Seleção italiana

Itália segue preguiçosa quando há pouco em jogo

Mesmo jogando mal, Itália achou gol no final do jogo e deverá ser cabeça de chave na Copa 2014 (Ansa)

Com a vaga garantida para a Copa do Mundo de 2014 e tendo apenas que se confirmar como cabeça de chave, a Itália entrou em campo nesta sexta-feira sem muito motivo para correr. E parece que os comandados de Cesare Prandelli levaram isso à risca.

Uma Nazionale muito preguiçosa se viu dominada por uma desesperada Dinamarca, que buscava se manter viva, mesmo com remotas chances de  ir aos play-offs europeus. A Itália pouco produziu na frente com os sonâmbulos Osvaldo e Diamanti, e ainda fez Ranocchia, Chiellini e Buffon suarem por causa da lentidão do trivote no meio-campo e da péssima atuação dos laterais De Silvestri e Balzaretti. Apesar da pouca importância do jogo, não deixa de preocupar um pouco, além de o fato de Prandelli rodar tanto o elenco e ainda não ter definido uma identidade clara para o time.

Como observou bem David Swan, do site Football Italia, o treinador da Squadra Azzurra dá a entender que não tem uma forma exata de como o seu time deve se comportar em campo. 4-3-1-2, com dois atacantes e um trequartista? 4-3-2-1 com um centroavante e dois meias? Ou o seu preferido, o 4-3-3, mas pouco testado, mesmo com bons pontas? Ou ainda o 3-5-2, que pouco rendeu nas Eliminatórias, mas funcionou bem na Copa das Confederações com um 3-6-1? Dúvidas e mais dúvidas. Além disso, preocupa o fato de os jogadores testados nas laterais não terem correspondido – o que pode dar mais chances ao bom Pasqual, da Fiorentina, e o que dá mais esperanças para Maggio, Abate e De Sciglio, que devem estar no Mundial; Antonelli, do Genoa, também segue com chances.

Em Copenhague, o 4-3-2-1 foi todo desestruturado por uma Dinamarca que rodava a bola e buscava a todo momento as jogadas pelas laterais, especialmente pela sua esquerda (aqui), com Boilesen ultrapassando Candreva e a dupla Krohn-Dehli e Eriksen confundindo a marcação do desatento De Silvestri. Além disso, Bendtner colocava pressão sobre Balzaretti. Dessa forma saíram os dois gols dinamarqueses e outras várias jogadas perigosas, ou cortadas pelos zagueiros (e isso explica o alto número de escanteios, 11 a 1 para o time da casa) ou defendidas por Buffon, em seu jogo de número 137, passando Cannavaro como o jogador com mais partidas oficiais pela Nazionale.

O confuso 4-3-2-1 de Prandelli dependia da vontade de Montolivo e Thiago Motta para organizarem o jogo e darem o último passe, já que Diamanti não o fazia, totalmente dominado por Kvist e Zimling. O trequartista só atacava quando Osvaldo se desamarrava de Bjelland e Agger, e Candreva ultrapassava pela direita, o que não acontecia com Marchisio pela esquerda. Na prática, claro, não funcionou, mas num passe longo de Motta para Osvaldo, com este limpando a marcação e vencendo Andersen, a Itália abriu o marcador aos 28.

Não foi o suficiente, já que, depois de muita pressão, a Dinamarca igualou na última jogada do primeiro tempo, quando Krohn-Dehli recebeu livre na esquerda e cruzou para o cabeceio de Bendtner, vencendo sem dificuldades o atrasado Balzaretti. Na volta do intervalo, um jogo mais movimentado, mas novamente uma Dinamarca superior. Marcando por pressão, o time da casa sufocava, mas também dava espaço para os contra-ataques. Só assim Diamanti conseguiu aparecer, achando Osvaldo e Marchisio, mas as chances não foram aproveitadas.

E como quem não faz, leva, os escandinavos viraram aos 79, novamente com Eriksen abrindo Krohn-Dehli à esquerda, e este cruzando para o grandalhão Bendtner subir, aproveitando as limitações de Balzaretti na bola aérea. O suficiente para despertar a Itália, que foi em busca do empate para evitar a perda da invencibilidade. No abafa, a seleção conseguiu, já nos acréscimos, quando após chute de Osvaldo, Aquilani desviou e a bola entrou mansa no gol dinamarquês. Com o resultado, a Dinamarca acabou eliminada, e a Itália, de certa forma, se vingou da combinação de resultados entre daneses e suecos, que tirou a Squadra Azzurra das oitavas de final na Euro 2004.

Mais líder do que nunca no Grupo B, com oito pontos sobre as irregulares e eliminadas seleções de Bulgária (13 pontos), Dinamarca (13), República Tcheca (12) e Armênia (12), a preguiçosa Itália entrará em campo novamente nesta terça-feira contra a Armênia, voltando a jogar em Nápoles, onde não atua desde 2006, quando venceu a Lituânia pelas Eliminatórias para a Copa de 2010.

Ficha técnica: Dinamarca-Itália 2-2

Dinamarca (4-2-3-1): Andersen; Jacobsen, Bjelland, Agger, Boilesen; Zimling, Kvist; Braithwaite, Eriksen, Krohn-Dehli; Bendtner. T: Morten Olsen

Itália (4-3-2-1): Buffon; Balzaretti, Chiellini, Ranocchia, De Silvestri; Thiago Motta, Montolivo, Marchisio; Candreva, Diamanti; Osvaldo. T: Cesare Prandelli

Árbitro: Stéphane Lannoy (FRA)

Gols: Osvaldo 28′, Bendtner 45+1 e 79′, Aquilani 90+1 – veja os gols aqui

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