Serie A

12ª rodada: Derbinho

Partida entre Milan e Inter foi marcada novamente por nível técnico inferior à história do clássico (AP)

Era final de semana de Dérbi de Milão, mas novamente foi a Juventus quem roubou a cena. Ainda no sábado, a Velha Senhora trucidou uma forte Lazio e manteve a ponta da tabela, mesmo com a derrota magra da Roma, minutos antes. No dia seguinte, duas das gigantes italianas mostraram um futebol mais próximo de equipes pequenas ou medianas da Velha Bota. “Fizeram o que podiam, mas o problema é que podem pouco”, afirmou com propriedade a crônica do canal italiano Rai. 

Há algumas temporadas um dos maiores jogos da Itália tem mostrado qualidade técnica inferior a construída ao longo de mais de 100 anos de rivalidade, já que a crise fez com que os elencos tanto de Milan quanto de Inter ficassem menos estelares e cada vez mais modestos. Ao menos, com Inzaghi e Mancini os dois times mostram que tem margem de crescimento. Quem sabe no segundo turno o dérbi seja mais divertido? Por enquanto, leia o resumo da 12ª rodada por aqui.

Milan 1-1 Inter

A partida mais aguardada do fim de semana na Itália até foi divertida, mas mais uma vez Milan e Inter não conseguiram fazer um jogo do tamanho e da importância do que é um Derby della Madonnina. Na estreia de Roberto Mancini, que voltou ao clube que lhe deu os primeiros grandes títulos, a escrita foi mantida: o Mancio nunca havia vencido em estreia por um clube na Serie A e continuou sem vitória. Para Pippo Inzaghi, estreante como técnico no clássico, um empate valoroso, principalmente por sua equipe se basear principalmente em contra-ataques. A se registrar o fato de o San Siro ter lotado, mesmo com ingressos mais caros – o fato foi comemorado pela imprensa italiana, que, assim como a brasileira, reclama dos estádios esvaziados nas demais partidas do campeonato.

A primeira grande chance do jogo foi da Inter. Após erro de Muntari, Icardi ficou cara a cara com Diego López, mas perdeu uma chance que não se perde nem nos jogos mais fáceis – méritos para a boa saída do gol do espanhol, no entanto. Após leve superioridade interista, foi o Milan que abriu o placar, após belo contra-ataque e jogada que confundiu a defesa adversária. O rossonero Ménez, com belo gol, fez gol muito parecido com o do nerazzurro Beccalossi, em 1979. Na segunda etapa, aproveitando bola espirrada, Obi (o pior em campo até o momento) empatou o jogo para a Inter. Depois, El Shaarawy perdeu duas ótimas chances: na primeira, frente a Handanovic, acertou a trave; depois se enrolou e viu Juan Jesus se recuperar bem e lhe roubar a pelota. Icardi também acertou a trave, mas antes perdeu outra chance incrível, chutando nas estrelas. Para a primeira partida de Mancini, e com tática nova – um 4-3-3, com Kovacic aberto pela esquerda –, a Inter mostrou melhoras. Já o Milan ganhou boas opções, com o definitivo retorno de Mexès (que estava afastado) ao time e a utilização proveitosa do zagueiro Rami na lateral direita. (Nelson Oliveira)

Lazio 0-3 Juventus
Às vésperas do importante duelo contra o Malmö, pela Liga dos Campeões, a Juventus mostrou que ainda é muito superior aos seus adversários da Serie A e venceu pela décima vez em 12 jogos nessa temporada. Contra a Lazio, no Olímpico de Roma, a equipe contou com um Pogba em grande forma, um Tévez (sempre) decisivo e um Pirlo de volta aos bons momentos. O francês foi responsável por dois bonitos gols, enquanto o argentino marcou o do 2 a 0, que acabou de vez com as esperanças dos biancocelesti.

O 4-3-2-1 de Massimiliano Allegri mostra cada vez mais força, principalmente em campos italianos, e a sombra do 3-5-2 de Antonio Conte vai se apagando do dia-a-dia juventino. A equipe funciona bem na defesa e no ataque e sabe controlar o jogo muito bem, quando necessário. Com Pirlo inspirado, as coisas ficam ainda mais fáceis. Assim, o time segue tranquilo para o jogo fora de casa, contra o Malmö – e que deve ser essencial para o sonho de classificação às oitavas na Champions. A Roma continua três pontos atrás. A Lazio, que perdeu pela segunda vez seguida no campeonato, só não lamentou mais o resultado porque Milan, Udinese e Inter empataram suas partidas e não roubaram sua 6ª colocação. (Rodrigo Antonelli)

Atalanta 1-2 Roma
Nem mesmo um gol com menos de um minuto de jogo, com Moralez, pressão dos donos da casa e depois uma bola na trave bastaram para a Roma tropeçar. Com duas jogadas simples, sempre com Ljajic pela esquerda, partindo para cima dos “velhinhos” Bellini e Stendardo, o time de Garcia virou e conquistou os três pontos ainda na primeira etapa. O bastante para seguir na cola da Juventus.

