Brasileiros no calcio

Athirson: o ‘Roberto Carlos do Fla’ só fez 5 jogos na Itália

Formado nas divisões de base do Flamengo e lançado nos profissionais do clube em 1996 por Joel Santana, o lateral-esquerdo Athirson não demorou a cair nas graças da torcida de seu time do coração. Habilidoso, ofensivo e bom de papo, aos 19 anos já era titular rubro-negro, deixando Gilberto (hoje, armador do Cruzeiro) no banco. Naquele ano, o Jornal dos Sports já o comparava com o histórico Júnior: “o Roberto Carlos do Flamengo”. O jornal O Dia passava pelo mesmo caminho: “maior revelação do clube nos últimos anos”.

Athirson passou alguns meses de 1998 emprestado ao Santos e foi titular na conquista da Copa Conmebol, num time com Argel, Narciso e Viola. Ainda assim, não convenceu Emerson Leão a apostar em seu futebol. Retornou ao Flamengo e defendeu o clube da Gávea até 2001, quando recusou o Barcelona e seguiu para a Juventus no último dia da janela de transferências de janeiro. Para os torcedores, estava claro: era um traidor.

Afinal, o Flamengo não pretendia liberar Athirson, mas o jogador já mirava a vida no futebol europeu e saiu no fim de seu contrato. Uma batalha judicial somou-se a uma pubalgia para tirá-lo dos campos por três meses. Logo no seu primeiro treinamento em Turim, em 1º de fevereiro daquele ano, a imprensa italiana já garantia: era lento demais para ser lateral-esquerdo na Itália. Mas Luciano Moggi era seu advogado. Quando perguntado o porquê de não contratar brasileiros para a Juventus e ter aberto exceção para Athirson, foi simples: “Por quê? Porque este é bom”.

Sua estreia só veio em 31 de março, num empate com o Brescia dentro de casa. Substituiu um Zidane gripado aos 28 minutos do segundo tempo enquanto a Juve ainda vencia no Delle Alpi, mas viu o time ceder o gol do 1 a 1 para Roberto Baggio e, assim, a liderança da Serie A 2000-01. A partir daí, foram só mais quatro jogos, nenhum por completo. Com o scudetto perdido para a Roma ao fim da temporada e a chegada de Marcello Lippi em julho, se viu sem chances e disse a quem quisesse ouvir que pretendia voltar ao Brasil por empréstimo. Os espanhóis do Celta de Vigo fizeram uma proposta, Palmeiras e Flamengo se interessaram, mas Athirson ficou. E foi afastado do elenco principal.

No fim das contas, acabou emprestado ao Flamengo em 2002 e 2003. Voltou à Turim, rescindiu seu contrato pagando uma multa de 2 milhões de euros, arriscou-se no CSKA Moscou entre fevereiro e julho, mas voltou ao clube rubro-negro, no qual terminou o ano de 2004. De novo em destaque no cenário nacional, foi especulado um retorno à Itália, pela Fiorentina, mas o suposto interesse não se concretizou. Em 2005, Athirson jogou o primeiro semestre pelo Cruzeiro e foi vendido para o Bayer Leverkusen, mas não se adaptou e acabou voltando ao futebol brasileiro. Desde então, atuou por Botafogo, Brasiliense e Portuguesa. Jogou tão bem pela Lusa que convenceu o Cruzeiro a recuperá-lo para a Libertadores, mas acabou de volta ao futebol paulista em 2010. Mas sempre estará nas principais listas das piores contratações da Juventus.

Athirson Mazolli e Oliveira
Nascimento: 16 de janeiro de 1977, no Rio de Janeiro
Posição: lateral-esquerdo e meio-campista
Clubes: Flamengo (1996-98, 1999-2000, 2002-03, 2004), Santos (1998), Juventus (2001-02), CSKA Moscou (2004), Cruzeiro (2005, 2009), Bayer Leverkusen (2005-07), Botafogo (2007), Brasiliense (2008), Portuguesa (2008-09, 2010)
Seleção brasileira: 5 jogos
Títulos: 2 Campeonatos Cariocas (1999, 2000), 2 Taças Guanabara (1999, 2004), 1 Taça Rio (2000), 1 Torneio Rio-São Paulo (1999), 1 Copa Ouro (1996), 1 Copa Conmebol (1998), 1 Copa Mercosul (1999), 1 Torneio de Toulon (1996)

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