Serie A

34ª rodada: Juventus bate Lazio e pode se sagrar eneacampeã já nesta semana

A 34ª rodada da Serie A foi marcada por grandes jogos e recordes. O campeonato já chegou ao incrível número de 1030 gols anotados, com uma média de 3,03 por jogo – a mais alta desde 1951. Nesse contexto de farra das bolas nas redes, a Juventus teve uma jornada dos sonhos: depois de três tropeços nas últimas rodadas foi a vez dos concorrentes Inter e Atalanta, que garantiram vaga na próxima Champions League, empatarem. Com a vitória sobre a Lazio, o time do Piemonte ficou com oito pontos de vantagem, faltando 12 a serem disputados. Caso a Beneamata perca para a Fiorentina e a Velha Senhora vença a Udinese, o eneacampeonato poderá ser comemorado nesta semana.

Se a corrida pelo scudetto e pelas vagas europeias estão perto de serem definidas, a luta contra o rebaixamento está pegando fogo. O Genoa venceu o Lecce no confronto direto e se afastou da zona de descenso, enquanto Spal perdeu no finalzinho para o Brescia e foi o primeiro time a dar adeus à Serie A em 2019-20. A disputa pela artilharia também está quente. Ronaldo e Immobile estão empatados com 30 gols e ainda brigam pela chuteira de ouro europeia – Lewandowski, do Bayern Munique, tem 34. Confira como foi a 34ª rodada.

Juventus 2-1 Lazio

Gols e assistências: Ronaldo (pênalti) e Ronaldo (Dybala); Immobile (pênalti)
Tops: Ronaldo e Dybala (Juventus)
Flops: Luiz Felipe e Bastos (Lazio)

O confronto mais esperado da rodada foi a sua última partida, que a encerrou em alto nível. Por conta de uma dor nas costas, Dybala iria começar no banco, mas acabou jogando desde o início porque Higuaín sentiu uma lesão no aquecimento. Um golpe de sorte para Sarri: La Joya foi o melhor em campo no triunfo que levou a Juventus a 80 pontos.

A Juve começou mandando no jogo e chegou a acertar a trave em uma cabeçada de Alex Sandro, mas depois disso não teve grandes chances na etapa inicial, apesar de controlar a bola. Perto do intervalo, Immobile devolveu a bola no poste, mas foi só. Na volta do descanso, aos 48 minutos, Ronaldo acertou o braço de Bastos em finalização e a consulta ao VAR confirmou o pênalti. Cristiano, como sempre, converteu – apesar de Strakosha ter pulado no lado certo.

Pouco tempo depois veio o segundo. Dybala pressionou Luiz Felipe e conseguiu roubar a bola do último laziale no meio-campo. Com campo livre, arrancou ao lado de Ronaldo e só tocou para o português chegar a 30 gols na Serie A. Cristiano também superou os 50 gols no torneio em 60 jogos, quebrando o recorde de Shevchenko, que precisou de nove partidas para alcançar o mesmo número. CR7 também se tornou o único da história a marcar 50 tentos nas ligas da Itália, da Espanha e da Inglaterra. Ainda houve tempo para Ronaldo acertar o travessão e de Immobile diminuir o placar, se igualando ao juventino na artilharia. Nos últimos 60 anos, só quatro jogadores marcaram pelo menos 30 vezes no Italiano e dois deles obtiveram a honra nesta segunda – Higuaín e Toni foram os outros.

Roma 2-2 Inter

Gols e assistências: Spinazzola (Dzeko) e Mkhitaryan; De Vrij (Sánchez) e Lukaku (pênalti)
Tops: Ibañez e Mkhitaryan (Roma)
Flops: Young e Candreva (Inter)

No encerramento do domingo, a Inter tropeçou em Roma e ficou mais distante do título italiano. Embora tenha garantido a vaga na Champions League com quatro rodadas de antecedência, melhorando o desempenho das duas temporadas anteriores, a Beneamata deixa um gosto amargo na boca dos seus torcedores pela quantidade de pontos desperdiçados em situações de vantagem no placar. Caso tivesse sido capaz de administrar resultados com mais sangue frio, a equipe de Conte teria sido uma adversária mais forte para a Juventus. A Roma, por sua vez, está com um pé e quatro dedos na próxima Liga Europa.

A Inter abriu o placar logo aos 15 minutos, com uma cabeçada executada com perfeição por De Vrij. A etapa inicial foi boa para a equipe visitante, que levava a melhor pelo alto e tinha a vantagem no jogo. Contudo, no fim do primeiro tempo, a Roma empatou com um contragolpe finalizado por Spinazzola. Houve polêmica: ao roubar a bola de Lautaro, na origem do lance, Kolarov tocou no calcanhar do argentino. O VAR revisou a jogada, mas o árbitro Di Bello validou o gol.

