Seleção italiana

Esportividade zero

Nem Cassano, nem Pazzini. Quem roubou a cena em Gênova foi a torcida sérvia
(Foto: AP/La Presse)

A confusão já estava anunciada: antes mesmo de entrar no Luigi Ferraris, em Gênova, parte da torcida sérvia já estava envolvida em brigas com a polícia local, por depredação de patrimônio público. Dentro do estádio, com 1600 pessoas reunidas no pequeno espaço reservado para a torcida visitante, a situação piorou. Sinalizadores foram lançados no campo e contra os italianos presentes nas arquibancadas.

Naquele momento, os jogadores já estavam em campo para o início da partida, mas tiveram que voltar para o vestiário por causa da atitude de torcedores ultra, que se recusavam a deixar o estádio. Tudo indicava que o duelo seria suspenso, porém, o delegado da partida, David Petriashvili, decidiu pela realização do jogo mesmo com a confusão generalizada. De volta ao campo, os jogadores da seleção sérvia se dirigiram às arquibancadas para pedir calma à sua torcida.

Vale lembrar que, em menos de uma semana, dois acontecimentos tumultuaram o futebol da antiga Iugoslávia: torcedores de Estrela Vermelha e Partizan se confrontaram em Belgrado, após derrota de virada da seleção sérvia para a Estônia, e o goleiro Stojkovic foi ameaçado pela torcida e pediu para não jogar hoje.

Ainda assim, a partida foi reiniciada, com 37 minutos de atraso. Em campo, o jogo não durou nem um sexto desse tempo. Foram apenas seis minutos de bola rolando, em que os jogadores levaram ao gramado o clima tenso das arquibancadas. Rajkovic fez falta criminosa em Mauri, logo aos 2′, e contou com a boa vontade do árbitro para receber só cartão amarelo. Um minuto depois, Ivanovic empurrou Pazzini na área e esquentou ainda mais o ambiente. O juiz, contudo, não deu o pênalti.

Aos 6′, torcedores radicais, mais uma vez, jogaram sinalizadores em campo. Dessa vez, o objetivo parecia ser acertar o goleiro Viviano, que estava no gol logo à frente do espaço reservado aos visitantes (foto). Os jogadores italianos se reuniram para saudar a torcida e saíram de campo antes mesmo de o juiz declarar a partida suspensa. Fato que foi consolidado minutos depois.

O caos generalizado evidencia a falta de estrutura e segurança nos estádios italianos, em sua maior parte sucateados. Teve torcedor que entrou com alicate em mãos, esta noite no Luigi Ferraris (veja foto). Agora, cabe a Uefa decidir a punição aos sérvios e aos italianos. A federação ainda não decidiu se haverá jogo ou não em outra data. Não descarta-se a possibilidade de a vitória ser concedida à seleção azzurra.

Um pouco de futebol
De fato, não foi um bom dia para os apreciadores do calcio na Itália. Mais cedo, a seleção sub-21 perdeu da Bielorússia e não terá mais o direito de disputar o Europeu da categoria e nem a Olimpíada de 2010, em Londres. O time de Casiraghi vinha de uma vitória por 2 a 0 no primeiro jogo e a classificação parecia certa, mas a falta de atenção nos primeiros momentos de jogo complicou a missão italiana. Yurchenko marcou aos 4’e aos 5’e colocou a Bielorússia de volta na briga. Com o 2 a 0 no placar, o jogo foi para a prorrogação, onde, mais uma vez, os azzurrini vacilaram. Veretilo marcou, após erro defensivo de Santon, e tirou a seleção italiana da disputa.

Em Gênova, mais tarde, caso houvesse mais futebol e menos vandalismo, Prandelli teria a chance de testar uma formação diferente para o seu time. O técnico escalou a seleção com apenas dois atacantes pela primeira vez desde a sua chegada. Cassano e Pazzini jogariam à frente de Mauri, que exerceria a função de trequartista no jogo de hoje. Outra “novidade” era a volta de Zambrotta à lateral direita, o que mostra a insatisfação com as últimas partidas de Cassani na posição. Relembre aqui o último jogo da Itália pelas eliminatórias da Euro.

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