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Serie B: o ano do galo?

De acordo com o horóscopo chinês, 2017 é o ano do galo. No entanto, o Bari quer que a temporada 2017-2018 inteira seja dos galos da Apúlia. Desde o rebaixamento, em 2011, os biancorossi bateram na trave e quase conseguiram o acesso em 2014 e em 2015, quando foram eliminados nos play-offs. Neste período, passaram pelo banco da equipe técnicos como Stefano Colantuono, ex-Atalanta; Davide Nicola, atualmente no Crotone; e Roberto Stellone, responsável pelo primeiro acesso da história do Frosinone, há dois anos. No entanto, é pelas mãos do inexperiente Fabio Grosso, tetracampeão mundial em 2006, que os baresi têm grande esperança no retorno à Serie A.

Depois de três derrotas nas quatro primeiras rodadas, o Bari emendou uma sequência de sete vitórias seguidas em casa e assumiu a liderança isolada da competição com 29 pontos. É a menor pontuação de um primeiro colocado depois de 16 rodadas desde o tríplice empate de Empoli, Sassuolo e Grosseto em 2008-2009, o que dá uma amostra do equilíbrio da competição. O destaque da equipe é o atacante Cristian Galano, ex-Vicenza, que já marcou 10 gols. Careca, canhoto, habilidoso e dono de um chute potente, ele é apelidado de “Robben da Apúlia”.

Embora Galano e o Bari despontem, o equilíbrio, uma marca da segundona, promete ser uma tônica ainda maior nesta temporada. A diferença do líder Bari para o sexto colocado Venezia é de apenas quatro pontos, por exemplo. Time com maior orçamento entre todos, o Palermo seria o maior favorito para voltar à elite do futebol italiano com facilidade. No entanto, a despeito do ótimo desempenho do atacante macedônio Ilija Nestorovski, dono de 10 tentos, o clube rosanero vive uma incerteza administrativa que pode influenciar dentro de campo.

Palermo tenta se unir em campo para driblar problemas administrativos (Foto: LegaB)

O sempre polêmico proprietário Maurizio Zamparini, conhecido “triturador de técnicos”, anunciou ao final da última temporada que iria vender o clube da principal cidade da Sicília. No entanto, as negociações não deram certo e agora Zamparini tem um enorme “abacaxi” para descascar. Com uma dívida orçada em aproximadamente € 70 milhões, o Palermo e seu dono são investigados por uma suposta ocultação dos balanços financeiros e um processo de falência já foi aberto.

Caso o manda-chuva não encontre garantias para sanar os débitos ou não consiga achar um novo dono, o Palermo corre risco de falir definitivamente e ter de recomeçar das divisões amadoras, como o Parma. Mesmo assim, os palermitanos seguem na briga na parte de cima da tabela, com muitos empates e somente duas derrotas em 16 rodadas.

Desafio do Parma é manter a regularidade (Foto: LegaB)

Parma, Frosinone e Empoli também largaram bem por uma das duas vagas diretas na primeira divisão. No entanto, a irregularidade tem sido a principal marca destas três equipes. Com cinco triunfos em seis jogos, os parmigiani deram impressão de que embalariam, mas uma derrota fora de casa para o Carpi freou a reação dos crociati, que tentam o terceiro acesso seguido na caminhada desde a melancólica falência em 2015.

Os frusinati, por sua vez, bateram na trave na última temporada: terminaram com a mesma pontuação do vice-campeão Verona, mas acabaram nos play-offs por causa dos critérios de desempate, e foram eliminados no mata-mata. A diretoria do Frosinone conseguiu segurar nomes importantes da boa campanha, como o atacante Ciofani, e, após a inauguração de seu novo estádio, o Benito Stirpe, o time do Lácio ainda não perdeu em casa. No entanto, os canarinhos tropeçam constantemente: já foram oito empates em 16 jogos. Só a penúltima colocada Ternana tem mais igualdades, com 10.

A dupla tem um ponto a mais do que os empolesi, que também tiveram um início promissor, mas não conseguiram manter a regularidade. A equipe treinada por Vincenzo Vivarini tem o melhor ataque da Serie B, com 34 gols marcados, mas também a quinta pior defesa, com 27 gols sofridos, à frente apenas de Ternana, Cesena, Foggia e Pescara. Com estes números, vai ser difícil se manter no pelotão de cima.

Pippo Inzaghi vem se firmando como um técnico promissor (Foto: LegaB)

Destaques honrosos também para os novatos Venezia e Cremonese, que tentam repetir os fenômenos de Spal e Benevento, que ascenderam à elite logo no primeiro ano após o acesso à Serie B. Treinados por Filippo Inzaghi, os lagunari do Vêneto perderam apenas três partidas e estão na zona de play-offs, assim como os griogiorossi. Por outro lado, o Perugia, que começou marcando 13 gols nas quatro rodadas iniciais, desceu a ladeira ao lado do Pescara de Zdenek Zeman: as duas equipes, cotadas para brigar pelo acesso, foram parar na beira da zona de rebaixamento, embora a distância entre os últimos e os primeiros seja bem curta.

Na degola, o Cesena segue decepcionando, com apenas quatro triunfos nas 16 primeiras rodadas, e tem a companhia da Ternana e Ascoli no fundo do poço. O time da cidade de Terni vem colecionando salvações heroicas nos últimos anos, e, nesta temporada, com um dos elencos mais pobres da Serie B, a luta vai ser novamente pela permanência na segunda divisão. Os rossoverdi precisaram até vender o nome do clube (agora chamado Ternana Unicusano) para, com o dinheiro da transação, poderem se inscrever na competição.

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