Serie A

Chora, viola

Após sete jogos, Gilardino só marcou dois gols na Serie A. É sua
pior média desde que chegou a Florença (Getty Images)

Não há como negar: a saída de Cesare Prandelli para a seleção italiana balançou a Fiorentina, que perdeu o treinador que liderou o projeto europeu do clube nos últimos cinco anos. Com influência dele, os viola conseguiram contratar e segurar jogadores com potencial para atuar nos gigantes europeus, como o goleiro Frey, os meias Montolivo e Vargas e os atacantes Gilardino, Mutu e Jovetic. Para não falar da participação em duas Ligas dos Campeões.

O sérvio Sinisa Mihajlovic assumiu uma equipe quase idêntica à da temporada passada. De relevante, só perdeu o lateral-esquerdo Gobbi, mas recebeu Boruc, D’Agostino e Cerci. O suficiente para que o clube retomasse a busca pela Liga dos Campeões, certo? Mas eis que as lesões de Jovetic e D’Agostino e a interminável suspensão de Mutu (que voltará na nona rodada) derrubaram as expectativas do time. Ao ponto de, sete rodadas após o início do campeonato, o sinal vermelho já estar ligado em Florença.

Desde 1977-78 a Fiorentina não começava tão mal a Serie A. Naquela campanha, atuações espetaculares do goleiro Galli no fim da temporada fizeram o time escapar do rebaixamento na última rodada. Mesmo em uma época em que mudar de treinador era atitude mais rara, Carlo Mazzone durou doze jogos. Se mantiver o ritmo de quatro derrotas em sete jogos, Mihajlovic não terá tanto tempo de manobra. Com o projeto da Cittadella Viola (centro comercial, artístico e esportivo nas mediações de Florença) oficialmente abandonado, o estresse da família Della Valle não demorará a recair sobre os ombros do técnico.

Em campo, é difícil explicar por que a Fiorentina segura a lanterna da competição. A única vitória até aqui foi contra o Parma, hoje vice-lanterna. O pilar da catástrofe viola é a sequência de lesões do elenco. Na última partida, foram cinco desfalques importantes que permitiram à Sampdoria de Cassano virar o jogo nos últimos 15 minutos. Jogando sem importantes líderes, às vezes parece faltar a personalidade e a raça demonstrada nas temporadas anteriores – e é aí que parece faltar o pulso de Mihajlovic, que há dois meses havia prometido a classificação para a Liga dos Campeões.

A nova realidade em médio prazo é alcançar 40 pontos e se livrar das chances de rebaixamento. Para isso, será fundamental uma boa participação no mercado de janeiro. Na última intervenção do diretor esportivo Pantaleo Corvino nas transferências, a manutenção da base parecia decisão acertada, apesar da insistência de outros clubes em pagar caro por alguns jogadores de Florença. Hoje, parece claro que o grupo se desmotivou bastante após a queda para o Bayern de Munique na Liga dos Campeões, temporada passada. Mesmo no comando de Prandelli, a Fiorentina chegou a ficar sete jogos sem vencer. Apostar cegamente no retorno do romeno Mutu, 31 anos, que não joga desde janeiro, é no mínimo arriscado.

Ainda mais difícil é apostar que jovens inexperientes possam resolver as principais deficiências do elenco. O lateral-esquerdo Gulan (21 anos) e o atacante Babacar (17) não aguentaram a pressão e podem ser emprestados já em janeiro. O meia-atacante Ljajic (19) tem chamado atenção, mas é cedo demais para que um garoto viciado em chocolate e PlayStation possa assumir a responsabilidade ofensiva da equipe.

Falar em reformulação completa depois de apenas sete rodadas pode parecer precipitado, mas vale lembrar que esta é a mesma espinha dorsal que vem penando desde a queda para o Bayern de Munique. Ali, ficava claro que um ciclo se encerrava, algo que se evidenciou com a saída de Prandelli – mas alguns “senadores” viola continuaram no elenco, ainda que insatisfeitos por não terem sido negociados. Com um vestiário cheio de jogadores difíceis de lidar, Mihajlovic tem encontrado dificuldades. As tentativas de tirar a responsabilidade do grupo a cada coletiva pós-tropeço já beiram o desespero.

Dentro de campo, o treinador sérvio segue perdido. Tentou manter o 4-2-3-1 consagrado por Prandelli, mas os resultados foram ruins e ele logo passou para o 4-3-3 que lhe deu os melhores resultados no surpreendente Catania da temporada passada. Voltou ao esquema de Prandelli antes de inventar o 4-4-1-1 que não convenceu contra a Sampdoria, com Santana improvisado no centro do meio-campo. Mas se um Andrea Della Valle à beira da erupção ainda não demitiu Mihajlovic, um motivo existe: hoje, há alguém muito melhor que ele disponível no mercado?

Originalmente para a Trivela

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