Listas

Os 5 maiores técnicos da história da Inter

Irmãos do mundo. Com este lema, a Inter foi fundada em 1908 com o intuito de integrar jogadores estrangeiros ao futebol italiano. A frase da pedra fundamental do clube nerazzurro também acabou valendo para seus treinadores: quatro dos dez mais importantes técnicos da equipe não são italianos.

O primeiro dos 62 profissionais que ocuparam o cargo de treinador interista foi o inglês Bob Spottiswood, em 1922. No entanto, foi outro estrangeiro que deslanchou primeiro na Beneamata: o húngaro de origem judaica Árpád Weisz, que teve três passagens entre os anos 1920 e 1930, descobriu Giuseppe Meazza, foi o primeiro a vencer a Serie A em pontos corridos e só não teve mais sucesso porque morreu em um campo de concentração nazista. Na década de 1930, o ítalo-austríaco Tony Cargnelli continuou o bom trabalho de Weisz e também foi campeão italiano pela Internazionale – então chamada de Ambrosiana, por causa de leis nacionalistas fascistas. Leonardo foi o único brasileiro a ter comandado a Inter e conseguiu um vice da Serie A e uma Coppa Italia.

Enquanto os outros técnicos estrangeiros que marcaram a história nerazzurra estão no “top 5”, resta nos lembrar dos treinadores italianos que ficaram de fora da lista final. Um deles é Alfredo Foni, que por pouco não superou o quinto colocado: um dos primeiros intérpretes do catenaccio, o ex-zagueiro, que brilhou na Juventus como jogador, construiu uma defesa praticamente impenetrável e foi bicampeão italiano em 1953 e 1954.

Merece ser mencionado também Giovanni Invernizzi, que foi jogador do clube e, como técnico, faturou o scudetto em 1971 com uma invencibilidade de 23 partidas – no ano seguinte, sua equipe foi vice-campeã europeia. Luigi Simoni, apesar da curta passagem, também é recordado por ter sido eleito o melhor treinador da Serie A em 1998 e por ter conquistado a Copa Uefa, em um time em que Ronaldo brilhava.

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de cada técnico na história do clube, do futebol italiano e mundial. Dentro desses parâmetros, analisamos os títulos conquistados, a identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), respaldo atingido através da passagem pela equipe, grau de inovação tática e em métodos de treinamento e, por fim, prêmios individuais.

5º – Eugenio Bersellini

Período no clube: 1977-82
Títulos conquistados: Serie A (1980) e Coppa Italia (1978 e 1982)

Os anos 1970 foram considerados “anos de chumbo” na Itália. As dificuldades do país também atingiram o futebol: com as fronteiras fechadas para estrangeiros, a Serie A se tornou um torneio ainda mais tático e com estilos de jogo baseados na força física. Foi neste contexto que Bersellini chegou a uma Inter que não vencia nada havia seis anos e não passava da 4ª posição no campeonato. O treinador emiliano tinha um currículo modesto, com passagens por Lecce, Como, Cesena e Sampdoria e assinou com a equipe dirigida por Ivanoe Fraizzoli logo após cair com os dorianos para a segundona. Tinha muitos motivos para dar errado, mas o “Sargento de Ferro” ficou cinco anos em Milão e treinou os nerazzurri em 207 jogos – é o quinto mais longevo na história da Beneamata.

Logo em seu primeiro ano, o treinador tirou a Inter do jejum e ficou com a Coppa Italia, que voltaria a faturar em sua despedida, em 1982. No entanto, o ponto alto de sua passagem em nerazzurro foi a temporada 1979-80, na qual deu à Beneamata: adepto da zona mista, o treinador adaptou o formato original do esquema e utilizou um 4-4-2 em losango, que possibilitou à dupla Evaristo Beccalossi e Alessandro Altobelli uma formidável sintonia. Comandando outros jogadores importantes para a história meneghina, como o goleiro Ivano Bordon, os defensores Giuseppe Baresi e Graziano Bini e os volantes Gabriele Oriali e Gianpiero Marini, Bersellini ainda chegou às semifinais de uma Copa dos Campeões antes de ir dirigir o Torino.

