Serie A

Guia da Serie A 2021-22, parte 2

Ontem, publicamos a primeira parte do nosso tradicional Guia da Serie A. Agora, na véspera da rodada inaugural da edição 2021-22 do campeonato, a Calciopédia traz o derradeiro segmento da análise, com todas as informações sobre times como Napoli e Roma.

Até o fechamento do nosso guia, 31 jogadores brasileiros estão aptos para disputar esta edição do Campeonato Italiano, considerando também aqueles que têm dupla nacionalidade – 11 a menos que duas temporadas atrás. Os atletas do nosso país estão distribuídos em 16 times, ficando ausentes apenas dos elencos de Empoli, Inter, Milan e Salernitana. Juventus, Lazio e Udinese são a equipes com mais representantes canarinhos, com quatro cada.

No Brasil, a Serie A volta a ter a transmissão dos canais ESPN e Fox Sports, que a exibiram em outras ocasiões. No streaming, o amante do futebol da Bota poderá acompanhar o campeonato através do Star+, do grupo Disney, e de sites de apostas, como o Bet365 – saiba todos os detalhes sobre transmissões aqui.

Publicado também na Trivela.

Napoli

Spalletti, do Napoli (Fotoagenzia)

Cidade: Nápoles (Campânia)
Estádio: Diego Armando Maradona (54.726 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Azzurri, Partenopei
Principais rivais: Verona, Juventus, Inter e Milan
Participações na Serie A: 76
Títulos: 2
Na última temporada: 5ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Juan Jesus
Técnico: Luciano Spalletti (1ª temporada)
Destaque: Lorenzo Insigne
Fique de olho: Gianluca Gaetano
Principais chegadas: Juan Jesus (z, Roma), Kévin Malcuit (ld, Fiorentina) e Adam Ounas (a, Crotone)
Principais saídas: Tiémoué Bakayoko (v, Chelsea), Elseid Hysaj (ld, Lazio) e Nikola Maksimovic (z, sem clube)
Time-base (4-2-3-1): Meret (Ospina); Di Lorenzo, Manolas, Koulibaly, Mário Rui; Demme, Ruiz; Lozano (Politano), Zielinski, Insigne; Osimhen (Mertens).

O Napoli versão 2021-22 é muito parecido com o de 2020-21, mas com um grande upgrade: Spalletti assumiu o lugar do questionado Gattuso. Sob as ordens de Rino, este mesmo elenco (acrescido de Maksimovic, Hysaj e Bakayoko) ficou a apenas um ponto da Champions League e é muito improvável imaginar que não irá pleitear o mesmo objetivo agora. Sobretudo porque terá um especialista em classificar times para a competição: desde 2004-05, em apenas uma oportunidade (2008-09) o carequinha toscano não levou a equipe que dirigia para o principal torneio de clubes da Europa.

Com Spalletti, o Napoli voltará a ter um padrão de jogo bem definido: compactação na fase defensiva, privilégio à posse de bola e rapidez nos passes no último terço do campo, setor em que os atacantes e pontas trabalham para abrir espaços para infiltrações dos meias. Nesse sistema, Zielinski deve ficar ainda mais em evidência e Mertens terá a oportunidade de conseguir dígito duplo em gols na Serie A, o que não acontece desde 2019. Osimhen, Insigne e Ruiz, naturalmente, também continuarão a exercer papeis fundamentais no time.

Por outro lado, as maiores vulnerabilidades dos partenopei estão na lateral esquerda e no número reduzido de opções para o centro da defesa. Embora Mário Rui, Ghoulam e Juan Jesus não inspirem tanta confiança da torcida, por diversos motivos, a presença de Spalletti ameniza os riscos. Afinal, o técnico conhece a fundo tanto o português quanto o brasileiro, com os quais trabalhou na Roma – juntamente a Manolas. Por saber de cor os seus melhores e piores atributos, imagina-se que o mago de Certaldo saberá limitar danos.

