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Corações ingratos: os jogadores que defenderam os rivais Juventus e Napoli

Traidor. Traíra. Vira-casaca. Todas estas ofensas (e respectivas traduções) têm lugar cativo na boca dos torcedores que precisam se referir a um jogador que trocou o seu clube do coração por um grande rival. Na poética Itália, porém, há um outro termo que define estes atletas com mais delicadeza e, ao mesmo tempo, maior dramaticidade. Eles são os “corações ingratos”.

A expressão tem origem numa clássica canção napolitana, chamada Core ‘ngrato (cuore ingrato, em italiano), que se tornou popular graças ao grande tenor Enrico Caruso e a vários outros intérpretes. O primeiro jogador que recebeu a alcunha, claro, deixou o Napoli para defender a arquirrival Juventus.

O “homenageado” foi o brasileiro José Altafini, que mudou de casa no final da carreira e se tornou carrasco dos azzurri. O nosso Mazzola foi o autor de um gol decisivo que destruiu as chances do primeiro scudetto do clube sulista, em meados dos anos 1970. No dia seguinte à partida, uma faixa foi colocada num dos portões do San Paolo: “José core ‘ngrato”. Não demorou para que a alcunha fosse adotada pela torcida napolitana.

O nosso Mazzola, porém, não foi o primeiro a trocar de lado. Nem mesmo foi o primeiro a deixar Nápoles e embarcar diretamente para o lado juventino de Turim. Sem o mesmo estardalhaço, o atacante Camillo Fenili e o meia Carlo Buscaglia fizeram este caminho, nos anos 1930. Eram outros tempos: o Napoli era um clube recém-formado, enquanto a Juve já tinha cerca de quatro décadas de existência.

No total, 63 jogadores vestiram o azul napolitano e o branco e preto turinense. Escolhemos 15 deles para perfilar: os mais representativos para os clubes e aqueles que tiveram as transições mais conturbadas. No final do texto, elencamos todos os “ingratos”.

Dino Zoff

Posição: goleiro
Trajetória nos clubes: 190 jogos pelo Napoli (1967-72) e 479 pela Juventus (1972-83)

Um dos maiores e mais vencedores goleiros da história, Zoff é o jogador mais velho a ter vencido a Copa do Mundo, com 40 anos. Pela Juventus, sua história é célebre e conhecida, mas antes disso Dino passou pelo Napoli. Zoff chegou ao sul da Itália em 1967, contratado junto ao Mantova no último dia daquele calciomercato, e foi vice-campeão nacional e da Coppa Italia pelos partenopei. Também acumulou longa série de partidas vestindo azzurro: não perdeu um jogo sequer de sua estreia até março de 1972. Foi em sua passagem por Nápoles que o arqueiro foi chamado pela primeira vez para a seleção.

Aí apareceu a Juventus. Aos 30 anos, Zoff trocou de clube na mesma janela em que Altafini “traiu” os azzurri, mas sua infidelidade não causou tanta comoção quanto a do brasileiro: primeiro, porque a Juve pagou o triplo do que o Napoli havia gastado para adquirir o goleiro e, depois, porque ele virou ídolo nacional. Já em Turim, o veterano liderou uma das mais robustas linhas defensivas do futebol mundial, com Gaetano Scirea, Claudio Gentile e Antonio Cabrini, e conquistou nove títulos pela Velha Senhora. O friulano ainda foi titular em 332 jogos consecutivos na Serie A, entre 1972 e 1983, e ficou com a segunda posição na Bola de Ouro de 1973.

Ciro Ferrara

Posição: zagueiro
Trajetória nos clubes: 322 jogos pelo Napoli (1984-94) e 358 pela Juventus (1994-2005)

A traição de Ferrara foi uma das que mais doeu nos partenopei. Afinal, o zagueiro foi um dos dois únicos nascidos em Nápoles que aceitou jogar pela Juventus e, para piorar, fez o caminho direto para Turim. Torcedor do Napoli, Ferrara estreou no time profissional azzurro com apenas 18 anos, na mesma temporada em que Diego Maradona chegava à equipe. Sorte dele, que se tornaria grande amigo de um dos maiores jogadores do mundo e ainda seria protagonista daquele time vencedor no fim da década de 1980. No sul, foram dois títulos italianos, um da Copa Uefa (com direito a gol na final), outro da Coppa Italia e duas temporadas como capitão antes da polêmica transferência para a Juventus.

