Liga dos Campeões

Bem vindos de volta

Cavani soca o ar: em menos de dois anos, já fez 38 gols pelo Napoli (Reuters)

Sete anos depois e o San Paolo voltou a ferver completamente lotado. Quando, em 2004 a fanática torcida do Napoli lotou seu estádio para acompanhar a estreia do time na então Serie C1, a crise havia devastado os azzurri, que começavam sua reconstrução completa. Naquele 26 de setembro de 2004, empate em 3 a 3 com Cittadella e começo do caminho de volta. Trajetória que foi coroada hoje, 27 de setembro de 2011, quando os mesmos fãs que empurraram a equipe em busca do retorno à elite abarrotaram as arquibancadas napolitanas para acompanhar a volta do clube a um jogo da Liga dos Campeões em sua casa. Na verdade, na última vez que o San Paolo recebeu um jogo da maior competição de clubes europeia, o torneio ainda não havia se transformado no que é hoje.

Se o cenário já era digno de roteiro de filme antes mesmo de a bola rolar, após o início do duelo o que viu foi o final perfeito para a história. Armado por Walter Mazzarri com seu esquema habitual, o Napoli jogou sua melhor partida na temporada e bateu o Villarreal por 2 a 0, gols de Hamsík e Cavani. Pressionando o adversário espanhol desde o começo da partida, os partenopei puderam, pelo menos por 90 minutos, vingar a eliminação diante dos amarillos na Liga Europa da última temporada.

Muito melhor no começo da partida, o Napoli criava chances e simplesmente dominava todas as ações, atuando sempre em seu campo de ataque e fazendo a bola rodar de modo que os espanhóis, em pouco tempo, se encontraram completamente envolvidos pelos partenopei. Restou, então, esperar para que a tática surtisse efeito. E apoiado pela força da torcida, não tardou para que os azzurri abrissem o placar. Em belo cruzamento de Lavezzi, a bola passou por Zapata e sobrou para Hamsík, que fuzilou o goleiro Diego López e fez explodir o San Paolo. A vantagem no placar fez do Napoli ainda mais superior dentro de campo.

E a abertura do placar não mudou em nada o estilo de jogo dos napolitanos. Mantendo a pegada dos primeiros 18 minutos, os donos da casa conseguiram retomar a posse de bola logo após a saída do Villarreal após o gol sofrido. A perda de posse inesperada fez com que a defesa amarela permitisse a infiltração de Lavezzi, melhor jogador em campo até então. Com velocidade, o argentino foi parado apenas com falta – e dentro da área. Cavani partiu para a cobrança e fez seu 38º gol com a camisa azzurra. O uruguaio também superou o brasileiro Cané e se tornou o maior artilheiro napolitano em competições continentais, com 9 gols.

Na segunda etapa, um esperado recuo dos donos da casa tornou o jogo morno. Apostando nos contra-ataques, o Napoli ainda chegou à área adversária em algumas oportunidades, mas sem nenhum destaque. Aos espanhóis, coube a missão de atuar no desespero e, também como esperado, tal tática não surtiu efeito. Os partenopei, agora, partem para o pior desafio de seu grupo: enfrentarão agora o poderoso Bayern de Munique. Um teste de fogo para o Napoli, até agora a grata surpresa italiana na Liga. (Leonardo Sacco)

No front russo…

Dois jogos e duas vitórias para Claudio Ranieri. Quem diria que apenas colocar os jogadores em suas posições de origem faria tanta diferença? No gramado sintético do Luzhniki, a Inter fez, contra o CSKA Moscou, uma partida parecida com a de Bolonha: pouco intensa, com segurança nos setores e, principalmente, cirúrgica. Em ambos os jogos, a Beneamata abriu vantagem, recuou e sofreu o empate, mas mostrou segurança para marcar os gols que lhe dariam a vitória quando quisesse. Uma segurança de um time acostumado com vitórias.

A superioridade nerazzurra no primeiro tempo foi fundamental para a vitória. Com menos de 25 minutos de jogo, a Inter já vencia por 2 a 0, com gols de Lucio e Pazzini, em duas jogadas que surgiram pelo lado direito. No setor, Nagatomo fez ótima partida e apagou o início opaco nesta temporada. Quem ainda não afastou as desconfianças foi Júlio César, que depois de fazer ótima defesa em chute de Dzagoev, não pulou em uma cobrança de falta do meio-campista e permitiu que o CSKA diminuísse.

No segundo tempo, a Inter recuou bastante e se limitou a fazer contra-ataques – não exatamente para definir a partida, mas para segurar a bola no campo adversário. Álvarez, que já vinha demonstrando lentidão para armar as jogadas de ataque, se dedicou ainda mais à defesa, mostrando que pode ser mais útil na linha de três no meio-campo do que sendo trequartista. Para a função, Philippe Coutinho se mostrou mais capacitado.

Muito seguro na defesa durante o decorrer do jogo, Lucio não conseguiu, porém, evitar que Vágner Love o fintasse e, com um chute no canto, empatasse a partida. No lance seguinte, a Inter partiu com força para o ataque e, após receber lançamento de Cambiasso, Zárate matou no peito e fez seu primeiro gol com a camisa interista. No final do jogo, tanto Ranieri quanto Massimo Moratti elogiaram a postura da equipe, que ao menos nos dois primeiros jogos da gestão do treinador romano, se não convenceu tecnicamente, ao menos volta a passar segurança.

1 comentário

  • Sensacional ver o Napoli de volta a Champions. Trabalho todo feito a base da paixão do De Laurentis e da torcida napolitana, mas também com muita organização e planejamento.

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