Serie A

Retrospectiva da Serie A, parte 2: soberana em 2023-24, a Inter pôs segunda estrela em seu escudo

Na última segunda, publicamos a primeira parte da retrospectiva da Serie A 2023-24, na qual destacamos a boa campanha de Genoa e Lecce, os milagres protagonizados por Verona e Empoli, o inesperado rebaixamento do Sassuolo e muito mais. Depois de analisarmos a metade inferior da tabela, passamos às análises dos 10 times que mais pontuaram no campeonato, com ênfase no brilhante caminho da Inter, campeã pela vigésima vez, e nas trajetórias de sucesso de Atalanta e Bologna.

A Inter liderou a Serie A de ponta a ponta e, merecidamente, terminou a competição com a segunda estrela no peito – afinal, teve um dos cinco maiores aproveitamentos da história do certame. Milan e Juventus vieram na sequência, mas receberam muitas críticas de suas torcidas e, em oposição ao sucesso retumbante da rival, concluíram o ano em baixa. Inclusive, a dupla de gigantes foi ofuscada pelo êxito do duradouro projeto da modesta Atalanta e do desempenho surpreendente do tradicionalíssimo Bologna, que honrou as suas glórias e voltou a frequentar um lugar de prestígio no campeonato.

Entre os 10 primeiros, há de se ressaltar ainda o fracasso categórico do Napoli, que não foi capaz de defender o seu título com dignidade, e a brusca queda de rendimento apresentada pela Lazio, vice-campeã em 2022-23. Por sua vez, Roma e Torino fizeram campanhas com pontos positivos, mas não conseguiram aquele empurrãozinho necessário para mudarem de patamar. Já a Fiorentina sofreu com estagnação e instabilidade.

Confira, na sequência, as nossas avaliações sobre a parte superior da tabela da Serie A. Navegue pelo menu abaixo para acessar a análise do time desejado ou role a página para conferir o balanço completo, equipe por equipe. Boa leitura!

Análise clube a clube

Napoli | Torino | Fiorentina | Lazio | Roma | Bologna | Atalanta | Juventus | Milan | Inter

Napoli

Osimhen, do Napoli (Getty)

A campanha: 10ª colocação, 53 pontos. 13 vitórias, 14 empates e 11 derrotas.
No primeiro turno: 9ª posição, 28 pontos.
Fora da Serie A: Vice-campeão da Supercopa Italiana, eliminado nas oitavas de final da Liga dos Campeões pelo Barcelona e eliminado nas oitavas de final da Coppa Italia pelo Frosinone.
Ataque e defesa: 55 gols marcados e 48 sofridos
Time-base: Meret; Di Lorenzo, Rrahmani, Juan Jesus (Ostigard), Olivera (Mário Rui, Natan); Anguissa, Lobotka, Zielinski (Cajuste); Politano, Osimhen (Raspadori), Kvarastkhelia.
Artilheiros: Victor Osimhen (15 gols), Khvicha Kvarastkhelia (11) e Matteo Politano (8)
Garçom: Matteo Politano (7 assistências)
Técnicos: Rudi Garcia (até a 12ª rodada), Walter Mazzarri (entre a 13ª e a 25ª) e Francesco Calzona (a partir da 26ª e a 21ª, em jogo recuperado)
Os destaques: Victor Osimhen, Matteo Politano e Khvicha Kvarastkhelia
A decepção: André-Frank Zambo Anguissa
A revelação: ninguém
Quem mais jogou: Stanislav Lobotka (38 jogos), Matteo Politano (37) e Giacomo Raspadori (37)
O sumido: Leander Dendoncker
Melhor contratação: Cyril Ngonge
Pior contratação: Jens Cajuste

Medonho, escabroso, sofrível, pífio: você pode escolher qualquer um desses adjetivos depreciativos para descrever a campanha do Napoli e até procurar outros que se encaixem no diagnóstico. A temporada 2023-24 tinha tudo para ser mágica para os azzurri, que vinham da conquista do terceiro título italiano de sua história, mas foi atravessada por vexames. E, principalmente, por um futebol de dificílima apreciação, com uma defesa frágil, que falhava constantemente, e pela brusca queda de rendimento de alguns dos pilares dos campanos, como Anguissa, Di Lorenzo e Kvaratskhelia. Osimhen foi um dos poucos que se salvaram, apesar da recorrência de problemas físicos, e ainda foi envolvido – pela diretoria e pelo setor de comunicação do clube – numa das várias desavenças que fizeram o vestiário partenopeo se transformar numa bomba-relógio.

Embora 10ª colocada, a equipe foi uma das mais desarrumadas da Serie A e terminou a competição como a pior defensora do título italiano em quase três décadas – um desempenho tão ruim de um campeão no certame posterior à glória tinha sido verificado pela última vez em 1996-97, quando o Milan amargou um medíocre 11º posto. Sem vaga em torneios europeus, o que não ocorria desde 2009, o Napoli também foi o primeiro dono do scudetto a ter três técnicos diferentes na campanha posterior à conquista. Esses dados ajudam a entender o tamanho do buraco em que o presidente Aurelio De Laurentiis enfiou o time por capricho e vaidade.

