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Preview: Serie B, parte 1

Vannucchi (esquerda) é destque do Empoli, favorito ao acesso

A 71ª edição da Serie B TIM, segunda divisão do futebol italiano, terá início nesta sexta-feira, 21. Na temporada que se avizinha, a serie cadetta verá o retorno do Torino, sete vezes campeão italiano. Será o único time com scudetto a disputá-la. Falando em sete, a Reggina volta à segundona depois de sete anos consecutivos na Serie A. Outros clubes importantes do cenário italiano entrarão em campo, como Brescia, Lecce, Modena e Vicenza. Por outro lado, o Gallipoli fará sua estreia no nível mais alto de sua história.

O campeonato mantém o mesmo regulamento desde 2004, com 22 participantes, sendo que três sobem para a Serie A e quatro caem para a Lega Pro Prima Divisione, como foi renomeada a terceira divisão na última temporada. Temporada passada, Livorno e Parma se uniram ao campeão Bari no acesso à Serie A, que viu Lecce, Reggina e Torino serem rebaixados. Da Lega Pro, chegaram Cesena, Crotone, Gallipoli e Padova para os lugares de Avellino, Pisa, Rimini e Treviso.

Confira aqui um preview da competição. A segunda parte entra amanhã.

Albinoleffe
A casa: Estádio Atleti Azzurri d’Italia (Bérgamo, 26.393 lugares)
O cara: Francesco Ruopolo (atacante)
A promessa: Michael Cia (meio-campista)
O técnico: Armando Madonna (desde 05/2008)
Principal reforço: Valerio Foglio (d, Vicenza)
Principal perda: Filippo Carobbio (m, Bari)
Na temporada passada: 9º lugar
Objetivo: ficar no meio da tabela

A temporada não começou bem para a Albinoleffe: depois de ver o Milan levar seu promissor atacante Giacomo Berretta, 18 anos, e perder para a rival Atalanta sua outra grande promessa, o meia Nicola Madonna (filho do atual técnico), a campanha de contratações não convence os poucos torcedores da equipe lombarda, que continuará mandando suas partidas pela Serie B no Atleti Azzurri, estádio de Bérgamo. Com a exceção dos defensores Sala (Udinese) e Foglio (Vicenza), os serianos fizeram um mercado recheado de promessas, como Offredi (Milan), Piccini (Udinese), Girasole (Atalanta) e o finlandês Hetemaj (Panionios). Mas o alerta já está ligado: a eliminação em casa para a ainda mais modesta Spal no primeiro jogo oficial do ano, pela Coppa Italia, mostra que o elenco em formação talvez não seja suficiente para repetir os últimos anos e incomodar quem busca promoção para a Serie A. Os únicos com vaga garantida entre os titulares são o artilheiro Ruopolo, 13 gols na Serie B passada, e o capitão Ruben Garlini.

Ancona
A casa: Estádio del Conero (Ancona, 26.000 lugares)
O cara: Salvatore Mastronunzio (atacante)
A promessa: Juan Ignacio Surraco (meio-campista)
O técnico: Sandro Salvioni (desde 05/2009)
Principal reforço: Vladislav Mirchev (a, BATE Borisov)
Principal perda: Salvatore Sirigu (g, Palermo)
Na temporada passada: 19º lugar
Objetivo: lutar contra o rebaixamento

O time do goleiro brasileiro Da Costa – Júnior Costa nos tempos do Santo André campeão da Copa do Brasil – pretende continuar na segunda divisão, ainda que a salvação na última temporada tenha sido alcançada só nos play-outs de rebaixamento. Para ajudar, a maioria dos novos contratados, como o jovem atacante búlgaro Mirchev e o trio de defensores Milani (Triestina), Zavagno (Pisa) e Cristante (Mantova) chegam com contrato de dois anos. Pouca gente saiu da campanha da última temporada, o que faz arriscada a aposta no que por pouco não deu errado na temporada passada. A permanência do centroavante Mastronunzio, autor de dois gols contra o Rimini nos play-outs e mais 17 durante a Serie B passada, ainda não é certa. E sua saída pode por tudo a perder. A queda para o Lumezzane na Coppa Italia, jogando em casa, não é nada animadora.

