Serie A

32ª rodada: Spal paralisa Juve e adia título; corrida por UCL ganha contornos mais definidos



A rodada do último final de semana foi a primeira em que a Juventus poderia garantir o octacampeonato. No entanto, o match point não se confirmou. A Spal colocou água no chope da futura campeã e, aproveitando o time misto escalado pelo juventino Massimiliano Allegri, venceu em Ferrara e conquistou pontos importantíssimos na luta contra o rebaixamento. Um triunfo celebrado não apenas por ter sido um resultado histórico, mas também porque Bologna e Empoli somaram pontos na rodada.

Enquanto o título da Juve é questão de dias – deve ser confirmado no sábado, já que basta um mero empate contra a Fiorentina –, a briga por vagas europeias começa a ficar mais enxuta. O Napoli está próximo de garantir matematicamente sua classificação à Liga dos Campeões, a Inter está descolada do pelotão inferior e, por sua vez, Milan, Roma, Atalanta e Lazio (esta última, se vencer seu jogo adiado contra a Udinese) devem competir pela quarta posição, que classifica para o torneio continental. Salvo uma surpresa, os três desse grupo que sobrarem devem ir à Liga Europa, visto que Torino e Sampdoria têm mostrado uma inconsistência maior. Confira o resumo do final de semana.

Spal 2-1 Juventus
Bonifazi (Schiattarella) e Floccari | Kean

Tops: Bonifazi e Murgia (Spal) | Flops: De Sciglio e Kastanos (Juventus)

Em Ferrara, Spal e Juventus se enfrentaram em uma partida que permitia à Vecchia Signora a primeira chance de confirmar, matematicamente, o octacampeonato. Não foi dessa vez: para os estensi, o dia foi de plena alegria. O triunfo foi apenas o segundo na história dos spallini contra a Juve, impediu a festa da equipe bianconera em sua casa e significou um passo importante para selar mais uma permanência na elite.

As duas equipes entraram em campo espelhadas no 3-5-2. Os donos da casa tinham força máxima e traziam sua ideia de jogo de atacar pelos flancos e pressionar por dentro, enquanto Allegri escalou um time bem modificado, com os jovens Gozzi e Kastanos recebendo a oportunidade de iniciarem a partida e estrearem na elite italiana. O jogo começou com a Juventus dominando a posse de bola e trocando passes em seu próprio campo, deixando o jogo controlado e em ritmo lento. Depois dos 15 minutos, a Spal cresceu e conseguiu colocar Lazzari no jogo pelo lado direito – e, consequentemente, ativando a capacidade física de Petagna.

Quando tinha a bola, a Juve priorizava o lado direito com Cancelo, Cuadrado e Dybala. Dessa maneira nasceu o gol, aos 30: Cancelo driblou desde a ponta até a entrada da área e bateu para o gol. Como estava desequilibrado e chutou com a perna esquerda, a finalização saiu fraca e encontrou Kean no caminho. Mostrando o oportunismo característico da últimas rodadas, o jovem atacante colocou a bola na rede.

A Spal voltou do intervalo em busca de um recomeço forte, mas esbarrava no bom jogo defensivo de Bentancur, que protegia a entrada da área. Como Spinazzola e Cancelo criavam preocupação pelos lados, o jogo dos mandantes não tinha fluidez. Nesse momento, a bola parada foi fundamental: aos 49, Schiattarella cobrou escanteio e Bonifazi testou com força, empatando a partida. O resultado ainda dava o título à Juve. Com o gol marcado, o time da Spal ganhou confiança e cresceu, vencendo mais duelos físicos e obrigando a Juventus a ter um outro cuidado defensivo. Aos 60, Allegri trocou Kastanos e Kean por Nicolussi e Mavididi, dando rodagem para outros dois jovens do plantel e deixando claro como Kean superou Dybala em relevância na rotação atual do elenco.

