Serie A

5ª rodada: a Inter será a anti-Juventus?



Depois da quinta vitória na quinta rodada, é natural que a Inter comece a ser vista como a principal adversária da Juventus pelo scudetto. As rivais dispararam na tabela, mas para saber se isso se concretizará, contudo, será necessário aguardar mais jogos. A solidez necessária a um postulante ao título a equipe de Milão tem, e, por sua vez, o Napoli não tem mostrado. A rodada do meio de semana teve, também, a vitória da Atalanta sobre a Roma e o triunfo do Torino sobre o Milan, além do primeiro sucesso da Fiorentina desde fevereiro. Confira o que ocorreu entre terça e quinta.

Os jogões

Inter 1-0 Lazio

Gols e assistências: D’Ambrosio (Biraghi)
Tops: Handanovic e Biraghi (Inter)
Flops: Jony e Immobile (Lazio)

Cinco vitórias em cinco jogos para a Inter de Antonio Conte. Nunca na história nerazzurra um técnico havia começado um trabalho com tantos triunfos consecutivos pela Serie A. Ainda é cedo para cravar, mas a equipe nerazzurra tem oferecido as credenciais necessárias para se afirmar como a grande adversária da Juventus pelo título. A Beneamata tem um goleiro em grande fase, uma defesa quase intransponível, um meio-campo tão combativo quanto eficaz e, por fim, um elenco robusto, que corresponde quando é necessário fazer rodízio de peças. Tudo isso pode ser visto contra a Lazio.

De início, a opção de poupar Sensi e colocar Vecino em campo se revelou negativa para a Inter, que viu a Lazio ter as melhores oportunidades da primeira etapa – quase sempre através da criatividade de Luis Alberto e das conclusões de Correa. Atento, Handanovic respondeu com defesas importantes em sua partida de número 300 pelo clube.

Já Biraghi, em seu primeiro jogo na campanha, mostrou ser uma alternativa interessante a Asamoah. O jogador revelado pelos nerazzurri deu intensidade à ala canhota e ainda contribuiu com uma assistência para D’Ambrosio marcar (mais) um gol importante, aproveitando a deficiência de Jony em jogadas aéreas. Na segunda etapa, Barella entrou em definitivo no jogo, dominou o centro do campo e a Inter ficou perto de ampliar. Contudo, os donos da casa pararam em Strakosha e na mira ruim de Martínez.

Roma 0-2 Atalanta

Gols e assistências: Zapata (Freuler) e De Roon (Pasalic)
Tops: Zapata e Gollini (Atalanta)
Flops: Pau López e Florenzi (Roma); Palomino (Atalanta)

Os times de Gasperini não costumam entregar tudo o que podem no início da temporada. Por isso, atenção: a Atalanta já tem 10 pontos (o dobro do que tinha a esta altura em 2018-19) e é a terceira colocada. No Olímpico, a Dea fez mais uma grande partida para chegar a seu nono jogo de invencibilidade como visitante e ao sexto ano sem perder para a Roma na casa da adversária.

A Atalanta não foi muito efetiva do ponto de vista ofensivo até a entrada de Zapata, aos 60 minutos. Até então, a equipe visitante marcava alto, mas não conseguia anular a Roma: Dzeko parou em Gollini e Zaniolo, após driblar o goleiro, foi travado por Rafael Toloi. Contudo, Veretout errou na saída de bola aos 71 e a Dea articulou a jogada do gol de Zapata, que é mortal cara a cara com o goleiro. O colombiano ainda acertou a trave e foi muito importante para segurar a posse de bola em campo ofensivo e realizar a distribuição. No final, uma incrível falha coletiva da Roma possibilitou que a Atalanta saísse da capital com um placar ainda maior.

Olho no lance

Zapata e De Roon garantiram o triunfo da Atalanta no Olímpico (Getty)

Brescia 1-2 Juventus

Gols e assistências: Donnarumma (Rômulo); Chancellor (contra) e Pjanic
Tops: Joronen (Brescia) e Pjanic (Juventus)
Flops: Dessena (Brescia) e Alex Sandro (Juventus)

A Juventus voltou a jogar abaixo do que pode, mas exerceu seu poder e arrancou uma vitória importante sobre o organizado Brescia de Corini. Cada time teve um tempo de domínio e, nesse contexto, as situação começou desfavorável para a Juventus. Numa boa jogada de Tonali, a bola cruzou o campo e chegou a Donnarumma, que soltou um petardo e marcou seu quarto na Serie A. O estreante Balotelli também se apresentou com um foguete, mas dessa vez Szczesny foi mais reativo.

