Serie A

3ª rodada: com vitória simples, uma Inter ‘sensacional’ se isolou na liderança



Na volta do Campeonato Italiano, depois de uma breve pausa para a data Fifa, tivemos uma rodada muito intensa e com grandes jogos. Na parte de cima da tabela, a Inter venceu e se tornou o único time a manter 100% de aproveitamento, já que a Juventus deixou pontos pelo caminho em sua visita a Florença e o Torino vacilou em casa, contra o Lecce. Por sua vez, o Bologna conseguiu uma virada espetacular e continua invicto no campeonato, enquanto o Napoli mostrou maturidade após uma derrota pesada no clássico contra a Velha Senhora.

Atalanta, Milan e Roma também conseguiram vitórias importantes e a Lazio acabou sofrendo sua primeira derrota. As equipes recém-promovidas fizeram bons jogos, mostrando muita intensidade e dando indicações de que poderão lutar e sonhar com a permanência na elite. Confira abaixo tudo o que rolou na terceira rodada da Serie A.

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O jogão

Inter 1-0 Udinese

Gol e assistência: Sensi (Godín)
Tops: Sensi e Godín (Inter); Fofana e Musso (Udinese)
Flops: Barella e Lukaku (Inter); De Paul e Sema (Udinese)

No último jogo do sábado, Inter e Udinese se enfrentaram no San Siro, que mais uma vez recebeu um grande público. Os times fizeram um bom jogo, com muita alternância no ritmo e no controle das ações. Conte escalou a equipe no 3-4-2-1, com Politano oferecendo verticalidade pela direita e Sensi fazendo o papel de um “falso ponta” pelo lado esquerdo, ajudando na criação ofensiva e fazendo o jogo da Inter fluir. Já Tudor manteve o 3-5-2 de sua equipe, mas com mudança de peça muito importante: Fofana jogou como um segundo atacante, tendo a missão de pressionar Brozovic e dificultar a criação rival.

O jogo começou com a Inter tomando conta da partida, com intensidade e agressividade. Sensi foi protagonista, Candreva e Asamoah buscavam sempre a linha de fundo e muitas chances foram criadas. Nesse período, o goleiro Musso apareceu bem e segurou o placar. Depois dos 15 minutos iniciais, o ritmo mudou, com os friulanos tirando o encaixe da saída de bola rival e conseguindo criar chances importantes, tendo De Paul como protagonista. Depois de 10 minutos de controle do jogo, o mesmo De Paul perdeu a cabeça, agrediu Candreva e foi expulso.

A Inter recuperou o controle do jogo e não o soltou mais. A Beneamata criou o gol em uma inversão de Brozovic, que achou Godín em campo ofensivo. Após receber a bola, o zagueiro uruguaio cruzou para o baixinho Sensi marcar um raro gol de cabeça. No segundo tempo a Inter teve muito volume ofensivo, mas acabou não aumentando a vantagem, já que parou em Musso. Conte consegue três vitórias em três jogos e a equipe de Milão é a única concorrente com 100% de aproveitamento nesta Serie A.

Olho no lance

Ribéry levou a melhor no duelo com Ronaldo (LaPresse)

Fiorentina 0-0 Juventus

Tops: Pulgar e Ribéry (Fiorentina); Szczesny (Juventus)
Flops: Dalbert (Fiorentina); Bernardeschi e Matuidi (Juventus)

No Artemio Franchi, que recebeu um grande público, Fiorentina e Juventus abriram a terceira rodada logo com o jogo mais esperado do final de semana. O duelo colocou frente a frente Ribéry e Cristiano Ronaldo, que se encaravam pela primeira vez em solo italiano. O clássico também ofereceu à Viola uma chance de ouro de quebrar a sequência de 12 jogos sem vencer jogando em casa. Isso porque a Juventus perdeu Douglas Costa machucado aos 8 minutos, não conseguiu encontrar o seu ritmo habitual e também acabou perdendo Pjanic no final da primeira etapa. As lesões atrapalharam, mas a Velha Senhora não foi bem.

O time de Montella jogou no 3-5-2, buscando aumentar a quantidade de jogadores na recomposição defensiva, e trabalhou sem uma refêrencia no ataque. Lirola e Chiesa fizeram uma dobradinha pela direita e Dalbert e Ribéry repetindo a ideia pelo lado esquerdo. Pulgar foi o responsável por juntar os setores e, apesar de ter feito um bom jogo, não foi suficiente para ajudar sua equipe a chegar à vitória. Sarri buscou trabalhar seu jogo de posse de bola, mas sua equipe esteve abaixo da crítica em termos de entendimento coletivo e – principalmente – em intensidade. Szczesny foi fundamental para evitar a derrota bianconera.

