Jogos históricos

Relembramos o confronto mais importante entre Atalanta e Fiorentina



Vinte e três anos após decidirem a Coppa Italia, Fiorentina e Atalanta disputam uma vaga na final do torneio no Atleti Azzurri d’italia, mesmo palco em que a viola celebrou a sua quinta conquista. Às vésperas do duelo, a equipe florentina foi surpreendida com o pedido de demissão de Stefano Pioli e, tentando se reerguer sob a batuta de Vincenzo Montella, vive um momento de muita instabilidade. Do outro lado, a adversária bergamasca possui uma das melhores equipes de sua história, e apresentando ótimo poder ofensivo e muita regularidade na Serie A, chega a brigar por vaga na Liga dos Campeões com os grandes de Roma e Milão.

O cenário, porém era diferente nos anos 1990. A Fiorentina havia vencido a Serie B de 1994 e tentava montar um elenco forte, com Gabriel Batistuta jogando como referência no ataque e sendo muito bem abastecido pelo português Rui Costa – juntos, eles formaram uma histórica dupla em Florença. O time comandado por Claudio Ranieri ainda contava com outras peças importantes, como o goleiro Francesco Toldo, o lateral direito Daniele Carnasciali, o zagueiro Lorenzo Amoruso, o meia sueco Stefan Schwarz e dois ex-pupilos de Zdenek Zeman num Foggia histórico – o defensor Pasquale Padalino e o atacante Francesco Baiano.

A viola chegava à decisão com status de invicta na competição. Em jogos únicos, a Fiorentina derrotou o Ascoli na segunda fase eliminatória e goleou o Lecce nas oitavas de final, chegando com favoritismo para passar pelo Palermo nas quartas. Nas semifinais, chumbo grosso: a Inter. Apesar de a adversária ser uma gigante, a dupla formada por Baiano e Batistuta funcionava às mil maravilhas e os gigliati despacharam a Beneamata por 4 a 1 no placar agregado, com quatro tentos de Batigol. No jogo de ida, o argentino anotou uma tripletta no Artemio Franchi e teve uma das melhores exibições de sua carreira.

Por sua vez, a Atalanta tinha como técnico Emiliano Mondonico, torcedor declarado da Fiorentina. Os nerazzurri tiveram uma trajetória mais atribulada do que a da Fiorentina: na segunda fase, precisaram de penalidades máximas para eliminar a Cremonese, colega de Serie A, e já encararam a Juventus nas oitavas de final. Depois de passarem pela Vecchia Signora graças a um gol no minuto 117 da prorrogação, deixaram boas equipes de Cagliari e Bologna pelo caminho.

Ao contrário do time atual, aquela Atalanta não jogava um futebol de encher os olhos e, além disso, tinha poucas estrelas no plantel: o zagueiro Paolo Montero, o trequartista Domenico Morfeo, o segundo atacante Federico Pisani e o centroavante Christian Vieri ainda eram jovens e a equipe apostava muito em nomes de experiência. Gente como o goleiro Fabrizio Ferron, o xerife José Herrera, o volante Valter Bonacina, o meia Daniele Fortunato e o atacante Sandro Tovalieri. Era evidente o favoritismo da equipe viola.

O desequilíbrio entre os times refletia também nas campanhas da Serie A. A Fiorentina havia terminado o campeonato na quarta posição enquanto a Atalanta lutou contra o rebaixamento até a penúltima rodada. Na época, a final ainda era disputada em dois confrontos e a viola deu o primeiro passo para conquistar o título depois de vencer a partida de ida por 1 a 0, debaixo de muita chuva no Franchi. O único tento foi marcado por Batistuta: em jogada de escanteio curto, o capitão tabelou com Rui Costa e chutou forte da entrada da área. O time de Ranieri, portanto, entraria em campo no dia 18 de maio de 1996 com a vantagem do empate.

Jovens como Morfeo, Pisani e Vieri levaram a Atalanta à decisão da copa em 1996 (Alchetron)

As duas equipes, treinadas por herdeiros da zona mista, foram ao gramado do Atleti Azzurri d’Italia com esquemas defensivos. Os bergamascos tiveram os mesmos onze jogadores da partida de ida e começaram no 5-3-2, que foi a formação mais usada ao longo da temporada. Ranieri, que costumava jogar com o 4-4-2 espelhou a formação dos anfitriões.

Quando a bola rolou, a Fiorentina se sentiu muito à vontade na casa da Atalanta desde o primeiro minuto e foi quem criou as melhores oportunidades no primeiro tempo. Aos 16 minutos, Ferron foi eficaz para defender a finalização rasteira de Francesco Flachi e, na sequência, o rebote que caiu nos pés de Batistuta. Ainda no primeiro tempo, Flachi chegou a abrir o placar para a equipe da Toscana, ao receber cruzamento de Rui Costa – no entanto o gol foi anulado por causa de um domínio com o braço por parte do camisa 21. A Fiorentina jogou o melhor futebol e ficou mais perto de abrir o placar na etapa inicial, enquanto a Atalanta assustou em jogadas de bola parada com Fabio Gallo, mas trouxe pouco perigo efetivo para a meta de Toldo.

Na volta para o segundo tempo o panorama não mudou e a Fiorentina continuou buscando o gol. No terceiro minuto, Batistuta foi à linha de fundo e ganhou um escanteio. Então Rui Costa cobrou e encontrou o zagueiro Amoruso livre para mandar no contrapé do goleiro Ferron. A essa altura a Atalanta ficava muito distante do segundo titulo da Coppa Italia, pois teria que marcar três gols. A estratégia adotada por Mondonico, então, foi lançar a equipe para o ataque na base do tudo ou nada, o que abriu brechas para o contra-ataque violeta.

Na velocidade de Flachi, a Fiorentina puxou o contragolpe que resultaria no último tento gol do confronto: o jovem atacante serviu Rui Costa, que driblou o goleiro Ferron, mas teve a finalização bloqueada por Montero. Contudo, Batistuta apareceu no rebote e mandou para o gol vazio, marcando seu oitavo gol na competição e se consagrando como artilheiro daquela edição da Coppa Italia.

Após o segundo tento, a Atalanta parecia conformada com a derrota, enquanto os jogadores da Fiorentina jogavam por formalidade, esperando o apito final de Pierluigi Pairetto para se juntarem à festa que já tinha começado no setor visitante do Atleti Azzurri d’Italia. Depois de 21 anos de jejum, a viola terminou a competição invicta e voltou a comemorar um título da Coppa Italia – o que aconteceria novamente, e pela última vez, em 2001. Os nerazzurri, por sua vez, anseiam por uma nova cocarda desde 1963.

Atalanta 0-2 Fiorentina – segundo jogo da final da Coppa Italia de 1995-96

Atalanta: Ferron; Valentini, Montero, Pavone, Herrera, Paganin (Rotella); Bonacina, Fortunato, Gallo (Salvatori), Morfeo; Tovalieri. Técnico: Emiliano Mondonico.
Fiorentina: Toldo (Maregini); Malusci, Padalino, Amoruso, Carnasciali; Piacentini, Cois, Bigica, Rui Costa; Flachi (Robbiati); Batistuta. Técnico: Claudio Ranieri.
Gols: Amoruso (48’) e Batistuta (60’)
Árbitro: Pierluigi Pairetto
Local: Atleti Azzurri d’Italia, em Bérgamo



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