Serie A

38ª rodada: Roma e Como irão à Champions League; Milan e Juventus ficarão de fora

Desde 1991, ao menos Milan ou Juventus estiveram presentes em todas as edições da maior competição de clubes da Europa – quando a atual Champions League ainda tinha outro formato e se chamava Copa dos Campeões. As administrações dos gigantes italianos estão de parabéns pelo feito: ao fim da temporada 2025-26, nenhum dos dois conseguiu vaga no torneio mais cobiçado do continente, encerrando uma sequência de 34 anos.

Os rossoneri simplesmente despencaram na reta final. Há poucas semanas, apareciam como possíveis postulantes ao scudetto. Em maio, porém, perderam três de quatro partidas e caíram da terceira para a quinta colocação na última rodada, ficando fora da zona de classificação graças à derrota para o Cagliari. O algoz milanista sequer tinha objetivos no campeonato e, ainda assim, conquistou sua primeira vitória sobre o rival no San Siro neste século. E vale registrar: com méritos.

Já a Juventus dependia de uma combinação de resultados e viu o caos extracampo do clássico contra o Torino atrasar sua partida. Na reta final do dérbi, todos já sabiam que a Velha Senhora não tinha mais chances de terminar entre os quatro primeiros da Serie A. Se isso influenciou a queda de rendimento e o empate no clássico turinês, jamais saberemos. Fica, contudo, a crítica à organização da liga, que permitiu tamanha confusão de calendário justamente nas duas últimas rodadas.

Entre os merecedores, Como e Roma fizeram sua parte. A equipe de Cesc Fàbregas, propositiva e dominante, encerrou a Serie A com a melhor defesa, mesmo vazada na vitória categórica sobre a Cremonese – rebaixada com o resultado. Já os comandados de Gian Piero Gasperini superaram o Verona no Marcantonio Bentegodi com brilho de Dybala: duas assistências do argentino, incluindo uma no rebote do pênalti desperdiçado por Malen. Confira essas e outras histórias no último resumo da jornada!

>>> Classificação e artilharia da Serie A

Verona 0-2 Roma

Gols e assistências: Malen (Dybala) e El Shaarawy (Dybala)
Tops: Dybala e El Shaarawy (Roma)
Flops: Valentini e Frese (Verona)

A quinta vitória consecutiva confirmou a vaga da Roma na principal competição europeia. Gian Piero Gasperini recolocou a Loba na Champions League – e no pódio da Serie A – após oito anos, e os principais personagens da campanha participaram diretamente do resultado decisivo. Embora enfrentassem um adversário acessível, os giallorossi passaram por alguns sustos ao longo dos 90 minutos.

Atuando do início ao fim, Dybala foi determinante. Primeiro, provocou a expulsão de Valentini, deixando o Verona com um homem a menos. Depois, apareceu no lugar certo para aproveitar o rebote do pênalti desperdiçado por Malen e devolver ao holandês a chance de marcar seu 14º gol em 18 partidas. Apenas Ibrahimovic marcou mais vezes do que o camisa 14 em menos de 20 jogos numa única edição de Serie A – Ronaldo também alcançou a marca em 1999.

Após alguns momentos de pressão no segundo tempo, com Svilar justificando a eleição de melhor goleiro do campeonato, La Joya apareceu novamente nos minutos finais para servir El Shaarawy. Como se não bastasse toda a emoção do dérbi na rodada anterior, no qual se despediu da torcida romanista num jogo em casa, o Faraó selou a classificação romanista para a Champions League em clima de conto de fadas.

Cremonese 1-4 Como

Gols e assistências: Bonazzoli (pênalti); Rodríguez, Douvikas (Rodríguez), Da Cunha (pênalti) e Da Cunha (Caqueret)
Tops: Da Cunha e Rodríguez (Como)
Flops: Bianchetti e Pezzella (Cremonese)

O estilo de Cesc Fàbregas deu resultado. Mantendo sua proposta de jogo ofensiva, o Como conquistou a quarta vitória em cinco rodadas e garantiu vaga na Champions League, podendo estrear em competições europeias logo no palco principal. A goleada sobre a Cremonese não apenas evidenciou o nível alcançado pelos lariani, como também serviu de contraste para Milan e Juventus, que desperdiçaram pontos diante de adversários da parte inferior da tabela nas semanas decisivas.

