Serie A

2ª rodada: em fim de semana de clássicos frenéticos, Juve voltou a derrubar o Napoli



Na rodada dos clássicos, a Serie A repetiu a dose do primeiro final de semana da temporada. Novamente, tivemos jogos animados, com amplas variações táticas e muitos gols. O Campeonato Italiano 2019-20 promete ser o melhor em muitos anos e confirma a volta do futebol da Bota ao topo do continente.

Juventus e Napoli fizeram uma partida empolgante, que terminou sendo bastante dolorosa para os partenopei, enquanto o Dérbi de Roma manteve o frenesi do sábado, mas acabou em empate. Por sua vez, Inter e Torino conseguiram vitórias importantes jogando fora de casa e dividem a liderança do campeonato com a Vecchia Signora. O Milan venceu a primeira e a Fiorentina acumulou seu segundo tropeço. Confira abaixo tudo o que rolou na segunda rodada da Serie A.

O jogão

Juventus 4-3 Napoli

Gols e assistências: Danilo (Douglas Costa), Higuaín (Matuidi), Ronaldo (Douglas Costa) e Koulibaly (contra); Manolas (Mário Rui), Lozano (Zielinski) e Di Lorenzo (Callejón)
Tops: Douglas Costa e Higuaín (Juventus); Mário Rui e Lozano (Napoli)
Flops: Can e De Ligt (Juventus); Koulibaly e Ghoulam (Napoli)

Allianz Stadium lotado, a maior rivalidade da Serie A nas últimas temporadas e uma oportunidade de demonstrar força. O Juventus e Napoli desta segunda rodada esteve sempre cercado de muita expectativa, mas acabou superando todas elas. Sarri – ainda que das tribunas – e Ancelotti, foram os arquitetos de uma partida fantástica. O napolitano, agora juventino, saiu na frente, ao manter muito da ideia de jogo do treinador anterior e buscar o controle do jogo através dos atributos físicos de Khedira e Matuidi. O primeiro tempo foi da Juve.

Ancelotti respondeu na segunda etapa, trocando Ghoulam por Mário Rui e promovendo a estreia de Lozano no campeonato. Sua equipe reagiu bem, ganhou profundidade pela esquerda e buscou uma desvantagem de três gols. O empate tinha sabor de vitória, mas um erro fatal de Koulibaly, no minuto final, sentenciou mais uma vitória da Vecchia Signora. Jogando em Turim, são agora oito vitórias dos bianconeri nos últimos nove duelos contra os azzurri.

Olho no lance

O dérbi romano foi bastante competitivo, mas a Lazio teve melhores chances (AP)

Lazio 1-1 Roma

Gols e assistências: Luis Alberto (Immobile); Kolarov (pênalti)
Tops: Luis Alberto e Correa (Lazio); Zaniolo e Pau López (Roma)
Flops: Luiz Felipe (Lazio) e Kluivert (Roma)

O dérbi romano colocou frente a frente duas equipes em estágios bem diferentes de trabalho. Nesse contexto, a longevidade de Inzaghi no comando da Lazio acabou sendo nitidamente percebida dentro de campo. Desde os primeiros minutos, sua equipe soube pressionar a saída de bola da Roma, bloquear a ajuda dos laterais e roubar a bola em campo ofensivo ou na zona central. Dessa maneira, acelerava o jogo com Correa e Luis Alberto e construía chances de gol.

Já a Roma não conseguiu em momento algum da partida ajustar sua saída mais curta, com Cristante e Pellegrini falhando nesse quesito, enquanto dupla de volantes. O jogo direto com Dzeko foi a saída encontrada e os chutes de fora com Zaniolo foram a melhor arma. No Olímpico, tivemos ao todo dez finalizações a gol (sete a três para a Lazio) e seis bolas na trave (quatro a dois para os mandantes). O jogo foi muito animado e merecíamos ter visto mais vezes a bola no fundo da rede.