Roma

Mkhitaryan, da Roma (Insidefoto)

Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico (70.634 lugares)
Fundação: 1927
Apelidos: Capitolinos, Giallorossi, Lupi, A Maggica
Principais rivais: Lazio e Juventus
Participações na Serie A: 89
Títulos: 3
Na última temporada: 7ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Daniel Fuzato e Roger Ibañez
Técnico: José Mourinho (1ª temporada)
Destaque: Lorenzo Pellegrini
Fique de olho: Nicola Zalewski
Principais chegadas: Tammy Abraham (a, Chelsea), Rui Patrício (g, Wolverhampton) e Matías Viña (le, Palmeiras)
Principais saídas: Edin Dzeko (a, Inter), Pau López (g, Marseille) e Pedro (a, Roma)
Time-base (4-2-3-1): Rui Patrício; Karsdorp, Mancini, Smalling (Kumbulla), Viña; Cristante (Villar), Veretout; Zaniolo, Pellegrini, Mkhitaryan; Abraham.

Depois de 11 anos longe da Itália, Mourinho volta ao país para tentar revalorizar a sua carreira na Roma. Este intuito começou de maneira positiva, já que o mercado do time giallorosso tem sido muito bom: as quatro contratações feitas foram ideais para as necessidades do elenco, que fica fortalecido mesmo com a saída do capitão Dzeko e do experiente Pedro. Hoje, a Loba tem condições de brigar de verdade por uma vaga na Liga dos Campeões e de faturar o título da Conference League.

Com o reforço de Rui Patrício, espera-se que a posição de goleiro, que representa uma grande vulnerabilidade para a Roma desde a venda de Alisson, tenha ganhado um titular confiável. Viña também foi uma boa opção para substituir o lesionado Spinazzola, mas ainda há algumas dúvidas sobre o restante da defesa. Smalling e Kumbulla precisam apresentar o nível de 2019-20 para serem parceiros de relevo para Mancini, enquanto Ibañez carece de regularidade. Especialista em sistemas defensivos, Mourinho parece ter ficado satisfeito com o desempenho do quarteto na pré-temporada, já que os capitolinos não buscam zagueiros no mercado.

Por sua vez, Veretout e Pellegrini continuam sendo garantias da equipe da Cidade Eterna e serão centrais no jogo vertical proposto por Mou. O mesmo vale para Mkhitaryan: anteriormente em baixa com o português, ele convenceu o treinador de Setúbal pelo que mostrou com a camisa giallorossa e terá uma nova oportunidade como protagonista numa dupla entusiasmante com o recuperado Zaniolo. Com técnica, velocidade e alto poder de decisão, os dois dividirão as responsabilidade com o jovem Abraham, que chega à Itália pressionado pela herança deixada por Dzeko e com grandes expectativas a serem cumpridas – afinal, com os bônus, se tornará o reforço mais caro fechado pela Loba.

Salernitana

Bonazzoli, da Salernitana (imago)

Cidade: Salerno (Campânia)
Estádio: Arechi (37.180 lugares)
Fundação: 1919
Apelidos: Granata, Bersagliera, Sua Maestà
Principais rivais: Napoli, Avellino e Verona
Participações na Serie A: 3
Títulos da Serie A: nenhum (melhor desempenho: 15ª colocação)
Na última temporada: 2ª posição da Serie B; promovida
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Fabrizio Castori (2ª temporada)
Destaque: Simy
Fique de olho: Nadir Zortea
Principais chegadas: Simy (a, Crotone), Federico Bonazzoli (a, Torino) e Stefan Strandberg (z, Ural)
Principais saídas: Gennaro Tutino (a, Parma), André Anderson (m, Lazio) e Tiago Casasola (z, Lazio)
Time-base (3-5-2): Belec; Strandberg, Gyömbér, Bogdan; Zortea, M. Coulibaly, Di Tacchio, Obi (L. Coulibaly), Ruggeri; Simy, Bonazzoli.

É bem provável que você não tenha muito tempo para se afeiçoar à Salernitana. Dona do elenco mais modesto da Serie A, com sobras, a equipe da Campânia é candidatíssima a ocupar a lanterna do campeonato em sua terceira participação na elite – a primeira desde 1999. O plantel dos granata não lhe asseguraria sequer o favoritismo ao acesso na segunda divisão.