Dono do segundo melhor ataque do campeonato, o Como – mesmo sem Paz, com problema muscular – não tomou conhecimento de Vardy e companhia. Com amplo domínio ofensivo, abriu o placar em chute desviado de Rodríguez. Mais tarde, Douvikas ampliou, aproveitando erro de saída de bola de Luperto. Bonazzoli, de pênalti, descontou, mas a expulsão de Grassi por reclamação complicou ainda mais a situação dos grigiorossi – no banco, Djuric e Okereke também receberam cartão vermelho.

O volante da Cremonese não aceitou a penalidade marcada para os visitantes. O capitão Da Cunha assumiu a cobrança e converteu no centro do gol. O próprio francês anotou sua doppietta para fechar a goleada. Após o apito final, os jogadores acompanharam do gramado o encerramento da partida do Milan até a confirmação da classificação histórica para a primeira Champions League do clube lombardo, enquanto a equipe da Cremo chegou até a ser aplaudida pela torcida pelo empenho – apesar do rebaixamento.

Festa total: o Como garantiu vaga na Liga dos Campeões e vai estrear em competições europeias logo pela porta da frente (Getty)

Milan 1-2 Cagliari

Gols e assistências: Saelemaekers (Giménez); Borrelli (Mina) e Rodríguez
Tops: Gaetano e Esposito (Cagliari)
Flops: Tomori e Fofana (Milan)

Com exceção dos primeiros minutos, o Milan foi amplamente dominado no San Siro. O Cagliari criou oportunidades suficientes para marcar três ou mais vezes, mas Maignan viveu noite inspirada. O goleiro francês manteve viva até os instantes finais a esperança rossonera de alcançar a Champions League, embora nem o empate a melancólica equipe de Massimiliano Allegri tenha conseguido diante dos sardos.

Os rossoblù não venciam o rival milanês fora de casa desde 1997. Fazendo por merecer, aproveitaram os espaços deixados pelos mandantes e construíram a virada em lances de bola parada. Saelemaekers abriu o placar logo na primeira jogada do confronto, porém Borrelli e Rodríguez decretaram o triunfo visitante, se valendo de falhas inacreditáveis do Milan num momento tão importante. O Cagliari ainda desperdiçou outras chances claríssimas, muitas delas parando em intervenções espetaculares de Maignan.

A perda da vaga na Champions League foi tratada como “fracasso inequívoco” pela diretoria. No dia seguinte à derrota, o Milan anunciou uma verdadeira revolução, demitindo Allegri, o CEO Giorgio Furlani, o diretor técnico Geoffrey Moncada e o diretor esportivo Igli Tare.

Torino 2-2 Juventus

Gols e assistências: Casadei (Obrador) e Adams; Vlahovic (Thuram) e Vlahovic (Conceição)
Tops: Casadei (Torino) e Vlahovic (Juventus)
Flops: Coco (Torino) e Gatti (Juventus)

Pela terceira vez consecutiva, Torino e Juventus empataram em um clássico marcado mais pela melancolia do que por qualquer outro sentimento. Antes mesmo de a bola rolar, o confronto sofreu atraso de uma hora devido a brigas entre ultras do lado de fora do estádio – um torcedor juventino ficou em estado grave. Os organizados bianconeri chegaram a pedir que a equipe não entrasse em campo, o que não aconteceu e resultou em protesto, com grande esvaziamento do setor visitante.

Como os outros jogos de times que disputavam vagas europeias começaram antes, a isonomia acabou comprometida: a Velha Senhora entrou na reta final já sabendo que não tinha mais chances de alcançar a Champions League. Talvez isso tenha influenciado os jogadores. Até aquele momento, a equipe de Luciano Spalletti vencia o inédito dérbi realizado na derradeira rodada por 2 a 1, com dois gols de Vlahovic – sua primeira doppietta na Serie A desde setembro de 2024 – enquanto Casadei havia descontado para os granata.

Nos 30 minutos finais, porém, os donos da casa cresceram, justamente impulsionados pela entrada de Casadei. Roberto D’Aversa acertou nas substituições, e Adams foi o segundo atleta vindo do banco a marcar. Aproveitando nova cabeçada de Casadei, o escocês apareceu na sobra para empatar o Derby della Mole a sete minutos do fim. Ainda assim, o Torino não aproveitou nem mesmo o terrível desfecho de temporada da rival bianconera para encerrar um jejum de mais de uma década sem vitórias no clássico.