Napoli 2-0 Sampdoria

Gols e assistências: Mertens (Di Lorenzo) e Mertens (Llorente)
Tops: Elmas e Mertens (Napoli); Ekdal (Sampdoria)
Flops: Murillo e Murru (Sampdoria)

Napoli e Sampdoria se enfrentaram em um duelo cercado por uma grande expectativa para muitos gols. As duas equipes entraram na rodada com as piores defesas do campeonato, com sete gols sofridos, e conservam histórico recente de jogos muito abertos entre elas. Contudo, tanto Ancelotti quanto Di Francesco trabalharam o jogo buscando uma consistência maior. O Napoli, através da qualidade de suas peças de meio-campo, com Zielinski voltando a atuar aberto pela esquerda e Ruiz formando a dupla de volantes com o jovem Elmas. Já a Sampdoria mudou do 4-3-3 para o 3-4-1-2, visando uma melhora em sua transição defensiva, que acabou sendo o ponto mais fraco nas primeiras rodadas.

Nesse contexto, a equipe partenopea conseguiu controlar a posse de bola, a utilizando também como mecanismo defensivo, e levou o jogo a seu gosto. Por outro lado, existiu uma melhora no jogo da equipe de Gênova, que foi mais competitiva, mas ainda concedeu muitos espaços à frente de sua área – o que favoreceu uma das melhores equipes do país. Zielinski jogou muito bem, sendo decisivo nos dois gols, e Mertens voltou a demonstrar o seu faro perante as redes. Pelo lado da Sampdoria, o jovem Léris entrou bem no segundo tempo e levou perigo à meta de Meret.

Roma 4-2 Sassuolo

Pellegrini roubou a cena na estreia de Mkhitaryan (AP)

Gols e assistências: Cristante (Pellegrini), Dzeko (Kolarov), Mkhitaryan (Pellegrini) e Kluivert (Pellegrini); Berardi e Berardi (Duncan)
Tops: Pellegrini e Mkhitaryan (Roma); Berardi (Sassuolo)
Flops: Ferrari e Peluso (Sassuolo)

O duelo entre Paulo Fonseca e De Zerbi prometia fartura de espaços, meio-campistas inspirados e muitas trocas de passes. Um jogo aberto, em suma. Foi exatamente o que aconteceu e, nesse contexto, brilhou a estrela de Pellegrini. Jogando como trequartista, o romano trucidou sua antiga equipe: forneceu três assistências e ainda acertou a trave na etapa final. O camisa 7 oferece uma alternativa muito interessante para o técnico português e ainda mostrou grande interação com Veretout e Mkhitaryan. Se o trio mantiver a regularidade, a Loba crescerá na competição.

Depois de decidir a peleja com 33 minutos, quando fez 4 a 0, a Roma relaxou. Jogando com menos intensidade, a equipe ainda acertou a trave duas vezes, mas deu mais campo para o Sassuolo. Berardi diminuiu com um golaço de falta e, pouco depois, anotou sua doppietta. Como romada pouca é bobagem, Fonseca reorganizou seu time, povoou o meio-campo e protegeu o flanco esquerdo para garantir o resultado.

Genoa 1-2 Atalanta

Gols e assistências: Criscito (pênalti); Muriel (pênalti) e Zapata (De Roon)
Tops: Romero e Criscito (Genoa); De Roon e D. Zapata (Atalanta)
Flops: C. Zapata e Lerager (Genoa); Djimsiti e Ilicic (Atalanta)

Abrindo o domingo, Genoa e Atalanta fizeram uma partida muito boa no Marassi. Enquanto Gasperini tem um trabalho sólido, de quatro temporadas à frente da Dea, Andreazzoli começa a construir uma identidade coletiva muito forte com os grifoni – e com bases similares à do adversário, com uma aposta no 3-4-1-2 e na transição ofensiva como arma mais forte do seu jogo. O primeiro tempo foi do Genoa, que controlou o jogo ao não oferecer um ritmo acelerado e as transições em poucos toques que a Dea tanto gosta: para isso, contou com um brutal trabalho de Romero e Criscito. A equipe da casa soube trabalhar o bloqueio das duas melhores armas da Atalanta – Ilicic e Gómez. O capitão Criscito avançou a marcação e foi perfeito na leitura de espaços, impedindo os apoios de Ilicic em zona central e, consequentemente, desabilitando desmarques de Zapata e Papu em profundidade.

No segundo tempo entretanto, o talento falou mais alto e a Dea levou mais uma vitória para casa – agora a Atalante tem oito partidas seguidas sem derrotas como visitante. Aos 60, Gasperini trocou Pasalic por De Roon e Ilicic por Muriel, mudando o panorama da peleja. De Roon ofereceu maior ajuda a Freuler, facilitou a batalha física no centro do campo e a mobilidade de Muriel, tirando o encaixe defensivo do Genoa. Dois minutos depois da entrada do colombiano, aconteceu o contra-ataque que a Atalanta tanto buscava: no encontro da família Zapata, Duván foi derrubado na área pelo primo Cristián. Muriel cobrou o pênalti e fez 1 a 0.