A Salernitana foi praticamente desmontada neste verão: como estavam emprestados, quase todos os destaques de sua trajetória na Serie B foram embora. Nove jogadores, por exemplo, retornaram para a Lazio, equipe à qual a formação campana servia como satélite. Inclusive, o presidente Lotito teve de se desfazer da agremiação sulista às pressas, pelas normais federais, e a repassou a um truste. Isso, naturalmente atrapalhou a formação do plantel grená, considerando um poder de investimento que já não seria dos mais altos.

Para tentar fazer milagre e evitar a queda, a Salernitana aposta na continuidade do técnico Castori, o segundo mais velho da Serie A. Seu estilo de trabalho é baseado no mais puro catenaccio, com defesa fechadinha, contra-ataques e busca pelo máximo aproveitamento das poucas chances criadas. Sendo assim, terá importância o lateral Ruggeri, vindo da Atalanta, que é o mais talentoso do grupo na criação de jogadas – é notória a falta de um articulador no meio-campo bastante físico da Bersagliera. O ótimo Simy e o perigoso Bonazzoli tendem a ficar muito sobrecarregados e a concentrarem quase todos os gols marcados pela equipe, o que não costuma ser bom sinal.

Sampdoria

Quagliarella, da Sampdoria (Fotoagenzia)

Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Luigi Ferraris (36.599 lugares)
Fundação: 1946
Apelidos: Blucerchiati, Doria, Samp
Principal rival: Genoa
Participações na Serie A: 65
Títulos: 1
Na última temporada: 9ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Kaique Rocha
Técnico: Roberto D’Aversa (1ª temporada)
Destaque: Fabio Quagliarella
Fique de olho: Simone Trimboli
Principais chegadas: Gianluca Caprari (a, Benevento), Julian Chabot (z, Spezia) e Nicola Murru (le, Torino)
Principais saídas: Keita Baldé (a, Monaco), Gastón Ramírez (mat, sem clube) e Mehdi Léris (m, Brescia)
Time-base (4-4-2): Audero; Bereszynski, Yoshida, Colley, Augello; Candreva, Thorsby, Silva (Ekdal), Damsgaard; Gabbiadini, Quagliarella.

Com pouquíssimos reforços e saídas importantes, como a de Keita e a do técnico Ranieri, a Sampdoria corre o risco de ter um campeonato sem a tranquilidade de outrora. A equipe blucerchiata ainda é forte candidata ao meio da tabela, mas precisará olhar com um pouco mais de frequência para o retrovisor e se preocupar em somar pontos que, em 2020-21, conquistou sem muito esforço. Hoje, não é imaginável que a Samp conclua a Serie A em um dos 10 primeiros lugares, como ocorreu em quatro das cinco últimas temporadas.

D’Aversa manterá o 4-4-2 de Ranieri e princípios caros ao receituário do seu antecessor, como a alta taxa de trabalho dos meias, o jogo físico pelo centro e velocidade e ultrapassagens abundantes pelas pontas. Contudo, se o comandante romano alinhava ideias em prol do coletivo, com Quagliarella se sobressaindo mesmo assim, a impressão é que esta Sampdoria se guiará mais pelas individualidades. Além do próprio capitão, os experientes Candreva e Gabbiadini também serão chamados em causa. Espera-se, ainda, que Damsgaard seja o grande criativo da equipe – e o dinamarquês pode se ver muito isolado nesta função, embora talento não lhe falte.

Depositar muitas fichas em veteranos e em jovens que ainda oscilam, de forma natural, tende a ser uma solução pouco frutífera. Se isto se mantiver, a tendência é vermos uma Sampdoria similar à da fase de 32 avos de final da Coppa Italia, ocasião em que sofreu para eliminar o Alessandria: um time oscilante dentro das partidas e que, naturalmente, tende a ser irregular ao longo da temporada.