A troca, a bem da verdade, aconteceu por pouco. Ferrara estava com tudo acertado com a Roma, mas a Velha Senhora apareceu com uma proposta melhor, que um Napoli em crise financeira resolveu aceitar. Em Turim, sob o comando de Marcello Lippi (que também trocara de lado), Ferrara logo se tornou pilar de um dos times mais vitoriosos dos anos 1990, formando zaga com nomes como Paolo Montero, Pietro Vierchowod e Lilian Thuram. Somando as duas equipes, disputou 680 jogos oficiais, marcou 35 gols e conquistou 19 títulos – inclusive uma Liga dos Campeões e um Mundial Interclubes.

Fabio Cannavaro

Posição: zagueiro
Trajetória nos clubes: 68 jogos pelo Napoli (1992-95) e 128 pela Juventus (2004-06 e 2009-10)

O outro jogador natural de Nápoles que “traiu” as suas origens foi Cannavaro, mas sua passagem à Juve não causou tanta comoção quanto a de Ferrara. Primeiro, porque Fabio, embora tenha começado no Napoli e até feito dupla de zaga com Ciro, nunca foi uma bandeira azzurra – ao contrário do irmão Paolo. Além disso, o defensor precisou deixar o clube em 1995 por causa da enorme crise financeira que abalava os campanos.

Cannavaro acertou com o Parma e passou pela Inter até chegar à Juventus, em 2004. Em suas duas primeiras temporadas em Turim, o zagueiro se recuperou da fase instável que viveu em Milão e se tornou o melhor do mundo na posição – como mostrou na Copa de 2006, com posicionamento, antecipações e prestações impecáveis, que lhe deram a Bola de Ouro e o prêmio da Fifa. Valorizado, Cannavaro não quis representar a Velha Senhora na Serie B e foi negociado com o Real Madrid, o que causou a fúria da torcida. Três anos depois, Fabio retornou ao clube e nunca conseguiu reconquistar o carinho dos bianconeri, já que colecionou péssimas partidas em uma temporada de fracassos da Juve.

Luca Fusi

Posição: volante
Trajetória nos clubes: 60 jogos pelo Napoli (1988-90) e 10 pela Juventus (1994-96)

Volante versátil, Fusi é um dos três únicos jogadores que foram campeões nacionais tanto pela Juve quanto pelo Napoli. O meio-campista foi revelado pelo Como, jogou pela Sampdoria e, por causa do contínuo destaque, chegou à seleção italiana. Depois desse percurso, quando já tinha 25 anos, acertou com o Napoli, em 1988. Fusi não ficou muito tempo na Campânia, mas atuou com frequência em duas temporadas, sendo peça importante para os títulos da Copa Uefa e da Serie A. Neste biênio, inclusive, atuou mais vezes que Alemão, companheiro de setor.

Em 1990, Fusi rumou ao Piemonte, mas não para a Juventus: acertou com o Torino. Após quatro anos, o volante traiu grenás e azzurri em uma tacada só, ao fechar com a Velha Senhora. Já na parte final da carreira, o jogador de 31 anos apenas compôs elenco no time, já que estava atrás de Paulo Sousa, Antonio Conte, Angelo Di Livio, Didier Deschamps, Alessio Tacchinardi e Giancarlo Marocchi entre as opções de Marcello Lippi. Só entrou em campo 10 vezes em dois anos – todas na primeira temporada –, mas acrescentou um Italiano e uma Coppa Italia ao currículo.

Massimo Mauro

Posição: volante
Trajetória nos clubes: 102 jogos pela Juventus (1985-89) e 64 pelo Napoli (1989-93)

Pode um jogador ter atuado ao lado de Zico, Michel Platini e Diego Maradona e mesmo assim não ser querido? Massimo Mauro é a prova de que, sim, é possível. Embora a maior parte da antipatia que paira sobre sua figura tenha surgido após o final de sua trajetória como jogador, devido à sua atuação como parlamentar e pelo despreparo como comentarista esportivo, o ex-volante nunca contou com muita simpatia por parte dos napolitanos, mesmo que tenha passado primeiro pela Juve.

