Serie A

25ª rodada: três meses depois, Campeonato Italiano volta a ter calendário organizado



Pouco mais de 100 dias depois do jogo entre Sassuolo e Brescia, último a ser realizado antes que a pandemia de covid-19 forçasse a interrupção das atividades na Itália, a Serie A está de volta. Depois das partidas finais da copa, o campeonato foi retomado com quatro jogos atrasados da 25ª rodada, que não puderam ser realizados em virtude da emergência sanitária.

Além de os jogos seguirem o protocolo de segurança e não terem a presença da torcida, foi respeitado um minuto de silencio por todas as vitimas do coronavírus – e assim será até o final da temporada. Na primeira rodada nesse “novo normal”, tivemos bons desempenhos dos mandantes, o que não tem sido visto nas outras ligas da Europa. Entre eles, o Torino foi o único a tropeçar e vê a ameaça do rebaixamento cada vez mais próxima.

Na parte de cima da tabela, a Inter mostrou bom futebol e se reaproximou da liderança: está seis pontos da atrás e voltou a sonhar com o scudetto, considerando que o desempenho da Juventus nos jogos da Coppa Italia não foi bom. Por sua vez, o Verona mantém a esperança de beliscar uma vaga europeia, enquanto a Atalanta continua como se a Serie A nunca tivesse parado: máquina de gols e com futebol envolvente, pode sonhar alto inclusive na Champions League.

Inter 2-1 Sampdoria

Gols e assistências: Lukaku (Eriksen) e Martínez (Candreva); Thorsby
Tops: Lukaku e Eriksen (Inter)
Flops: Jankto e Yoshida (Sampdoria)

Inter e Sampdoria tiveram a missão de fechar a rodada e fizeram um bom jogo no domingo. San Siro teve torcida virtual e os torcedores exibidos no telão “viram” a clássica Inter de Antonio Conte: um primeiro tempo muito bom e uma etapa complementar marcada por queda de rendimento. De qualquer forma, a vitória foi suficiente para que a Beneamata abrisse 12 pontos do quinto colocado e se reaproximasse de Lazio e Juventus.

Os nerazzurri anotaram o primeiro aos 2 minutos, mas Candreva estava impedido e o tento foi anulado. O primeiro que valeu saiu aos 10, em uma bela jogada construída desde trás, que terminou com toque de calcanhar de Martínez e tabela entre Eriksen e Lukaku. O atacante belga, que tem uma das mais importantes vozes na luta antirracista no futebol, comemorou com punho erguido e ajoelhado, em alusão à morte de George Floyd, nos Estados Unidos.

Em sua melhor partida desde que chegou à Inter, Eriksen deu as cartas no meio-campo por toda a primeira etapa. Sob sua influência, o segundo gol do time de Milão também saiu de uma jogada bem trabalhada: Lukaku recebeu na ponta, pedalou e tocou para Candreva, que achou Lautaro livre para marcar – mais uma vez, a dupla Lu-La anotou numa mesma partida. A Inter teve diversas chances para matar o jogo, mas falhou na pontaria e permitiu que, num lance fortuito, a Sampdoria diminuísse: Colley acertou uma cabeçada no travessão e, no rebote, Thorsby pegou Handanovic no contrapé. A Samp tentou se aproveitar do cansaço interista e, através de um jogo bastante duro, buscava a bola. Contudo, foram os nerazzurri que tiveram as melhores oportunidades dali em diante – e, novamente, não as aproveitaram.

Atalanta 4-1 Sassuolo

Gols e assistências: Djimsiti (Caldara), Zapata (Gosens), Bourabia (contra) e Zapata (Gómez); Bourabia
Tops: Zapata e Gómez (Atalanta)
Flops: Marlon e Peluso (Sassuolo)

No Gewiss Stadium, tivemos o jogo mais importante da rodada. Não por conta do que aconteceria em campo, mas sim pelo aspecto emocional: Bérgamo foi uma das províncias italianas mais afetadas pela pandemia de covid-19 e se tornou um dos símbolos da tragédia. Durante o minuto de silêncio, Gollini e Gómez se mostraram visivelmente abalados, enquanto a transmissão ofereceu aos espectadores um belíssimo vídeo, ao som “Rinascerò, Rinascerai”, de Roby Facchinetti. Com a bola rolando, a Atalanta mostrou que o futebol estava em dia.