Sassuolo 4-1 Sampdoria

Gols e assistências: Berardi (Caputo), Berardi (Duncan), Berardi (Duncan) e Traorè; Quagliarella (pênalti)
Tops: Berardi e Duncan (Sassuolo)
Flops: Vieira e Murru (Sampdoria)

O Mapei Stadium foi o palco da maior atuação individual do campeonato nessas duas primeiras rodadas. Berardi mostrou que, mesmo com as lesões e a queda de desempenho das últimas temporadas, seu talento continua presente. Afinal, o calabrês simplesmente acabou com o jogo, marcando uma tripletta. Foi a primeira vez que o ponta do Sassuolo fez mais do que um gol numa partida de Serie A desde maio de 2015, quando anotou três vezes contra o Milan.

Essa partida acabou expondo dois pontos extremos nos trabalhos de De Zerbi e Di Francesco. Enquanto o comandante dos neroverdi tem seu estilo de jogo muito bem assimilado pelos atletas, executando muito bem o jogo de posição, Di Francesco está começando o trabalho à frente dos blucerchiati e vai encontrando muitas dificuldades, sendo a principal delas a transição defensiva. Desde a temporada 2004-05 a Sampdoria não começava a Serie A com duas derrotas – e, nesse caso, que derrotas!

Atalanta 2-3 Torino

Gols e assistências: Zapata (Pasalic) e Zapata; Bonifazi (Baselli), Berenguer (Meïté) e Izzo (Baselli)
Tops: Zapata e Ilicic (Atalanta); Izzo e Baselli (Torino)
Flops: Gómez (Atalanta) e Djidji (Torino)

Dois dos projetos mais sólidos da Serie A na atualidade foram colocados frente a frente logo na segunda rodada. Jogando em Parma, já que o seu estádio está passando por reformas, a Atalanta de Gasperini encarou o Torino de Mazzarri num duelo de esquemas 3-4-2-1 que possuem funcionamentos bem diferentes. Enquanto a Dea busca um jogo pautado na movimentação em campo ofensivo e na qualidade técnica de seus jogadores, o Toro alcança o seu melhor através da dedicação para defender e na força física para transitar pelos flancos.

O jogo foi muito bom e marcado por diferentes momentos. O Torino começou melhor, conseguindo evitar que Ilicic recebesse a bola em zona central, enquanto tirava seu espaço para girar e direcionar as transições de sua equipe. O primeiro gol chegou através da bola parada, com Bonifazi, de cabeça. Depois do tento sofrido, os nerazzurri se encontraram em campo e Ilicic conseguiu participar mais do jogo, se desgarrando bem de Meïté. Com isso, a Dea empatou ainda no primeiro tempo. Após o intervalo, tivemos um jogo completamente aberto, com as duas equipes trocando contra-ataques e sem eficiência para conter os mecanismos ofensivos um do outro. Melhor para o Torino, que contou com uma grande jornada de Izzo, decisivo nas bolas áreas.

Os outros duelos

Lukaku reagiu ao racismo da torcida rival com um gol na Sardenha (Getty)

Cagliari 1-2 Inter

Gols e assistências: João Pedro (Nández); Martínez e Lukaku (pênalti)
Tops: João Pedro e Nández (Cagliari); Ranocchia e Sensi (Inter)
Flops: Pisacane e Cerri (Cagliari); Vecino e Brozovic (Inter)

Depois da goleada na primeira rodada, o torcedor nerazzurro se encheu de confiança e expectativas. Contudo, a jornada é longa e o trabalho de Conte está apenas começando. Para visitar um rival bastante complicado quando joga em seus domínios, o treinador da Inter optou por repetir a mesma equipe do jogo contra o Lecce, mantendo Ranocchia na defesa e Vecino no meio-campo. Já Maran optou por escalar o Cagliari no 3-5-2, espelhando o sistema da Beneamata, e buscou manter a posse de bola no começo do jogo, contando com Nainggolan como regista e Nández muito ativo como ala pelo lado direito.

