Liga dos Campeões

Em estreia na Europa, Juventus e Atalanta deixam pontos pelo caminho



Depois dos jogos de Inter e Napoli, na tarde de terça, nesta quarta (18) tivemos a estreia de Juventus e Atalanta na Liga dos Campeões. Apesar dos resultados diferentes, o desempenho das duas equipes ficou abaixo do esperado. Enquanto a Atalanta foi goleada por 4 a 0 pelo Dinamo Zagreb e viu o sonho da classificação sofrer um baque, a Juventus empatou por 2 a 2 com o Atlético de Madrid, levando gol no final, mas acabou por conquistar um ponto valioso jogando longe de seus domínios.

No Wanda Metropolitano, em Madrid, a Juventus começou sua caminha na Liga dos Campeões com o duelo mais complicado à sua disposição no Grupo D – que divide com Atlético de Madrid, Bayer Leverkusen e Lokomotiv Moscou. Enfrentar os comandados de Simeone logo de cara foi um verdadeiro teste de fogo para os homens de Sarri.

As duas equipes entraram em campo com esquemas táticos espelhados, já que, embora muitos aplicativos e até mesmo a transmissão oficial da Uefa tenham creditado a Vecchia Signora no 4-3-3, na prática tivemos um 4-4-2 com Pjanic e Khedira por dentro, Cuadrado e Matuidi nas pontas e Cristiano Ronaldo e Higuaín formando a dupla de ataque. Se os esquemas eram os mesmos, o funcionamento se deu de maneira bem diferente.

O Atlético passa por uma reformulação muito grande em seu modelo de jogo. A equipe colchonera que duelou com a Juventus na temporada passada buscava um jogo de construção por dentro com os laterais, enquanto o time atual busca um jogo exterior muito forte, com Trippier e Renan Lodi, que jogam muito avançados e com bastante intensidade. Desta maneira, Koke e Lemar – que seriam os meias abertos no 4-4-2 – trabalham por dentro e buscam interações com João Félix.

A Juventus começou o jogo de maneira cautelosa, buscando marcar de maneira firme no meio-campo e contando com Higuaín como alvo preferencial das ações a cada recuperação da posse de bola. Contudo, a intensidade do Atleti era muito maior e os colchoneros levaram muito perigo ao gol de Szczesny, através de cruzamentos laterais e da bola parada. Nesse contexto, o primeiro tempo terminou com 4 a 2 em finalizações certas para o time da casa.

Na volta do intervalo nem tivemos tempo para observar a postura inicial das equipes. Isso porque, com três minutos de bola rolando, Higuaín encontrou Cuadrado na entrada da grande área: o colombiano vinha pelo lado direito, teve a tranquilidade para limpar seu marcador e bater com categoria, no canto superior esquerdo de Oblak, marcando um golaço. O gol acabou significando uma injeção de ânimo e confiança para a Juventus, que dominou os minutos seguintes, colocou Cristiano Ronaldo no jogo e chegou ao 2 a 0 aos 65 minutos. Alex Sandro avançou pelo lado esquerdo e cruzou na cabeça de Matuidi.

O jogo parecia completamente controlado pelos italianos, que tinham ótima vantagem no placar, moral no alto e muita experiência em competições continentais. Entretanto, mais uma vez a bola parada defensiva da Juventus foi um ponto fraco e, cinco minutos depois do gol de Matuidi, o Atlético descontou. Em cobrança de escanteio vinda do lado esquerdo, Giménez desviou para o centro da área e Savic marcou.

Ainda em vantagem no marcador, o time de Sarri voltou a esmorecer no momento de dificuldade. Sem poder contar com Ramsey e Rabiot – longe de condições físicas ideais –, Sarri mantém muitas das bases do jogo de Allegri. Porém, toda a resistência defensiva da equipe foi prejudicada pela ausência de Chiellini e a ideia de jogo, portanto, não vem se sustentando. Sem conseguir se defender com a posse de bola, como gosta seu treinador, e também sem ativos fortes para recuar suas linhas e defender sua área, a Juventus viu o Atlético buscar o empate aos 90 minutos. Trippier cruzou a bola com perfeição e Herrera subiu para cabecear a bola para o fundo da rede.