Aos 89, Kouamé conseguiu a jogada de um contra um que buscou durante toda a partida e também acabou sofrendo pênalti. Criscito bateu bem e empatou. O jogo parecia definido, mas, no último minuto, Zapata recebeu de De Roon, fez jogada individual e soltou uma pancada maravilhosa, no canto superior esquerdo, sem chance para Radu. Vitória imponente da Atalanta, que outra vez não jogou tudo o que pode, mas mostrou hierarquia e poder de decisão.

As viradas

Spal 2-1 Lazio

Gols e assistências: Petagna (Tomovic) e Kurtic; Immobile (pênalti)
Tops: Kurtic e Murgia (Spal)
Flops: Radu e Milinkovic-Savic (Lazio)

A Spal havia fustigado Atalanta e Bologna nas primeiras rodadas, mas não havia conseguido pontuar – por detalhes. Dessa vez, Semplici corrigiu o que era necessário, armou uma defesa mais atenta e conseguiu dominar a Lazio, ainda que a vitória tenha sido conquistada com uma virada no finalzinho. Do lado visitante, muitas peças decepcionaram: Milinkovic-Savic e Correa, principalmente, mas também Lazzari, que tantas vezes brilhou nos campos do Paolo Mazza enquanto defendia a Spal.

O goleiro Berisha até precisou trabalhar contra sua antiga equipe, mas a Lazio ameaçou pouco. Chegou ao gol, no primeiro tempo, graças a um pênalti por toque de mão de Tomovic. Immobile, apagado, até deixou sua marca, mas viu Caicedo aparecer mais. No segundo tempo, a Spal se compactou novamente após a entrada do brasileiro Gabriel Strefezza, que formou bom trio de meio-campo com Murgia (que carimba todas no setor) e Kurtic, autor do gol da vitória.

Brescia 3-4 Bologna

Gols e assistências: Donnarumma (Rômulo), Donnarumma (Mateju) e Cistana (Tonali); Bani (Sansone); Palacio (Orsolini), Sabelli (contra) e Orsolini (Palacio)
Tops: Donnarumma e Tonali (Brescia); Palacio e Orsolini (Bologna)
Flops: Dessena e Sabelli (Brescia); Skorupski e Soriano (Bologna)

Eis que a “defensiva” Serie A teve seu terceiro 4 a 3 em três rodada. No festival proporcionado por Brescia e Bologna, vitória de Mihajlovic, que ficou no hospital de Bolonha – passa por tratamento contra a leucemia – e foi visitado pelo elenco, de surpresa, em seu retorno à cidade. As duas equipes mantiveram o mesmo desenho tático das primeiras rodadas, com os biancazzurri jogando no 4-3-1-2 e dando muito peso às ações de Tonali no controle de meio-campo e a Donnarumma como comandante do ataque. Os rossoblù, por sua vez, entraram em campo em seu 4-2-3-1 já muito bem absorvido pelos atletas e um pesado trio de meias ofensivos, formado por Sansone, Soriano e Orsolini.

O jogo começou com muita intensidade e agressividade, e as duas equipes disputando cada bola como se fosse a última. Nesse momento, apareceu de maneira fundamental o regista Tonali. Apesar de tão jovem, o jogador da seleção sub-21 da Itália ditou as ações no primeiro tempo, conectando a equipe em campo ofensivo e permitindo que o experiente Rômulo tivesse um bom rendimento como elo entre o meio-campo e o ataque. Nesse contexto, Donnarumma apareceu com destaque e garantiu sua doppieta antes do intervalo.

No segundo tempo, o panorama mudou completamente quando o experiente Dessena foi juvenil e tentou cavar um pênalti logo aos quatro minutos – recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. Com um homem a mais em campo e tendo trocado Dzemaili por Santander ainda no intervalo, o Bologna lançou de vez sua equipe ao ataque e viu Sansone e Orsolini decidirem. O primeiro nem participou diretamente dos gols no segundo tempo, mas foi o jogador capaz de pensar diferente e conseguiu oferecer fluidez ao jogo da equipe. Já Orsolini foi vertical e preciso como sempre. O ponta deu a assistência para o segundo gol, cruzou a bola que Sabelli jogou contra a própria meta e marcando o gol da vitória já aos 80 minutos.