O empate desmanchou a Inter, que tinha problemas em ter a bola devido à agressividade da Roma na marcação e no bom posicionamento defensivo dos giallorossi no segundo tempo. A Loba assumiu a liderança do placar com Mkhitaryan, que finalizou forte depois de um bate-rebate dentro da área. No final do jogo, Spinazzola ajudaria a rival ao cometer um pênalti cômico sobre Moses na tentativa de tentar afastar a pelota da sua área. Lukaku converteu e se tornou o primeiro estreante na Serie A a marcar 13 vezes longe dos domínios do seu time. O quinto empate seguido entre Roma e Inter também entrou para a história por ter sido o jogo que fez do duelo entre interistas e romanistas o primeiro da Serie A a ter pelo menos 500 gols anotados.

Inter empatou com a Roma e viu o scudetto ficar ainda mais distante (imago)

Verona 1-1 Atalanta

Gols e assistências: Pessina; Zapata
Tops: Silvestri (Verona) e Zapata (Atalanta)
Flops: Günter (Verona) e Pasalic (Atalanta)

A expectativa era alta para a partida que abriu a rodada neste final de semana. Bem treinados, os times de Verona e Atalanta colocariam em campo estilos diferentes de futebol e uma rivalidade antiga entre os clubes. Mesmo virtualmente fora da briga por Liga Europa, o Hellas de Juric conseguiu levar a melhor ao truncar a partida e freou o crescimento da Dea de Gasperini. O sonho de brigar pelo scudetto nas rodadas finais está mais distante, mas ao menos os nerazzurri se garantiram na Liga dos Campeões pela segunda vez seguida.

Cansados, os times não produziram muito na primeira etapa. A Atalanta teve dificuldade de impor seu estilo de jogo, tendo só uma boa chance com Pasalic, enquanto o Verona teve três boas oportunidades para marcar. Para que o zero saísse do placar, foi necessário que alguém cometesse uma falha – e daquelas. Günter se atrapalhou sozinho ao tentar dominar um passe simples na entrada da área e Zapata não se fez de rogado para anotar o primeiro. O Hellas precisou de apenas nove minutos para igualar o marcador: depois de a bola ser jogada para dentro da área, Pasalic afastou mal, Rrahmani chutou e, no rebote do goleiro Gollini, Pessina empurrou para as redes. A Atalanta voltou a pressionar após sofrer o empate, mas Silvestri foi bem nas defesas e Pasalic desperdiçou nova chance.

Milan 5-1 Bologna

Gols e assistências: Saelemaekers (Hernandez), Çalhanoglu, Bennacer (Çalhanoglu), Rebic (Ibrahimovic) e Calabria (Rafael Leão); Tomiyasu (Soriano)
Tops: Çalhanoglu e Bennacer (Milan)
Flops: Orsolini e Sansone (Bologna)

O Milan vem jogando muito bem desde o fim do lockdown: marcou 25 vezes e tem o melhor ataque no período. No sábado, o time de Pioli não tomou conhecimento do Bologna e aplicou uma sonora goleada sobre a equipe treinada por Mihajlovic, seu antigo técnico. O Diavolo precisou de 10 minutos para abrir o placar com Saelemaekers: Hernandez cruzou, Ibra efetuou um corta luz, enganando a defesa, e o belga finalizou para as redes. Ele se tornou o primeiro jogador do seu país a marcar com a camisa do Milan na Serie A desde Gerets, em 1983. Pela 29ª partida seguida, o Bologna foi vazado – e ainda viria muito mais.

No primeiro tempo, Çalhanoglu coroou a grande fase e a grande partida com mais um tento, após Skorupski afastar mal a bola. O Milan também acertou a trave com Kessié, mas foi Tomiyasu que diminuiu para os visitantes depois de marcar um golaço de fora da área, batendo colocado no ângulo. Na etapa final, os rossoneri encaminharam a goleada com gols oriundos de muito toque de bola: Bennacer fez o primeiro pelo clube ao receber com total liberdade; Rebic anotou seu 11º em 2020 (ficando atrás apenas de Haaland e Lewandowski no ano) e Calabria foi o quinto jogador diferente a marcar, já no finalzinho. A vaga na Liga Europa está no papo para os lombardos. Por outro lado, os bolonheses contaram com derrotas de adversários e se garantiram na próxima Serie A.