Os garotos não entraram bem na partida e, como seria campeã mesmo com o empate, a Juve ficou muito apática em campo. Insistindo nos duelos físicos, abusando do pivô de Petagna e finalmente conseguindo colocar seus alas de maneira efetiva na partida, a Spal chegou à virada aos 74, com um gol marcado pelo experiente Floccari. Após o segundo, os spallini conseguiram segurar a vantagem e se afastaram ainda mais do fantasma do rebaixamento. Já a Juventus adiou a festa para Turim, onde encara a rival Fiorentina na próxima rodada.

Chievo 1-3 Napoli
Cesar (Kiyine) | Koulibaly (Mertens), Milik (Zielinski), Koulibaly

Tops: Koulibaly e Mertens (Napoli) | Flops: Depaoli e Andreolli (Chievo)

Em um Bentegodi completamente vazio, tivemos um monólogo do Napoli contra o Chievo. Depois de uma partida complicada diante do Arsenal, em Londres, pela Liga Europa, o time partenopeo entrou em campo buscando a vitória para adiar o título da Juventus em ao menos mais uma rodada. Ancelotti escalou sua equipe em um 4-4-2 bastante ofensivo, com Insigne na meia-esquerda e Mertens e Milik como dupla de ataque. Di Carlo respondeu com um 4-4-2, com Hetemaj e Giacherinni na linha central, na tentativa de competir com o meio-campo rival e conseguir um resultado positivo, o que passou longe de acontecer.

O Napoli mandou na partida desde os primeiros minutos, controlando a posse de bola, trabalhando as triangulações e aproveitando todo o espaço que o Chievo oferece entre suas linhas. Com um volume ofensivo impressionante, o time marcou o primeiro aos 15, com Koulibaly completando escanteio cobrado por Mertens – foi a décima assistência do belga, que é o líder do quesito no campeonato. O Chievo defendia mal a bola aérea e, como houve muitos cruzamentos laterais e escanteios, foi um verdadeiro milagre o primeiro tempo ter acabado com um magro 1 a 0 no placar.

Com o jogo controlado, o Napoli ampliou o placar aos 64. Milik recebeu de Zielinski e, da entrada da área, bateu com categoria para vencer Sorrentino e marcar seu 17º na competição. Vinte minutos depois, em novo escanteio, Sorrentino fez um milagre, mas a bola sobrou à feição para Koulibaly bater com a perna direita e estufar as redes, anotando a primeira doppietta da carreira. Apático, sem qualidade individual e sabendo que estava sendo matematicamente rebaixado, o Chievo ainda diminuiu o placar nos acréscimos, com Cesa. Enquanto os azzurri praticamente asseguram a vaga na próxima Champions League, ao Ceo resta planejar seu 2019-20: executar a reformulação que o elenco pede há anos, juntar forças e tentar voltar à elite.

Paz selada na Inter devolveu o time ao caminho das vitórias (Getty)

Frosinone 1-3 Inter
Cassata (Ciofani) | Nainggolan (D’Ambrosio), Perisic (pênalti), Vecino (Icardi)

Tops: Nainggolan e Skriniar (Inter) | Flops: Chibasah e Ariaudo (Frosinone)

No Benito Stirpe, o Frosinone recebeu a Inter buscando não apenas a primeira vitória contra a equipe nerazzurra como o primeiro gol diante do rival de Milão. Já a Inter não podia pensar em tropeço, numa rodada em que dois rivais diretos na briga pela vaga na Liga dos Campeões se enfrentaram. Os ciociari até conseguiram sair da seca contra a Beneamata, mas a vitória ficou com os visitantes, cada vez mais próximos de emplacarem nova classificação à UCL.

Os donos da casa foram para o jogo no seu habitual 3-5-2, mas com a baixa do polonês Salamon, líder da defesa da equipe e principal responsável pela ligação direta. Do outro lado, o 4-2-3-1 nerazzurro teve de diferente apenas a entrada de Borja Valero no lugar do machucado Brozovic. A ausência do croata não se fez sentir na Inter, que começou muito bem a partida, com bastante intensidade. O time trabalhou bem a bola nos primeiros minutos, contando com o espanhol numa zona mais avançada – o que não acontece com o croata, que busca a bola entre os zagueiros o tempo todo.

