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Promessa da defesa brasileira, Rodrigo Guth segue os passos de Rafael Tolói na Atalanta

A história que se repete. Como tantos outros jogadores brasileiros, Rodrigo Guth foi para a Europa sem nem mesmo atuar profissionalmente no nosso país. O zagueiro paranaense, de descendência alemã, foi revelado pelo Coritiba, ganhou um Sul-Americano sub-17 com a Seleção e, voilà, foi contratado pela Atalanta no final de agosto de 2017.

Com apenas 17 anos, Guth tinha idade para ser incorporado ao elenco dos Allievi Nazionali, mas queimou etapas: tido como grande promessa, foi integrado ao grupo do Primavera, que corresponde à categoria sub-20. Até agora, o classe /2000 não recebeu tantas oportunidades assim, mas tem conquistado espaço nas últimas semanas e pode ser importante para a Atalanta na acirradíssima fase final da primeira divisão do torneio Primavera. Será o grande momento do ano, já que a equipe de Bérgamo não participará da tradicional Copa Viareggio, em março. Confira como foi o nosso papo com o jogador curitibano.

Sua saída do Coritiba foi um pouco atribulada e gerou algumas críticas ao presidente Rogério Bacellar. O que realmente houve? Quando a Atalanta demonstrou interesse em seu futebol?

Não acho que minha saída foi atribulada. Surgiu uma oportunidade de negócio e o presidente achou que os valores eram importantes para o momento. Segundo as informações que tenho, a Atalanta acompanha ou acompanhava o futebol brasileiro diretamente através de alguns funcionários e indiretamente com parcerias com observadores técnicos e empresários no Brasil. No meu caso, o scouter do Atalanta assistiu aà finais do Campeonato Paranaense sub-17 entre Coritiba e Paraná Clube, da qual eu participei. Depois surgiu um convite da Atalanta para eu participar de um torneio intratemporada na Itália, o troféu Dossena, em junho do mesmo ano.

A Atalanta tem uma das melhores divisões de base do futebol italiano e do europeu. Quais as diferenças que você já notou em relação ao trabalho de base feito em Bérgamo e no Brasil?

Aqui é diferente do Brasil, tanto em relação aos treinamentos quanto ao jogo. O período de treino aqui é mais curto, mas tudo é muito mais intenso. Em relação ao jogo, aqui na Europa é mais tático. É bem tático e com muita força física.

Apesar de ter 17 anos, você já foi integrado ao elenco Primavera atalantino. Quais as suas expectativas para o restante da temporada? Espera que o técnico Massimo Brambilla te dê mais oportunidades?

O grupo Primavera da Atalanta Primavera é muito forte, temos um bom elenco. Estamos trabalhando bastante para alcançar nossos objetivos. Espero sim poder contribuir com o time e ajudar sempre que possível, tanto dentro quanto fora de campo.

O Campeonato Primavera está muito disputado [Atalanta, Inter e Roma dividem a liderança com 41 pontos]. Acha que estas equipes são as reais adversárias da Atalanta ou mais algum outro time pode surpreender e entrar na briga?

Ainda restam algumas rodadas e muitos times podem oscilar. Pelas equipes que têm, acredito que Inter e Roma estarão em disputa até o final.

Guth em ação em torneio amistoso com a Atalanta

O quanto pesou a eliminação da Coppa Italia e o que puderam aprender com ela e levar para o restante da temporada? A Atalanta era favorita contra o Milan, mas perdeu os dois jogos.

A eliminação na Copa Itália realmente foi uma pena. Acho que perdemos a classificação no primeiro jogo. O resultado de 2 a 0 foi muito ruim, o que nos obrigou a sair mais para o ataque pra fazer o resultado no segundo jogo, em casa. Acabamos ficando mais expostos e vulneráveis [nota: o Milan venceu por 3 a 2].

O elenco Primavera da Atalanta tem três jogadores que chamam atenção e já estrearam no time principal: o zagueiro Alessandro Bastoni, o meia Filippo Melegoni e o atacante Musa Barrow. Em uma análise totalmente pessoal, quais dos seus colegas você vê com mais condições de terem sucesso como profissionais?

Os três jogadores são realmente muito bons e diferenciados, cada um na sua posição e em suas características. Acredito realmente que os três terão sucesso no profissional. Torço também que possam participar mais dos jogos do Primavera, principalmente na fase final [nota: por estarem integrados aos profissionais, os três às vezes não podem jogar pelos juvenis].

Técnico do time principal, Gian Piero Gasperini trabalha bem com jovens e já foi técnico de base na Juventus. Ele observa muito os treinamentos da Primavera?

Acho o Gasperini um excelente profissional, que formou um time muito competitivo. Acredito que está muito atento aos jogadores do Primavera, já que em diversas ocasiões vários jogadores da Primavera participaram de treinos com a equipe principal. Isso é comum.

Qual sua expectativa para integração ao elenco principal?

Todos que estão no Primavera aguardam uma oportunidade no time principal. Mas temos que manter os pés no chão, dar tempo ao tempo e seguir trabalhando bem para agarrar as oportunidades assim que elas surgirem.

Qual sua relação com o Rafael Tolói, que é bastante respeitado em Bérgamo? Ele te ajuda na adaptação ao futebol italiano com dicas de como se posicionar, por exemplo?

O Tolói realmente é bem querido pelo pessoal do clube. Tive pouco contato com ele, mas percebi que é um cara de muita personalidade. Espero aprender com ele e pegar bastante experiência, para quem sabe um dia eu fazer o mesmo com outro jogador do clube.

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