A Inter respondeu bem, pressionando alto com Lukaku e Martínez, conseguindo recuperar a bola e trabalhando bastante as inversões de um lado a outro, com Candreva e Asamoah. O primeiro gol saiu no final do primeiro tempo e parecia condicionar o jogo na volta do intervalo, o que acabou não acontecendo. O Cagliari se lançou ao ataque para buscar o empate, mas não deixou buracos na defesa e cuidou muito bem da transição ofensiva dos nerazzurri.

João Pedro empatou após cruzamento de Nández e, com o resultado, o time de Maran recuou suas linhas, obrigando a Inter a trabalhar bastante em busca da vitória. Aos 72, Barella e Sensi trabalharam bem pelo centro e a jogada acabou no pênalti cometido por Pisacane, que Lukaku cobrou e definiu o placar. A nota lamentável da partida ficou por conta de mais um caso de racismo da reincidente torcida da casa, em gestos e cânticos direcionados ao belga. Antes, Kean, Matuidi e Muntari foram vítimas de atos racistas na Sardenha.

Milan 1-0 Brescia

Gols e assistências: Çalhanoglu (Suso)
Tops: Bennacer e Suso (Milan); Torregrossa e Joronen (Brescia)
Flops: André Silva (Milan) e Donnarumma (Brescia)

Depois de estrear com derrota no campeonato, o Milan precisava mostrar serviço diante do seu torcedor e os pouco mais de 56 mil torcedores que foram ao San Siro viram alguns pontos positivos no jogo do Diavolo. Bennacer conseguiu controlar bem o ritmo da partida, Suso teve uma grande exibição, funcionando como um criador ofensivo desde o lado direito do campo, e Rodríguez mostrou talento ofensivo para desequilibrar pelo setor oposto. Contudo, o trabalho de Giampaolo ainda está em estágio inicial e a equipe também oscilou, principalmente na volta do intervalo.

O Brescia, diferentemente da primeira rodada, não conseguiu aproveitar as brechas que o rival ofereceu. Isso porque Tonali e Donnarumma estiveram muito abaixo do esperado. O Milan fez um jogo morno por 30 minutos, na segunda etapa, mas a entrada de Borini fez com que a equipe aumentasse a intensidade e criasse chances para aumentar o placar. Joronen foi destaque mais uma vez, fazendo boas defesas e mantendo o saldo de sua equipe no zero.

Genoa 2-1 Fiorentina

Gols e assistências: Zapata (Ghiglione) e Kouamé (Radu); Pulgar (pênalti)
Tops: Ghiglione e Kouamé (Genoa)
Flops: Boateng e Milenkovic (Fiorentina)

Em mais uma rodada com bons jogos, Genoa e Fiorentina protagonizaram um bom espetáculo no Luigi Ferraris. O Genoa chegou animado pelo empate contra a Roma, no Olímpico, e a Fiorentina, mesmo tendo perdido para o Napoli na estreia, demonstrou boas ideias e deixou uma imagem positiva. Nem tão boa no Marassi, porém.

Andreazzoli ajustou o Empoli no final da temporada passada, quando passou a jogar no 3-5-2, e agora vai repetindo a dose com o Genoa, onde tem melhor material humano para trabalho. Pelos lados do campo, Ghiglione e Barreca foram decisivos, e Zapata também esteve muito bem, no papel de sustentáculo da defesa. Por sua vez, a Viola ainda encontra alguns problemas na sua transição defensiva e Montella tem muitos aspectos para ajustar nas próximas rodadas. Porém, Pulgar novamente demonstrou que é um dos melhores volantes do campeonato e Sottil tem muita maturidade para sua idade. No fim, vitória para a equipe com maior equilíbrio defensivo.

Bologna 1-0 Spal

Gols e assistências: Soriano (Orsolini)
Tops: Orsolini e Tomiyasu (Bologna); Vicari e Igor (Spal)
Flops: Destro (Bologna) e Thiago Cionek (Spal)

O clássico da Emília-Romanha abriu a segunda rodada com louvor, e entregou uma partida bastante animada no Renato Dall’Ara. No jogo que marcou o retorno definitivo de Mihajlovic ao trabalho, depois de receber alta do hospital em que se trata de leucemia, o Bologna conseguiu se impor e buscou a vitória no minuto final. Assim como na primeira jornada, a Spal teve uma boa atuação.