O Frosinone ficou bem recuado, tentando impedir o trabalho da Inter dentro da área, com Icardi. No entanto, acabou permitindo muito espaço entre os alas e o trio de zaga. Foi aproveitando este buraco que, aos 19 minutos, D’Ambrosio apareceu pelo lado direito para cruzar na cabeça de Nainggolan, que completou para o gol. Com o resultado desfavorável, os leoni assumiram uma postura diferente e buscaram maior agressividade nas roubadas de bola, atrapalhando a ideia de saída com os laterais que a Inter executava até o momento. Contudo, o time da casa deu bobeira aos 37: Skriniar foi derrubado dentro da área por Chibsah, e Perisic – em acordo com Icardi, o cobrador oficial – converteu a penalidade. No fim da segunda etapa, a Inter poderia ter feito o terceiro, mas Sportiello fez grande defesa em finalização de Politano.

No segundo tempo, conforme o time da Inter foi cansando e perdendo intensidade, o jogo dos mandantes foi encaixando. Baroni posicionou Pinamonti em cima de Asamoah e Ciofani no setor de D’Ambrosio, obrigando a Inter a jogar mais com Valero em zonas recuadas, o que tirou todo o ritmo ofensivo do time de Spalletti. O meia espanhol acabou errando aos 61: perdeu o embate com Ciofani, que rolou a bola para Cassata finalizar da entrada da área e vencer Handanovic, que ainda tocou na bola. De volta na partida, os ciociari tiveram maior presença de área com a entrada de Ciano no lugar do autor do gol, mas não chegaram a incomodar em finalizações. Já nos acréscimos, a Inter encaixou contra-ataque fatal com Vecino, que iniciou e finalizou a jogada, definindo a partida.

Milan 1-0 Lazio
Kessié (pênalti)

Tops: Reina (Milan) e Strakosha (Lazio) | Flops: Borini (Milan) e Durmisi (Lazio)

Há quatro jogos sem vencer, o Milan conseguiu uma vitória decisiva para se manter em boas condições na briga pela Champions League – cada vez mais distante para a Lazio, que ainda tem um jogo a menos. No sábado, o Diavolo voltou a jogar no 4-3-3 com Çalhanoglu como meio-campista, depois de Gattuso testar o 4-4-2 em partidas recentes. Os laziali foram a campo em seu 3-5-2 mais do que bem trabalhado e entrosado.

O jogo foi muito pautado pelas transições ofensivas, parando pouco no meio-campo e alternando momentos de ritmo mais intenso com minutos de puro marasmo. O começo foi melhor para o Milan, que conseguia ficar com o controle da posse de bola e trabalhar bem a dinâmica entre Calabria e Suso pela direita, com o meia espanhol arrastando o ala da Lazio e proporcionando a Calabria o mano a mano contra os defensores rivais. Contudo, os donos da casa não conseguiam transformar a posse de bola em chances claras de gol, já que Piatek era bem marcado por Acerbi.

Depois dos 30 do primeiro tempo, o jogo da Lazio encaixou melhor, com Luis Alberto trocando constantemente de posição com Correa e trabalhando bem nas costas de Bakayoko. Com maior movimentação de seus jogadores mais criativos, a Lazio tirou o encaixe da marcação do Milan, que passou a precisar de ações de Romagnoli fora da área e permitiu espaço para os desmarques de Immobile. Dessa maneira, o artilheiro dos visitantes quase marcou no final do primeiro tempo obrigando Reina a fazer uma grande defesa.

