Seleção italiana

Tempo de experimentar

Prandelli, dividido: não quer fazer mais testes, mas não tem opção (Getty Images)

Nesta sexta-feira, a Itália volta a campo para esquecer os vexames recentes. Para além da derrota para a Costa do Marfim no amistoso de três semanas atrás, o fracasso na Copa do Mundo continua na memória do país. Na estreia pelas Eliminatórias da Euro 2012, a Nazionale vai a Tallin, jogar com a Estônia. Os destaques do time são o goleiro Pareiko, o armador Lindpere e o veterano centroavante Oper. Na próxima terça-feira, a seleção das Ilhas Faroé será a adversária, em Florença. O time passa por renovação e não contará com o atacante Jacobsen, que já marcou em Buffon.

Jogos fáceis, em tese. Mas vale lembrar os tropeços italianos em jogos oficiais nos últimos quatro anos. Nas Eliminatórias para a Copa, não dá para esquecer a vitória suada sobre o Chipre (3 a 2, com gol de Gilardino no último minuto) e o empate com a Irlanda (2 a 2, outro gol de Gilardino nos acréscimos). Para a Euro passada, chamou atenção o empate com a Lituânia (1 a 1). Além dos empates com Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia, durante a Copa do Mundo.

Até por isso, Cesare Prandelli disse que vai evitar testes em seu segundo jogo como técnico azzurro: “Existem pontos em jogo, por isso não vamos fazer experimentos”. Quer conseguir vitórias para marcar o início do ciclo. Sabe bem que, com um começo trôpego como foi o de Roberto Donadoni, pode ver abalada a confiança em seu trabalho.

Mas não é o que a convocação do técnico dá a entender. Entre os 23 jogadores, estão cinco que jamais haviam sido chamados (Antonelli, Bovo, De Silvestri, Gastaldello e Cigarini), além de mais três que ainda não jogaram com a camisa azzurra (Mirante, Viviano e Lazzari). Dos 15 restantes, outros cinco não chegaram a dez partidas, e o ponto crítico está na defesa.

Para o setor, Prandelli deve apostar na continuidade de Sirigu entre as traves, ainda que o goleiro do Palermo tenha se mostrado inseguro nas primeiras partidas da temporada. A linha defensiva deve contar com formação inédita: Cassani, Bonucci, Chiellini e Molinaro. Motta, mal contra a Costa do Marfim, não foi chamado. A dupla juventina na zaga foi muito bem contra o Bari e inspira confiança. No Stuttgart, Molinaro não travessa boa fase defensiva.

Sem Balotelli e Amauri, lesionados, Prandelli deve voltar ao 4-3-3. O meio-campo seria composto por De Rossi, Pirlo e um entre Palombo e Montolivo. Arriscado: De Rossi, capitão da equipe até o retorno do Buffon, ainda não está fisicamente bem. No ataque, falta combinar o parceiro para a dupla da Sampdoria. Nesta formação, Cassano e Pazzini têm vaga certa. A outra posição deve ficar entre Pepe e Rossi. Ou seja, é cedo para o treinador dizer que as experimentações já foram abandonadas.

O time de hoje, ainda em formação, é suficiente para bater Estônia e Ilhas Faroé. Mas estes são jogos que devem ser tratados com seriedade para, num futuro próximo, a base italiana estar pronta para desafios maiores. O elenco não é o mesmo, talentoso, de competições passadas. Receitar trabalho é clichê, mas não há outro caminho para os tetracampeões mundiais.

Os convocados
Goleiros: Mirante (Parma), Sirigu (Palermo), Viviano (Bologna)
Defensores: Antonelli (Parma), Bonucci (Juventus), Bovo (Palermo), Cassani (Palermo), Chiellini (Juventus), De Silvestri (Fiorentina), Gastaldello (Sampdoria), Molinaro (Stuttgart)
Meio-campistas: Cigarini (Sevilla), De Rossi (Roma), Lazzari (Cagliari), Montolivo (Fiorentina), Palombo (Sampdoria), Pirlo (Milan)
Atacantes: Cassano (Sampdoria), Gilardino (Fiorentina), Pazzini (Sampdoria), Pepe (Juventus), Quagliarella (Juventus), Rossi (Villarreal)

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