Serie A

A clara evolução da sub-21 italiana

Insigne e Immobile, destaques do grande time da sub-21 italiana (Who Ate All The Pies)

Clubes dando maior atenção ao
setor juvenil, jovens ganhando espaço no plantel principal na Serie A, uma segundona recheada
de jovens talentos, e agora o vice-campeonato europeu sub-21. Depois de anos no
ostracismo, com gerações pouco desenvolvidas ou simplesmente desvalorizadas, o
futebol italiano parece entrar no caminho certo. Assim, os clubes ganham, os
jogadores ganham, enfim, o futebol do Belpaese, no fim das contas, sai
vitorioso.

O vice em Israel empolga, sim. Apesar
da dramática derrota na final, o time de Mangia merece todos os créditos. Mesmo
após a tranquila classificação para a Euro sub-21, os azzurrini desembarcaram na “Terra Santa” sem favoritismo, mas não
desacreditados. Um time idealizado e coordenado pelo mítico Arrigo Sacchi, coordenador
técnico das seleções de base italianas, montado por Ciro Ferrara e aprimorado
por Devis Mangia. Ambos da nova safra de jovens treinadores de Coverciano – outro
passo importante na reestruturação do futebol nacional.
Com um 4-4-2 (a base) ao melhor estilo Sacchi, com
valorização da posse de bola, mas, fundamentalmente, marcando em zona e por
pressão, apresentando também verticalidade e eficiência, a Itália encantou. Faltou eficiência na estreia, contra os poucos criativos ingleses, mas o time italiano teve uma atuação
equilibrada, com o domínio de todos os setores. A defesa toda formada por
jogadores formados na Inter atuou corretamente, enquanto o talentoso meio-campo mesclado
ditou o ritmo do jogo, fornecendo boas condições para os atacantes marcarem. O
gol da vitória, porém, só veio em bela cobrança de falta de Insigne, aos 79.
No confronto contra os anfitriões israelenses,
atuação de gala dos comandados de Mangia, com um convincente 4 a 0. Sem
Marrone, machucado, o versátil Florenzi foi para o centro e foi o principal
italiano em campo ao lado do maestro Verratti e do reserva Gabbiadini,
que aproveitou bem as qualidades de seu parceiro de ataque, Immobile, e marcou
uma doppietta. Com a vaga na semifinal garantida, oportunidade para os “reservas”
contra uma Noruega também quase garantida. Outra boa atuação, e mais uma vez a
dificuldade em converter o domínio e as oportunidades em gols. E por pouco a
liderança não veio, já que os noruegueses abriram o placar aos 90, em cobrança
de pênalti, mas Bertolacci empatou aos 94, garantindo o primeiro lugar no grupo.
Na semifinal em Petah Tikva, a Itália teve a
oportunidade de confirmar a boa campanha realizada em Tel Aviv. Contra os talentosos
holandeses, um interessante duelo entre duas escolas diferentes. Os garotos da
Oranje neutralizaram as principais virtudes italianas, bloqueando Verratti e as
saídas laterais, com Insigne e Florenzi. Sem o domínio da posse de bola, o time
de Mangia soube controlar o domínio territorial e contou com outra boa atuação
da defesa. No centro da zaga, Bianchetti e Caldirola foram firmes, enquanto
Donati e Regini (no lugar de Biraghi devido ao “contexto”) tiveram vitória nas
constantes diagonais holandeses, e o goleiro Bardi foi feliz nas defesas. No
contra-ataque, os azzurrini chegaram a criar algumas chances, até o gol
decisivo de Borini, até então sumido no torneio. A Itália enfrentaria a Espanha na final, reeditando a final da Euro principal.
Em Jerusalém, porém, a grande
superioridade espanhola prevaleceu. O talento individual e coletivo de uma base
muito bem administrada por mais tempo e com mais qualidade fez a diferença. Sem
dispor uma variação tática ou alternativa, o time de Mangia acabou neutralizado
pelo tiki-taka espanhol, que abriu o placar logo aos 3 minutos, com Thiago Alcântara, em
jogada individual de Morata pela esquerda. Sem saída pelo centro com Rossi
(Marrone, machucado, fez falta) e Verratti, apagado na fase final, nem pelos
lados com Donati, Regini, Florenzi e Insigne, o beque Bianchetti descolou
bonito lançamento para Immobile nas costas da defesa espanhola aos 10. O
centroavante azzurro dominou e venceu De Gea, empatando uma partida dominada
pela Espanha.
Os ibéricos seguiram no controle
e voltaram a ampliar 20 minutos depois. Novamente com Thiago, em outro equívoco
do capitão Caldirola, após enfiada de bola de Koke. Pouco depois, um pênalti
mal marcado decretou o triunfo espanhol ainda na primeira etapa – o ótimo desarme
de Donati foi considerado pelo árbitro como faltoso. Na cobrança, o hispano-brasileiro Thiago, filho de Mazinho, marcou sua tripletta na
final.
A melhora italiana na volta do
intervalo de pouco adiantou, quando aos 66 outro pênalti foi marcado, após
Regini atropelar Montoya. O craque e principal dor de cabeça para a marcação
azzurra, Isco, ampliando a vantagem. A Itália até reagiu, mas tarde demais: aos 79,
Borini marcou bonito gol após (raro) lance individual de Insigne. Apesar da
pressão no final, o placar não se alterou e a Espanha se sagrou tetracampeã da
Euro sub-21, justamente sobre a maior campeã do torneio, a pentacampeã Itália, que
caiu de pé. E que deve continuar seu ótimo trabalho nos próximos anos.
Notas
Goleiros: Bardi (8, Inter),
Colombi (-, Atalanta) e Leali (-, Juventus);
Defensores: Donati (9, Inter),
Biraghi (7, Inter), Capuano (6, Pescara), Caldirola (7, Cesena),
Bianchetti (8, Inter e Verona) e Regini (6, Empoli);
Meio-campistas: Verratti (7,
PSG), Florenzi (9, Roma), Marrone (8, Juventus), Insigne (8, Napoli), Bertolacci
(6, Genoa), Saponara (7, Empoli), Rossi (6, Brescia) e Crimi (7,
Grosseto);
Atacantes: Immobile (8, Genoa),
Gabbiadini (8, Bologna), Destro (6, Roma), Sansone (6, Parma),
Paloschi (-, Chievo) e Borini (7, Liverpool).

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