Após a saída de Cristiano Giuntoli para a Juventus, o proprietário do Napoli escolheu o inexpressivo Mauro Meluso para a diretoria esportiva porque queria ter ingerência total sobre a área de futebol. Sua primeira decisão foi nomear Garcia como substituto de Luciano Spalletti. Depois dos previsíveis maus resultados, demitiu o treinador e apostou no ultrapassado Mazzarri; por fim, tentou corrigir a rota com Calzona, ex-auxiliar azzurro, que não tinha qualquer experiência como comandante de equipes profissionais. Erros primários e que só poderiam resultar numa péssima campanha. Só que De Laurentiis foi além: simplesmente implodiu o time campeão italiano e o atirou num açodado processo de reformulação, cuja complexidade vai exigir um trabalho muito criterioso e delicado. Uma tarefa que o manda chuva é incapaz de executar sozinho.

Torino

Zapata, do Torino (Getty)

A campanha: 9ª colocação, 53 pontos. 13 vitórias, 14 empates e 11 derrotas.
No primeiro turno: 10ª posição, 27 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado na fase de 16-avos de final da Coppa Italia pelo Frosinone.
Ataque e defesa: 36 gols marcados e 36 sofridos
Time-base: Milinkovic-Savic; Tameze, Buongiorno, Rodríguez; Bellanova, Ilic (Linetty), Ricci, Lazaro (Vojvoda, Masina); Vlasic; Zapata, Sanabria (Pellegri).
Artilheiros: Duván Zapata (12 gols) e Antonio Sanabria (5)
Garçom: Raoul Bellanova (7 assistências)
Técnico: Ivan Juric
Os destaques: Duván Zapata, Raoul Bellanova e Alessandro Buongiorno
A decepção: Adrien Tameze
A revelação: Saba Sazonov
Quem mais jogou: Raoul Bellanova (37 jogos) e Vanja Milinkovic-Savic (36)
O sumido: Brandon Soppy
Melhor contratação: Duván Zapata
Pior contratação: Brandon Soppy

Com campanha idêntica à do Napoli em número de vitórias, empates e derrotas – consequentemente, também de pontos –, o Torino ficou a um passo do sucesso. Os grenás começaram a Serie A com a expectativa de concluírem-na justamente entre a nona ou a décima posição, como ocorreu, mas, comendo pelas beiradas, chegaram a sonhar com uma vaga europeia. E o lugar na Conference League só não foi obtido porque a Fiorentina perdeu a decisão desse mesmo torneio para o Olympiacos. Seria a volta a competições continentais após uma ausência de cinco anos. O jejum continua.

O Torino foi destaque na Serie A por sua sólida retaguarda – a quarta menos vazada do certame, capaz de somar 18 clean sheets, abaixo apenas da campeã. Os piemonteses souberam lidar com a séria lesão de Schuurs e viram Buongiorno se consolidar como um dos melhores beques do país, além de terem sido uma escola importante para Bellanova. Contratado com status de incógnita, devido a seu parco senso defensivo nos tempos de Cagliari e Inter, o ala evoluiu muito ao longo do ano e, com chegadas à linha de fundo e cruzamentos precisos, se tornou um grande garçom para Zapata. Nove autêntico, o colombiano também dialogou bastante com Vlasic, seu fiel escudeiro, e teve ótimos números individuais. Sem dúvidas, carregou o quarto pior ataque do campeonato nas costas.

Em fim de contrato, Juric deixará o Torino com méritos pela potencialização de ativos do clube, mas longe de ter uma relação idílica com a torcida e o presidente Urbano Cairo. Em entrevista coletiva, o croata chegou a afirmar que o ambiente grená está inundado por críticas injustificadas e que isso atrapalha qualquer iniciativa mais ambiciosa. De qualquer jeito, vale destacar que o seu bom trabalho na capital do Piemonte teve muita regularidade, porém não conseguiu ir além das limitações do elenco ou superar a performance que protagonizou em seu biênio no Verona. O Toro do treinador terminou a Serie A duas vezes no décimo posto e uma com o nono, somando 50 pontos em 2021-22 e 53 nas outras. Nessas campanhas, também obteve outros números similares em termos de desempenho. Foram 13 vitórias, 11 empates e 14 derrotas na primeira temporada; 14, 11 e 13 na segunda; 13, 14 e 11 na terceira.

