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Esse cara sou eu

Tévez chega à Juve com status de salvador do ataque, assume a 10 de Del Piero
e não se intimida: “No Boca, vesti a 10 de Maradona” (Foto: Alessandro Falzone/AP)

Foram pelo menos três temporadas de tentativas frustradas, antes que a Juventus finalmente conseguisse contratar o tão falado “Top Player”. Nomes como Falcão Garcia e Van Persie circularam nos bastidores do clube nos últimos anos, mas nunca saíram do papel. Ao fim de cada janela de transferências, os torcedores ficavam com aquele gostinho amargo na boca, de que faltava algo.

Dessa vez, mal abriu a janela de transferências e a Velha Senhora já apresentou um reforço e tanto. Tévez é o jogador que a Juve procurava e precisava para dar um salto de qualidade e bater de frente com os maiores clubes da Europa. Sob o comando de Antonio Conte, a equipe voltou a se impor em solo italiano, com defesa e meio de campo sólidos. Faltava um ataque decisivo, que fizesse diferença também fora da bota, jogando Liga dos Campeões. 

Não falta mais. O argentino de 29 anos tem boas passagens por todos os clubes em que já jogou e está acostumado a disputar grandes torneios. Mais do que experiência, Tévez agrega qualidade técnica e tática ao grupo bianconero. Ele se encaixa perfeitamente no 3-5-2 em que a Juve joga atualmente, fazendo as vezes de segundo atacante, que sai da área para buscar a bola, com Llorente (ou Vucinic) centralizado.

Mas agora Conte ganha mais opções táticas. Com Tévez, fica mais fácil para o técnico mudar de esquema até durante as partidas. Provavelmente, o 4-2-3-1 será mais frequente na Juventus nesta temporada. O argentino ocuparia o lado esquerdo da linha de três atrás de um atacante isolado (Llorente). O problema deste esquema é que Pirlo perderia espaço. Vidal e Pogba ficariam à frente da zaga, para dar maior proteção ao time, que teria sempre quatro homens na frente.

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Outra alternativa é o 4-3-3. Nesse caso, Pirlo continuaria posicionado como regista e teria à sua frente Vidal e Marchisio (ou Pogba). Tévez e Vucinic jogariam abertos pelos lados, municiando Llorente no centro da área. De um jeito ou de outro, o torcedor bianconero pode ter uma certeza: fazer gols não será mais um problema, como foi nas últimas temporadas. Tévez e Llorente são dois goleadores e com estilos diferentes. Porém, o período de transferências está apenas começando e Jovetic e Diamanti ainda são sonhos da diretoria juventina. Muita coisa deve mudar até o início do campeonato.

Custo-benefício

Mais do que uma boa aquisição em termos técnicos e táticos, Tévez é também uma solução para o bolso da Juventus. Especula-se que o ex-atacante do Manchester City tenha custado “apenas” 12 milhões de euros aos cofres da Juve. O valor é menor que a metade do que Fiorentina e Real Madrid queriam por Jovetic e Higuaín, respectivamente: € 30 milhões.

O temperamento e mudanças de humor do atacante é que devem preocupar a comissão técnica juventina. Por onde passou, Carlitos acumulou discussões e afastamentos por mau comportamento. Pedido pessoal de Antonio Conte, Tévez já deve ter tido uma conversa com seu novo comandante, que já mostrou em outras ocasiões ter pulso firme e não aturar insubordinações. Na temporada 2011-12, por exemplo, jogadores caros como Milos Krasic e Amauri caíram no ostracismo porque Conte não confiava neles.

Para se resguardar de ter prejuízo com os problemas pessoais do atacante argentino, a Juve firmou um contrato curto, de apenas duas temporadas. Em 30 de junho de 2016, acaba o compromisso entre as partes e Tévez vai embora, se não estiver agradando. Conta a favor do jogador que suas primeiras temporadas em um novo clube normalmente são suas melhores. É quando ele ainda está motivado e focado, sem preocupações de mudar de ares. 

Os números de Tévez
Boca Juniors (2001-04)
38 gols em 110 jogos

Corinthians (2004-06)
46 gols em 76 jogos

West Ham (2006-07)
sete gols em 29 jogos

Manchester United (2007-09)
34 gols em 99 jogos

Manchester City (2009-13)
73 gols em 138 jogos

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