Se poupando para o jogo da Liga dos Campeões, mesmo com vários titulares, a Roma iniciou a partida em marcha lenta. E seguiu nela até o final. Ljajic, em bela jogada, e depois com assistência para Nainggolan, em dois contra-ataques, viraram o jogo. Frágil e irregular, a Atalanta não conseguiu manter a pressão inicial, sofreu com sua defesa lenta e depois não reagiu. Mais um resultado ruim de um time que prometia pelo menos um lugar tranquilo na tabela, mas está colado na zona de rebaixamento com seis derrotas em 12 rodadas. (Arthur Barcelos)

Napoli 3-3 Cagliari

Parecia que o Cagliari sairia de Nápoles derrotado pela quinta vez seguida quando Higuaín marcou o primeiro gol do jogo logo aos 11 minutos. O atacante argentino aproveitou cobrança de lateral à distância de Ghoulam e, completamente livre – Rossettini e Ceppitelli esqueceram que não existe impedimento em cobrança manual –, avançou e balançou as redes. Cossu testou Rafael aos 27, porém, logo na sequência, Inler dobrou a vantagem do time da casa, em chute de longa distância. Ibarbo, antes de terminar o primeiro tempo, diminuiu, depois de bom drible de corpo sobre Koulibaly.

Na etapa seguinte, o Cagliari empatou com o brasileiro Diego Farias, após falta cobrada por Cossu e sonolência da defesa azzurra. O gol de De Guzmán, em nova falha absurda da defesa sarda, colocou o time da casa em vantagem novamente. Porém, Koulibaly errou e Ibarbo, seu carrasco na tarde napolitana, aproveitou para lhe roubar a bola e cruzar para Farias definir o resultado da partida. A equipe sarda teve a chance de sair com a vitória do San Paolo, porém, o camisa 17 não conseguiu fazer uma tripletta nos acréscimos, chutando ao lado da meta defendida por Rafael. (Murillo Moret)

Verona 1-2 Fiorentina
Numa das suas mais seguras apresentações na atual temporada da Serie A, a Fiorentina derrotou o Verona e se aproximou do grupo que briga pelas vagas nas competições europeias. Com um início de jogo movimentado, as duas equipes deram trabalhos aos goleiros Neto e Rafael. Quem chegou primeiro ao gol foi a equipe visitante. Borja Valero cobrou escanteio, Alonso desviou e Gonzalo Rodríguez apareceu sozinho na pequena área para completar. Após o gol, a Fiorentina dominou o jogo, criando diversas chances, sendo que, na melhor delas, Gómez, que já não marca há oito meses, parou no travessão.

O Verona melhorou no jogo e chegou ao empate com Nico López, que recebeu de Toni e tocou na saída de Neto – os dois se chocaram feio no lance. As reclamações também marcaram a primeira etapa. Pelo lado da equipe de Montela, um pênalti não marcado em Cuadrado, enquanto os veroneses reclamaram da não expulsão de Pizarro. Na segunda etapa, a Viola seguiu melhor e chegou ao gol com Cuadrado, aproveitando cruzamento de Alonso. Na busca do empate, o Verona chegou perto com Tachtsidis e Rafa Márquez, mas a equipe de Firenze resistiu bem e conquistou a vitória após dois jogos em que saiu derrotada. (Caio Dellagiustina)

Cesena 1-1 Sampdoria

Em um jogo com muitas ocasiões para os dois lados, o empate acabou sendo ruim para ambos. O Cesena foi bem e controlou o jogo na maior parte do tempo. Se tivesse agredido mais, poderia ter saído com a vitória, resultado que o colocaria fora da zona de rebaixamento pela primeira vez desde a 7ª rodada. A Sampdoria, por sua vez, demorou para acordar no jogo. Se o tivesse feito antes, também teria chances de vencer e roubar a terceira colocação do Napoli, entrando na zona de classificação para a Liga dos Campeões da próxima temporada.

Lucchini abriu o placar, aos 15 minutos do segundo tempo, mas não comemorou por respeito ao ex-clube. A partir dali, o Cesena se recolheu para tentar segurar o placar, mas acabou dando espaço para a Sampdoria atacar. E não demorou muito para que os visitantes conseguissem o empate. Soriano avançou pela esquerda, cruzou na área e o lateral Nica, que tinha acabado de entrar, empurrou para as próprias redes. Nos 15 minutos finais, a Samp dominou a partida, em busca de sua primeira vitória longe de Gênova, mas parou em boas defesas do goleiro Leali. (RA)

Genoa 1-1 Palermo

O Genoa entrou em campo pensando em ultrapassar a rival Sampdoria e se igualar ao Napoli na terceira posição da Serie A. O Palermo, por sua vez, queria atrapalhar os planos e manter a sua trajetória de recuperação no certame, depois de primeiras rodadas negativas. No final das contas, um empate justo, que manteve as equipes nas mesmas posições – 5ª e 13ª. Empate que valeu para quem assistiu, já que a partida foi muito aberta e teve as duas maiores estrelas das equipes, respectivamente Perin e Dybala, como protagonistas de muita qualidade.