Fiorentina

González, da Fiorentina (Getty)

A campanha: 8ª colocação, 60 pontos. 17 vitórias, 9 empates e 12 derrotas. Classificada para a Conference League.
No primeiro turno: 4ª posição, 33 pontos.
Fora da Serie A: Vice-campeã da Conference League, eliminada nas semifinais da Coppa Italia pela Atalanta e eliminada nas semifinais da Supercopa Italiana pelo Napoli.
Ataque e defesa: 61 gols marcados e 46 sofridos
Time-base: Terracciano; Kayode (Dodô), Milenkovic (Ranieri), Martínez Quarta, Biraghi (Parisi); Arthur (Barák), Duncan (Mandragora); Ikoné (Kouamé), Bonaventura, González (Sottil); Beltrán (Nzola, Belotti).
Artilheiros: Nicolás González (12 gols), Giacomo Bonaventura (8) e Lucas Beltrán (6)
Garçons: Alfred Duncan e Cristiano Biraghi (5 assistências)
Técnico: Vincenzo Italiano
Os destaques: Nicolás González, Giacomo Bonaventura e Lucas Beltrán
A decepção: Nikola Milenkovic
A revelação: Michael Kayode
Quem mais jogou: Nikola Milenkovic (34 jogos)
O sumido: Gino Infantino
Melhor contratação: Lucas Beltrán
Pior contratação: Abdelhamid Sabiri

Italiano fez vários pedidos de peças na pré-temporada, foi atendido pela diretoria e ganhou um elenco melhor do que o que teve à disposição em 2022-23, quando levou a Viola à oitava posição da Serie A, ao vice da Conference League e ao segundo lugar da Coppa Italia. Em 2023-24, praticamente repetiu a dose: igualou o desempenho nos pontos corridos nacionais e na competição continental, além de ter caído nas semifinais do mata-mata local. Poderíamos até dizer que a equipe estagnou, pois os seus resultados foram bastante similares. Mas a verdade é que os gigliati encontraram mais dificuldades e apresentaram um futebol levemente inferior em alguns momentos da campanha, pondo em xeque o trabalho do treinador – que não continua em Florença.

A Fiorentina de Italiano cometeu os mesmos erros defensivos sistêmicos e, na verdade, ainda teve mais problemas no setor, devido à fase horripilante de Milenkovic e da fragilidade de Ranieri – ou de Parisi, que precisa evoluir na marcação para atingir o seu potencial como lateral-esquerdo. Na frente, não foram poucos os jogos em que a equipe apresentou dificuldades para criar e/ou concluir jogadas. E, tal qual na retaguarda, parte disso se deveu a falhas do treinador, que não identificou ou corrigiu as imperfeições, mas também a questões individuais de algumas peças. Ikoné e Nzola, por exemplo, tiveram rendimento bem inferior aos de González e Beltrán, com quem revezavam.

No fim das contas, a Fiorentina mostrou duas faces. De um lado, uma equipe que fez um ótimo início de campeonato e chegou a iniciar o returno na quarta posição – uma formação capaz de conquistar boas vitórias sobre Atalanta, Lazio, Bologna e Napoli, ou suficientemente competente para golear adversários mais frágeis, como Sassuolo e Frosinone. De outro, um time que perdeu para diversos adversários que brigavam para não cair, como os próprios neroverdi, e que não reuniu condições para aprender com seus erros para melhorar. Uma criatura moldada à imagem e semelhança de seu mentor, sentado no banco de reservas.

Lazio

Guendouzi, Felipe Anderson e Romagnoli, da Lazio (Getty)

A campanha: 7ª colocação, 61 pontos. 18 vitórias, 7 empates e 13 derrotas. Classificada para a Liga Europa.
No primeiro turno: 6ª posição, 30 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas semifinais da Coppa Italia pela Juventus, eliminada nas semifinais da Supercopa Italiana pela Inter e eliminada nas oitavas de final da Liga dos Campeões pelo Bayern Munique.
Ataque e defesa: 49 gols marcados e 39 sofridos
Time-base: Provedel; Lazzari (Hysaj), Gila (Casale, Patric), Romagnoli, Marusic; Luis Alberto, Cataldi (Rovella, Vecino), Guendouzi (Kamada); Felipe Anderson, Immobile (Castellanos), Zaccagni (Isaksen).
Artilheiros: Ciro Immobile (7 gols), Mattia Zaccagni (6) e Matías Vecino (6)
Garçom: Luis Alberto (7 assistências)
Técnicos: Maurizio Sarri (até a 28ª rodada), Giovanni Martusciello (29ª) e Igor Tudor (a partir da 30ª)
Os destaques: Felipe Anderson, Mattéo Guendouzi e Mattia Zaccagni
A decepção: Ciro Immobile
A revelação: Christos Mandas
Quem mais jogou: Felipe Anderson (38 jogos), Adam Marusic (37) e Taty Castellanos (35)
O sumido: Luigi Sepe
Melhor contratação: Mattéo Guendouzi
Pior contratação: Daichi Kamada

Vice-campeã em 2022-23, a Lazio teve uma brusca queda de rendimento na temporada recém-encerrada e concluiu a Serie A com 13 pontos a menos. E olha que essa diferença poderia ter sido ainda maior, não fosse a recuperação dos aquilotti na reta final de sua campanha. Durante boa parte do ano, os capitolinos flertaram fortemente com a possibilidade de sequer se classificarem para um torneio continental, mas fatores como a troca no comando e a regularidade de Felipe Anderson permitiram um desfecho de certame mais tolerável.

