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Zagueiro goleador, Gonzalo Rodríguez foi capitão e ídolo da Fiorentina



Poucos clubes e muita identificação com as torcidas: esse poderia ser um brevíssimo resumo da carreira do defensor Gonzalo Rodríguez. Jogador que vestiu apenas três camisas na carreira, o argentino superou sérias lesões para se consolidar por San Lorenzo, Villarreal e Fiorentina. Na Itália, utilizou a braçadeira de capitão da Viola e teve a fase mais prolífica de sua carreira.

Natural de Buenos Aires, Rodríguez começou a jogar futebol no San Lorenzo, um dos muitos times da capital portenha. Gonzalo estreou pelo clube de Almagro aos 18 anos e, rapidamente, demonstrou as qualidades que o acompanhariam pelo resto da carreira: técnica, qualidade no passe e um senso de posicionamento privilegiado. Essa última característica o favorecia a ganhar disputas no corpo e nas bolas aéreas mesmo sem ser um bodybuilder ou ter estatura excepcional, uma vez que mede 1,82m.

Pelo Ciclón, o zagueiro foi campeão da Copa Sul-Americana de 2002, em sua primeira temporada como profissional. Titular dos azulgrana, Rodríguez ganhou espaço na seleção argentina sub-20, pela qual venceu o campeonato continental e foi semifinalista mundial da categoria, em 2003. No mesmo ano, estreou pela equipe principal da albiceleste e chegou a anotar o gol da vitória por 1 a 0 em amistoso contra o México.

Gonzalo chegou à Fiorentina em 2012, após passar por San Lorenzo e Villarreal (Getty)

Rodríguez era considerado como uma das grandes revelações da Argentina e, por isso, durou pouco tempo no futebol da América do Sul. Em 2004, o atento Villarreal adquiriu o jogador de 20 anos e o agregou a um forte elenco, que contava com Pepe Reina, Marcos Senna, Santi Cazorla, Diego Forlán e os argentinos Rodolfo Arruabarrena, Juan Pablo Sorín e Juan Román Riquelme. O camisa 2 acabaria, junto com os novos colegas, entrando para a história do Submarino Amarelo.

Absoluto no onze inicial do técnico Manuel Pellegrini em 2004-05, Gonzalo venceu a Copa Intertoto e só jogou menos minutos do que Reina e Riquelme na campanha do terceiro posto do Villarreal em La Liga, que deu ao clube o direito de disputar a sua primeira Champions League. No torneio europeu, o time de El Madrigal fez bonito: surpreendeu ao eliminar a Inter nas quartas e só caiu para o Arsenal, nas semifinais.

Com uma lesão nos ligamentos do joelho esquerdo, o zagueiro não pode atuar contra os Gunners e acabou também perdendo o bonde para o Mundial. Rodríguez vinha sendo convocado por José Pekerman e foi reserva da Argentina no vice-campeonato da Copa das Confederações de 2005, mas a lesão o impediu de retornar à Alemanha – Leandro Cufré, da Roma, herdou seu lugar. Em julho de 2006, seus ligamentos voltariam a atormentá-lo: Gonzalo rompeu duas vezes seguidas as fibras do joelho (dessa vez, do direito) e pouco entrou em campo até janeiro de 2008.

Vestindo a camisa violeta, Rodríguez teve a fase mais sólida de sua carreira (Getty)

Recuperado, o beque argentino voltou a ser titular do Villarreal, e com um novo companheiro: Diego Godín. A dupla segurou as pontas atrás, Giuseppe Rossi e Nihat Kahveci brilharam no comando do ataque e o Submarino Amarelo conseguiu sua melhor colocação em La Liga: o vice-campeonato, em 2008. Nos anos seguintes, a equipe espanhola teve outras boas campanhas no torneio nacional e também nos continentais. Em 2009, caiu novamente ante o Arsenal na Champions League (nas quartas de final) e, em 2011, sucumbiu ao Porto de Radamel Falcao García nas semifinais da Liga Europa. Gonzalo, com uma fratura na fíbula, não encarou os dragões.