Apesar das sensações negativas, dos problemas para corrigir e de toda a dificuldade da troca de estilo, o resultado, em si, foi bom para a Juventus. A Velha Senhora conquista 1 ponto, jogando longe de casa, contra o seu principal rival pelo primeiro lugar do grupo. Poderiam ser três, mas um é melhor do que nada.

Em Zagreb, Atalanta tem estreia digna de pesadelo

Caras fechadas e decepção: a Atalanta foi goleada pelo Dinamo Zagreb (AFP/Getty)

Fazendo sua estreia na Liga dos Campeões, a Atalanta viajou até a Croácia para enfrentar o Dinamo Zagreb, sabidamente uma equipe com uma torcida muito apaixonada e participativa. Apesar do fator extracampo e do peso de um primeiro jogo na maior competição de clubes do mundo, a Dea tinha grande expectativa por um resultado positivo. Isso, porém, acabou não acontecendo – nem de longe.

Gasperini escalou a Dea dentro do seu já habitual 3-4-2-1, com a mesma base da equipe que conquistou o terceiro lugar no Campeonato Italiano da temporada passada. O Dinamo Zagreb jogou no 4-2-3-1, com algumas peças bem rodadas no futebol europeu. Entre elas, o centroavante Bruno Petkovic, com passagens por Catania, Hellas Verona e Bologna.

Desde os primeiros minutos a ideia de jogo dos nerazzurri não funcionou como o esperado. O Dinamo bloqueou a saída de bola da Dea com os seus zagueiros e pressionou a dupla de volantes. Dessa maneira, a Atalanta perdeu algumas bolas em zona perigosa e, numa delas, aos 10 minutos, Stojanovic achou o lateral-esquerdo Leovac em condição de finalizar: 1 a 0.

Sem muita ambientação com partidas europeias e com a desvantagem no placar, o jogo da Atalanta ficou ainda mais desajustado e o time não conseguiu entrar na partida em momento algum. Errou muitos passes simples, não teve força para transitar com os alas, cometeu faltas desnecessárias e, no fim do primeiro tempo viu o sonho europeu virar pesadelo. Ao menos por ora.

Leovac apareceu muito bem no ataque mais uma vez e rolou a bola para Orsic bater no canto inferior direito de Gollini. Dez minutos depois, o mesmo Orsic aumentou o placar em uma falha coletiva do sistema defensivo da Dea. Stojanovic foi à linha de fundo pelo lado direito e cruzou a bola buscando a outra extremidade; Ademi ajeitou de cabeça e Orsic só teve o trabalho de conferir.

Na volta do intervalo, Gasperini buscou ajustar seu time, para competir melhor e tentar diminuir o prejuízo no saldo de gols. Para atingir seu objetivo, trocou Freuler e Masiello por Pasalic e Malinovskyi, mas as alterações não funcionaram. A Atalanta continuou errando muito, não teve ajuste defensivo e nem somou saídas para o campo ofensivo, uma vez que Gómez e Ilicic foram controlados pelo sistema defensivo croata. Aos 68 minutos de jogo, Orsic deu números finais à partida ao anotar sua tripletta: o atacante recebeu a bola pelo lado esquerdo, nas costas de Hateboer, e bateu na saída de Gollini.

Ainda que faltem mais cinco jogos na primeira fase, a Atalanta pode ter se complicado bastante pensando em avançar para as oitavas de final – tal qual ocorreu na terça, com a Inter. Pensando que o Manchester City tem condição de fazer seis pontos nos duelos de ida e volta contra os seus rivais, o saldo de gols pode acabar sendo preponderante para definir o segundo colocado e perder por 4 a 0 não ajuda muito. Menos mal para os nerazzurri que o Shakhtar Donetsk levou 3 a 0 em casa e deixou o Grupo C com um panorama bastante curioso.



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