A Lazio largou muito mal na Serie A e chegou a ocupar a 16ª posição após a sétima rodada – foi o seu pior início de competição desde 2007. Sarri reclamou do calendário, que proporcionou confrontos com Napoli, Juventus, Milan e Atalanta nas oito primeiras jornadas, mas o fato é que ali já se apresentavam alguns dos grandes problemas da equipe ao longo da temporada. A sólida defesa já não existia mais, embora não tenha perdido nenhuma de suas peças, e foi o reflexo de um ano de queda de rendimento individual de vários pilares do plantel. Menos criativo, o meio-campo sofria com a venda de Milinkovic-Savic e as dificuldades de adaptação de Kamada. Já os números do ataque, que seria o segundo pior dentre os times da metade superior da tabela, decaíam na medida em que a idade de Immobile avançara e Castellanos ainda não encontrava espaço.

Com o passar do tempo, se aprofundaram as diferenças entre Sarri e o presidente Claudio Lotito, assim como o distanciamento entre o treinador e parte do elenco, cada vez menos responsivo às suas ideias. O comandante pediu o boné por entender que não estava mais conseguindo fazer a diferença e Tudor, seu substituto, fez o rendimento da equipe subir bastante – de 47,8% para 66,7%. Entretanto, o processo foi áspero e, neste caminho, o croata brigou com muitos jogadores, como Guendouzi e Luis Alberto, deixando incógnitas no já atribulado ambiente biancoceleste. Para piorar, entregou o cargo no início de junho. Por isso, ninguém ousa cravar o que será da Lazio em 2024-25.

Roma

Dybala e Lukaku, da Roma (NurPhoto/Getty)

A campanha: 6ª colocação, 63 pontos. 18 vitórias, 9 empates e 11 derrotas. Classificada para a Liga Europa.
No primeiro turno: 8ª posição, 29 pontos.
Fora da Serie A: Eliminada nas semifinais da Liga Europa pelo Bayer Leverkusen e eliminada nas quartas de final da Coppa Italia pela Lazio.
Ataque e defesa: 65 gols marcados e 46 sofridos
Time-base: Rui Patrício (Svilar); Mancini, Ndicka, Llorente; Kristensen (Karsdorp), Cristante, Paredes, Spinazzola (Angeliño, Zalewski); Dybala, Pellegrini (El Shaarawy, Bove); Lukaku.
Artilheiros: Romelu Lukaku (13 gols), Paulo Dybala (13) e Lorenzo Pellegrini (8)
Garçom: Paulo Dybala (9 assistências)
Técnicos: José Mourinho (até a 20ª rodada) e Daniele De Rossi (a partir da 21ª)
Os destaques: Romelu Lukaku, Paulo Dybala e Lorenzo Pellegrini
A decepção: Renato Sanches
A revelação: Dean Huijsen
Quem mais jogou: Bryan Cristante (37 jogos), Gianluca Mancini (36) e Leandro Paredes (34)
O sumido: Renato Sanches
Melhor contratação: Romelu Lukaku
Pior contratação: Renato Sanches

Em 2023-24, a Roma apostou num ataque estelar e colheu praticamente os mesmos resultados que obteve nos anos anteriores. Definitivamente, não por culpa de Dybala e Lukaku, mas por ter dependido demais deles – e, em menor escala, de Pellegrini e El Shaarawy. Ou por não terem conseguido solidez defensiva suficiente durante meses. Sem dúvidas, os giallorossi tiveram uma mudança de mentalidade em campos continentais, o que resultou em cinco semifinais alcançadas nas sete derradeiras temporadas. Por outro lado, a Loba foi sexta colocada da Serie A em quatro de suas seis edições mais recentes, repetindo esta posição nas três últimas. Nesse período, não foi além do quinto lugar e não se classificou para a Champions League. O que faltou para dar um salto?

A diretoria da Roma havia apostado em Mourinho para ir além. O português teve êxito nas copas europeias, nas quais se concentrou porque não considerava o elenco forte o suficiente para longas batalhas nos pontos corridos. Mas, em 2023-24, seu trabalho foi abaixo da crítica: técnico e equipe tiveram o pior início de campeonato de suas histórias e isso condicionou a campanha da Loba, que até chegou a ensaiar uma reação sob as ordens do português e, depois, decaiu, imersa nas polêmicas do Special One e num futebol nada convincente. A direção decidiu mudar de rumo e apostou em De Rossi, um dos poucos nomes que, por conta de sua idolatria junto à torcida, teriam peso suficiente para serem aceitos no processo de substituição do Mago de Setúbal – muito benquisto pelos giallorossi, apesar do momento negativo. Funcionou.

Inexperiente e dono de resultados discutíveis como técnico até aquele instante, De Rossi subiu de patamar ao assumir uma equipe que tinha pouco menos de 50% de aproveitamento e levá-la até 63% durante o returno. Após algumas rodadas de trabalho, o futebol da Roma melhorou e, no fim das contas, os giallorossi tiveram o quarto ataque mais positivo da Serie A. Apesar de suas condições físicas, Dybala – que fez apenas sete partidas completas – foi um dos jogadores que mais participaram de gols no certame, muito devido à forte sintonia que desenvolveu com Lukaku. O belga não seguirá na Cidade Eterna devido aos custos para efetivar sua permanência, mas foi uma aposta ganha pela Loba. Assim como Svilar, alçado pelo ex-volante ao posto de titular, no lugar do contestável Rui Patrício. Sob as ordens de DDR, a Loba deixou a impressão de que, não fosse o péssimo início de campeonato, poderia ter brigado ainda mais intensamente por uma vaga na Champions League. Resta saber quais serão as perspectivas nos bastidores da sociedade capitolina para que o objetivo possa se concretizar em 2024-25.