Os rosanero saíram na frente logo aos 7 minutos, com uma pintura do argentino Dybala – seu quinto em 2014-15. O atacante recebeu na ponta direita, fintou Burdisso e bateu de canhota, no ângulo de Perin, que voou na bola e não conseguiu pegar. O atacante ainda protagonizou lindo lance pouco depois, dominando a pelota e, no mesmo movimento, driblando Burdisso. Perin, no entanto, evitou o segundo golaço do atacante, com boa defesa. O Genoa teve gol bem anulado de Matri (a bola havia saído no cruzamento de Edenílson) e chegou ao empate em lance de insistência e sorte. Antonelli e Bertolacci roubaram duas bolas na mesma jogada e, após chute do segundo, a bola bateu no primeiro e entrou. O Genoa tentou buscar a virada, e nem mesmo a partida inspirada de Perotti foi suficiente para isso. Do outro lado, Perin continuou fazendo boas defesas. Para finalizar, Vázquez e Pinilla também perderam chances claras e mantiveram a igualdade no placar (NO)

Udinese 1-1 Chievo

A partida no Friuli ficou marcada por uma marca história. Ainda no primeiro tempo, Di Natale (sempre ele) balançou a rede e adicionou mais um marco em sua carreira. O capitão da Udinese marcou seu gol número 200 na Serie A exatamente na 400ª partida dele na história do torneio. No entanto, além disso, ele e os torcedores bianconeri tiveram pouco a comemorar.

O Chievo só não venceu a partida porque Karnezis estava em dia bom. No segundo tempo, Radovanovic, de longa distância, chutou bem para tirar a bola do goleiro grego, que não teve chances no lance. Antes, o arqueiro da Udinese já tinha defendido um chute forte de Birsa no primeiro tempo, logo após Danilo salvar gol claro de Pellissier. Outra nota negativa para a Udinese foi a utilização do ex-corintiano Guilherme como trequartista – obviamente, deu errado. A equipe da casa segue lutando na parte de cima da tabela, porém, o empate afastou ainda mais o time dos líderes. O Chievo está na zona de rebaixamento, com 9 pontos. (MM)

Torino 0-1 Sassuolo
Num jogo sem muitas emoções e com um pênalti desperdiçado, o Sassuolo bateu o Torino, fora de casa, com um gol já no final da partida, marcado por Floro Flores, e deu um belo salto na classificação. O resultado manteve, não apenas, a sina turinense de não vencer nos jogos realizados no almoço italiano (com esse, são seis jogos e apenas um ponto), como também a invencibilidade dos neroverdi, agora há seis jogos sem perder – e na 11ª posição, cinco pontos abaixo da zona de classificação à Liga Europa.

A primeira grande chance foi apenas aos 30 minutos, mas Sánchez Miño errou o pênalti sofrido por ele mesmo, para fácil defesa de Consigli. Com isso, o Torino perdeu os três pênaltis que teve a seu favor em 2014-15 – se considerarmos a temporada passa, são cinco desperdiçados em sequência. Sem qualidade e padrão de jogo, o Toro pouco criou – quando o fez, esbarrou na boa partida do goleiro Consigli. O Sassuolo também sofria com a falta de qualidade mas, já nos minutos finais, Floro Flores subiu sozinho, no meio da área, para cabecear no ângulo de Gillet e anotar o tento da vitória emiliana. De olho na classificação para a fase seguinte da Liga Europa, o Torino agora tenta superar a crise contra o Brugge, antes de encarar o clássico contra a Juve. (CD)

Parma 0-2 Empoli
A pior defesa dos últimos anos. Nenhum time na Serie
A, desde 2004-05, teve uma média de gols sofridos/jogo tão alta quanto a
do Parma em apenas 12 rodadas: 2,5. Nem mesmo o Livorno de 2013-14 ou o
Pescara de 2012-13. Com mais uma derrota, em pleno Tardini, o time de
Donadoni já soma 30 gols nas costas, número também pior que o de
qualquer outro time nas outras principais ligas europeias. Enquanto
isso, na tabela, é disparado o time com mais derrotas (10) e tem apenas
seis pontos.

Em situação financeira gravíssima, muito próximo da
falência se nada acontecer, o Parma vive um momento muito duro. Dessa
vez, a derrota foi para o modesto, mas guerreiro e inteligente, Empoli. O
time de Sarri fez o primeiro com boa jogada pela direita em
triangulação entre Verdi, Maccarone e Vecino, terminada em gol do
uruguaio, já no fim do primeiro tempo. O segundo veio no início da
segunda etapa, e depois de belo lance de Valdifiori, Vecino se livrou da
marcação e fez preciso lançamento de três dedos para Tavano tocar na
saída do goleiro. (AB) 

Relembre a 11ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada

Perin (Genoa); Vrslajko (Sassuolo), Rami (Milan), Juan Jesus (Inter), Alonso (Fiorentina); Pogba (Juventus), Vecino (Empoli); Dybala (Palermo), Ljajic (Roma), Diego Farias (Cagliari); Tévez (Juventus). Técnico: Massimiliano Allegri (Juventus).

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