4º – Roberto Mancini

Período no clube: 2004-08 e 2014-16
Títulos conquistados: Serie A (2006, 2007 e 2008), Coppa Italia (2005 e 2006) e Supercopa Italiana (2005 e 2006)

Muito contestado por seu estilo de jogo precavido, Mancini tem um passado na Inter muito mais glorioso do que o de sua última aventura, encerrada abruptamente às vésperas da temporada 2016-17. Se entre 2014 e 2016 o treinador marquesão teve como maiores feitos levar a Beneamata à sua melhor classificação na Serie A (4ª posição) desde 2011 e a uma semifinal da Coppa Italia, anteriormente ele conseguiu mais: tirou a equipe de um jejum de sete anos sem qualquer taça e comandou a Beneamata para a conquista de seu primeiro scudetto em 17 anos. O técnico nascido em Jesi é o único a ter sido tricampeão italiano consecutivo pelo clube.

Mancio chegou a Milão depois de realizar bons trabalhos com Fiorentina e Lazio e era tido como um dos melhores jovens treinadores da Itália. O educado e afável técnico chegava também respaldado por sua brilhante carreira como jogador e recebeu alguns reforços de peso, como Júlio César, Maicon, Walter Samuel, Esteban Cambiasso e Luís Figo. Nesse contexto, fez o time jogar melhor em solo nacional (não conseguiu ter sucesso em nível continental) e deu alguns títulos à Inter em seu ano de estreia – a Coppa Italia e a Supercopa Italiana. Porém, os feitos de Mancini aumentaram após a deflagração do Calciopoli, que ajudaram a Inter a iniciar um período de soberania no Belpaese: cinco dos títulos de Mancio foram obtidos após o escândalo, incluindo o tri da Serie A. O treinador foi eleito como o melhor do país em 2008 e é o segundo na lista dos que mais vezes comandaram a Beneamata – foram 279 partidas.

3º – Giovanni Trapattoni

Período no clube: 1986-91
Títulos conquistados: Serie A (1989), Copa Uefa (1991) e Supercopa Italiana (1991)

Volante e defensor de muita história no Milan, Trapattoni começou sua carreira como técnico do lado rossonero de Milão e, em 10 anos de Juventus, se tornou o treinador mais vitorioso e competente que passou pela Velha Senhora. Com este currículo, o lombardo tinha tudo para não ser aceito na arquirrival Inter, mas contrariou o senso comum e também ganhou a idolatria da torcida de outro gigante italiano. Trap comandou os nerazzurri em 233 jogos durante cinco anos na Pinetina – números que o colocam como o terceiro em partidas pelo time.

Trapattoni já havia ganhado seis scudetti pela Juve quando chegou à Inter, mas demorou um pouco para ser vitorioso pelos meneghini. Após duas temporadas razoáveis – a primeira melhor do que a segunda –, o estrategista finalmente conseguiu implantar seu 4-4-2 ideal. Trap liberava o lateral esquerdo Andreas Brehme e segurava Giuseppe Bergomi: mais à frente, o alemão explorava as pontas junto a Alessandro Bianchi e o meio-campo, com o dinamismo de Lothar Matthäus e Nicola Berti, criava para Ramón Díaz e Aldo Serena marcarem gols. Assim, a Inter superou um jejum de nove anos e levou o scudetto de 1988-89, com recorde de pontos – entre outros números expressivos. O maior vencedor da Serie A (são sete títulos) ainda ganhou o reforço do goleador Jürgen Klinsmann a partir de 1989 para dar uma Copa Uefa aos nerazzurri – o profissional lombardo também é recordista de troféus na competição, com três.

2º – José Mourinho

Período no clube: 2008-10
Títulos conquistados: Serie A (2009 e 2010), Liga dos Campeões (2010), Supercopa Italiana (2008) e Coppa Italia (2010)

Mourinho precisou de apenas dois anos para entrar na história da Inter – na verdade, o que o coloca nesta posição na lista é o desempenho obtido em apenas uma dessas temporadas. Após marcar época em Porto e Chelsea, o treinador nascido em Setúbal foi escolhido por Massimo Moratti como o mais capaz de fazer os nerazzurri consolidarem o domínio em solo italiano e enfim conseguirem decolar na Liga dos Campeões, algo em que Mancini fracassou. O português alcançou o objetivo com louvor, criando uma empatia instantânea com a torcida, que até hoje o considera um dos grandes símbolos do interismo. Afinal, Mourinho é o maestro que deu à Beneamata uma Tríplice Coroa (a única de um time italiano até hoje) e o inédito pentacampeonato italiano, um recorde histórico, dividido com Juventus e Torino – sem falar que foi o responsável pela quebra do jejum de 45 anos sem que a equipe levantasse a “orelhuda”.