Logo na volta do intervalo, Correa saiu machucado e Caicedo foi pro jogo. Com a presença de um segundo atacante de área, o jogo de Luis Alberto ficou mais previsível e o ritmo ofensivo da partida caiu bastante. O Milan tentava forçar o jogo com as jogadas individuais de Suso e a Lazio buscava achar um dos seus alas nas costas dos laterais do Milan – dessa maneira Suso assustou Strakosha e Rômulo fez Reina trabalhar. O jogo parecia caminhar para um empate sem gols, mas aos 79, Laxalt colocou a bola na área e Musacchio, que estava no ataque buscando aproveitar um cruzamento, foi derrubado de maneira boba por Durmisi. Kessié cobrou o pênalti com perfeição e deu a fundamental vitória ao Milan. Um triunfo que poderia ter sido maior se, no finalzinho, Strakosha não fizesse uma grande defesa em arremate de Suso.

Decisivo na bola parada, Kessié relançou o Milan na briga europeia (Reuters)

Roma 1-0 Udinese
Dzeko (El Shaarawy)

Tops: El Shaarawy e Dzeko (Roma) | Flops: Larsen e Samir (Udinese)

No Olímpico, Roma e Udinese se enfrentaram em uma partida muito importante para os dois lados. Os giallorossi continuam em busca da vaga na Liga dos Campeões; os bianconeri, em sua luta contra o rebaixamento. O time treinado por Ranieri veio de uma vitória complicada contra a Sampdoria, mas nem assim ganhou muita confiança dos quase 35 mil torcedores que compareceram ao estádio. Já a equipe de Tudor chegou em uma crescente, com melhora de desempenho e conquista de resultados positivos, tendo vencido Empoli e Genoa e empatado com o Milan nas últimas três rodadas.

O primeiro tempo foi bastante pautado pelas escolhas iniciais de cada treinador e o modo como esse encaixe favoreceu à Udinese. Ranieri entrou em campo com quatro zagueiros, com Juan Jesus na lateral direita e Marcano na esquerda. Mesmo que a ideia fosse aumentar o aporte defensivo da Roma pelas laterais e liberar Zaniolo e El Shaarawy da recomposição, a escalação da Roma acabou potencializando os contra-ataques da Udinese. Jogando no 3-5-2, que funcionou muito bem desde que Tudor retornou ao clube, o time friulanos teve muita força de transição com D’Alessandro e De Paul pela esquerda e Okaka retornando pelo lado direito para atacar as costas de Marcano. Dessa maneira, mesmo monopolizando a posse de bola no primeiro tempo, a Roma chutou duas vezes a menos que a Udinese na etapa inicial.

Enxergando bem a dificuldade do seu time, Ranieri voltou do intervalo com Florenzi no lugar de Juan Jesus e Pellegrini no lugar de Schick. Com as mudanças, a Roma ficou mais forte na segunda etapa, cobrindo uma área maior de campo com Pellegrini e usando Florenzi como meio de prender D’Alessandro em seu campo defensivo. Aos 67 minutos, a melhora da Roma foi recompensada. De Rossi ficou caído após dividida na intermediária, o sistema defensivo da Udinese se desconcentrou e El Sharawy achou Dzeko com belo passe: o bósnio superou Musso e abriu o placar com seu primeiro gol no Olímpico nesta Serie A.

Tudor tentou recuperar dinâmica ofensiva colocando Pussetto em campo, mas a Udinese pouco conseguiu criar de maneira efetiva. Foram oito finalizações no primeiro tempo contra apenas três no segundo. Com isso, a Roma chegou ao seu segundo clean sheet nos últimos dois jogos, algo que ainda não tinha conseguido nessa temporada. Com Ranieri o jogo não é bonito, mas vai se mostrando eficiente.