Bologna

Zirkzee e Fabbian, do Bologna (Getty)

A campanha: 5ª colocação, 68 pontos. 18 vitórias, 14 empates e 6 derrotas. Classificado para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 5ª posição, 32 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado nas quartas de final da Coppa Italia pela Fiorentina.
Ataque e defesa: 54 gols marcados e 32 sofridos (a terceira melhor)
Time-base: Skorupski; Posch, Beukema (Lucumí), Calafiori, Kristensen; Freuler, Aebischer; Ndoye (Orsolini), Ferguson, Saelemaekers (Fabbian); Zirkzee.
Artilheiros: Joshua Zirkzee (12 gols), Riccardo Orsolini (10) e Lewis Ferguson (6)
Garçom: Riccardo Calafiori (5 assistências)
Técnico: Thiago Motta
Os destaques: Joshua Zirkzee, Riccardo Calafiori e Lewis Ferguson
A decepção: Jesper Karlsson
A revelação: Giovanni Fabbian
Quem mais jogou: Michel Aebischer (36 jogos), Joshua Zirkzee (34) e Riccardo Orsolini (33)
O sumido: Mihajlo Ilic
Melhor contratação: Remo Freuler
Pior contratação: Jesper Karlsson

Se fôssemos criar agora um dicionário ilustrado do futebol italiano, haveria grandes chances de o termo “façanha” ser acompanhado por uma imagem do Bologna de Thiago Motta. O time rossoblù terminou a Serie A em sua melhor posição desde 1971 e conquistou vaga na fase moderna da Champions League pela primeira vez, voltando ao principal torneio de clubes da Europa após seis décadas exatas – só naquela ocasião, após ser campeão, disputara o torneio. E não se imaginava que sequer poderiam sonhar com isso. Os veltri excederam, e muito, qualquer prognóstico razoável.

O Bologna começou a temporada sob várias críticas do treinador, insatisfeito pela atuação da diretoria no mercado. Só após o início da Serie A é que o elenco de Motta recebeu os últimos ajustes. Porém, ainda assim, o ítalo-brasileiro tinha em mãos a sexta menor folha salarial da categoria, o que levava analistas e a própria torcida a crerem em mais uma campanha de meio de tabela. Caso superassem as expectativas e contassem com derrapagens de adversários, os emilianos poderiam, no máximo – com bastante esforço – brigar por vaga na Liga Europa ou na Conference League. E esse parecia mesmo o seu destino, já que o time obteve seis empates nas 10 rodadas iniciais. Só que esses resultados já indicavam fatores fundamentais para a trajetória rossoblù, que foi ganhando corpo conforme a confiança aumentava e o trabalho do comandante amadurecia.

Naquelas rodadas, o Bologna mostrou que era um time difícil de ser batido: só Inter e Juventus, rivais contra as quais empatou na referida sequência, perderam menos jogos em toda a Serie A. Os felsinei também mantiveram as redes intactas em 40% das partidas citadas, e, numa reta ascendente de desempenho, concluiriam o campeonato com impressionantes 17 clean sheets, empatados com a Velha Senhora e atrás somente do Torino (18) e da Beneamata (21). Fruto de um competente trabalho tático realizado por Motta, que aproveitou a grande fase de Posch, fez Freuler recuperar a melhor forma e potencializou nomes como Lucumí, Beukema, Calafiori e Aebischer. Ali também começava a florescer o futebol do habilidoso Zirkzee, com o apoio imensurável do capitão Ferguson, do garoto Fabbian e dos ponteiros Orsolini, Ndoye e Saelemaekers – este último, contestadíssimo anteriormente. Todos esses atletas evoluíram muito sob a batuta do ítalo-brasileiro e se valorizaram. Com ativos preciosos, o clube tem uma chance de ouro de mudar de patamar.

Atalanta

Koopmeiners e Scamacca, da Atalanta (Getty)

A campanha: 4ª colocação, 69 pontos. 21 vitórias, 6 empates e 11 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 7ª posição, 30 pontos.
Fora da Serie A: Campeã da Liga Europa e vice-campeã da Coppa Italia.
Ataque e defesa: 72 gols marcados (o terceiro melhor) e 42 sofridos
Time-base: Carnesecchi (Musso); Scalvini, Djimsiti, Kolasinac (Hien, Rafael Toloi); Zappacosta (Hateboer, Holm), De Roon, Éderson, Ruggeri; Koopmeiners (Pasalic); De Ketelaere (Miranchuk), Lookman (Scamacca).
Artilheiros: Teun Koopmeiners (12 gols), Gianluca Scamacca (12) e Ademola Lookman (11)
Garçom: Charles De Ketelaere (8 assistências)
Técnico: Gian Piero Gasperini
Os destaques: Teun Koopmeiners, Gianluca Scamacca e Charles De Ketelaere
A decepção: Hans Hateboer
A revelação: Giovanni Bonfanti
Quem mais jogou: Berat Djimsiti (37 jogos), Éderson (36) e Charles De Ketelaere (35)
O sumido: José Luis Palomino
Melhor contratação: Charles De Ketelaere
Pior contratação: Michel Adopo

