Serie A

900 minutos em 9: 21ª rodada

A decepção de Ronaldinho é a cara do Milan, que deve sentir o baque do dérbi (AP Photo)

Como era de se esperar, o grande jogo da rodada foi mesmo o dérbi de Milão. O bom futebol do Milan nos últimos jogos contrastava com uma Inter que vencia suas partidas com futebol pouco empolgante. Toda a resenha esportiva girava em torno de Ronaldinho, melhor do time nas últimas rodadas, que poderia colocar o Milan de vez na briga pelo scudetto. Porém, o fuoriclasse brasileiro foi apenas discreto frente uma Inter que entrou determinada a abrir nove pontos de vantagem do próprio Milan, e que, desde o primeiro minuto, não deu descanso a sua rival. Logo aos 10 minutos, Milito abriria o placar, que Pandev fecharia com um golaço no segundo tempo. Ainda houve espaço para duas expulsões (Sneijder e Lúcio), pênalti defendido por um renascido e determinante Júlio César, além de muita polêmica em relação a arbitragem e comemorações extremadas dos interistas, que seguem cada vez mais favoritos ao pentacampeonato. Para conferir nosso resumo aprofundado da partida, basta clicar aqui.

Outro clássico que marcou a rodada foi o embate entre Juventus e Roma. No jogo do turno, Diego havia feito sua melhor partida com a camisa bianconera, o que custou a cabeça do técnico Luciano Spalletti. Desta vez, o brasileiro foi bem anulado por De Rossi e companhia e é o pescoço de Ciro Ferrara que corre perigo. A bem da verdade, o ex-zagueiro da Juve só não caiu por falta de melhores opções. Com Toni lesionado aos dois minutos de jogo, Totti entrou em campo e fez sua parte na decisão. A Juve dominava a partida e abriu o placar com Del Piero, mas o capitão romanista respondeu com um pênalti muito bem cobrado. Depois, coube a Riise decidir o jogo. Num contra-ataque, o norueguês cavou a expulsão de Buffon e ainda marcou de cabeça, nos acréscimos, o gol da virada, num cruzamento perfeito de Pizarro. Com o resultado, a Roma chegou a 38 pontos e está a dois do vice-líder Milan. Já a Juve continua em queda livre e é a sexta colocada, a quatro de distância da zona de classificação para a Liga dos Campeões.

Na Toscana, o Napoli visitou o Livorno com dois grandes desfalques: Lavezzi (lesionado) e Quagliarella (suspenso). Com poucos lances de perigo, a vitória azzurra se definiu em três lances. Primeiro, Maggio acertou um lindo chute, à van Basten, nos acréscimos do primeiro tempo. Já no segundo tempo, De Sanctis hipnotizou mais um atacante e defendeu o segundo pênalti na semana, este cobrado por Lucarelli. No fim da partida, o goleiro De Lucia foi expulso por colocar a mão na bola fora da área. Após o apito final, a situação do Livorno se complicou um pouco mais, já que o técnico Serse Cosmi anunciou sua demissão, alegando divergências com o presidente Spinelli. Lucarelli afirmou que não houve surpresas para o elenco e que alguns jogadores já sabiam que ele se demitiria. O clube pode contratar Dan Petrescu, Nedo Sonetti ou Zdenek Zeman.

Logo atrás do Napoli está o Palermo, invicto há sete rodadas e com um espetacular retrospecto defensivo: levou apenas três gols nos últimos oito jogos. Os rosanero precisaram apenas de metade do jogo para matar uma Fiorentina irreconhecível, que até o início da partida tinha a melhor defesa do campeonato (ao lado de Inter e Milan). O protagonista foi o jovem atacante uruguaio Hernández, que marcou duas vezes no primeiro tempo, a primeira de cabeça e a segunda com assistência de Pastore – em sua melhor partida desde que chegou ao Renzo Barbera. Depois do intervalo, Hernández foi substituído pelo croata Budan, que fechou o placar em 3 a 0. Na única boa chance da Fiorentina durante o segundo tempo, Sirigu, em ótima temporada de estreia, parou bem Jovetic. O resultado empurra os viola para a nona posição, cada vez mais longe da zona-LC.