O gol da Juve, no final da primeira etapa, mudou o jogo. Sem Ronaldo, Sarri testou um 4-3-1-2, no qual Ramsey e Dybala se alternavam na criação, mas pouco conseguiu fruir nos primeiros 45 minutos. Até que, num escanteio, Chancellor e Joronen se atrapalharam e o empate saiu. A Velha Senhora cresceu após o intervalo e pressionou quase sempre em jogadas criadas pelo lado direito, mas o zagueiro venezuelano e o goleiro finlandês cresceram de rendimento e mantiveram o placar inalterado. A bola parada, contudo, voltou a salvar a Juve: após Dybala acertar a barreira, Pjanic coroou sua atuação – marcada pelo controle no centro do gramado – ao pegar o rebote e estufar as redes.

Torino 2-1 Milan

Gols e assistências: Belotti (Rincón) e Belotti; Piatek (pênalti)
Tops: Belotti e Sirigu (Torino); Rafael Leão (Milan)
Flops: Verdi (Torino) e Musacchio (Milan)

Nem mesmo quando mostra clara evolução o Milan consegue pontuar. Giampaolo voltou a utilizar Rafael Leão ao lado de Piatek e sacou Rodríguez e Biglia, colocando Hernandez e Bennacer em suas vagas. Com isso, o Diavolo jogou melhor e mandou no primeiro tempo contra o Torino, que é um mandante costumeiramente agressivo. Dessa forma, os rossoneri saíram na frente com Piatek e construíram o suficiente para ampliar. Contudo, Sirigu fez defesas importantíssimas e o camisa 9 milanista desperdiçou uma oportunidade incrível.

Aos 58 minutos, Mazzarri sacou Lyanco para colocar Ansaldi e soltou mais sua equipe. A alteração surtiu efeito e virou com dois gols num espaço de cinco minutos. Belotti, que já desperdiçara grande oportunidade antes do intervalo, contou com falha de Donnarumma e com a marcação pouco dura de Musacchio e Bennacer para virar o confronto. No finalzinho, a partida ficou aberta mesmo que o Toro tenha voltado à sua formação original. Já nos acréscimos, tanto Zaza quanto Piatek não conseguiram balançar as redes novamente, e o jogo terminou mesmo em 2 a 1. Com o placar, o Torino chegou aos 9 pontos, deixando o Milan com 6.

Enorme festa para os jogadores do Cagliari: time encerrou jejum contra o Napoli e conseguiu terceira vitória no campeonato (Getty)

Napoli 0-1 Cagliari

Gols e assistências: Castro (Nández)
Tops: Pisacane e Olsen (Cagliari)
Flops: Lozano e Koulibaly (Napoli)

Napoli monopolizou a posse de bola, circulou sua criação ofensiva de um lado ao outro, criou 30 finalizações, mas esbarrou no bom trabalho defensivo do Caglari. Nandez tirou um cruzamento lindo da cartola e Castro deu a vitória aos sardos.

O jogo no San Paolo foi o suprassumo do que o Napoli dos últimos tempos tem apresentado: enorme volume de ações ofensivas e proporcional quantidade de chances desperdiçadas. Em pleno San Paolo, o time de Ancelotti chegou a finalizar 30 vezes e só acertou o gol em cinco ocasiões – em três delas, Olsen fez grandes defesas. Dois chutes de Mertens explodiram na trave e o restante das oportunidades criadas, bem… não assustaram os sardos.

Se o Napoli precipita as suas jogadas e perde gols a rodo, o Cagliari de Maran mostrou o oposto. Só acertou uma vez o gol adversário e, nessa oportunidade, estufou as redes. Nández, que fez excelente trabalho pelo flanco direito, encontrou Castro com belo cruzamento e fez os casteddu pularem à frente no placar, aos 87 minutos. A expulsão de Koulibaly, na sequência, minou a reação napolitana. Com a vitória, o Cagliari encerrou um jejum de sete jogos sem vitórias contra o Napoli e empatou em pontos com o rival: ambos têm 9.

Fiorentina 2-1 Sampdoria

Gols e assistências: Pezzella (Ribéry) e Chiesa (Dalbert); Bonazzoli
Tops: Ribéry e Chiesa (Fiorentina)
Flops: Ramírez e Murillo (Sampdoria)

Demorou, mas Montella conseguiu sua primeira vitória no retorno à Fiorentina, após pouco mais de seis meses no cargo. A Viola também encerrou um jejum de 18 jogos sem triunfos – seu maior desde 1938 – e confirmou a evolução que vinha apresentando. O time toscano já poderia ter batido Juventus e Atalanta, mas não conseguiu por detalhes. Dessa vez, contra a Sampdoria, foram suficientes as boas atuações de Ribéry e Chiesa e a contribuição de Dalbert.

A Fiorentina atacou quase sempre pelas pontas, com Chiesa e Ribéry mudando de lado com frequência e Dalbert espetado pelo lado canhoto. Pelo meio, Pulgar e Castrovilli garantiram um bom funcionamento do time, oferecendo equilíbrio e verticalidade. A Sampdoria não atuou mal, mas a defesa voltou a conceder muitos espaços – mais ainda depois que Murillo foi expulso. Audero, com duas defesas difíceis, impediu que a equipe gigliata construísse um placar mais elástico.