Sampdoria 2-0 Genoa
Defrel (Quagliarella) e Quagliarella (pênalti)

Tops: Quagliarella e Praet (Sampdoria) | Flops: Biraschi e Rolón (Genoa)

Num Marassi lotado, tivemos o 72º Derby della Lanterna na Serie A. Foi uma partida bastante franca desde os primeiros minutos, com um ritmo alto, com a Sampdoria controlando a posse de bola e o Genoa buscando uma marcação agressiva. Para o clássico, Giampaolo escolheu seu habitual 4-4-2 em losango no meio-campo, com Ramírez como trequartista e Defrel e Quagliarella como dupla de ataque. Já Prandelli escalou o Genoa no 3-5-2, que se disfarçava de 3-6-1 em muitos momentos, com Pandev saindo da zona de ataque e fechando o lado esquerdo. Com mais organização e poder de fogo, deu Doria.

Logo no primeiro minuto de jogo, o Genoa teve a primeira chance de gol com Kouamé. Ramirez foi lento para realizar o passe, o atacante roubou a bola e bateu com perigo, ao lado esquerdo do gol defendido por Audero. No minuto seguinte, a Sampdoria respondeu de maneira efetiva, quando Linetty driblou Biraschi e soltou uma bomba, obrigando Radu a fazer grande defesa. O goleiro formado na base da Inter foi fundamental na sequência, em um forte chute de Defrel.

No escanteio criado pela finalização do francês, a Sampdoria marcou, logo aos 3 minutos. Quagliarella ficou com a bola no lado direito após o corner e bateu pro meio da área, onde a bola encontrou o pé do colega de ataque, que escorou e fez 1 a 0. Depois do gol, a Sampdoria continuou priorizando o lado direito, com Andersen somando saídas em condução e Sala e Praet gerando espaço e movimentação ofensiva. O Genoa respondeu com Kouamé pressionando os zagueiros e Lazovic e Pereira dando trabalho aos volantes, em uma abordagem agressiva, que gerou algumas faltas desnecessárias, mas também tirou continuidade do jogo dos mandantes. Aos 20, Miguel Veloso conseguiu a segunda boa oportunidade do Genoa na partida. O português roubou a bola de Ekdal, avançou sem marcação e bateu para a boa defesa de Audero.

Na volta do intervalo as equipes não repetiram o espetáculo da primeira parte. O jogo recomeçou menos intenso e com a Sampdoria mais defensiva. Só que, aos 51 minutos, Biraschi colocou a mão na bola dentro da área, cometendo pênalti e recebendo cartão vermelho. Quagliarella cobrou, dando números finais a partida e marcando o seu 22º gol na temporada – o artilheiro do campeonato ainda soma oito assistências em 31 jogos. Pela primeira vez desde 1994, a Samp consegue ficar invicta contra o Genoa por seis jogos na elite italiana.

Após quase um ano, Dzeko voltou a marcar no Olímpico pela Serie A (Getty)

Atalanta 0-0 Empoli

Tops: Dragowski e Krunic (Empoli) | Flops: Zapata e Barrow (Atalanta)

Todos contra Dragowski. A artilharia pesada da Atalanta voltou a bombardear um goleiro adversário, mas dessa vez foi Davi quem levou a melhor sobre Golias. No fechamento da rodada, nesta segunda, os nerazzurri tentaram incríveis 48 finalizações ao gol dos toscanos, mas encontraram o inspirado arqueiro polonês, que fez 16 defesas e conseguiu segurar o zero no placar. O empate foi péssimo para a equipe da Lombardia, que caiu para a sexta posição, vendo Milan e Roma abrirem pequena vantagem na corrida pela Liga dos Campeões. O Empoli continua na zona do rebaixamento, mas conseguiu um ponto importante para não perder o contato com Bologna e Udinese.

Apesar do destaque a Dragowski, o goleiro que apareceu primeiro foi Gollini: o italiano evitou o gol do brasileiro Diego Farias ao espalmar chute rasteiro para escanteio. Depois disso, a Atalanta começou a dominar. Hateboer perdeu chance cara a cara (cabeceou por cima) e, só então, Dragowski deu seu show. Antes do intervalo, evitou gols de De Roon e Freuler – e ainda contou com Veseli, que tirou em cima da linha a tentativa em rebote do suíço. Depois do intervalo, o polonês ainda se impôs ante Hateboer (duas vezes), Masiello, Ilicic e Mancini. Uma atuação para colocar no DVD.

