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O ítalo-venezulano Massimo Margiotta construiu sua carreira com gols nas divisões inferiores

No futebol italiano é bastante comum vermos o surgimento dos chamados “bomber di provincia”. São os atacantes que se destacam em equipes regionais e constroem suas carreiras nelas, sem que necessariamente precisem passar por um grande clube para provar seu valor. Massimo Margiotta é mais um desses casos: o ítalo-venezuelano defendeu vários times italianos nos anos 1990 e 2000, obtendo destaque principalmente com a camisa do Vicenza.

Nascido em Maracaibo, segunda maior cidade da Venezuela, Margiotta é filho de um casal de italianos que viveu no país sul-americano durante a década de 1970. Quando Massimo completou oito anos, seus pais trocaram o Caribe venezuelano pelo retorno aos Abruzos – mais exatamente à pequena comuna de Raiano. E foi no Pescara, principal time da região, que o garoto foi aprovado na primeira peneira. No clube biancazzurro, começou sua carreira como atacante em 1994.

Margiotta defendeu os golfinhos por três temporadas, todas na Serie B. O jovem ganhou projeção no Pescara e, além de ter sido convocado para a seleção italiana sub-18, recebeu um contrato vantajoso no Cosenza: o time calabrês acabara de ser rebaixado para a terceira divisão e queria apostar no ítalo-venezuelano como estrela de uma campanha de retorno imediato à categoria. Massimo topou.

Na Calábria, Margiotta ficou apenas uma temporada. O suficiente para ser peça-chave para a excelente campanha dos cosentinos. Massimo foi o artilheiro do Grupo B da Serie C1, com 19 gols, e levou o Cosenza à liderança da chave – que valia o acesso para a segundona. Posteriormente, o atacante vestiu as camisas de Lecce e Reggiana.

Margiotta anotou 17 gols na Serie B 1998-99: sete pelos giallorossi, promovidos, e 10 pelos granata, rebaixados. O ítalo-venezuelano, já com status de membro da seleção sub-21 italiana, foi o segundo maior artilheiro do Lecce e o goleador da Reggiana, equipe que manteve viva até a última rodada – quando, ironicamente, acabou rebaixada por causa de uma vitória do Cosenza. O desempenho lhe rendeu a transferência à Udinese, onde teve a primeira oportunidade de disputar a elite italiana.

Numa das poucas chances que teve em times da elite, Margiotta aprontou com a camisa da Udinese (imago/Buzzi)

O grandalhão de 1,87m foi pouco utilizado em sua primeira temporada em Údine, mas foi nela em que viveu o seu grande momento pela equipe bianconera. Este marco ocorreu na terceira fase da Copa Uefa, quando a Udinese teve pela frente o Bayer Leverkusen de Michael Ballack, Zé Roberto e Vratislav Gresko.

Os italianos precisavam virar o confronto fora de casa, já que os alemães haviam vencido por 1 a 0 no Friuli. Margiotta teve de ser escalado no ataque ao lado de Roberto Muzzi, pois o argentino Roberto Sosa desfalcaria a equipe treinada por Luigi De Canio. No fim das contas, o venezuelano anotou os dois gols da vitória por 2 a 1 e se tornou o herói da classificação dos friulanos, num jogo que, possivelmente, foi o melhor de sua carreira.

Ao final daquela temporada, Margiotta foi premiado por Marco Tardelli com uma convocação aos Jogos Olímpicos de Sidney, nos quais representaria a Itália. Massimo fez quatro partidas na competição, mas passou em branco. Foi a última vez que o bomber vestiu a camisa azzurra: dali em diante, não recebeu nenhuma chamada para a seleção principal e, em 2004, optou por defender a Venezuela.

Em 2000, Margiotta conquistou a Copa Intertoto – marcando uma vez na final, contra o Sigma Olomuc – e recebeu mais minutos em campo pela Udinese. Ainda assim, optou por assinar com o Vicenza no verão do ano seguinte, trocando a Serie A pela B. Massimo ganhava a condição de titular dos lanerossi, que tinham acabado de ser rebaixados e almejavam um retorno imediato à elite – o que não aconteceu até hoje. Apesar disso, conseguiu se firmar em um clube pela primeira vez na carreira e ganhou até apelido: Gladiatore.

Logo no ano de estreia, o gladiador ítalo-venezuelano foi artilheiro da equipe, com 15 gols, e na temporada seguinte anotou mais 12. Sua trajetória no Vêneto foi brevemente interrompida por um empréstimo de seis meses ao Perugia, naquela que representou a sua última oportunidade na elite.

O grandalhão Margiotta teve três passagens pelo Vicenza, clube com o qual mais se identificou (Sky Sport)

Somando todas as competições, o bomber balançou as redes nove vezes em 22 partidas pelo Perugia (quatro delas na Serie A), mas decidiu trocar o ambiente conturbado do clube presidido pelo excêntrico Luciano Gaucci pela volta à equipe do Vêneto. O objetivo era, ao lado do veterano Stefan Schwoch, evitar o rebaixamento dos berici à terceirona. Deu certo: em 17 partidas, marcou 10 gols e salvou o Vicenza.

Ao final da temporada, Massimo fez sua estreia pela seleção venezuelana, contra o Chile. Margiotta vestiu a camisa vinotinto em 11 ocasiões e chegou a disputar a Copa América de 2004, realizada no Peru: jogou as três partidas da fase de grupos e anotou um gol sobre os anfitriões, mas amargou a lanterna do Grupo A junto com a Venezuela. O centroavante também enfrentou o Brasil nas Eliminatórias para a Copa de 2006: ficou em campo só nos primeiros 45 minutos da partida, que acabou com goleada brasileira por 5 a 2.

Na reta final de sua careira, o gladiador voltou a peregrinar pela Itália. Teve curtas passagens por Piacenza e Frosinone, e em seguida um retorno ao Vicenza, sem o mesmo destaque de antes: em todos estes anos, acumulou campanhas de meio de tabela na Serie B e um baixo número de gols. O melhor desempenho ocorreu em 2006-07, com os 11 tentos pelo Frosinone.

Margiotta deixou o Vicenza pela última vez como jogador em 2010, totalizando 196 jogos e 55 gols pela equipe biancorossa. Tentos que o deixam entre os 10 maiores artilheiros dos berici. Massimo ainda disputou a terceira divisão de 2010-11 pelo Barletta antes de se aposentar.

Fora dos campos, o ítalo-venezuelano comentou a Copa América de 2011 pelo canal Sky Sports, da Itália. O bomber deixou a televisão para supervisionar as categorias de base do Vicenza e, em 2017, cometeu uma traição. Margiotta trocou o time alvirrubro, à beira da falência, para ser o responsável do setor juvenil de seu maior rival: o Hellas Verona.

Massimo Margiotta
Nascimento: 27 de julho de 1977, em Maracaibo, Venezuela
Posição: centroavante
Clubes: Pescara (1994-97), Cosenza (1997-98), Lecce (1998-99), Reggiana (1999), Udinese (1999-2001), Vicenza (2001-03, 2004-05 e 2008-10), Perugia (2003), Piacenza (2005-06), Frosinone (2006-08) e Barletta (2010-11)
Títulos: Serie C1 (1998) e Copa Intertoto (2000)
Seleção venezuelana: 11 jogos e 2 gols

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