Em seu primeiro ano em Milão, Mou viu Mancini e Ricardo Quaresma, reforços indicados por ele, fracassarem. Só conseguiu o objetivo mínimo: faturou a Serie A, mas não foi além das oitavas na Champions e das semifinais na Coppa Italia. Ainda assim, sua equipe foi mais competitiva que em anos anteriores e o português conquistou o apoio irrestrito da torcida ao comprar brigas com adversários e a arbitragem, sempre com seu estilo midiático e polêmico. Na pré-temporada de 2009-10, veio a virada: ele avalizou a troca de Zlatan Ibrahimovic por Samuel Eto’o e construiu um time mais adaptado à sua filosofia de jogo, mas também com elementos fortemente herdados da tradição do catenaccio, uma combinação que possibilitou a conquista do Triplete. O sistema defensivo fortíssimo da Inter mourinhiana tinha Lúcio, Walter Samuel, Javier Zanetti e Esteban Cambiasso como pilares, mas sua valente equipe também era muito objetiva no ataque, formado por Eto’o, Diego Milito e Wesley Sneijder. A trajetória vitoriosa em 2009-10 tem como destaques uma goleada sobre o Milan e vitórias impactantes sobre Juventus e Roma, além dos dois jogos das semifinais europeias contra o Barcelona, nos quais o contra-ataque e o ferrolho dos nerazzurri funcionaram à perfeição.

1º – Helenio Herrera

Período no clube: 1960-68 e 1973-74
Títulos conquistados: Serie A (1963, 1965 e 1966), Copa dos Campeões (1964 e 1965) e Mundial Interclubes (1964 e 1965)

Enquanto Mourinho bebeu da tradição de catenaccio interista para ter sucesso em Milão, foi Helenio Herrera quem aperfeiçoou o sistema, nos anos 1960 – até por isso, os dois treinadores chegaram a ser comparados. O lendário estrategista franco-argentino aproveitou elementos utilizados por Alfredo Foni na Inter dos anos 1950 e, em oito anos, construiu a maior equipe que a Beneamata já teve: a chamada Grande Inter foi capaz de construir a hegemonia nerazzurra em solo nacional na década de 1960 e ainda colocar o time italiano entre os principais esquadrões europeus e do mundo naquele período. Mas não foi só isso: o Mago mudou o futebol a partir de um futebol baseado nos conceitos de retranca e contra-ataque, que acabou sendo bastante criticado na época, mas reverenciado depois. A preparação física intensa surgiu com HH, que via este aspecto como uma das somas da fórmula da vitória: “técnica + preparação atlética + inteligência = scudetto” era o mote que deixara afixado no vestiário nerazzurro.

A Inter foi o primeiro clube da Bota a conquistar sucesso mundial a partir da filosofia de jogo do franco-argentino, que se revolucionou ao ir trabalhar na Itália: deixou de lado as premissas técnicas aprendidas na Argentina, na França e na Espanha para fazer uma abordagem mais física do futebol, baseada no contragolpe. Além da frase motivacional colocada nos vestiários, Herrera ainda tinha outros dogmas, executados à perfeição pela sua Inter – “Defesa: não mais de 30 gols sofridos. Ataque: mais de 100 gols marcados”. Em seus primeiros oito anos em Milão – sua segunda passagem foi abreviada por problemas cardíacos –, seu time se defendia com linhas baixas e partia velozmente em contra-ataques. Curiosamente, foi exatamente o setor ofensivo que teve mais destaque na equipe: Sandro Mazzola, Mario Corso, Luis Suárez, Jair da Costa e Antonio Angelillo, por exemplo, construíram carreira graças a HH, assim como Giacinto Facchetti foi um dos primeiros laterais a ganharem destaque ofensivo nas mãos do técnico. Por tudo isso, nenhum profissional foi capaz de superar os nove anos, 366 jogos e sete títulos de Herrera em Milão.

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