Ascoli
A casa: Estádio Cino e Lillo del Duca (Ascoli Piceno, 20.000 lugares)
O cara: Andrea Giallombardo (lateral-esquerdo)
A promessa: Sakari Mattila (meio-campista)
O técnico: Alessandro Pane (desde 06/2009)
Principal reforço: Christian Amoroso (m, Bologna)
Principal perda: Giuseppe Bellusci (z, Catania)
Na temporada passada: 16º lugar
Objetivo: lutar contra o rebaixamento

O time só se safou do rebaixamento nas rodadas finais, no último ano. Mas a situação piorou com a perda de seus quatro melhores nomes: o zagueiro Bellusci e o meia Pesce seguiram para o Catania, o meia Belingheri para o Torino e o promissor volante Di Tacchio assinou com a Fiorentina. Só com a cessão do “novo Gattuso” para a equipe viola é que o Ascoli começou o mercado de reparação, com a própria Fiorentina cedeu o potencial foguete molhado Lupoli. Ao lado do atacante de 22 anos, uma jovem dupla finlandesa também tentará a sorte na Serie B: o zagueiro Portin (Jaro) e o meia e capitão da sub-19 local Mattila (Udinese). O atacante Bernacci, depois da má temporada no Bologna, volta ao Picchio. O toque de experiência vem com os recém-chegados Amoroso (Bologna) e Frezzolini (Modena) e, se permanecerem, o lateral-esquerdo Giallombardo e o meia Luci.

Brescia
A casa: Estádio Mario Rigamonti (Brescia, 27.547 lugares)
O cara: Davide Possanzini (atacante)
A promessa: Basrtosz Salamon (meio-campista)
O técnico: Alberto Cavasin (desde 05/2009)
Principal reforço: Davide Baiocco (m, Catania)
Principal perda: Emiliano Viviano (g, Bologna)
Na temporada passada: 4º lugar
Objetivo: vaga na Serie A

Mesmo depois da ducha de água fria ao deixar a vaga para a Serie A escapar nos play-offs da última temporada, o Brescia surpreendeu confirmando a permanência de Alberto Cavasin. Surpresa das grandes, já que o falastrão presidente Corioni passa ano após ano declarando que seria um desastre se o clube não subisse para a Serie A. O argumento foi que o rebaixamento se deu em 2004-05, campeonato que viu ser cassado o título da Juventus – ainda que nenhuma derrota do Brescia tenha estado sobre investigação. Mas o presidente rondinelle não tem confirmado com ações suas palavras: a única boa contratação para um time tão tradicional foi o veterano Baiocco (Catania), que chega para suprir a saída de Baronio. De resto, e descontando a saída do ótimo goleiro Viviano, o time titular deve permanecer o mesmo, com várias bandeiras da cidade: os defensores Zambelli e Mareco e a dupla de ataque Possanzini e Caracciolo. Olho no húngaro Vass.

Cesena
A casa: Estádio Dino Manuzzi (Cesena, 23.860 lugares)
O cara: Luigi Piangerelli (meio-campista)
A promessa: Alessio Petti (meio-campista)
O técnico: Pierpaolo Bisoli (desde 06/2008)
Principal reforço: Francesco Antonioli (g, Bologna)
Principal perda: Denis Tonucci (d, Piacenza)
Na temporada passada: campeão do grupo A da Lega Pro
Objetivo: ficar no meio da tabela

O título do grupo A da Lega Pro Prima Divizione garantiu aos bianconeri a sexta mudança de divisão nos últimos 12 anos. Mas o grupo deve conseguir ficar na Serie B, dessa vez. Além da boa base da temporada passada, alguns empréstimos devem ajudar a manter o Cesena funcionando sobre o comando de Bisoli. Chegam, assim, o atacante Bucchi (Napoli) e os promissores Erba (Roma), Schelotto (Atalanta) e Pedrelli (Inter). Da Triestina, chegam dois candidatos ao time titular: o zagueiro eslovaco Petras e o meia Piangerelli. Este último volta ao clube onze anos depois de sua saída e teve uma apresentação aclamada pela torcida, que deve voltar a encher o Dino Manuzzi: o clube quebrou o recorde de carnês vendidos na pré-temporada, quase sete mil, superando o recorde da temporada 1988-89, quando ainda estava na Serie A. Restam ainda dúvidas sobre a condição física de Antonioli, 40 anos, titular da Roma campeã italiana em 2001.

