-2-1-3, melhorando bem o jogo nerazzurro. Milito e Sneijder, para a Inter, e Toni, pela Roma, tiveram boas chances, antes do gol de empate interista, aos 65’, com Milito. Na jogada, a arbitragem abstraiu a posição irregular de Pandev e causou revolta. Para a sorte do árbitro, Luca Toni desempatou oito minutos depois e diminuiu o tamanho do erro. Foi em lance de puro oportunismo do atacante, que aproveitou chute cruzado de Taddei e chutou forte para o fundo do gol, no momento em que a Inter crescia no jogo. Sobrou tempo ainda para mais violência, cartões amarelos, trapalhagem do árbitro e a volta de Totti, sob os gritos de “O verdadeiro capitão” e “sem Totti, sem festa”. Além, é claro, da bola na trave de Milito, nos acréscimos, que tirou o fôlego de todos os romanistas, mas não a esperança de ver o time campeão novamente.

Já no último jogo da rodada, o Milan (3º, 60) bobeou mais uma vez e perdeu a chance de se manter encostado nos líderes, por causa do empate, em casa, com a Lazio (16ª, 33). Sem Ronaldinho, Leonardo optou por um 4-4-2 com Abate e Seedorf pelos lados e Borriello e Inzaghi na frente. A boa marcação e os contra-ataques bem montados do time de Reja, contudo, não deixaram o Milan chegar com muito perigo e tornaram a Lazio uma visitante indesejada. O gol rossonero só saiu porque Kolarov derrubou Famini dentro da área, aos 19 minutos, e o árbitro não titubeou para marcar o pênalti. Borriello cobrou e colocou o Milan na frente. O empate laziale não demorou muito a chegar: aos 31’, a zaga milanesa se atrapalhou e Lichtsteiner marcou, com oportunismo de atacante. No resto do jogo, se viu um Milan raçudo e com muita vontade de triunfar, mas a boa organização da Lazio impediu o êxito do time da casa. Faltou mais qualidade para a equipe de Leonardo, que perdeu sete pontos nos últimos três jogos e já vê a briga pelo scudetto se distanciar. Já a Lazio, saiu com um bom ponto e dá sinais de que o pior já passou, mostrando que a salvezza é só uma questão de tempo.

Dois pontos a sua frente está o Bologna (15º, 35), que nesse fim de semana perdeu para o Palermo (4º, 51), na Sicília, com direito a show do baixinho Miccoli, que marcou sua tripletta e já merece lugar na lista de Lippi. Os desfalques não foram problemas para o Palermo, que contou com grandes aprensentações de Goian e Hernandéz nos lugares de Kjaer e Cavani, respectivamente. Com meio de campo e ataque velocíssimos, não demorou muito para ficar em vantagem. O primeiro gol veio logo aos 10 minutos, depois de boa jogada individual de Miccoli, pela esquerda. O atacante acertou um belo chute cruzado, por debaixo das pernas de Britos e Viviano. Pouco mais tarde, o salentino voltaria a marcar, de pênalti. Mesmo com a boa vantagem no placar, os rosanero não diminuíram o ritmo e criaram boas oportunidades com Pastore, Liverani e (sempre ele) Miccoli. Mas quem chegou ao gol desta vez foi o Bologna, em boa cobrança de falta do brasileiro Adaílton. No segundo tempo, o time de Delio Rossi conseguiu controlar bem o resultado e matou o jogo aos 79’, em mais uma jogada que explorou a velocidade de Miccoli. A vitória consolida o Palermo como quarta força do campeonato e deixa o sonho da Liga dos Campeões cada vez mais próximo.

Logo atrás, vem o Napoli (5º, 48), que venceu de novo e promete brigar até o final por essa vaga. A vítima da vez foi o Catania (14º, 35), que, no entanto, deu trabalho ao time da casa. O primeiro tempo napolitano, assim como no jogo de meio da semana, contra a Juve, foi bem fraco, com um time que dominava, mas não levava perigo ao gol de Andujar. A boa marcação do time de Mihajlovic, com Mascara e Martinez voltando para ajudar, tem grandes méritos nisso. Só no segundo tempo o time da casa acordou e melhorou o jogo. Tanto é que logo no início da etapa complementar, aos seis, Paolo Cannavaro aproveitou bobeada da zaga rossaazzurri e marcou seu primeiro gol vestindo as cores do Napoli na Serie A. Depois, mais três ou quatro chances claras, nas quais Andujar fez boas defesas. No fim, um pouco de tensão. Maggio caiu e colocou a mão na bola. Os sicilianos pediram pênalti, o juiz não marcou e ainda deu cartão amarelo para Delvecchio, por reclamação. Bravo, Mihajlovic reclamoi e foi expulso. Final agitado para um jogo agitado. Pelo menos no segundo tempo.

