Dérbis

Rivalidades: Derby di Sicilia

Torcida foi proibida de acompanhar últimos jogos da temporada 2006/2007
Não está entre os dérbis mais famosos da Itália. Não tem o número de títulos em jogo de Inter e Milan, o ódio mortal entre Roma e Lazio nem o apelo histórico de Juventus e Torino. Mesmo assim, um pouco negligenciado como boa parte do sul da bota, deixou marcas profundas e provocou debates sobre a violência no futebol italiano.

O dérbi siciliano que coloca frente a frente Palermo e Catania está fortemente ligado as raízes sulistas do país. Máfia, preconceito, disputas no tapetão. Tudo instável e imprevisível como o vulcão Etna.

O primeiro encontro nacional entre os rosaneri e os rossazzurri aconteceu em 1936, pela série B. Empate de 1 a 1. Após isso seguiram-se mudanças de nome, rebaixamentos e até dissoluções pela 2ª Guerra. O terceiro confronto em um campeonato nacional só aconteceu 1956, 20 anos após o primeiro embate. Justamente a instabilidade dos clubes fez com que as partidas na principal divisão do Calcio fossem raras. Em muitas temporadas jogaram em divisões distintas e ambos tiveram a falência decretada mais de uma vez.

Pela série A são 10 jogos com três vitórias para cada lado e quatro empates. Os resultados inexpressivos explicam a popularidade da Juve, maior torcida da região graças a migração dos moradores da ilha para o norte da Itália, na busca por emprego e melhores condições de vida.

Foi uma tragédia, porém, que colocou o Derby di Sicilia nos noticiários de todo o mundo. Em 2 de fevereiro de 2007, a morte do policial Felippo Raciti, após ser atingido por uma bomba caseira, provocou manifestações e debates sobre a violência entre torcedores rivais e polícia. O torneio nacional permaneceu algumas rodadas paralisado por ordem da Federação Italiana de Futebol e foi duramente criticado em todo mundo. Seus dirigentes foram obrigados a tomar medidas para conter a onda de violência, como a proibição de sinalizadores nos estádios e a venda de ingressos para torcedores organizados dos clubes visitantes, operações especiais para grandes clássicos.

Os incidentes quase custaram o rebaixamento ao Catania, que teve de jogar em campo neutro até o final do campeonato, sem torcida. A equipe sobreviveu graças a uma vitória sobre o Chievo na última rodada.

Outro ingrediente também deve apimentar o dérbi desta temporada. Walter Zenga trocou o Catania pelo Palermo no final do último campeonato. Grande responsável pela manutenção dos rossazzurri na Série A – recorde de 43 pontos da equipe na primeira divisão – o treinador deve ter uma recepção nada acolhedora por ter trocado o clube pelo maior rival.

Derby di Sicilia

Vitórias do Palermo – 23
Vitórias do Catania – 17
Empates – 36
Gols do Palermo – 88
Gols do Catania – 76

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