Cittadella
A casa: Estádio Pier Cesare Tombolato (Cittadella, 7.623 lugares)
O cara: Joachim De Gasperi (atacante)
A promessa: Ivan Castiglia (meio-campista)
O técnico: Claudio Foscarini (desde 06/2007)
Principal reforço: Daniele Dalla Bona (m, Pro Patria)
Principal perda: Riccardo Meggiorini (a, Bari)
Na temporada passada: 17º lugar
Objetivo: lutar contra o rebaixamento

Em seu quarto ano na Serie B, segundo consecutivo, a única – e difícil – meta vai ser permanecer no mesmo lugar. Os bons resultados nas duas primeiras fases da Coppa Italia (vitórias no dérbi contra o Padova e na prorrogação contra o Ascoli) dão certo ânimo pelo menos para o início da temporada granata. Ou pelo menos não fazem a torcida se desesperar por ter perdido para a Serie A os melhores jogadores do time: o meia Iori foi cedido ao Chievo, enquanto o artilheiro Meggiorini jogará pelo Bari. Se resta de consolo, renovaram seus contratos o atacante De Gasperi, no clube desde 2000, e o zagueiro Cherubin, que vai para sua sexta temporada no time vêneto. Ainda assim, o principal reforço da Cittadella é Dalla Bona, destaque na Lega Pro Prima Divizione pelo Pro Patria. Muito pouco para realmente confiar na salvezza.

Crotone
A casa: Estádio Ezio Scida (Crotone, 9.631 lugares)
O cara: Emanuele Concetti (goleiro)
A promessa: Ayub Daud (atacante)
O técnico: Franco Lerda (desde 06/2009)
Principal reforço: Nicola Beati (m, Arezzo)
Principal perda: Caetano (m, Frosinone)
Na temporada passada: vice-campeão do Grupo B da Lega Pro
Objetivo: lutar contra o rebaixamento

O Crotone venceu os play-offs de promoção para a Serie B com direito a show do meia-atacante brasileiro Caetano nas finais. Para quem não se lembra, a revelação do São Paulo foi destaque no Mundial Sub-17 de 2001 ofuscando o então santista Diego. Valorizado, o Siena readquiriu a metade de seu passe para depois negociá-lo com o Frosinone. Para substituí-lo, os pitagóricos fazem uma magnífica aposta: Daud, emprestado pela Juventus. Hábil, forte e ambidestro, o somali pode jogar pelos lados no meio-campo ou ainda no ataque – não à toa, terminou o último torneio de Viareggio como artilheiro, com oito gols. Daud lidera a lista de bons jovens trazidos para esta temporada, que também conta com Zito (Siena), Di Metteo (Palermo) e Mei (Inter). O recém-contratado treinador Franco Lerda fará sua estreia pela Serie B e aposta em Beati, que surgiu no início da década na Internazionale e nunca conseguiu se firmar por seguidos problemas no joelho, mas teve um bom ano pela Arezzo. Em tese, o time deve conseguir fazer um bom papel na luta contra o rebaixamento. Mas a média de idade do elenco, abaixo dos 21 anos, preocupa.

Empoli
A casa: Estádio Carlo Castellani (Empoli, 19.795 lugares)
O cara: Ighli Vannucchi (meio-campista)
A promessa: Salvatore Caturano (atacante)
O técnico: Salvatore Campilongo (desde 06/2009)
Principal reforço: Marco Mancosu (m, Cagliari)
Principal perda: Antonio Buscè (m, Reggina)
Na temporada passada: 5º lugar
Objetivo: título

A maior aposta do presidente Corsi está no banco, com a contratação de Campilongo, técnico do rebaixado Avellino da temporada passada, para o comando de um dos postulantes à Serie A. Com ele, chegam duas promessas de ótima trajetória na base de seus clubes: Mancosu (Cagliari) e Pasquato (Juventus). No ataque, o clube está prestes a anunciar o albanês Çani, caso se confirme a saída de Pozzi para algum clube da Serie A. Outro que deve abandonar o ataque azzurro é o brasileiro Éder, resgatado pelo Empoli depois de uma ótima temporada pelo Frosinone, mas bem valorizado. As duas prováveis perdas dariam a Campilongo uma grande dor de cabeça para a montagem do time titular, já que o Empoli segue sem caixa e só o dinheiro da dupla o recolocaria no mercado, de última hora. O que não tira do clube toscano a condição de um dos favoritos à promoção: a espinha dorsal com Bassi, Tosto, Vannucchi e Lodi foi mantida e, pela Coppa Italia, a vitória nos pênaltis sobre o Bari, campeão da Serie B passada, foi bastante comemorada.