Derretido no fim da temporada, o Milan perdeu em casa para o Cagliari e iniciou revolução após ficar fora da Champions League (Getty)

Napoli 1-0 Udinese

Gol e assistência: Højlund (De Bruyne)
Tops: Højlund e De Bruyne (Napoli)
Flops: Kabasele e Buksa (Udinese)

Cumprindo cedo seu dever de casa, o Napoli venceu a Udinese com gol de Højlund ainda na primeira etapa e administrou a vantagem após a expulsão de Kabasele. Com 12 gols e cinco assistências, o dinamarquês provou ser uma boa reposição para Lukaku e encerrou a temporada como líder em participações diretas nos tentos partenopei na liga.

Se os belgas Lukaku e Kabasele foram citados como atletas em baixa, De Bruyne também não ficou distante disso – mas não no domingo. Pouco participativo ao longo do ano, muito em função dos problemas físicos, o meia atuou durante 80 minutos e ainda deu a assistência para o único gol da partida. Também merece destaque Antonio Conte, que deixou o Napoli após conquistar o scudetto na temporada passada e reforçou a fama de treinador de ciclos curtos–  desta vez, foram apenas dois anos em Nápoles.

Bologna 3-3 Inter

Gols e assistências: Bernardeschi, Pobega e Zielinski (contra); Dimarco, Esposito e Diouf (Topalovic)
Tops: Rowe (Bologna) e Diouf (Inter)
Flops: Miranda (Bologna) e Martínez (Inter)

Na despedida dos campeões, Diouf aproveitou muito bem a rara oportunidade recebida. Além de balançar as redes pela primeira vez na Serie A, participou de outras jogadas interessantes. Se ainda não parece pronto para atuar como ala completo no esquema de Cristian Chivu, ao menos mostrou potencial para oferecer verticalidade, drible e novo fôlego quando o romeno precisar mudar a dinâmica dos nerazzurri.

Sem objetivos na tabela, Vincenzo Italiano manteve o tradicional rodízio – é difícil até definir quem são, efetivamente, os reservas do Bologna. Na prática, os rossoblù atuaram com força máxima, enquanto a Beneamata promoveu mudanças mais profundas. Zielinski, Barella, Lautaro e Dimarco permaneceram entre os titulares para dar sustentação aos menos utilizados.

Eleito MVP do campeonato, Dimarco encerrou sua temporada histórica em grande estilo. O golaço de falta, marca registrada do lateral, representou sua 24ª participação em gol na Serie A. Com isso, tornou-se o defensor com mais participações diretas em tentos numa única edição das cinco grandes ligas europeias nas últimas duas décadas.

Ainda antes do intervalo, porém, o Bologna virou o duelo. Bernardeschi tirou Martínez do lance com categoria, e Pobega, ex-Milan, ampliou em finalização desviada no braço de Lautaro. Logo no retorno do segundo tempo veio o terceiro: Miranda cruzou, Zielinski desviou contra a própria meta e o goleiro poderia ter feito melhor. Pepo, aliás, errou muito em saídas de bola e mostrou muita insegurança justo num momento em que está sendo cotado para assumir a titularidade.

Diouf recolocou a Inter na partida. Em arrancada espetacular, quase marcou um dos gols mais bonitos da temporada, mas acertou a trave. No rebote, Esposito apareceu no lugar certo para diminuir e chegar aos 10 gols na temporada, somando todas as competições. Depois, recebendo lançamento primoroso do jovem Topalovic – que, assim como em 2024-25, voltou a ganhar minutos na rodada final –, o francês enfim deixou sua marca e evitou a derrota interista na despedida.

Em dérbi atrasado por confusão fora do estádio, a Juventus só empatou com o Torino e ficou com a sexta posição da Serie A (Getty)

Lecce 1-0 Genoa

Gol e assistência: Banda (Pierotti)
Tops: Pierotti e Banda (Lecce)
Flops: Masini e Ellertsson (Genoa)

Maio foi o único mês da temporada em que o Lecce somou três vitórias. O bom desempenho na reta final garantiu os giallorossi em mais uma edição da Serie A, embora, mesmo sem o triunfo diante do Genoa, os comandados de Eusebio Di Francesco permanecessem na elite. O treinador, aliás, interrompe uma sequência de dois rebaixamentos consecutivos, por Frosinone e Venezia – clubes que retornam da Serie B na próxima temporada. Curiosamente, os salentinos mandaram para a segundona Marco Giampaolo, da Cremonese, técnico que os salvou do descenso em 2024-25.