Calabrês, Mauro surgiu para o futebol no Catanzaro, passou pela Udinese e chegou à Juventus em 1985, com um plano muito simples: seria um dos caras que teriam a obrigação de correr por dois, para que Platini pudesse brilhar sem muitas amarras. No primeiro ano, venceu um Mundial Interclubes e uma Serie A, mas depois enfrentou as dificuldades do pós-Giovanni Trapattoni, com Rino Marchesi e Zoff. Passou ao Napoli em 1989 e se tornou reserva de Fusi e Alemão na campanha do segundo scudetto azzurro, sendo utilizado com certa regularidade. O volante viu sua participação no time rarear com o passar do tempo, mas permaneceu na Campânia até 1993, quando deixou o esporte, com apenas 31 anos.

Fabio Pecchia

Posição: meio-campista
Trajetória nos clubes: 152 jogos pelo Napoli (1993-97 e 2000-01) e 21 jogos pela Juventus (1997-98)

A crise financeira que fez o Napoli vender Ferrara e Cannavaro à Juventus se intensificou e fez com que Pecchia também trocasse de lado – sem o mesmo clamor, no entanto. O meia surgiu no Avellino e já aos 20 anos era titular de uma boa campanha napolitana na elite. Durante quatro temporadas, Fabio ajudou um time em dificuldades a conquistar uma vaga na Copa Uefa e um vice da Coppa Italia. Em 1997, Marcello Lippi (que havia lhe treinado em Nápoles) o levou para Turim.

Pecchia passou apenas um ano no Delle Alpi e nunca se firmou, até por causa da grande concorrência que encontrou na Juve. Após deixar a gigante, o meia começou a circular por várias equipes e entrou para a história como o atleta que mais vezes foi rebaixado da Serie A: cinco vezes. Uma delas foi pelo Napoli, em sua segunda passagem pelo clube campano.

Marcelo Zalayeta

Posição: atacante
Trajetória nos clubes: 160 jogos pela Juventus (1998, 2001-04 e 2004-07) e 56 pelo Napoli (2007-09)

O uruguaio Zalayeta teve uma carreira bastante peculiar na Itália, e não só porque defendei tanto Juventus quanto Napoli. Zazà chegou muito cedo à Velha Senhora, após se destacar por Danubio, Peñarol e pela seleção sub-20 charrua, mas foi muito pouco aproveitado por Lippi em seus primeiros meses em Turim. No entanto, marcou em sua estreia, em 1998, justamente contra os napolitanos.

El Panterón foi emprestado para Empoli e Sevilla e só em 2001 voltou a ter algumas oportunidades vestindo bianconero. Mesmo sendo quase sempre reserva (e até passado por curto empréstimo ao Perugia), o uruguaio foi fundamental para a Juve em duas edições da Champions League, marcando gols que eliminaram Barcelona e Real Madrid nas quartas e nas oitavas de final, em 2002-03 e 2004-05, respectivamente. Zalayeta disputou a Serie B pela Juventus e, em 2007, se transferiu para o Napoli. Zazà não teve números ruins na primeira temporada (oito gols em 22 jogos), mas acabou se lesionando e nunca mais rendeu no futebol italiano.

Daniel Fonseca

Posição: atacante
Trajetória nos clubes: 58 jogos pelo Napoli (1992-94) e 42 pela Juventus (1997-2001)

Fonseca passou por cinco clubes na Itália e foi nos do sul do país que obteve maior sucesso. Após mostrar seus atributos no Cagliari, o uruguaio chegou ao Napoli por um pedido de Claudio Ranieri, que havia lhe treinado na Sardenha, e aproveitou a queda técnica de Careca para assumir o protagonismo do elenco ao lado de Gianfranco Zola. Na Serie A, o Castor marcou 16 gols no primeiro ano pelos azzurri e 15 no segundo, além de ter anotado cinco tentos em um só jogo da Copa Uefa 1992-93, contra o Valencia, em pleno Mestalla.