Sassuolo

Caputo, do Sassuolo (imago)

Cidade: Sassuolo (Emília-Romanha)
Estádio: Mapei Stadium – Città del Tricolore (21.525 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Neroverdi, Sasòl
Principal rival: Modena
Participações na Serie A: 9
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 6ª colocação)
Na última temporada: 8ª posição
Objetivo: meio da tabela
Brasileiros no elenco: Rogério e Matheus Henrique
Técnico: Alessio Dionisi (1ª temporada)
Destaque: Domenico Berardi
Fique de olho: Davide Frattesi
Principais chegadas: Matheus Henrique (m, Grêmio), Gianluca Scamacca (a, Genoa) e Davide Frattesi (m, Monza)
Principais saídas: Manuel Locatelli (m, Juventus), Marlon (z, Shakhtar Donetsk) e Stefano Turati (g, Reggina)
Time-base (4-2-3-1): Consigli; Müldür (Toljan), Ferrari, Chiriches, Rogério (Kyriakopoulos); López (Frattesi), Matheus Henrique; Berardi, Djuricic (Traorè), Boga (Raspadori); Caputo (Scamacca).

O que será do Sassuolo sem De Zerbi? Depois de três anos no comando, o treinador se valorizou e deixou a Emília-Romanha, mas a sua filosofia permanece no clube. Afinal, a antecedia: desde que chegou à elite, com Di Francesco, o time neroverde apostava em um futebol ofensivo, com posse de bola e pressão sufocante dos adversários. Não será diferente com Dionisi, que terá a sua primeira experiência na Serie A após ser campeão da segundona num agradável Empoli.

Sem pressão por entregar resultados de imediato, Dionisi terá tempo para colocar a sua marca pessoal no time deixado por De Zerbi, ainda que as semelhanças de pensamento entre os dois sejam abundantes. Numa espécie de ilha de segurança, na qual a sua permanência na elite não é ameaçada e garantir vagas em torneios continentais não é imperativo, o Sassuolo é um laboratório a céu aberto. Nele, o comandante poderá fazer testes à beça, que levem a oscilações e, mesmo assim, entregar um resultado bastante satisfatório.

Na Toscana, Dionisi trabalhou com muitos jovens promissores, o que também encontrará no Sassuolo. A saída de Locatelli será sentida, naturalmente, mas o campeão olímpico Matheus Henrique e o excelente Frattesi têm potencial para suprir a ausência do volante italiano. E a poderosa artilharia emiliana, que já contava com Berardi, Djuricic, Boga, Raspadori e Caputo, ainda se enriqueceu com o retorno de empréstimo de Scamacca. Há talento para dar e vender (por muitos milhões de euros) no Mapei Stadium.

Spezia

Colley, do Spezia (LaPresse)

Cidade: La Spezia (Ligúria)
Estádio: Alberto Picco (11.512 lugares)
Fundação: 1906
Apelidos: Aquilotti, Bianchi, Bianconeri
Principais rivais: Genoa, Pisa, Carrarese e Lucchese
Participações na Serie A: 2
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 15ª colocação)
Na última temporada: 15ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Léo Sena
Técnico: Thiago Motta (1ª temporada)
Destaque: Giulio Maggiore
Fique de olho: Aimar Sher
Principais chegadas: Ebrima Colley (a, Verona), Kelvin Amian (ld, Toulouse) e Viktor Kovalenko (m, Atalanta)
Principais saídas: Tommaso Pobega (m, Milan), Riccardo Saponara (m, Fiorentina) e Matteo Ricci (m, sem clube)
Time-base (4-3-3): Zoet; Amian, Erlic, Nikolaou, Bastoni; Maggiore, Léo Sena, Kovalenko; Verde (Colley), Nzola, Gyasi.

Se a permanência do Spezia na elite, em 2021, teve ares de milagre, repetir a empreitada será mais difícil neste ano. Artífice da salvação, Italiano conhecia o elenco havia algum tempo e tinha um grupo repleto de opções, que soube potencializar. Já Thiago Motta, ainda que tenha sido vitorioso dentro dos gramados, é um técnico inxperiente e que precisa transformar boas ideias em resultados.