A rodada garantiu a alegria dos times de Gênova. Tanto Sampdoria quanto Genoa venceram suas partidas, o que não acontecia desde a 3ª rodada. Mas a maior vitória foi de Luigi Del Neri, que nos 3 a 2 sobre a Udinese, arriscou bastante ao excluir Cassano da viagem para o Friuli sem declarar seu real motivo para tal. Assim, recolocou nos trilhos esta Samp que não vencia há dois meses. A Udinese fez um bom primeiro tempo e foi para o intervalo em vantagem no placar, com direito ao 13º gol de Di Natale na temporada. Mas, no retorno, Pozzi e Semioli aproveitaram-se da bagunça defensiva alheia para virar o placar. Os friulani, a bem da verdade, têm bons motivos para reclamar um pênalti não marcado no fim do jogo. Mas o resultado é duro: agora, a Udinese está apenas um ponto acima da zona de rebaixamento, pronta para confirmar sua pior campanha na Serie A desde o rebaixamento de 1994. E, se Lippi pode ficar feliz pela temporada em chiaroscuro de seu desafeto Cassano, já deve abrir os olhos para a péssima fase de seu pupilo Simone Pepe.

Enquanto a Samp chegou à 10ª posição, com 30 pontos, o Genoa agora é o oitavo colocado, com 31 e só dois atrás da zona de classificação para a Liga Europa. O time entrou bem com bem contra a Atalanta e conseguiu uma vitória à argentina. Palácio (com um belo gol por cobertura) e Crespo (de cabeça), no primeiro tempo, anotaram o 2 a 0 que não saiu do placar. Palmas para Gasperini, que barrou Juric, Sculli e Fatic, não improvisou ninguém desta vez e, em contrapartida, viu seu time garantir uma partida tão consistente quanto as do Genoa do início do campeonato. Mas a grande notícia do jogo foi a Atalanta, que é outro time sob o comando de Bortolo Mutti e com o reforço do uruguaio Chevantón, que entrou muito bem no decorrer da partida. Os bergamascos ainda estão na vice-lanterna, a três pontos da salvezza. Um objetivo cada vez mais concreto para uma equipe que está subindo bastante de rendimento.

Junto dos nerazzurri de Bérgamo (17 pontos), também estão na zona de rebaixamento Siena (13) e Catania (19). No empate por 1 a 1 com o Cagliari, o Siena confirmou que a sorte definitivamente não está a seu lado. Os lanternas fizeram um ótimo primeiro tempo (Maccarone foi o destaque) e até abriram o placar no segundo, com Calaiò impedido. Mas os sardos não precisaram de mais de um minuto para empatar, com o décimo gol de Matri na Serie A. Com o empate inútil, enquanto o banco de Malesani já começa a esquentar, o Cagliari, que podia ter ultrapassado a Juventus com uma vitória, vê o sonho europeu um pouco mais longe. No Catania, por outro lado, a fase é boa com Mihajlovic e o time confia em deixar a zona da degola já na próxima rodada, no confronto direto com a Udinese. Contra um Parma sem cinco titulares, os etnei viveram seu dia M: o 3 a 0 foi construído nos gols de Mascara, Martínez e Morimoto – e o primeiro ainda perdeu um pênalti. Incrível a queda do Parma, que só conseguiu um ponto nos últimos cinco jogos.

Ainda na parte debaixo da tabela, o Bologna continua sua fuga e já é o 14º colocado. A ótima fase de Giménez (dois gols neste domingo) tem guiado o time na luta contra a Serie B. Com a vitória de 2 a 1 sobre o Bari, os rossoblù chegaram à marca de sete pontos em sete dias, espantando a sombra de um rebaixamento que já parecia questão de tempo. Sem o goleiro Viviano, lesionado por um mês, Colombo não teve muito trabalho com o ataque pugliese e deixou entrar o único chute periogoso em direção a suas redes, do brasileiro Barreto, em marcando em sua sétima partida consecutiva. Com o resultado, o Bologna ultrapassou a Lazio, numa temporada de crise perene e que agora vê a zona de rebaixamento a apenas dois pontos de distância. O time não se recuperou da queda para a Fiorentina na Coppa Italia e nem da goleada para a Atalanta na rodada passada e, em campo, é um time desatento, que parece incapaz de evoluir. Contra o Chievo, Stendardo abriu o placar com um gol de Stendardo em escanteio de Baronio, mas os vênetos empataram com P ellissier, que não marcava desde 27 de setembro. Na próxima semana, o duelo entre Lazio e Juve deve ser determinante: para os dois times, a “chance” de transformar o desastre em pesadelo.

Texto com a colaboração de Nelson Oliveira

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Seleção da 21ª rodada
Júlio César (Inter); Maggio (Napoli), Juan (Roma), Samuel (Inter), Riise (Roma); Zanetti (Inter), Pizarro (Roma), Migliaccio (Palermo); Hernández (Palermo), Pandev (Inter), Giménez (Bologna).

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