Depois de três anos na Roma, Fonseca acertou com a Juventus, então campeã italiana e vice europeia. Dessa forma, o atacante voltava a trabalhar com Lippi, que fora seu técnico em Nápoles. Foi justamente na cidade em que já havia brilhado que o uruguaio anotou o seu primeiro gol pelos bianconeri: na ocasião, decretou, aos 88 minutos, uma vitória por 2 a 1 sobre o Napoli no San Paolo. Pelo novo clube, o uruguaio ganhou seu único scudetto, mas se contentou com a posição de coadjuvante. Isso quando esteve disponível para jogar, já que em 1999 ele se lesionou com gravidade e ficou quase dois anos parado, até rescindir o contrato com a Juve.

Nicola Amoruso

Posição: atacante
Trajetória nos clubes: 103 jogos pela Juventus (1996-99 e 2001-02) e 32 pelo Napoli (2000-01)

Cigano do futebol, Amoruso detém dois recordes. É o jogador que atuou pelo maior número de clubes na Serie A (13) e o que marcou por mais equipes diferentes (12). Em sua longa carreira, fez 113 gols na elite, mas apenas 19 saíram com as camisas de Juventus e Napoli: 9 e 10, respectivamente. O bomber chegou à Juve aos 22 anos, embalado pelas bolas na rede que empilhou por Fidelis Andria, na segundona, e Padova, na primeira divisão.

Amoruso não foi muito utilizado em Turim, mas o clube em que passou mais tempo como profissional foi exatamente a Juve. Em quatro anos com a camisa bianconera, o atacante ganhou três Italianos e um Mundial Interclubes, além de outros três títulos menores e uma artilharia da Coppa Italia. Em 2000, Nicola foi cedido pela Juventus ao Napoli e foi uma das poucas notas positivas daquela equipe azzurra. O centroavante acabou sendo artilheiro do time, mas os partenopei foram rebaixados para a Serie B.

Antonio Vojak

Posição: atacante
Trajetória nos clubes: 102 jogos pela Juventus (1925-29) e 190 pelo Napoli (1929-35)

Nascido em Pola, região hoje pertencente à Croácia, Antonio Vojak precisou lutar contra o fascismo nos anos 1920 e 1930. Entre as muitas restrições, o regime ditatorial obrigou o atacante até a utilizar o sobrenome Vogliani, já que uma das leis segregacionistas proibia qualquer registro de palavra ou nome de origem estrangeira. Em campo, Vojak teve uma grande passagem pela Juventus e foi em Turim que começou a mostrar sua verve goleadora: contratado junto à Lazio, passou quatro anos em branco e preto, com 46 tentos em 102 partidas. Neste período, foi campeão nacional e infligiu uma tripletta aos napolitanos em duas ocasiões.

Apesar do passado juventino, o atacante se identificou mesmo com o Napoli, clube que defendeu por mais tempo e pelo qual mais marcou gols na carreira. Em 1929, três anos após a fundação dos azzurri, Vojak defenderia a equipe na primeira temporada em que o Italiano seria disputado em pontos corridos. O ítalo-croata se tornou uma bandeira nos seis anos em que defendeu os partenopeu e manteve o Napoli sempre na metade de cima da tabela da Serie A. Neste período, anotou 102 gols em 196 partidas pelo campeonato – mais do que Diego Maradona – e, até hoje, é o quinto maior artilheiro da história napolitana.

Fabio Quagliarella

Posição: atacante
Trajetória nos clubes: 37 jogos pelo Napoli (2009-10) e 102 pela Juventus (2010-14)

Torcedor do Napoli e nascido na região metropolitana de Nápoles, Quagliarella só conseguiu realizar o sonho de defender o time do coração quando já tinha 26 anos e já havia passado com sucesso por Sampdoria e Udinese. O bom atacante italiano foi titular absoluto na temporada 2009-10, sob as ordens de Roberto Donadoni e de Walter Mazzarri, e com 11 gols ajudou a equipe azzurra a se classificar para a Liga Europa – além de ter garantido vaga no grupo que disputou a Copa do Mundo de 2010. Em agosto daquele ano, porém, acabou sendo vendido à Juventus, o que fez a torcida ficar furiosa e se voltar contra ele. Nos quatro anos em que defendeu a Velha Senhora foi tricampeão italiano e sempre foi muito útil. Mesmo saindo do banco na maioria das vezes, chegou a ser artilheiro do time em 2010-11 e o segundo melhor marcador em 2012-13.