A missão do ítalo-brasileiro na Ligúria será árdua, primeiramente, porque o Spezia passou por um desmanche tão grande quanto o da Salernitana: 17 jogadores que foram utilizados na última temporada deixaram o Picco. Entre eles, várias peças importantes, como Pobega, Saponara, Ricci, Agudelo, Terzi, Piccoli, Marchizza, Ismajli, Estévez e Diego Farias. Se um time inteiro acabou mudando de ares, a gestão do presidente Platek, iniciada há poucos meses, só adquiriu quatro atletas que devem fardar entre os titulares. É uma equipe nitidamente enfraquecida e que não poderá fazer tantos rodízios quanto anteriormente.

Com isso, o peso recai com muita intensidade sobre os pilares dos bianconeri. Empossado como capitão, o ótimo volante Maggiore terá de se desdobrar ao lado de Léo Sena, alçado a provável titular por Motta, mas tende a ter uma vida muito complicada sem o auxílio dos ex-colegas – afinal, o meio-campo teve as principais baixas. Na frente, o jogo pelos flancos ganha uma importância ainda maior do que teve em 2020-21, quando Gyasi e Verde já eram bastante acionados antes de fazer a bola chegar a Nzola. Nesse sentido, Colley foi uma importante adição a um grupo que tem muitas lacunas a serem preenchidas.

Torino

Belotti, do Torino (LaPresse)

Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Olímpico Grande Torino (28.177 lugares)
Fundação: 1906
Apelidos: Toro, Granata
Principal rival: Juventus
Participações na Serie A: 78
Títulos: 7
Na última temporada: 17ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Lyanco e Bremer
Técnico: Ivan Juric (1ª temporada)
Destaque: Andrea Belotti
Fique de olho: Dennis Stojkovic
Principais chegadas: Etrit Berisha (g, Spal), Marko Pjaca (a, Genoa) e Magnus Warming (a, Lyngby)
Principais saídas: Salvatore Sirigu (g, Genoa), Nicolas Nkoulou (z, sem clube) e Amer Gojak (mat, Dinamo Zagreb)
Time-base (3-4-2-1): Milinkovic-Savic; Izzo, Bremer, Buongiorno; Singo, Mandragora, Lukic, Ansaldi; Sanabria, Pjaca; Belotti.

O futebol reativo volta a ter espaço no início de temporada num Torino em crise de identidade, que tem corrido feito barata tonta. Depois da aposta fracassada em Giampaolo e do conserto feito por Nicola, a diretoria grená resolveu contratar Juric, vindo de duas ótimas campanhas pelo Verona.

Como não resolveu alguns problemas estruturais, o Toro buscou um dos técnicos que mais poderia se adaptar ao seu plantel. No time granata há muitos jogadores de características similares aos que o croata tinha no Hellas, de modo que ele terá condições de repetir a saída forte com os alas e os zagueiros laterais; a movimentação dos volantes centrais, com chegada no campo ofensivo; e propor uma dupla de apoio ao atacante central; bem como a forte compactação da equipe em bloco baixo na fase defensiva.

Ainda assim, há um sinal de alerta ligado no Piemonte, já que o Torino brigou duas vezes contra o rebaixamento de forma inesperada. Com uma lacuna óbvia no gol e um número pouco satisfatório de opções confiáveis no banco, podemos ver um time bastante dependente de Belotti, mais uma vez. E há, também, um elemento de caráter físico: em ambos os anos em que dirigiu o Verona, Juric experimentou bruscas quedas de rendimento no segundo turno, atreladas, em parte, ao cansaço. Como os gialloblù haviam somado muitos pontos antes disso, o declínio não foi decisivo para a sua sorte. Em Turim, será a vez do tira-teima.