Os outros jogos

Piatek desencantou, num jogo com contornos deprimentes dentro e fora de campo (AP)

Verona 0-1 Milan

Gol: Piatek (pênalti)
Tops: Lazovic (Verona) e Rebic (Milan)
Flops: Stepinski (Verona) e Lucas Paquetá (Milan)

Apesar das emoções prolongadas até os segundos finais, Verona e Milan fizeram uma partida muito truncada e marcada por uma série de intervenções do árbitro Manganiello. O apitador começou expulsando o estreante Stepinski de maneira rigorosa, logo aos 20 minutos, num momento em que os donos da casa pressionavam os rossoneri. Com um a mais, o Diavolo só foi equilibrar o jogo no segundo tempo, depois que Rebic substituiu um nervoso Paquetá – ainda assim, após Calabria acertar a trave, Verre perdeu sua segunda oportunidade na partida ao também carimbar o poste.

Aos 68 minutos, após o árbitro marcar pênalti em toque de mão de Günter, Piatek desencantou. O polonês voltou a empurrar a bola para as redes, mas teve o tento anulado por falta (levíssima) no goleiro Silvestri. Para completar suas intervenções, Manganiello ainda expulsou Calabria nos últimos minutos e não interferiu quando ultras do Verona entoaram diversos cânticos racistas contra Kessié. A ópera-bufa ainda terminou com um posicionamento lamentável do Hellas, que negou o fato e ainda ironizou os rossoneri. Asqueroso.

Torino 1-2 Lecce

Gols e assistências: Belotti (pênalti); Diego Farias e Mancosu
Tops: Izzo e Baselli (Torino); Calderoni e Falco (Lecce)
Flops: De Silvestri e Sirigu (Torino); Rispoli e Tabanelli (Lecce)

Jogando no Olímpico de Turim, o Toro tinha uma grande oportunidade de chegar aos 9 pontos e dividir a liderança com a Inter. Contudo, não contava com a mudança do Lecce. Liverani planejou a partida de maneira perfeita, recuou suas linhas para tentar ganhar os rebotes e mudou um pouco a ideia de jogo do time, que foi ofensivo nas primeiras rodadas e acabou sem pontuar. A equipe de Mazzarri sofreu para encontrar um ritmo adequado dentro da partida, perdeu muitos duelos físicos no meio-campo, não somou saídas efetivas com seus alas e viu Belotti ser dominado pelos zagueiros.

O Torino não teve uma partida ruim defensivamente, mas acabou sucumbindo à má partida de Sirigu, que contribuiu para os dois gols do Lecce ao rebater bolas defensáveis para o centro da área. O Lecce não teve um grande volume ofensivo, como contra Verona e Inter, mas novamente viu Falco iluminar seus caminhos. O camisa 10 participou diretamente do primeiro gol, ao criar a chance de finalização, e clareou a jogada que resultou no segundo, outra vez utilizando sua qualidade de drible. Se quiser sonhar mais alto nessa temporada, o Torino vai precisar adicionar mecanismos para superar cenários adversos, como o de hoje.

Parma 1-3 Cagliari

Gols e assistências: Barillà (Darmian); Ceppitelli, Ceppitelli (Cigarini) e Simeone.
Tops: Darmian e Hernani (Parma); Ceppitelli e Nández (Cagliari)
Flops: Sepe e Gervinho (Parma); Castro e Pellegrini (Cagliari)

O Ennio Tardini foi o palco da primeira vitória do Cagliari no campeonato. Cercada de muitas expectativas pela janela de transferências que realizou, a equipe da Sardenha conseguiu se impor mesmo jogando fora de casa para somar seus primeiros pontos frente a um adversário que tem bom aproveitamento caseiro. Já o Parma, que tem um estilo de jogo muito bem definido, outra vez sofreu pela falta de variação tática. Como já ocorreu antes, se viu muito dependente de espaço para contra-atacar.

O zagueiro e capitão Ceppitelli foi decisivo para o triunfo dos casteddu, marcando dois gols no primeiro tempo e jogando com muita concentração na defesa. Outra peça muito importante para a equipe de Maran, foi Cigarini, que substituiu o lesionado Nainggolan, enfrentou seu antigo clube e fez um grande jogo: interagiu bem com Nández, controlou o ritmo do meio-campo e foi decisivo na bola parada. No lado do Parma, o destaque negativo fica para Gervinho, que esteve muito abaixo do habitual e complicou a ideia de jogo de sua equipe. O Parma não conseguiu sair do campo de defesa e somar ações efetivas no campo rival.

Seleção da rodada

Olsen (Cagliari); Godín (Inter), De Vrij (Inter), Ceppitelli (Cagliari); Nández (Cagliari), Sensi (Inter), Castrovilli (Fiorentina), Pellegrini (Roma), Orsolini (Bologna); Zapata (Atalanta), Mertens (Napoli). Técnico: Leonardo Semplici (Spal).



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