Na janela de transferências do verão europeu, a Atalanta fez a venda mais cara e a compra mais custosa de toda a sua história – Hojlund e Touré, respectivamente. Eram sinais de uma mudança de patamar que vem se construindo desde a chegada do técnico Gasperini, em 2016, e que se concretizou em 2023-24, por meio de diversos fatores. Na melhor temporada de seus 117 anos de existência, a Dea foi altamente competitiva em todos os torneios que disputou: ficou na quarta posição da Serie A, a dois pontos de repetir suas mais nobres colocações (uma sequência de terceiros lugares entre 2019 e 2021), foi vice da Coppa Italia e pode celebrar a conquista da Liga Europa. Foi o primeiro troféu internacional da agremiação, que não faturava títulos do mais alto escalão desde o início da década de 1960.

Os trabalhos de Gasperini costumam crescer ao longo da temporada. Em 2023-24, a Atalanta não fugiu à regra e teve a segunda melhor campanha de todo o returno – na primeira metade do certame, apenas a sétima. Parte dessa trajetória ascendente se deveu ao processo de maturação de importantes reforços, como Scamacca e De Ketelaere, que passaram a render mais na medida em que foram entendendo os conceitos do técnico. Também vale destacar a contribuição dada por atletas que voltaram de empréstimo, como Carnesecchi, que teve méritos ao colocar Musso no banco, e Miranchuk, valioso na condição de opção de etapa complementar.

O oitavo ano de Gasperini no comando da Atalanta teve um pouco de tapa na cara do Milan, pelo renascimento de De Ketelaere, que – atuando como segundo atacante – marcou 10 gols e forneceu oito assistências, sendo um dos grandes protagonistas de toda a Serie A. O desempenho da Dea também pode ter levado a Itália a encontrar o seu centroavante na Euro, devido à valorização de Scamacca. Além disso, as glórias dos nerazzurri consolidaram Éderson como um dos box-to-box mais eficientes do futebol europeu. Nesta trajetória de sucesso, aliás, o antes coadjuvante Lookman foi elevado ao patamar de herói. Por fim, a campanha dos orobici ofereceu as condições necessárias para que o processo de lapidação de Koopmeiners fosse concluído. Meia completo, o holandês faz tudo com maestria e, por isso, é um atletas de sua posição mais cobiçados do continente.

Juventus

Vlahovic, da Juventus (AFP/Getty)

A campanha: 3ª colocação, 71 pontos. 19 vitórias, 14 empates e 5 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: vice-líder, 46 pontos.
Fora da Serie A: Campeã da Coppa Italia
Ataque e defesa: 54 gols marcados e 31 sofridos (a segunda melhor)
Time-base: Szczesny; Gatti, Bremer, Danilo (Rugani); Cambiaso (Weah), McKennie (Miretti), Locatelli, Rabiot, Kostic; Vlahovic (Kean, Milik), Chiesa (Yildiz).
Artilheiros: Dusan Vlahovic (16 gols), Federico Chiesa (9) e Adrien Rabiot (5)
Garçom: Weston McKennie (7 assistências)
Técnicos: Massimiliano Allegri (até a 36ª rodada) e Paolo Montero (a partir de então)
Os destaques: Dusan Vlahovic, Bremer e Danilo
A decepção: Paul Pogba
A revelação: Kenan Yildiz
Quem mais jogou: Bremer (36 jogos), Manuel Locatelli (36) e Wojciech Szczesny (35)
O sumido: Tiago Djaló
Melhor contratação: Andrea Cambiaso
Pior contratação: Timothy Weah

Em 2023-24, a Juventus teve duas caras – ou talvez uma só, se olharmos com mais atenção. No primeiro turno, a Velha Senhora teve um fantástico aproveitamento, conquistando 10 de suas 14 vitórias com uma vantagem de apenas um gol sobre seus adversários, e disputou a liderança cabeça a cabeça com a Inter. Até assumiu a ponta em janeiro, por uma rodada, quando os nerazzurri ficaram com um jogo a menos no campeonato em virtude da disputa da Supercopa Italiana. O returno dos bianconeri, porém, foi horripilante: a equipe triunfou somente cinco vezes e fechou a segunda metade da Serie A com a nona melhor campanha deste período e a distância para a rival, que era de um focinho, passou para 23 pontos. E, afinal, o que essas duas faces tinham em comum? Um futebol eficiente na defesa, mas de doer os olhos em termos de criatividade.