Torino 1-1 Cagliari
Zaza (Izzo) | Pavoletti (Cigarini)

Tops: Baselli (Torino) e Cragno (Cagliari) | Flops: Zaza (Torino) e Pellegrini (Cagliari)

Em busca do sonho europeu, Mazzarri escalou o Torino em um 3-4-3, mantendo os três defensores mas buscando ser mais ofensivo e compensar a ausência de Belotti, suspenso, dentro da área. Baselli, Berenguer e Zaza formaram o trio de ataque, mas o Toro não conseguiu superar o o 4-3-1-2 do Cagliari e agora vê a missão continental ficar mais difícil de ser realizada. Já o time sardo fica bem tranquilo na luta contra o rebaixamento.

O primeiro tempo foi bastante morno em Turim.Os donos da casa buscaram agredir o time rival, mas esbarraram na boa postura defensiva do Cagliari, que pressionava bem os zagueiros do Toro e tirava a saída de bola dos mandantes. Cada equipe teve uma chance clara de gol antes do intervalo: o Torino com Baselli, que finalizou da intermediária para boa defesa de Cragno, e o Cagliari com um forte arremate de Ionita, que explodiu no travessão.

Após o intervalo, o jogo ficou ainda mais enroscado do que na primeira parte, mas aos 54 minutos apareceu a bola parada: no lado esquerdo da área, Izzo ficou com o rebote de uma falta que veio do flanco oposto e cruzou rasteiro para o meio da confusão, de onde Zaza completou pro gol. O atacante tinha um jejum de 19 partidas, mas voltou a balançar as redes contra sua vítima favorita, contra a qual já fez quatro gols. Com a necessidade de buscar o empate, Maran tirou João Pedro e colocou Cerri, aumentando a força física do seu time dentro da área. Zaza colaborou com o crescimento do adversário no jogo ao ser expulso por xingar o árbitro Irrati. Dois minutos depois do vermelho, o time sardo empatou: Cigarini levantou a bola para a área e Pavoletti testou para a rede. Dos 12 gols marcados por Pavoloso no campeonato, nove foram de cabeça.

Mesmo precisando do resultado e jogando em casa, o Torino sentiu o baque do empate e, com um a menos passou a oferecer muito espaço na entrada da área. A virada do Cagliari chegou a quase acontecer com Birsa. Só que aos 82, o jovem Pellegrini cometeu uma falta boba no meio-campo, recebeu o segundo amarelo e foi expulso, atrapalhando os planos de sua equipe. Já no finalzinho, Barella também levou vermelho, ao cometer falta perigosa. Baselli cobrou bem, mas Cragno garantiu o empate com uma grande defesa.

Artilheiro do campeonato, Quagliarella celebra vitória da Sampdoria no dérbi de Gênova (Image Photo Agency)

Fiorentina 0-0 Bologna

Tops: Biraghi (Fiorentina) e Skorupski (Bologna) | Flops: Gerson (Fiorentina) e Palacio (Bologna)

No Franchi, Fiorentina e Bologna fizeram o pior duelo da rodada. Em seu primeiro jogo na volta à Fiorentina, Montella resolveu mudar o esquema e tentar uma nova dinâmica: a Viola entrou em campo no 3-5-2, deixando de lado o 4-3-3 da época de Pioli. Mihajlovic escalou o Bologna no 4-2-3-1, trabalhando com Soriano como principal criador ofensivo e Palacio no comando do ataque. O resultado não interrompe a sequência negativa dos mandantes, que chegam a oito jogos seguidos sem vitórias. O Bologna não fez uma boa partida, mas continua fora da zona de descenso e mantém a boa fase recente, com apenas uma derrota nos últimos seis jogos.