Faltou brilhantismo: Atalanta empatou com o Verona e perdeu chance de se manter na cola da Juve (LaPresse)

Cagliari 1-1 Sassuolo

Gols e assistências: João Pedro (Rog); Caputo
Tops: Rog (Cagliari) e Locatelli (Sassuolo)
Flops: Carboni (Cagliari) e Boga (Sassuolo)

Outro confronto importante para a corrida por vaga europeia, o jogo entre Cagliari e Sassuolo terminou empatado. Os neroverdi vêm em melhor momento do que os rossoblù, mas acabaram sendo parados pela defesa do time da casa. O resultado deixou a equipe emiliana bem distante da classificação para a Liga Europa, apesar do confronto direto com o Milan na próxima rodada. Por sua vez, o empate garantiu matematicamente a permanência dos sardos na elite.

O Sassuolo, que está melhor no momento, começou marcando. E o tento não poderia ser de outra pessoa que não Caputo: após desvio em cobrança de escanteio, o atacante apareceu no segundo pau e, de cabeça, anotou seu 18º gol na Serie A. Para piorar a situação do Cagliari, Carboni conseguiu a proeza de ser expulso pela segunda vez em seu sexto jogo como profissional. Mas, mesmo com 10 em campo, o time de Zenga foi valente: deixou a bola com os visitantes (que tiveram 77,3% de posse) e ficou fechadinho, esperando um contra-ataque. O time contou com a disposição de Rog em roubar bolas e conseguiu marcar numa tabela do croata com o brasileiro João Pedro, que também chegou a 18 no campeonato.

Parma 2-3 Sampdoria

Gols e assistências: Gervinho (Brugman) e Bereszynski (contra); Chabot (Maroni), Quagliarella (Thorsby) e Bonazzoli (Quagliarella)
Tops: Kulusevski (Parma) Quagliarella (Sampdoria)
Flops: Iacoponi (Parma) e Bereszynski (Sampdoria)

A partida que abriu o domingo foi muito movimentada e valeu não só a ultrapassagem da Sampdoria sobre o Parma na tabela como também garantiu a permanência dos dorianos na elite. A tarde também foi de festa para Quagliarella. Maior artilheiro em atividade da Serie A, ele ultrapassou Boninsegna e assumiu a 17ª posição no ranking histórico de goleadores da competição.

No Tardini, cada time controlou um tempo. O Parma abriu o placar com o marfinense Gervinho, que encheu o pé para abrir o placar. O segundo gol dos mandantes veio depois que Kulusevski – constante preocupação da defesa blucerchiata – cruzou rasteiro e Bereszynski, ao tentar cortar, fez contra. A Samp voltou ao segundo tempo com Maroni e Bonazzoli, e cresceu. Diminuiu o placar aos 48 minutos, quando Chabot fez valer seu 1,95m e marcou de cabeça. Os mandantes chegaram a acertar o travessão com Brugman, mas foi o veterano Quagliarella que anotaria um golaço, ao encobrir Sepe. Nove minutos depois, aos 78, o capitão ainda seria o responsável por dar a assistência para Bonazzoli, que se infiltrou bem na defesa crociata e decretou a virada.

Grandes atuações coletivas aproximam Milan da Liga Europa (LaPresse)

Genoa 2-1 Lecce

Gols e assistências: Sanabria e Gabriel (contra); Mancosu (Dell’Orco)
Tops: Masiello (Genoa) e Barák (Lecce)
Flops: Perin (Genoa) e Paz (Lecce)

O Genoa mostrou que tem algo virado para a lua. Lutando contra o rebaixamento mais uma vez, como tem sido praxe nos últimos anos, o time rossoblù contou com a sorte para vencer. Dessa vez, renovou os votos com a fortuna numa tarde de confronto direto entre desesperados e teve a seu favor mais um erro de quem, até semanas atrás, era infalível, além de um gol estranhíssimo. Faltando quatro rodadas para o fim da Serie A, a equipe treinada por Nicola têm quatro pontos de vantagem sobre o Lecce de Liverani.

O Genoa abriu o placar com uma bomba de Sanabria, depois que o Lecce saiu jogando errado. Apesar disso, foi o Lecce que jogou melhor. O time salentino teve uma boa chance com Lapadula, na qual a defesa cortou a bola na linha, mas em que Perin também cometeu pênalti. Autor de oito gols de penalidades na temporada, Mancosu isolou a cobrança (tal qual fez ante a Lazio, na semana passada). O meia acabou levando sorte na etapa final, quando cruzou para a área e contou com a falha defensiva do Genoa para empatar. O Lecce estava mais próximo de conseguir o segundo gol, mas levou azar aos 81 minutos. Jagiello chutou colocado de fora da área e acertou a trave. Só que a bola voltou, encontrou as costas do goleiro Gabriel e, mansa e cruelmente, cruzou a linha.