Os outros jogos

Suspiro de alívio: Chiesa marcou e ajudou a Fiorentina a deixar para trás a pior sequência de sua história (Getty)

Genoa 0-0 Bologna

Tops: Criscito (Genoa) e Medel (Bologna)
Flops: Zapata (Genoa) e Sansone (Bologna)

Novamente, o Bologna teve grande dificuldade de colocar a bola na casinha. O time visitante fez uma partida melhor do que a dos donos da casa, mas não foi capaz de concretizá-las: das 18 finalizações, somente uma foi no gol. Até mesmo pênalti a equipe emiliana perdeu: Sansone acertou o travessão ao tentar anotar com uma cavadinha.

Se a articulação feita por Orsolini e Soriano não terminou por estufar as redes de Radu, por outro lado o Bologna teve uma atuação defensiva praticamente impecável. Medel coordenou o setor e praticamente impediu que Kouamé colocasse os bolonheses em apuros. A única oportunidade da equipe da Ligúria ocorreu em cobrança de falta de Schöne, que acertou o travessão.

Parma 1-0 Sassuolo

Gols e assistências: Bourabia (contra)
Tops: Gervinho (Parma) e Consigli (Sassuolo)
Flops: Inglese (Parma) e Obiang (Sassuolo)

O torcedor do Parma sofreu bastante para conseguir gritar gol nessa quarta-feira. O time perdeu um pênalti, teve dois tentos invalidados e só conseguiu arrancar a vitória com um gol contra completamente bizarro aos 95 minutos de jogo. No fim das contas, o triunfo sobre o Sassuolo foi merecido, dada a superioridade construída pelo time de D’Aversa: com a organização de Kulusevski e as arrancadas de Gervinho, os crociati amassaram os neroverdi.

O VAR foi acionado de forma decisiva três vezes. Nas duas primeiras, anulou gols de Gervinho – um por falta na origem da jogada e outra por impedimento. Na terceira, pegou o toque de mão de Obiang na área. Inglese cobrou mal e Consigli (que já fizera grande defesa contra Gervinho) encaixou a finalização. Quando o empate parecia favas contadas, uma bola escorada no segundo pau ricocheteou em Bourabia e encobriu o goleiro visitante.

Spal 1-3 Lecce

Gols e assistências: Di Francesco (Murgia); Mancosu (pênalti), Calderoni e Mancosu (pênalti)
Tops: Mancosu e Lucioni (Lecce)
Flops: Felipe e Thiago Cionek (Spal)

Dois pênaltis e um chute fortuito, com desvio no meio do caminho, deram a vitória ao Lecce contra a Spal. Os donos da casa não tiveram a consistência necessária para se sobreporem a um adversário mais fraco tecnicamente e sucumbiram a erros individuais: as penalidades cometidas por Felipe e Thiago Cionek eram evitáveis. Mancosu, com frieza e precisão incomparáveis, guardou os dois e chegou a quatro tentos na temporada – três a partir da marca da cal.

Faltou à Spal, ainda, maior presença ofensiva. Petagna até participou da jogada que originou o gol de Di Francesco, mas, em geral, ficou preso na marcação de Lucioni. O Lecce de Liverani teve sua melhor atuação defensiva no campeonato e conseguiu sua segunda vitória – mais uma fora de casa.

O sonífero

Verona 0-0 Udinese

Tops: Amrabat (Verona) e Musso (Udinese)
Flops: Stepinski (Verona) e Lasagna (Udinese)

Por cerca de 75 minutos, Verona e Udinese fizeram a pior partida do início da atual Serie A. No duelo, a escassez de chances criadas se deveu em parte ao encaixe da marcação, mas principalmente à falta de movimentação dos ataques. No primeiro tempo, numa das poucas oportunidades criadas pela Udinese – em bola parada –, Lasagna perdeu um gol feito, na pequena área.

O Verona tentou buscar o resultado na etapa complementar e controlou o jogo com Miguel Veloso e Amrabat. O marroquino criou a maior parte das jogadas com o auxílio de Faraoni, sempre pela direita: a partir de cruzamentos vindos do setor, o Hellas chegou perto da vitória no final, mas Stepinski e Verre não conseguiram marcar. Na cabeçada do atacante polonês, o goleiro Musso e a trave salvaram os bianconeri.

Seleção da rodada

Handanovic (Inter); Rafael Toloi (Atalanta), De Vrij (Inter), Lucioni (Lecce); Ribéry (Fiorentina), Nández (Cagliari), Pjanic (Juventus), Barella (Inter), Chiesa (Fiorentina); Zapata (Atalanta), Belotti (Torino). Técnico: Antonio Conte (Inter).



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