Definitivamente, Allegri não conseguiu abafar as críticas da torcida, insatisfeita havia muito tempo com o nível de atuações da Juventus e sua falta de encantamento. Obviamente, o título da Coppa Italia não mudou esse panorama – aliás, sequer serviu para evitar sua demissão. No intuito de jogar a pressão de ser campeã para a Inter no período em que o futebol opaco da Velha Senhora ainda colhia resultados, o treinador e a diretoria afirmavam que o objetivo de 2023-24 seria voltar à Champions League, já que os bianconeri não disputaram competições europeias por punição devido a fraude fiscal. Entretanto, quando a vaga no principal torneio de clubes do continente foi assegurada, não houve festa ou qualquer menção ao feito na capital do Piemonte. Afinal, a arquirrival havia disparado rumo ao scudetto e frustrado a expectativa de título da gigante de Turim. Uma esperança que ficava restrita aos bastidores, ao contrário das palavras lançadas ao vento.

Há de se ressaltar que nem mesmo o engessamento da equipe de Allegri impediu que vários jogadores da Juventus tivessem destaque individual. Os dogmas do treinador auxiliaram os defensores, é claro, que comandaram uma retaguarda sólida e tiveram um ano excepcional – Bremer, Danilo e Gatti, nessa ordem, honraram a camisa bianconera. Mais à frente, Cambiaso impressionou pela sua rápida adaptação e McKennie surpreendeu pela eficiência, que desde o início da temporada fez com que o técnico optasse por aproveitá-lo, ao invés de mostrar-lhe a porta de saída. No ataque, Chiesa viveu de lampejos e Vlahovic tirou muitos coelhos da cartola, deixando evidente que poderia ter brigado pela artilharia da Serie A se tivesse sido municiado com competência. Por fim, o desabrochar de Yildiz permite que a torcida da Velha Senhora possa sonhar com um novo ídolo em seu quintal.

Milan

Giroud, Rafael Leão e Pulisic, do Milan (imago)

A campanha: 2ª colocação, 75 pontos. 22 vitórias, 9 empates e 7 derrotas. Classificado para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: 3ª posição, 39 pontos.
Fora da Serie A: Eliminado na fase de grupos da Liga dos Campeões, eliminado nas quartas de final da Liga Europa pela Roma e eliminado nas quartas de final da Coppa Italia pela Atalanta.
Ataque e defesa: 76 gols marcados (o segundo melhor) e 49 sofridos
Time-base: Maignan (Sportiello); Calabria (Florenzi), Tomori, Thiaw (Kjaer, Gabbia), Hernandez; Adli (Musah, Bennacer), Reijnders; Pulisic, Loftus-Cheek (Chukwueze), Rafael Leão (Okafor); Giroud (Jovic).
Artilheiros: Olivier Giroud (15 gols) Christian Pulisic (12) e Rafael Leão (9)
Garçom: Rafael Leão (9 assistências)
Técnico: Stefano Pioli
Os destaques: Christian Pulisic, Olivier Giroud e Rafael Leão
A decepção: Fikayo Tomori
A revelação: Francesco Camarda
Quem mais jogou: Tijjani Reijnders (36 jogos), Christian Pulisic (36) e Olivier Giroud (35)
O sumido: Mattia Caldara
Melhor contratação: Christian Pulisic
Pior contratação: Luka Romero

Somente os desgastes naturais de um trabalho longo e acontecimentos negativos de cunho histórico registrados em clássicos poderiam fazer com que uma temporada inteirinha no G4 pudesse ser vista como decepcionante. Sim, levar 5 a 1 da maior rival e vê-la conquistar a segunda estrela após uma derrota no dérbi local é bem ruim. Testemunhar um surto de lesões musculares, a sucessão de falhas da zaga e um futebol nem semore exuberante, também. Mas o jovem Milan deixou muito talento em evidência e passou 37 das 38 rodadas da Serie A no grupo dos quatro primeiros colocados – não esteve no pelotão apenas na jornada inaugural, devido ao saldo de gols. Considerando a hegemonia que a Inter desenvolveu, será que podia fazer mais do que isso?

Em termos de resultados, provavelmente não. Mas, de fato, a torcida rossonera teve motivos para recalamar do desempenho do time comandado pelo demissionário Pioli. Em seu quinto e último ano de trabalho em Milanello, raras vezes o treinador conseguiu fazer o Diavolo apresentar um futebol comparável ao da campanha do 19º scudetto, em 2021-22. Apesar de momentos em que a fluidez não era das maiores, o ataque funcionou. Afinal, o talento dos seus grandes nomes falou mais alto. Mesmo distante de seu auge físico e técnico, Rafael Leão seguiu como um dos jogadores mais decisivos da Serie A e Giroud, perto da aposentadoria, manteve o faro de gol – além de ter sido um grande garçom. Entre os reforços, Pulisic caiu no onze inicial como uma luva e Okafor teve influência ao sair do banco de reservas. Loftus-Cheek e Reijnders também contribuíram muito ofensivamente, impedindo que Hernandez se sobrecarregasse.

