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Subestimados do calcio: Massimo Maccarone

Entre as equipes que lutam para fugir do rebaixamento, o time que contar com um jogador que marque gols e tenha poder de decisão larga na frente. O Siena não deslanchou. Muito pelo contrário, ocupa a última posição. Porém, a importante vitória no domingo, fora de casa no dérbi toscano contra o Livorno, redimensionou a temporada dos bianconeri e devolveu ao clube o direito de sonhar com a permanência na Serie A. Agora, mais do que nunca, o Siena terá que contar com os gols do atacante Massimo Maccarone, elemento decisivo para quatro das seis vezes na história que o clube escapou de retornar a Serie B. Big Mac, como é conhecido, é tão importante para a Robur que sua imagem estampa a página de abertura do site do clube.

O atacante começou sua carreira nos juvenis do Milan, sem nunca ter estreado no time principal. Foi emprestado ao Modena e ao Varese, mas, assim como Christian Vieri, ganhou destaque na carreira pela primeira vez no Prato, da antiga Serie C2. Jogou duas temporadas na equipe biancoazzurra da Toscana e, na segunda delas, marcou 20 gols responsáveis para levar o clube aos play-offs de acesso a Serie C1, nos quais foi derrotada pela Alessandria. Após o bom desempenho, Maccarone trocou de clube, mas não mudou de cores ou de região. Continuaria vestindo azul e branco ao acertar com o Empoli, que estava na Serie B. Passou mais dois anos na Toscana, nos quais foi titular e artilheiro, com 30 gols. Big Mac acabou sendo um dos principais responsáveis, por levar a equipe azzurra para a elite do futebol italiano, em 2002.

Naquele mesmo ano, Maccarone faria sua estreia na seleção da Itália, credenciado pelo sucesso e excelente média de gols nas seleções sub-20 e sub-21. Na verdade, o atacante não foi convocado por Giovanni Trapattoni numa lista oficial e só estreou na Squadra Azzurra naquele março de 2002 graças a algumas lesões no elenco que enfrentaria a Inglaterra, em amistoso preparatório para a Copa do Mundo. Maccarone atuou pela sub-21 num dia e, no posterior, entraria em campo pela seleção principal no segundo tempo do jogo, com apenas 20 anos, sagrando-se como segundo jogador da história a atuar pela Itália sem ter jogado uma partida sequer na elite do campeonato de qualquer país. Sofreu o pênalti que daria a vitória a seu país e só foi convocado mais uma vez para defender a seleção.

A temporada de 2001-02 foi um verdadeiro sucesso para Big Mac, que se transferiu para o Middlesbrough na transferência mais cara da história do clube – 12,7 milhões de euros. Em Riverside, o atacante começou a demonstrar pela numa liga de primeira linha os atributos que lhe fizeram aparecer nas divisões inferiores do futebol italiano. Versátil (pode jogar em todas as posições do ataque), o italiano alia uma boa dose de velocidade e técnica com bom trabalho com a bola fora da área, sem esquecer do poder de definição com ambas as pernas. Em sua temporada de estreia na Premier League, Big Mac foi titular e artilheiro do time, com nove gols na liga inglesa. No ano seguinte, seu clube sagrou-se campeão da Copa da Liga Inglesa, mas o piemontês sofreu uma lesão séria e jogou menos partidas. Ao fim da temporada, estava de volta a Itália, emprestado pelo Boro ao Parma.

Na Emilia-Romagna, Maccarone fracassou novamente. Como reserva de Alberto Gilardino, fez apenas sete partidas sem marcar gols por uma equipe que lutava contra o rebaixamento. Em janeiro, foi repassado pela equipe inglesa ao Siena, equipe pela qual seria ídolo anos depois. Em seis meses vestindo bianconero, marcou seis gols em 17 partidas, ajudando a equipe a alcançar a salvezza a nove minutos do fim da última rodada. Big Mac ganhou uma nova chance em Riverside, embora fosse a quarta opção de ataque, em favor de Viduka, Yakubu e Hasselbaink.

Mesmo ocupando uma posição desprivilegiada, Big Mac foi decisivo na campanha dos Teesiders no vice-campeonato da Copa da Uefa. Primeiro, marcou o gol que classificou a equipe vermelha e branca nas quartas-de-final contra o Basel. Depois, fez algo ainda mais impressionante: na partida de volta das semifinais, o Boro sofreu dois gols do Steaua Bucareste e precisava de quatro para se classificar. Na segunda etapa, o atacante italiano entrou em campo e foi autor de uma doppietta, com direito ao gol da classificação a dois minutos do fim do jogo. Mesmo com crédito junto a torcida, Maccarone continuou esquentando o banco do Riverside Stadium na temporada seguinte, marcada por seu retorno a seu país de origem ainda em janeiro. Sem qualquer custo, acertou com o Siena, onde está até hoje.

Em sua segunda passagem pela equipe do Artemio Franchi, Maccarone conseguiu exatamente o que não teve desde que deixou a Itália: a titularidade absoluta. Disputou 11 partidas nos primeiros meses vestindo branco e preto, além de deixar sua marca na dramática partida contra a Lazio, que selou mais uma salvezza apenas nos últimos minutos da última rodada. Na temporada seguinte, Big Mac passou por grande fase e foi o principal jogador do time, com 13 gols marcados para assegurar mais uma sobrevida bianconera na Serie A. Na última temporada, o atacante não fez grande campeonato, mas o Siena salvou-se com certa tranquilidade.

Na temporada atual, o Siena parece passar por fase de recuperação e promete esquentar a briga contra o rebaixamento e Maccarone certamente será importante, já que é um dos principais marcadores desta edição do campeonato italiano, com dez gols. Por causa de seu sobrenome alimentício, digamos, Maccarone muitas vezes não é levado a sério pelos brasileiros que acompanham a Serie A. Porém, tem mostrado durante sua carreira ser um jogador capaz de decidir uma partida em apenas um lance. Big Mac é um dos melhores finalizadores da Serie A e faz seus gols quase sempre de uma maneira característica: do limite da grande área ou até mesmo um pouco mais de longe, ele corta o marcador e ajeita para a perna direita, batendo na bola com força e precisão. Desde então, o atacante coleciona golaços, como contra Palermo, Udinese e Inter. Contra a Inter, aliás, Maccarone fez uma de suas melhores exibições deste ano e somou dois gols para sua conta. Uma atuação que, se repetida mais algumas vezes, pode ser suficiente para sagrar-se herói da equipe toscana pela quinta vez em sua carreira.

Massimo Maccarone
Nascimento: 6 de setembro de 1979, em Galliate.
Posição: atacante.
Clubes: Milan (1997-98), Modena (1998), Prato (1998-99), Varese (1999), Prato (1999-2000), Empoli (2000-02), Midlesbrough (2002-04 e 2005-07), Parma (2004-2005) e Siena (2005 e desde 2007).
Seleção italiana: 2 jogos.

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