Principal nome da equipe na noite de domingo, Banda marcou o único gol do confronto. Logo aos 6 minutos, o ponta zambiano aproveitou o rebote da finalização forte de Cheddira e vencer Leali. O africano encerrou o campeonato como artilheiro e maior assistente do Lecce na temporada.

Fiorentina 1-1 Atalanta

Gols e assistências: Piccoli (Brescianini); Comuzzo (contra)
Tops: Christensen (Fiorentina) e Hien (Atalanta)
Flops: Comuzzo (Fiorentina) e Sportiello (Atalanta)

Abrindo os trabalhos entre equipes que apenas cumpriam tabela, Fiorentina e Atalanta utilizaram formações alternativas – especialmente nas metas – e empataram no Artemio Franchi. O confronto também marcou o reencontro de Raffaele Palladino com a torcida violeta após sua saída do clube no fim da temporada passada.

Reserva de De Gea, Christensen fez sua estreia na Serie A pelos mandantes. Com boa atuação, não decepcionou, ao contrário do que ocorreu do outro lado: Piccoli abriu o placar aproveitando falha de Sportiello. A vitória da Fiorentina só escapou porque Comuzzo acabou marcando contra nos minutos finais.

A derrota da Cremonese bastaria, mas o Lecce conquistou sua permanência com virória sobre o Genoa (Getty)

Lazio 2-1 Pisa

Gols e assistências: Dele-Bashiru (Belahyane) e Pedro (Noslin); Moreo (Aebischer)
Tops: Pedro e Dele-Bashiru (Lazio)
Flops: Bozhinov e Léris (Pisa)

A Lazio teve uma de suas melhores atuações justamente quando já não disputava mais nada. Dominou o Pisa e poderia até ter construído placar mais largo, embora tenha complicado a própria situação ao sair atrás. A virada ainda no primeiro tempo garantiu aos torcedores presentes no Olímpico uma despedida digna para Pedro, mesmo que no encerramento de uma das piores campanhas recentes do clube.

O espanhol começou entre os titulares. Viu Moreo abrir o placar para os visitantes, mas a virada foi rápida, com tentos anotados num espaço de dois minutos, entre os 33 e os 35. Primeiro, Dele-Bashiru empatou e, depois, o próprio Pedro marcou um belo gol de esquerda para colocar os biancocelesti em vantagem antes do intervalo. Chegou ao fim uma temporada cercada por incertezas, perda de peças importantes e ambiente pesado em praticamente todos os compromissos caseiros. Sem a esperança de dias melhores num horizonte próximo, ao menos houve uma última dose de alegria na despedida de um dos ídolos recentes da torcida laziale.

Parma 1-0 Sassuolo

Gols e assistências: Pellegrino (Almqvist)
Tops: Pellegrino e Almqvist (Parma)
Flops: Macchioni e Laurienté (Sassuolo)

Os reis do 1 a 0 atacaram novamente. Ao lado do Lecce, o Parma terminou com o pior ataque entre os clubes que escaparam do rebaixamento nesta Serie A, com míseros 28 gols marcados – e sete de suas 11 vitórias construídas pelo placar mínimo. Carlos Cuesta realmente montou uma equipe difícil de ser superada, sólida defensivamente e eficiente quando necessário. Um dos símbolos da campanha, Pellegrino voltou a decidir no encerramento da temporada crociata.

Mesmo criando mais oportunidades, os donos da casa só destravaram o placar perto do fim. Em sua especialidade, Pellegrino subiu mais alto após ótimo cruzamento de Almqvist e marcou de cabeça. Foi o nono gol do argentino no torneio – o sexto dessa maneira. Já o Sassuolo, que fez bom campeonato, teve atuação extremamente apagada dessa vez.

Seleção da rodada

Montipò (Verona); Rensch (Roma), Rrahmani (Napoli), Tiago Gabriel (Lecce), Valeri (Parma); Casadei (Torino), Da Cunha (Como), Gaetano (Cagliari); Rodríguez (Como), Vlahovic (Juventus), Dybala (Roma). Técnico: Fabio Pisacane (Cagliari).

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