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Redes sociais, acampamentos, escolinhas: como os clubes italianos se integram ao Brasil



A integração entre futebol brasileiro e italiano nunca foi uma novidade. Desde o início da propagação do esporte em ambos os países, as trocas culturais são comuns. Sabemos que imigrantes do Belpaese fundaram clubes hoje expressivos no Brasil, como Palmeiras e Cruzeiro, e que tupiniquins estiveram envolvidos no esporte antes mesmo de sua profissionalização na Itália – a exemplo do paraense Achille Gama Malcher, autor do primeiro gol oficial da Inter, em 1909. Em tempos de globalização, esse intercâmbio, é claro, não foi perdido.

O caminho mais fácil para a manutenção desses laços é, claro, a utilização das redes sociais. Fenômeno comunicacional nessas mídias, a Roma foi a primeira a ter uma conta em português ativa no Twitter e conta com mais de 20 mil seguidores em seu perfil brasileiro. Outra a seguir nessa direção, a Inter hoje valoriza seus jogadores brasileiros e portugueses com seu página, enquanto o Napoli, em meio aos clamores pela convocação de Allan para a Seleção, também investiu. Por último, recuperando uma conta abandonada há alguns anos, o Milan aproveitou a chegada de Lucas Paquetá e, além de estabelecer contato com seus seguidores falantes de português, é o único clube italiano a contar com uma torcida oficial no Brasil.

Outro campo importante de integração entre os clubes italianos e o Brasil é o social e educativo. Logicamente, as agremiações fazem tais investimentos porque eles têm repercussão e garantem a exposição de suas marcas em âmbito local, mas estes projetos também trazem um retorno importante para a sociedade e mostram um lado interessante do futebol.

A partir da gestão de Massimo Moratti, a Inter foi pioneira em diversos segmentos nos anos 1990, em especial com o Inter Campus, iniciado em 1997. Há duas décadas, o projeto, que ainda é gerido pelos Moratti através de Carlotta e Angelomario, filhos do ex-cartola, realiza intervenções e cooperações sociais com foco em crianças entre 6 e 13 anos em países subdesenvolvidos e de zonas de risco – recém-saídos de conflitos armados, por exemplo.

O Brasil não está alheio a isso e a periferia do Rio de Janeiro foi uma das primeiras a receber os instrutores da Inter. Jeison Murillo, zagueiro colombiano criado em um bairro popular de Cali, chegou a fazer parte do projeto quando era criança. Se profissionalizou, somou passagens por algumas equipes e acabou contratado pela Inter quando tinha 23 anos.

O clube também expandiu seu projeto de formação de jogadores para além da Itália através da Inter Academy, que atua como uma extensão das categorias de base com escolinhas de futebol em diversos países americanos, asiáticos e europeus. Inclusive, há uma grande presença no Brasil através da Inter Academy Rede Brasil, que através de parcerias reúne mais de 17 projetos no país, desde Manaus, Salvador e Recife até Brasília, São Paulo e Londrina.

Recentemente, alguns garotos brasileiros tiveram a oportunidade de ir à Milão visitar o centro de treinamento do setor juvenil interista e o San Siro durante o Derby della Madonnina, em outubro. Na Argentina, durante a data Fifa de novembro, Mauro Icardi e Lautaro Martínez visitaram o projeto na cidade de Córdoba. O ex-jogador e atual vice-presidente do clube, Javier Zanetti, também é uma presença constante em diversas promoções ligadas ao projeto.

Outro exemplo vem de Florianópolis, através do ex-jogador Daniel Minorelli, que fundou há seis anos o Torino FC Academy Brasil, primeiro núcleo de formação de jogadores do clube granata fora da Europa. O ex-volante paulista, que atuou nas divisões inferiores da Itália e da Alemanha, além do ABC de Natal, no Brasil, saiu de iniciativas similares – ainda que não tivessem a mesma estrutura nos anos 1990. Observado por olheiros do Torino, foi liberado pelo Santos para fazer uma pré-temporada em Turim e acabou ficando.

O projeto da Torino FC Academy Brasil, em especial, teve um grande crescimento desde 2018 e neste ano realizou um evento com quase 100 jovens nas idades entre 5 e 17 anos. Além de participar de torneios locais em Santa Catarina, o Torino Brasil também já recebeu visitas de jogadores profissionais, como Patric e Marquinhos Pedroso.

O projeto também destaca seu intercâmbio com o clube em Turim, levando os garotos para conhecerem a Itália, indo além do futebol, com profissionais de nutrição, psicologia e o ensino das línguas inglesa e italiana. Hoje contando com o zagueiro Bremer no seu elenco, além de Lyanco, emprestado ao Bologna em janeiro, o Torino ainda busca recrutar jogadores para as categorias de base no Belpaese, incluindo período de testes no CT.

Apesar dos exemplos de Inter e Torino, as escolinhas de clubes italianos no Brasil ainda são raras. Juventus, Milan, Roma e Fiorentina são outros que expandiram suas categorias de base para fora da Itália, mas ainda não chegaram em terras tupiniquins. Juventus e Milan têm uma presença sazonal em solo brasileiro através de projetos mais voltados para crianças de classe média e alta. O Juventus Camp Brazil, por exemplo, acontecerá no interior de São Paulo e tem inscrições que giram entre R$ 3263 e R$ 3455, à vista – montante inacessível para grande parte da população.

Assim como a Juve, o Milan organiza uma colônia de férias com treinamentos específicos de categorias de base para meninos e meninas de 8 a 15 anos – o Milan Junior Camp, cujas inscrições já flutuaram entre R$ 1980 e R$ 2691. O acampamento, que tem duração de uma semana, já foi montado em 12 regiões metropolitanas brasileiras e aconteceu por aqui pela última vez em 2015. No Brasil, os rossoneri também já promoveram o Milan Park (parque de diversões), a Experiência Milan (viagens de incentivo com conteúdo exclusivo) e projetos para levantamento de fundos para a Fondazione Milan.



2 comentários

  • A matéria está muito interessante, porém, a Juventus tem sim uma presença no Brasil. Eles organizam uma colônia de ferias duas vezes por ano em São Paulo (Juventus Academy Brazil), com participação de meninos e meninas entre 6 e 16 anos.

    • Não encontramos essa informação no site da Juventus na época da pesquisa – chequei novamente agora e realmente ainda não informaram sobre essa colônia de férias na seção da Juventus Academy. De qualquer forma, obrigado pela observação, Patrícia.

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