A partida foi igual do começo ao fim, com a Fiorentina tentando abrir o campo com Chiesa na ala direita e Biraghi do lado oposto, e o Bologna congestionando o meio-campo e negando linhas de passe. Como o sistema dos mandantes ainda é muito novo e falta entrosamento, muitas jogadas acabavam tendo escolhas erradas e muita precipitação. Por isso, o jogo foi fraco tecnicamente – ainda que não tenha sido truncado.

As melhores chances criadas pela Viola foram com Simeone e Muriel, arrastando os zagueiros e usando a velocidade para criar a finalização: dessa maneira obrigaram Skorupski a realizar duas defesas importantes e mandaram uma bola na trave. A única oportunidade do Bologna foi criada no final do jogo, quando a Fiorentina se lançou ao campo de ataque. No contragolpe, Santander recebeu livre no meio-campo, mas não teve velocidade para driblar Lafont e fazer o gol – o goleiro saiu mal, mas conseguiu evitar que a finalização de Orsolini entrasse.

Sassuolo 0-0 Parma

Tops: Consigli (Sassuolo) e Sepe (Parma) | Flops: Bourabia (Sassuolo) e Ceravolo (Parma)

Sassuolo e Parma entraram em campo espelhados no 4-3-3 mas as semelhanças no funcionamento das equipes terminam por aí. Enquanto dos neroverdi se propunham a ficar com a bola, realizar a saída com os zagueiros trocando passes ou conduzindo a pelota, além de colocar muitos jogadores no terço final, o trabalho dos crociati consistia em fechar bem suas linhas, negar espaço lateral e sair com muita velocidade em cada oportunidade de contra-ataque. Os mandantes tiveram uma superioridade considerável na execução de sua proposta de jogo, mas não tiraram o zero do placar.

Demiral e Ferrari, os dois zagueiros, trabalham a saída de bola curta com Magnanelli, o primeiro volante, recuando para trabalhar com os passes longos. Lirola e Peluso, os dois laterais, criam por dentro como meias, e Berardi e Boga, os pontas, buscam a linha de fundo para oferecer profundidade a equipe. Dessa maneira, o Sassuolo começou muito bem a partida, empurrando o Parma para sua própria área e criando um volume ofensivo incrível. Logo aos 15, Boga finalizou na trave, e aos 20, Sepe salvou a cabeçada de Peluso.

O Parma de D’Aversa teve Kucka e Siligardi nas pontas – jogadores com boa qualidade técnica, mas pouca explosão e velocidade. Com isso, o time não conseguiu encaixar os contra-ataques e, toda vez que recuperava a bola, logo a oferecia de volta ao Sassuolo. Mesmo com pouca posse de bola e sem somar contra-ataques efetivos, os visitantes tiveram sua chance de marcar no final do primeiro tempo, quando Bourabia cometeu pênalti sobre Barillà. Contudo Ceravolo telegrafou a finalização e Consigli realizou sua única defesa na partida.

No segundo tempo o controle de jogo do Sassuolo foi ainda mais impressionante, com Sensi entrando no lugar de Bourabia e assumindo a organização do jogo de sua equipe. Já D’Aversa colocou Gervinho em campo, mas o Parma continuou sem saída efetiva, sofrendo com os encaixes dos pontas rivais sobre seus laterais. O volume de jogo do Sassuolo, entretanto, acabou não se transformando em vantagem no placar. Berardi teve boa oportunidade dentro da área, mas finalizou fraco para a defesa de Sepe. Peluso, Demiral e Matri tiveram boas oportunidades do jogo aéreo, mas acabaram cabeceando para fora em bolas que passaram com muito perigo.

Seleção da rodada
Dragowski (Empoli); Bonifazi (Spal), Skriniar (Inter), Koulibaly (Napoli); Lazzari (Spal), Praet (Sampdoria), Murgia (Spal), Nainggolan (Inter), El Shaarawy (Roma); Quagliarella (Sampdoria), Defrel (Sampdoria). Técnico: Leonardo Semplici (Spal).



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