Também na disputa pela quarta vaga na Liga dos Campeões, vêm Juventus e Sampdoria, com os mesmos 48 pontos. A Juve (6ª, 48) jogou com casa vazia (apenas 5.000 torcedores), em protesto dos torcedores, e bateu a Atalanta (18ª, 28), com gol decisivo de Felipe Melo, no final. No time titular de Zaccheroni, Candreva e Diego recuperaram suas vagas no meio, e Del Piero e Trezeguet reeditaram o ataque de sucesso de alguns anos atrás. Il capitano abriu o placar, em cobrança de falta perfeita, como nos velhos tempos. Foi seu nono gol na temporada, primeiro de falta e sétimo na Serie A. Alguns minutos depois, Diego sentiu dores musculares e foi substituído. Voltou Giovinco, há tempos sem chances. Partida regular do Formiga Atômica. No final do primeiro tempo, a defesa errou uma linha de impedimento e deixou Amoruso sozinho para marcar o gol de empate. Já são 18 partidas consecutivas que a Juve sofre pelo menos um gol. No segundo tempo, a Atalanta voltou bem melhor e tomava as iniciativas, principalmente com Valdes. Só na segunda parte da etapa, a Juve voltou a causar algum perigo, com a velocidade de Giovinco e a inteligência de Del Piero, que, aos 37’, cruzou na cabeça de Felipe Melo. O brasileiro não desperdiçou e na comemoração pediu, mais uma vez, desculpas para a torcida. E por mais que não tenha sido uma grande partida dos bianconeri, a vitória veio em boa hora: já eram três partidas sem vencer e a vaga na LC ficando cada vez mais longe. Para a Atalanta, que até fez uma boa partida, continua a complicada briga contra o rebaixamento.

Já a Sampdoria (7ª, 48) apenas empatou com o Cagliari (12º, 40), em Gênova, e se afastou um pouco do Palermo, na luta pela vaga na LC. A desilusão veio no final do jogo, quando o brasileiro Nenê marcou para o Cagliari e empatou o jogo. Antes disso, parecia tudo ótimo para os dorianos, que tinham marcado logo aos três minutos, com Guberti. Nesse meio tempo, jogo morno, com algumas boas jogadas da dupla Pazzini e Cassano, que dessa vez não conseguiu decidir, como nas últimas duas partidas. E apesar do empate e da péssima campanha nas últimas sete rodadas (apenas dois pontos), o Cagliari chegou aos 40 pontos, número necessário para fugir do rebaixamento, segundo matemáticos. Quem também se aproxima da marca é o Chievo (13º, 38), que empatou sem gols com o Parma (11º, 42), em casa. Apesar do placar sem gols, foi um jogo movimentado, com um tempo para cada time. No primeiro, pressão do Chievo, com boa marcação e chegadas perigosas de De Paula. No segundo, o Parma mostrou mais qualidade e dominou a maior parte do tempo. Melhor oportunidade em cobrança de falta de Zaccardo.

Enquanto isso, a Udinese (17ª, 32) continua em maus lençóis lá embaixo. Na partida contra a Fiorentina (8ª, 44), ontem, levou quatro gols e permaneceu na incômoda 17ª posição. A partida começou com coro da torcida aplaudindo o técnico Cesare Prandelli, que no meio da semana discutiu com o presidente Della Valle e interpretou suas palavras como uma demissão ao final da temporada. Em campo, um jogo bem movimentado. A Fiorentina muito incisiva, com sua grande comissão de frente (Santana, Vargas, Jovetic e Gilardino) e a Udinese sem se deixar abalar pela pressão e saindo bem pelos lados, com Pepe e Sanchez. No final do primeiro tempo, então, o placar justo: 1 a 1. Vargas marcou de falta e cinco minutos depois Pepe empatou, em cruzamento rasteiro de Di Natale. No segundo tempo, porém, a força friulana não foi a mesma. O cansaço visivelmente chegou mais cedo e os viola se aproveitaram disso. Gilardino, Santana e Jovetic marcaram e sacramentaram a grande vitória, no Artemio Franchi. Prandelli tem seu nome ligado à Juventus já e cogitado também na Seleção, para depois da Copa, mas Pantelao Corvino, responsável pela área técnica do clube, garantiu sua permanência, depois da vitória de ontem.

A derrota só não foi pior para a Udinese porque os três times que estão atrás não venceram. Além da Atalanta, já citada acima, Siena (19º, 26) e Livorno (20º, 25) também não passaram de seus adversários e se vêem cada vez mais perto da Serie B. Os bianconeri enfrentaram o Genoa (9º, 44), em casa, em um calor que prejudicou o ritmo da partida. A primeira bola perigosa saiu apenas aos 30’, dos pés de Criscito, mas Curci, um dos melhores da partida, fez boa defesa. No segundo tempo, mais Curci: Gasperini mandou seu time ao ataque e o goleiro bianconero defendeu como pôde. Empate péssimo também para o Genoa, que poderia ter ido a 46 pontos e ter ficado mais perto da zona de classificação da Liga Europa. Situação parecida com a do Bari (10º, 43), que também poderia ter se aproximado da zona-LE, mas apenas empatou com um time da zona de rabaixamento, o Livorno. O jogo foi na casa do lanterna e o time do técnico Ventura começou vencendo, com um gol meio sem querer de Allegretti, aos 24 minutos. O empate veio só no final do segundo tempo, com Tavano, que ainda desperdiçou uma chance antes do apito final. Fora os gols, poucos lances de perigo, em um jogo fraco. Para se salvar, o Livorno precisa marcar, no mínimo, 15 pontos dos 21 que ainda estão em disputa.

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Seleção da 31ª rodada
Gillet (Bari); Lichtsteiner (Lazio), Cannavaro (Napoli), Migliaccio (Palermo), Cassetti (Roma); De Rossi (Roma), Bertolo (Palermo); Santana (Fiorentina), Jovetic (Fiorentina), Vucinic (Roma); Miccoli (Palermo)

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