Udinese

Pereyra, da Udinese (LaPresse)

Cidade: Údine (Friul-Veneza Júlia)
Estádio: Friuli – Dacia Arena (25.132 lugares)
Fundação: 1896
Apelidos: Bianconeri, Friulani e Zebrette
Principais rivais: Venezia e Triestina
Participações na Serie A: 49
Títulos: nenhum (melhor desempenho: vice-campeã)
Na última temporada: 14ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Samir, Rodrigo Becão, Walace e Ryder Matos
Técnico: Luca Gotti (3ª temporada)
Destaque: Roberto Pereyra
Fique de olho: Martin Palumbo
Principais chegadas: Marco Silvestri (g, Verona), Lazar Samardzic (mat, RB Leipzig) e Destiny Udogie (le, Verona)
Principais saídas: Rodrigo De Paul (m, Atlético de Madrid), Juan Musso (g, Atalanta) e Kevin Bonifazi (z, Bologna)
Time-base (3-4-2-1): Silvestri; Rodrigo Becão, Nuytinck, Samir; Molina, Walace (Arslan), Pereyra, Stryger Larsen (Udogie); Deulofeu (Samardzic), Pussetto; Okaka.

Na medida em que a família Pozzo vende craques e enche os cofres com milhões de euros, a Udinese vai se aproximando das posições mais baixas da tabela. Não era assim: os friulanos costumavam encontrar grandes revelações em mercados periféricos e mantinham o ciclo de enriquecimento atrelado a boas campanhas na Serie A. Dessa vez, os bianconeri perderam Musso e De Paul, seus principais jogadores, e enfraqueceram a equipe.

A aquisição do goleiro Silvestri mantém o nível do antecessor, mas o atleta de 30 anos não é um ativo pensando em venda futura. Para o lugar de De Paul, a aposta é no alemão de origem bósnia Samardzic, de 19 anos, que não é cotado para ser titular no início da temporada. Pensando no presente, Udogie parece mais maduro para explodir, após aparições de destaque pelo Verona. E é isso: todas as outras chegadas da janela na Udinese foram retornos, seja de empréstimo, como no caso do grosseiro Teodorczyk, ou do terceiro arqueiro Padelli, que veste a camisa zebrada após oito anos de circulação pelo país.

A fase defensiva do time de Údine funciona bem e tende a ser o seu maior trunfo em 2021-22. Afinal, sem De Paul, Gotti terá muito mais trabalho para arrumar a Udinese do meio para frente e ajeitar a produção ofensiva dos bianconeri, fortes candidatos a pior ataque da Serie A. Pereyra assumirá as funções deixadas pelo compatriota, ao passo que o ala Molina – em evolução – tende a ter mais peso dentro de campo. A grande esperança de gols é… Okaka. O suficiente para entender que seguir na elite já será uma vitória para os friulanos.

Venezia

Ceccaroni (32) e Caldara (31), se destacam no Venezia (Insidefoto)

Cidade: Veneza (Vêneto)
Estádio: Pier Luigi Penzo (11.171 lugares)
Fundação: 1907
Apelidos: Arancioneroverdi, Lagunari, Leoni Alati
Principais rivais: Vicenza, Verona e Padova
Participações na Serie A: 13
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 3ª colocação)
Na última temporada: 5ª posição da Serie B; promovido após playoffs
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Bruno Bertinato
Técnico: Paolo Zanetti (2ª temporada)
Destaque: Mattia Caldara
Fique de olho: Daam Heymans
Principais chegadas: Gianluca Busio (m, Sporting Kansas City), Arnór Sigurdsson (mat, CSKA Moscou) e Mattia Caldara (z, Atalanta)
Principais saídas: Youssef Maleh (m, Fiorentina), Sebastiano Esposito (a, Basel) e Giacomo Ricci (le, Parma)
Time-base (4-3-3): Mäenpää; Ebuehi, Caldara, Ceccaroni, Schnegg; Busio (Crnigoj), Peretz (Tessmann), Heymans; Sigurdsson (Aramu), Okereke (Forte), Johnsen.

Na primeira parte do guia, chamamos a atenção para o Empoli e fazemos o mesmo com o Venezia, que não disputava a Serie A desde 2002: vindo da segundona, o time arancioneroverdi pode ser uma das surpresas deste Italiano. A gestão norte-americana do presidente Niederauer já mostrou, com os uniformes do clube, que entende muito de marketing. Parece saber, também, identificar talentos: buscou reforços em mercados periféricos e formou um plantel que tem tudo para ser competitivo, ainda que falte experiência.