Quase todos estes citados são jogadores que atingiram sua maturidade e ainda têm lenha para queimar por bons anos ou são atletas que ainda podem evoluir, ganhando mais experiência em campos internacionais e também na Serie A – salientamos que poucos dos reforços para 2023-24 conheciam as armadilhas do campeonato. A força do Milan reside justamente na esperança, visto que o Diavolo trabalha com um elenco de muito potencial, projetado para dar resultados lá na frente. Isto é, se a atual diretoria não priorizar o lucro, através de revendas, em detrimento do sucesso esportivo. Certamente, esta é uma das incógnitas que afligem os rossoneri. A outra diz respeito à defesa, visto que o time não apresentou apenas problemas sistêmicos no setor. Chamou atenção a queda de rendimento ou a estagnação de peças importantes, como Calabria, Tomori e Thiaw. A questão deve ser avaliada com cautela, caso a caso.

Inter

Martínez e Thuram, da Inter (AFP/Getty)

A campanha: campeã, 94 pontos. 29 vitórias, 7 empates e 2 derrotas. Classificada para a Liga dos Campeões.
No primeiro turno: líder, 48 pontos.
Fora da Serie A: Campeã da Supercopa Italiana, eliminada nas oitavas de final da Liga dos Campeões pelo Atlético de Madrid e eliminada nas oitavas de final da Coppa Italia pelo Bologna.
Ataque e defesa: 89 gols marcados (o melhor) e 22 sofridos (a melhor)
Time-base: Sommer; Pavard (Bisseck), Acerbi (De Vrij), Bastoni; Darmian (Dumfries), Barella, Çalhanoglu, Mkhitaryan, Dimarco (Carlos Augusto); Martínez, Thuram.
Artilheiros: Lautaro Martínez (24 gols), Marcus Thuram (13) e Hakan Çalhanoglu (13)
Garçom: Henrikh Mkhitaryan (8 assistências)
Técnico: Simone Inzaghi
Os destaques: Lautaro Martínez, Marcus Thuram e Hakan Çalhanoglu
A decepção: Marko Arnautovic
A revelação: Yann Bisseck
Quem mais jogou: Nicolò Barella (37 jogos), Carlos Augusto (37) e Henrikh Mkhitaryan (36)
O sumido: Stefano Sensi
Melhor contratação: Marcus Thuram
Pior contratação: Davy Klaassen

A torcida da Inter viveu uma temporada mágica. Por ter conseguido o quarto maior aproveitamento da história da Serie A e por motivos simbólicos, a Beneamata protagonizou uma de suas mais memoráveis campanhas – no século, fica atrás apenas da época 2009-10, marcada pela conquista da Tríplice Coroa. Neste ano, mostrou um futebol exuberante, foi líder isolada do campeonato em 30 das 38 rodadas, teve os principais craques do certame em todos setores, estabeleceu uma vantagem de incríveis 23 pontos sobre a arquirrival Juventus, com a qual chegou a disputar o troféu cabeça a cabeça, e de 19 sobre o Milan, que goleou por 5 a 1. Os nerazzurri ainda faturaram o seu vigésimo scudetto com outra vitória no Derby della Madonnina, num triunfo que serviu para desempatar a corrida de títulos nacionais com os rossoneri e lhes permitiu alcançar a segunda estrela no escudo antes do adversário.

A brilhante trajetória dos interistas foi uma vitória da persistência de Inzaghi. Nos dois anos anteriores, o técnico foi justamente contestado pelas muitas oscilações na Serie A, em oposição aos torneios de mata-mata, e passou a projetar melhor as campanhas de longo prazo. Simone ganhou a confiança da diretoria, apesar das críticas e dos pedidos de demissão, e com convicções reforçadas pelo bom desempenho na final da Champions League, contra o Manchester City, seguiu em frente com sua filosofia. Em seu ideário, trabalhou movimentos que remetem ao futebol total holandês, uma ocupação de espaços que intensifica a eficiência da defesa e transições envolventes. Assim, construiu uma Inter capaz de sofrer apenas nove gols no primeiro turno e que obteve um saldo final superior à quantidade de tentos anotados por 17 das outras 19 participantes da competição. Números impressionantes.

Debaixo das traves, a discrição de Sommer contrastou com a exposição de Onana em 2022-23 – o suíço, porém, se destacou quando exigido. Na linha de retaguarda, Pavard e Bastoni brilharam intensamente, inclusive sendo fortes articuladores de um time que transformou zagueiros em camisas 10. Na ala canhota, Dimarco se consolidou como um dos principais nomes do mundo na posição, sendo capaz até de marcar golaços do meio-campo. No centro do gramado, aliás, residiu uma das grandes forças da equipe, com o trabalho incansável e esplêndido de Barella, Çalhanoglu e Mkhitaryan – que formaram um dos tridentes mais poderosos do setor na Europa. Por fim, o ataque. Se Arnautovic e Sánchez não eram opções tão confiáveis, o capitão e artilheiro Lautaro resolveu qualquer carência juntamente a Thuram, seu fiel escudeiro, adquirido a custo zero. Embarcando na tendência que o argentino e o francês criaram com vídeos nas redes sociais, perguntamos: e então, torcedores, estão contentes?

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