O fato é que Quagliarella passou os sete anos seguintes de sua carreira convivendo com vaias a cada visita ao San Paolo e com mensagens ofensivas de torcedores napolitanos em redes sociais. O que ninguém sabia, até então, é que o atacante havia deixado o Napoli porque estava sendo ameaçado – algo que durou cinco anos. Um policial do setor de combate a crimes postais lhe chantageava e ameaçava seus familiares através de cartas em que acusava, sem fundamentos, o jogador de envolvimento com a camorra e manutenção de relações sexuais com menores de idade. O caso corria em segredo de justiça e veio à tona apenas em fevereiro de 2017, com a condenação do oficial corrupto. Instantaneamente, Fabio foi perdoado pela torcida azzurra, que selou a reconciliação com uma carta aberta e uma homenagem presencial, quando o atacante, que já atuava pela Sampdoria, retornou à cidade.

Paolo Di Canio

Posição: atacante
Trajetória nos clubes: 111 jogos pela Juventus (1990-93) e 27 pelo Napoli (1993-94)

Cria da Lazio, Di Canio virou ídolo do clube da capital rapidamente, graças a suas atuações, um gol decisivo e uma comemoração polêmica em dérbi contra a Roma. Aos 22 anos, foi vendido contra a sua vontade para a Juventus e não conseguiu repetir o mesmo futebol em Turim. Jogando pelo flanco direito, o atacante foi reserva nas duas primeiras temporadas e só na terceira recebeu mais oportunidades por parte de Trapattoni.

Naquela campanha, em 1992-93, o romano venceu a Copa Uefa, mas os frequentes atritos com o treinador fizeram com que ele pedisse para deixar a Juve. O atacante acabou emprestado ao Napoli, onde reencontrou os bons momentos. Parceiro de Daniel Fonseca no ataque da equipe treinada por Lippi, Di Canio marcou cinco gols: no mais bonito deles, sobre o Milan campeão, deixou Paolo Maldini e Franco Baresi na saudade. Após ajudar a equipe de Nápoles a conquistar vaga na Copa Uefa, Di Canio voltou à Juventus, mas não foi integrado ao elenco – ainda que a Velha Senhora já tivesse Lippi no comando. Barrado pela diretoria, o ex-laziale acabaria cedido ao Milan em outubro de 1994.

José Altafini

Posição: atacante
Trajetória nos clubes: 234 jogos pelo Napoli (1965-72) e 119 pela Juventus (1972-76)

Um dos maiores brasileiros que passaram pelo futebol italiano, Altafini foi capaz de brilhar tanto no Napoli quanto na Juventus – antes disso, já havia marcado época no Milan. O nosso Mazzola chegou à Campânia em 1965, quando já tinha na bagagem os títulos da Copa do Mundo, da Serie A e da Copa dos Campeões. Sua melhor temporada foi a de 1967-68, quando ao lado dos também “ingratos” Zoff e Sívori, conduziu os azzurri ao vice-campeonato italiano. Segundo maior artilheiro daquele campeonato, com 13 gols, Altafini manteve as boas marcas individuais e, até hoje, é o sexto principal goleador da história da equipe, com 97 bolas na rede.

Com Altafini, o Napoli também foi campeão da Copa dos Alpes e vice da Coppa Italia, além de ter sido frequentador habitual das posições mais altas da tabela na Serie A. Em 1972, já experiente e em fim de contrato, o atacante deixou o clube e foi para a Juventus, causando furor em todo o país. Aos 34 anos, o brasileiro readaptou sua forma de atuar e ainda defendeu a equipe de Turim até os 38, disputando 119 partidas e marcando 37 gols. O mais importante deles aconteceu na reta final da temporada 1974-75, quando entrou em campo no segundo tempo de uma peleja contra o Napoli, decisiva para o scudetto. Aos 88 minutos, fez o gol da vitória dos juventinos, que ficariam com o título graças a uma vantagem de dois pontos. Mais ingrato do que isso, impossível.