O Venezia preservou a estrutura que lhe garantiu o acesso e manteve o técnico Zanetti, seu 4-3-3 combativo e quase todos os seus destaques. Os leões alados também foram atrás de jogadores de seleção: os norte-americanos Busio e Tessmann, o islandês Sigurdsson, os nigerianos Okereke (olímpica) e Ebuehi, o israelense Peretz e o italiano Caldara. O ex-zagueiro de Atalanta e Milan, aliás, é um dos poucos do elenco com mais de 10 partidas na Serie A (o outro é o interminável Molinaro). Montar um plantel com poucos atletas que conheçam o campeonato é arriscado, mas os vênetos parecem confiantes na qualidade das peças à disposição.

Além do aspecto futebolístico, o retorno do Venezia à Serie A será muito interessante do ponto de vista cultural. A cidade de Veneza é uma das mais importantes e peculiares da Itália, e a arena do clube não foge à regra. Com mais de 100 anos de inaugurado, o Penzo fica numa ilha e só pode ser acessado a pé ou de barco, como as famosas gôndolas que circulam pelos canais da capital do Vêneto. A praça esportiva está sendo requalificada para receber partidas do campeonato e ainda não se sabe quando será liberada. Por conta disso, os lagunari jogam as três primeiras fora de casa e, se for necessário, disputarão compromissos como mandantes no estádio da Spal – o Paolo Mazza, em Ferrara.

Verona

Zaccagni, do Verona (LaPresse)

Cidade: Verona (Vêneto)
Estádio: Marcantonio Bentegodi (31.045 lugares)
Fundação: 1903
Apelidos: Mastini, Scaligeri, Butei, Gialloblù
Principais rivais: Vicenza, Napoli e Milan
Participações na Serie A: 31
Títulos: 1
Na última temporada: 10ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Alan Empereur e Daniel Bessa
Técnico: Eusebio Di Francesco (1ª temporada)
Destaque: Mattia Zaccagni
Fique de olho: Bogdan Jocic
Principais chegadas: Lorenzo Montipò (g, Benevento), Gianluca Frabotta (le, Juventus) e Martin Hongla (v, Royal Antwerp)
Principais saídas: Federico Dimarco (le, Inter), Marco Silvestri (g, Udinese) e Matteo Lovato (z, Atalanta)
Time-base (3-4-2-1): Montipò; Ceccherini, Günter, Magnani; Faraoni, Tameze (Hongla), Miguel Veloso (Ilic), Lazovic (Frabotta); Barák, Zaccagni; Kalinic (Lasagna).

Di Francesco está perto do ponto de não retorno: um fracasso no Verona, após trabalhos vexaminosos por Sampdoria e Cagliari, pode significar o fim de sua carreira como técnico de alto nível e relegá-lo às categorias inferiores da Itália. Por isso, o abruzês encara a reconstrução dos gialloblù, após as excelentes memórias deixadas por Juric, como um dos principais desafios de sua carreira.

Ciente do seu atual momento, DiFra foi taxativo na sua apresentação: sustentará as ideias de seu antecessor e se adaptará ao elenco, diferentemente do que tentara em suas fracassadas experiências. Assim, o técnico deverá manter o 3-4-2-1 e utilizar, como alternativa, um 4-2-3-1 com movimentações e funções similares ao módulo-base. Zaccagni e Barák, escudeiros de Lasagna, continuam sendo os principais nomes do time.

Nesta janela, o Verona perdeu peças importantes, como Silvestri, Lovato, Dimarco, Sturaro, Colley e Salcedo. As ausências dos jogadores de defesa tendem a ser as mais importantes, já que o goleiro Montipò teve desempenho inconsistente pelo Benevento e os zagueiros que os mastini têm no elenco, atualmente, não oferecem garantias de regularidade em alto nível. Dessa forma, acreditamos que o camaronês Hongla, que também atua como beque, acabará sendo recuado para a função em algum momento da campanha gialloblù. É improvável que o período de tranquilidade que o Hellas atravessou entre 2019 e 2021 ganhe um novo capítulo.

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