Enquanto os os felsinei começaram a partida no 4-3-3 e buscaram o controle da posse de bola, os spallini se mantiveram fiéis ao seu estilo de jogo das últimas temporadas, atuando no 3-5-2, visando os duelos físicos no meio-campo e o contra-ataque pelos flancos. Igor foi novamente a melhor arma ofensiva da equipe de Semplici, mas o jovem Tomiyasu fez um bom jogo como lateral-direito e cuidou do brasileiro. Orsolini decidiu o jogo com seu talento já depois dos 90, com uma linda jogada que culminou no gol de Soriano. Os dois já haviam tido ótimas chances anteriormente, mas Berisha, a trave e a falta de pontaria haviam lhes negado a alegria.

Udinese 1-3 Parma

Gols e assistências: Lasagna; Gervinho (Kulusevski), Gagliolo (Kulusevski) e Inglese (Gervinho)
Tops: Kulusevski e Gervinho (Parma)
Flops: Musso e Rodrigo Becão (Udinese)

Udinese e Parma se enfrentaram na Dacia Arena, em uma noite de filmes repetidos. O time de Tudor, que começou bem o campeonato ao vencer o Milan na primeira rodada, repetiu o maior erro da temporada passada: não transformar em gol as chances que consegue criar. Já o Parma de D’Aversa, reiterou aquele que é seu maior mérito e aproveitou a oscilação normal das equipes no começo do campeonato para vencer jogos e acumular uma gordura útil.

O jogo começou com os friulanos jogando melhor, sempre apostando na transição ofensiva forte, comandada por De Paul. O gol de Lasagna, antes dos 20, animou a torcida, que já sonhava com mais uma vitória. Contudo, os minutos seguintes – que foram bons em termos de desempenho – acabaram custando caro. O time criou as chances, mas não as concretizou. O Parma empatou o jogo no final com Gervinho, antes do intervalo e teve toda a tranquilidade do mundo para aproveitar os espaços oferecidos pelo rival na segunda etapa e virar o jogo, ampliar o marcador e garantir a vitória. Destaque para a boa participação do promissor Kulusevski na construção dos gols e das intervenções do goleiro Sepe nos minutos finais.

O sonífero

Lecce 0-1 Verona

Gols e assistências: Pessina (Zaccagni)
Tops: Shakhov (Lecce) e Zaccagni (Verona)
Flops: Majer (Lecce) e Amrabat (Verona)

O Via del Mare foi palco de uma bonita festa para comemorar a volta dos salentinos à elite depois de sete temporadas. Lecce e Verona não se enfrentavam em uma partida de primeira divisão desde 2002, inclusive. O time de Liverani absorveu essa empolgação do torcedor e começou a partida jogando com bastante intensidade, tendo Falco como principal peça da criação ofensiva. Aos poucos, porém, o Hellas foi igualando as ações, se defendendo bem dentro do seu 3-5-2 e conseguindo somar muitas saídas pelo flanco esquerdo, na parceria de Lazovic e Zaccagni.

Falco criou duas chances claras de gol para Lapadula finalizar, mas Silvestri, goleiro do Hellas, estava inspirado e fez boas defesas. Com as chances perdidas, o Lecce deu margem para a lei do ex se fazer presente. Com passagem pelo Lecce entre 2015 e 2017, Pessina entrou no segundo tempo e marcou o gol da vitória, já no finalzinho. De forma surpreendente, o Verona conquistou uma importante vitória fora de casa, contra um rival direto na luta contra o rebaixamento, e já soma quatro pontos.

Seleção da rodada

Pau López (Roma); Tomiyasu (Bologna), Izzo (Torino), Gagliolo (Parma); Kulusevski (Parma), Duncan (Sassuolo), Sensi (Inter), Luis Alberto (Lazio); Gervinho (Parma), Higuaín (Juventus), Berardi (Sassuolo). Técnico: Roberto De Zerbi (Sassuolo).



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