Frosinone
A casa: Estádio Matusa (Frosinone, 9.680 lugares)
O cara: Vincenzo Sicignano (goleiro)
A promessa: Jefferson (atacante)
O técnico: Francesco Moriero (desde 06/2009)
Principal reforço: Andrei Cordos (d, CFR Cluj)
Principal perda: Éder (a, Empoli)
Na temporada passada: 11º lugar
Objetivo: vaga na Serie A

Se o futebol no Lácio se resumia à dupla Lazio-Roma, aos poucos o Frosinone vai ganhando seu espaço. Há quatro anos seguidos na Serie B, os canários jamais correram risco real de rebaixamento. Algo notável para quem estava na Serie D (quinta divisão) há apenas dez anos. E a temporada 2009-10 começou com muita emoção, com o Frosinone passando por Varese e Bologna nos pênaltis, pelas duas primeiras fases da Coppa Italia. Apesar das saídas de Dedic, Éder e Antonazzo, a sociedade tem um projeto ambicioso e vem montando um time com ótimas opções para Moriero, técnico do Crotone promovido na última temporada. Dos rossoblù, o ex-atacante de Inter e Roma trouxe seu melhor pupilo, o meia-atacante brasileiro Caetano. Outra aposta verde-e-amarela é o atacante Jéfferson, emprestado pela Fiorentina. A defesa sólida, comandada pelo bom Sicignano, ganha o zagueiro romeno Cordos (Cluj) e o volante albanês Basha (Rimini). Bom time para mirar a primeira promoção para a Serie A.

Gallipoli
A casa: Estádio Via del Mare (Lecce, 33.876 lugares)
O cara: David Mounard (meio-campista)
A promessa: Facundo Zampa (meio-campista)
O técnico: Giuseppe Giannini (desde 07/2008)
Principal reforço: nenhum
Principal perda: Giuseppe Russo (m, Verona)
Na temporada passada: campeão do Grupo B da Lega Pro
Objetivo: lutar contra o rebaixamento

Fosse lançado uma semana antes, este preview poderia bancar a queda antecipada do Gallipoli: mesmo faltando menos de dez dias para o início da Serie B, o clube tinha apenas três jogadores em seu elenco profissional, estava sem técnico, à venda, e vinha de uma humilhante derrota de 6 a 0 para o Lumezzane no jogo de estreia da Coppa Italia em que só escalou um time de juniores. Mas o presidente Barba pôs fim a uma crise no clube e na cidade vendendo os giallorossi ao empresário friulano Daniele D’Odorico, que recontratou Giannini, técnico do título histórico da temporada passada. O mercado deve acontecer nos últimos dias da janela e já se fala em reforços experientes, como os meias Fiore e De Zerbi e os atacantes Amoruso e Ventola. No papel, animador. Na prática, apenas oito jogadores fazem a pré-temporada na semana em que o Gallipoli deve voltar a ser goleado – dessa vez pelo Ascoli, na estreia da Serie B.

Grosseto
A casa: Estádio Carlo Zecchini (Grosseto, 9.909 lugares)
O cara: Luigi Consonni (meio-campista)
A promessa: Marco D’Alessandro (meio-campista)
O técnico: Elio Gustinetti (desde 03/2009)
Principal reforço: Thomas Job (m, Pisa)
Principal perda: Nicolás Córdova (m, Parma)
Na temporada passada: 6º lugar
Objetivo: ficar no meio da tabela

Grande surpresa da Serie B passada, o Grosseto começa a temporada sem a ambição de repetir a última campanha. Com a perda a custo zero de três titulares do meio-campo para times da Serie A (Córdova para o Parma, Garofalo para o Siena e Bonanni para a Sampdoria), o experiente Gustinetti terá muito trabalho para reconstruir o time biancorosso. Ao lado do capitão Consonni, ídolo dos últimos anos, deve ganhar posição o australiano Valeri e os recém-chegados Job (Pisa) e D’Alessandro (Roma). Olho neste último e no lateral Crescenzi, ambos formados na base romanista e emprestados graças ao bom relacionamento entre as direções dos clubes: Piero Camilli, presidente do Grosseto, é romano e romanista. Desde que chegou ao clube, há nove anos, o time subiu três vezes de divisão e sempre se redimensionou tão rápido que nunca lutou contra rebaixamentos. Disputar tranquilamente seu terceiro campeonato consecutivo na segunda divisão será mais do que satisfatório.

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