Brescia 2-1 Spal

Gols e assistências: Zmrhal (Donnarumma) e Zmrhal (Donnarumma); Dabo
Tops: Zmrhal e Donnarumma (Brescia)
Flops: Letica e Cionek (Spal)

No confronto entre o penúltimo colocado e o lanterna do campeonato, saiu o primeiro rebaixado para a Serie B: com quatro rodadas de antecedência, a Spal retornou à segundona depois de três anos na elite. Apesar da vitória, o Brescia continua em situação complicada: restando 12 pontos em disputa, está nove pontos atrás do Genoa e pode ter seu descenso confirmado na próxima rodada.

A colocação dos times na tabela justificou o fraco futebol no primeiro tempo e o festival de chances desperdiçadas no decorrer dos 90 minutos. A Spal jogou mais solta e conseguiu abrir o placar com Dabo: depois de boa tabela, o burquinense dividiu com o goleiro Joronen e anotou. Tunjov e Petagna perderam claras oportunidades de ampliar, enquanto o rondinelle Donnarumma estava descalibrado. Nos últimos 25 minutos, porém, o atacante do Brescia atuou como garçom e ajeitou duas vezes para o checo Zmrhal marcar – a virada só veio aos 93, quando os spallini já sabiam que o mero empate selava o seu desagradável destino.

Vitória apertada do Genoa afastou o time da zona de rebaixamento (imago)

Napoli 2-1 Udinese

Gols e assistências: Milik (Ruiz) e Politano (Hysaj); De Paul
Tops: Koulibaly (Napoli) e De Paul (Udinese)
Flops: Callejón (Napoli) e Nuytinck (Udinese)

O campeão da Coppa Italia precisou de um gol nos acréscimos para ficar com os três pontos num jogo em que passou longe de ser brilhante. Em boa fase, a Udinese teve mais de uma chance para ganhar a partida, mas não conseguiu aproveitá-las. Mesmo assim, De Paul foi perigo constante. Ao lado de Lasagna, o argentino vem sendo um dos melhores do time no ano e finalizou cruzado para marcar um belo gol, aos 22 minutos. O time da casa respondeu rápido com Milik, que entrou no lugar do lesionado Mertens, aos 31, e, em seu primeiro toque na bola, completou passe de Ruiz.

Nos 45 minutos restantes, a partida teve chances claras para as duas equipes. O primeiro bom momento veio com Zielinski, que chutou forte e viu a bola bater no travessão e pingar na linha. Isso acordou os visitantes e Ospina teve que operar um milagre ao defender um chute forte e rasteiro de Lasagna. Depois, Fofana puxou um contra-ataque, De Paul tocou por cima do goleiro e Koulibaly salvou: no corte, acertou a trave e facilitou a defesa de Ospina. O Napoli conseguiria a virada aos 95, quando Politano calibrou um petardo no ângulo, sem chances para Musso. Com o resultado, a Udinese se manteve na 16ª posição e ainda não se livrou do descenso.

Fiorentina 2-0 Torino

Gols e assistências: Lyanco (contra) e Cutrone (Ribéry)
Tops: Milenkovic e Ribéry (Fiorentina)
Flops: Zaza e Meïté (Torino)

A Fiorentina garantiu sua permanência na Serie A contra um Torino que precisa de pouco para ter sua vida resolvida no campeonato. O time de Longo tem oito pontos de vantagem sobre o Lecce, com 12 em disputa, sendo que o confronto direto é favorável aos apulianos. No Artemio Franchi, porém, os grenás deram motivo de preocupação para sua torcida: o goleiro Terracciano nem precisou trabalhar e o Toro foi facilmente dominado.

A Viola só precisou de dois minutos para abrir o placar. Kouamé fazia boa jogada e, na hora de chutar, deu sorte: a bola espirrou, bateu em Lyanco e entrou. Ribéry e Castrovilli tiveram duas oportunidades para aumentar o placar na primeira etapa, mas não finalizaram tão bem. No segundo tempo, uma cabeçada de Belotti acertou a parte externa da trave, na única oportunidade dos piemonteses. O segundo gol veio em um vacilo de Meïté, que simbolizou a apatia do Torino. O francês não dominou a bola, teve a posse roubada por Ribéry e só trotou, sem conter o avanço do compatriota. O craque ajeitou e Cutrone marcou pela terceira rodada consecutiva.

Seleção da rodada

Silvestri (Verona); Milenkovic (Fiorentina), Koulibaly (Napoli), Ibañez (Roma), Hernandez (Milan); Çalhanoglu (Milan), Bennacer (Milan), Mkhitaryan (Roma); Dybala (Juventus); Quagliarella (Sampdoria), Ronaldo (Juventus). Técnico: Stefano Pioli (Milan).

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