A magia do Villarreal terminou em 2012, quando a equipe acabou sendo rebaixada para a segundona espanhola. A Fiorentina aproveitou o naufrágio do Submarino Amarelo e contratou Rodríguez e Borja Valero por valores inferiores à sua avaliação de mercado – o clube toscano ainda acertou com Rossi, que estava machucado e chegaria a Florença um pouco mais tarde, em janeiro de 2013. Aos 28 anos, Gonzalo recebia a incumbência de ser um dos pilares do time violeta, que estava acéfalo desde a saída de Cesare Prandelli, em 2010, e buscava se reinventar sob as ordens de Vincenzo Montella.

Rodríguez não era mais um jovenzinho e, por conta das lesões, havia perdido a oportunidade de dar um salto para um gigante europeu. Também deixara o radar da seleção argentina. Contudo, sabia que poderia ser importante num clube tradicional e de ambições europeias. Assim foi: Gonzalo teve papel fundamental para que a Fiorentina ficasse entre as cinco melhores equipes da Serie A e se classificasse para a Liga Europa em quatro das temporadas em que defendeu o clube.

Pela Fiorentina, o zagueiro argentino teve duas temporadas muito boas na Liga Europa (ActionPlus)

Em seu primeiro ano na Toscana, o argentino atuou em 38 partidas e marcou seis gols – inclusive o da vitória no clássico regional contra o Siena. Na temporada seguinte, em que repetiu a quantidade de tentos, mas com 10 aparições a mais, Rodríguez voltou a decidir um dérbi com uma cabeçada fulminante contra o Livorno. Ainda em 2013-14, o camisa 2 violeta ajudou seu time a ser finalista da Coppa Italia e também foi eleito para a seleção da Liga Europa.

Nos tempos de Fiorentina, Rodríguez se revelou um ótimo cobrador de pênaltis, o que aumentou a sua média de gols – e a frequência de suas comemorações rock and roll. Em 2014-15, ano em que sua equipe foi semifinalista da Coppa Italia e da Liga Europa (além de ter ficado com a quarta posição da Serie A pela terceira temporada seguida), Gonzalo teve sua fase de maior intimidade com as redes: anotou oito tentos, entre os quais o que impulsionou a classificação da Viola às quartas do torneio continental: no Olímpico, vitória por 3 a 0 sobre a Roma. Com tanto destaque, chegou a ser novamente convocado para a seleção argentina.

Rodríguez ganhara o posto de vice-capitão da Fiorentina com Montella, em 2014, e o manteve com a chegada de Paulo Sousa. Na prática, o argentino era o detentor da faixa porque Manuel Pasqual – o líder de jure – era reserva. Em 2016-17, quando o lateral rumou ao Empoli, Gonzalo foi oficializado na função e, dessa forma, capitaneou a Viola na campanha de seu nonagésimo aniversário.

Gonzalo se despediu da Itália como capitão violeta (Pacific Press)

Em 2016-17, Rodríguez teve sua última temporada na Fiorentina, na qual fez trio de defesa com Nenad Tomovic e Davide Astori, que o sucederia como capitão. Aos 33 anos, não teve o contrato renovado pois tinha a intenção de se aposentar com a camisa do San Lorenzo. Assim, após 203 partidas e 25 gols pela equipe italiana, Gonzalo voltou ao futebol argentino.

O zagueiro atuou por mais três épocas pelos azulgrana e o representou em uma boa campanha na Superliga – terceira posição em 2017-18 – e em uma Copa Libertadores. Em 2020, Gonzalo ganhou duas honrarias de seus times na Europa: foi eleito como zagueiro do onze histórico do Villarreal e da seleção da década da Fiorentina. Em junho, durante a interrupção das atividades por conta da pandemia de covid-19, Rodríguez anunciou sua aposentadoria.

Gonzalo está vivendo em Buenos Aires, mas continua muito ligado a Florença. Em sua passagem pela Itália, ele conheceu Martina Alessi, dona de uma gelateria na cidade de Vaiano, nos arredores da capital da Toscana. Os dois se aproximaram por causa de três paixões: a Viola, o rock e as tatuagens. Hoje, eles dividem as tardes e noites de música no quintal com os filhos Ian e Iago e o bull terrier Floki.

Gonzalo Javier Rodríguez Prado
Nascimento: 10 de abril de 1984, em Buenos Aires, Argentina
Posição: zagueiro
Clubes: San Lorenzo (2002-04 e 2017-20), Villarreal (2004-12) e Fiorentina (2012-17)
Títulos: Copa Sul-Americana (2002), Sul-Americano Sub-20 (2003) e Copa Intertoto (2004)
Seleção argentina: 7 jogos e 1 gol



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