A Dea precisou somente de 40 minutos para fazer 3 a 0. Aos 16, Djimsiti abriu o placar depois de desviar cabeçada de Caldara e, 15 minutos depois, foi a vez de Zapata aparecer pela primeira vez no dia, com um peixinho para ampliar o placar. O terceiro veio em uma confusão num cruzamento rasteiro: a bola bateu em Bourabia, que escorregou ao tentar cortar e fez contra. O chocolate da Atalanta poderia ter sido maior, se não fossem a cabeçada de Zapata no travessão e um gol de Gómez que acabou anulado após revisão através do VAR.

Na volta para o segundo tempo, o Sassuolo se soltou, mas faltou qualidade na hora da finalização: nas melhores oportunidades, Gollini apareceu para salvar a pátria nerazzurra. Com o jogo ganho, a Atalanta segurou o ritmo e fez o seu quarto na bola parada, novamente com Zapata. Já no finalzinho, Bourabia se redimiu com uma bela cobrança de falta. Os 74 gols marcados pelo time de Gian Piero Gasperini o colocam como o sexto melhor ataque da história do campeonato após 26 jogos e dão mais moral à Dea, que encara a Lazio na quarta.

Zapata voltou com uma doppietta na vitória da Atalanta (AFP/Getty)

Verona 2-1 Cagliari

Gols e assistências: Di Carmine (Lazovic) e Di Carmine (Verre); Simeone (Pellegrini)
Tops: Di Carmine e Lazovic (Verona)
Flops: Pereiro e Cigarini (Cagliari)

No sábado, tivemos mais uma boa partida do time de Juric. O treinador do Verona não tem craques a seu dispor, mas tem uma equipe extremamente organizada, da qual extrai o melhor, contrariando as expectativas. O Hellas estava cotado para voltar para a segundona, mas chegou aos 38 pontos após quatro vitórias seguidas em casa e pode considerar seu objetivo mínimo praticamente cumprido. O sonho agora é uma vaga na Liga Europa: hoje, donos da sétima colocação, os scaligeri conseguiriam o feito.

Por sua vez, o Cagliari vive situação oposta: sem vencer desde 2 de dezembro, o time vem ladeira abaixo na tabela. O técnico Walter Zenga teve mais tempo do que o habitual para passar seus conceitos antes de estrear, mas amargou a derrota no primeiro jogo pelos sardos, que estão no meio da tabela.

Em campo, o Hellas construiu sua vitória com Di Carmine. O primeiro veio após boa jogada de Amrabat, que tocou para Lazovic cruzar na cabeça do camisa 10. O atacante faria o segundo com um chutaço de longe, após um belo trabalho de pivô. Ainda na primeira etapa, Borini foi expulso depois de uma dividida com Rog e, com um a menos, o Verona viu Simeone, de voleio, empatar para o Cagliari. Na segunda etapa, o jogo ficou morno, muito por conta da falta de ritmo dos jogadores, e a expulsão de Cigarini abreviou as ações. Com a paridade numérica restabelecida entre os times, Juric fechou a casinha e ficou com os três pontos.

Torino 1-1 Parma

Gols e assistências: Nkoulou (Berenguer); Kucka (Gervinho)
Tops: Nkoulou (Torino) e Sepe (Parma)
Flops: Belotti (Torino) e Iacoponi (Parma)

A reabertura do campeonato ficou por conta de Torino e Parma. E não foi das melhores: no pontapé inicial, se verificou que a bola estava murcha e que teria que ser trocada. O responsável por marcar o primeiro gol no retorno da Serie A foi Nkoulou, após cobrança de escanteio de Berenguer. O zagueiro camaronês, assim como Lukaku, comemorou em apoio aos protestos contra o racismo que têm ocorrido no mundo, a partir dos levantes nos Estados Unidos.

Com 30 minutos, o Parma empatou em boa jogada de Gervinho. O marfinense tocou para o meio da área e Kucka encheu o pé, sem oferecer chances a Sirigu – que até tocou na bola, mas não segurou. O time da casa não conseguiu a vitória por conta de um inspirado goleiro Sepe. Ele estava ligado na partida e não deixou escapar nada depois da forte cabeçada de Nkoulou – que quase defendeu, aliás. No decorrer da partida, o arqueiro pegou até o pênalti cobrado por Belotti. No finalzinho, o Toro teve chance de fechar a conta com a lei do ex, mas Edera, sozinho na pequena área, errou o cabeceio e mandou para fora. Enquanto o Parma está dois pontos abaixo da zona Uefa, o Torino está apenas três acima do Z3.



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