Omar Sívori

Posição: atacante
Trajetória nos clubes: 259 jogos pela Juventus (1957-65) e 76 pelo Napoli (1965-68)

Espécie de Maradona dos anos 1950 e 1960, Sívori foi um dos maiores craques que já passaram pelo futebol italiano. No Belpaese, o argentino vestiu apenas as camisas de Juventus e Napoli e em ambos os clubes se tornou ídolo. “O Grande Canhoto” viveu seu auge em Turim e, nas oito temporadas em que defendeu os bianconeri do Piemonte, conquistou três scudetti (inclusive o que deu à Juventus o direito de ostentar a primeira estrela no peito), duas Copas da Itália e uma Copa dos Alpes. Parceiro de John Charles e Giampieo Boniperti, com quem formava o chamado Trio Mágico, El Cabezón ainda faturou uma Bola de Ouro.

Após 259 jogos, 174 gols, uma artilharia da Serie A e dois anos como capitão da Juve, um já experiente Sívori se transferiu ao Napoli. Pelos partenopei, o balzaquiano teve duas primeira boas temporadas, que culminaram com o terceiro e o quarto lugares do Italiano, respectivamente. Em 1967-68, na campanha do vice-campeonato nacional, Sívori já estava em baixa, por causa de uma séria lesão, mas ainda colaborou com o time em algumas partidas. O craque parou aos 33 anos, perto do natal de 1968, por causa da contusão. Sua despedida ocorreu num clássico contra a Juve, no qual ganhou uma suspensão de seis jogos por brigar com o árbitro.

Gonzalo Higuaín

Posição: atacante
Trajetória nos clubes: 146 jogos pelo Napoli (2013-16) e 105 pela Juventus (2016-18)

Muita gente torce o nariz, mas o fato é que Higuaín é o maior artilheiro de uma única edição da Serie A: em 2015-16, Pipita conseguiu marcar 36 gols em 35 partidas, superando o recorde de Gunnar Nordahl, que persistia desde 1950. Além de ter vivido o ápice de sua carreira no Napoli, o argentino ainda foi o goleador da equipe nas três temporadas em que a defendeu. Neste período, fez 146 jogos e 91 gols, e também conquistou uma Coppa Italia, uma Supercopa Italiana e um vice-campeonato da Serie A.

Após estabelecer seu recorde, Higuaín passou à rival Juventus por 90 milhões de euros – a transferência mais cara da Itália até ser desbancada pela chegada de Cristiano Ronaldo a Turim. O negócio rendeu trocas de acusações entre o atacante e o presidente Aurelio De Laurentiis, num jogo de empurra sobre quem teria a responsabilidade de ter forçado o negócio. A torcida azzurra só pode se lamentar, já que Higuaín marcou cinco vezes contra os napolitanos depois que deixou o San Paolo. Na Juve, Pipita fez uma ótima primeira temporada, com 32 gols, e até marcou uma doppietta nas semifinais da Liga dos Campeões – mostrando serviço em torneios continentais e justificando sua contratação. No entanto, depois de um 2017-18 abaixo das expectativas e da chegada de CR7, o argentino foi descartado pela diretoria bianconera.

Os outros jogadores que defenderam Juventus e Napoli

Amauri, Raffaele Ametrano, Salvatore Aronica, Mario Astorri, Dario Baccin, Francesco Baldini, Emanuele Belardi, Manuele Blasi, Mario Bonivento, Felice Borel, Tarcisio Burgnich, Carlo Buscaglia, Renato Buso, Pietro Carmignani, Massimo Carrera, Luigi Consonni, Eugenio Corini, Oscar Damiani, Morgan De Sanctis, Flavio Emoli, Camillo Fenili, Gianluca Francesconi, Salvatore Fresi, Domenico Gariglio, Bruno Garzena, Emanuele Giaccherini, Kurt Hamrin, Gianluca Luppi, Riza Lushta, Luciano Marangon, Amos Mariani, Umberto Menti, Marcello Mihalich, Michele Padovano, Rubens Pasino, Michele Pazienza, Domenico Penzo, Livio Pin, Leandro Rinaudo, Humberto Rosa, Luigi Simoni, Guglielmo Stendardo, Corrado Tamietti, Ivano Trotta, Massimiliano Vieri, Oliviero Vojak, Marco Zamboni e Nicola Zanini.

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