Copa do Mundo

Pílulas da Copa do Mundo

A Holanda de Sneijder está a um passo da final e o interista pode ganhar a Bola de Ouro Fifa (Getty Images)
Com as atenções voltadas para a Copa do Mundo e com a precoce eliminação italiana da competição, é natural que o ritmo de postagens no Quattro Tratti caia um pouco até o fim do Mundial. Ao final da Copa, no próximo domingo, traremos uma compilação com uma avaliação do desempenho de cada jogador que atua na Itália e participou da Copa do Mundo da África do Sul. Por enquanto, seguem algumas pílulas sobre a competição.
Wesley Sneijder
O fantasista da Inter é o principal jogador da Holanda nesta Copa e já é apontado – ao lado de David Villa – como o principal concorrente de Lionel Messi para o prêmio de melhor jogador do mundo. As glórias conquistadas na grande temporada com a Inter, na qual foi uma das referências do time que levantou a Tríplice Coroa, com oito gols marcados, seis assistências na Liga dos Campeões e outras muitas na Serie A, ainda não findaram.

Sneijder é um dos poucos craques que brilharam durante 2009-10 e mantém o alto nível na África do Sul: se boa parte dos grandes jogadores não fizeram a diferença para suas seleções, a campanha da Holanda tem sua marca. Com Arjen Robben indisponível no início da Copa, o interista decidiu os primeiros jogos para sua seleção e, mesmo após a volta do ponta do Bayern de Munique, continua sendo o principal jogador holandês no torneio: fez os gols decisivos contra Eslováquia e Brasil, é um dos vice-artilheiros da Copa (com quatro gols) e já foi eleito como melhor em campo por três vezes no torneio.

Caso leve a Holanda ao título mundial e alcance um feito que três fantásticas gerações da Oranje – a de Johan Cruyff e Johan Neeskens; a de Marco van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard; e a de Dennis Bergkamp, dos irmãos De Boer e van der Sar – não conseguiram, Sneijder entra em outro patamar na história do futebol de seu país. Com o fracasso da Argentina de Messi e com a consagração com seu clube, já é taxado como favorito ao primeiro prêmio unificado entre Fifa e France Football de melhor jogador do mundo, que será concedido no dia 10 de janeiro de 2011: o Bola de Ouro Fifa.

Felipe Melo, Kaká e Júlio César
Dentre os jogadores com alguma ligação com a Itália, Felipe Melo, Kaká e Julio Cesar foram os brasileiros que mais tiveram algum destaque -mais negativo que positivo – nesta Copa do Mundo. O juventino Felipe Melo não fez um torneio péssimo, mas, assim como Fabio Cannavaro, falhou em três gols sofridos por sua seleção: deixou Didier Drogba livre no gol de honra da Costa do Marfim e falhou em dois cruzamentos pelo alto que originaram os gols da Holanda na derrota que eliminou o Brasil. Se, no primeiro tempo, tinha achado Robinho entre os zagueiros laranjas com um lindo lançamento rasteiro, que deu origem ao gol que abriu o placar, deu vexame na segunda etapa, ao pisar Robben e ganhar um cartão vermelho típico de seu destempero – não é à toa que, na Itália, Felipe é conhecido como Felipe “Meno” (menos, em tradução literal), por ocasionalmente deixar seu time com um jogador a menos.

O ex-milanista Kaká não chegou bem na Copa do Mundo. Também encontra-se numa fase difícil e parece ter trocado de papel com Sneijder. Enquanto o holandês passou por maus bocados no Real Madrid e, após sua transferência para a Inter, é apontado como um dos grandes meio-campistas do futebol mundial, o brasileiro deixou Milão rumo a uma experiência fracassada de um ano em Chamartín. A Gazzetta dello Sport, em artigo, traz um paralelo interessante sobre a situação dos dois meias. Irá José Mourinho recuperar o futebol de Kaká, como fez com Sneijder?

Júlio César, por sua vez, não foi muito exigido durante toda a Copa do Mundo. Afinal, o sistema defensivo “italiano” – à exceção de Michel Bastos – sempre foi considerado como um dos melhores da atualidade no futebol de seleções. No entanto, sua falha no gol de empate holandês não foi incomum para o Júlio César da temporada 2009-10: mesmo com os títulos da Inter, o goleiro não realizou temporada incostante pela Beneamata. Fechou a temporada em alta, mas contrastou grandes defesas com falhas bobas em momentos importantes, como em uma das partidas decisivas da temporada, contra a Roma. Sinal de stress?

Argentina

Assim como aconteceu com a seleção brasileira, a eliminação da Argentina evidenciou todas as falhas cometidas pelo técnico Diego Armando Maradona no comando da seleção albiceleste, desde a convocação do grupo que iria para a África do Sul até algumas escolhas dentre os 23 escolhidos. Na fraca defesa, a perda de Walter Samuel por lesão foi significativa e mostrou que a ótima temporada de Nicolás Burdisso pela Roma não foi suficiente para que El Padroncito se tornasse uma opção do mesmo nível que The Wall. Na lateral-direita, as péssimas exibições de Jonás Gutiérrez e Nicolás Otamendi já eram esperadas e demonstraram o peso da ausência de Javier Zanetti na convocação de Maradona. Se o capitão nerazzurro, ótimo defensor, ocupasse a posição, provavelmente seria mais difícil que três dos quatro gols da Alemanha nas quartas-de-final fossem originados por aquele setor.

Além disso, as subidas de Zanetti poderiam ajudar a preencher uma lacuna no meio-campo da seleção argentina, que, quando Juan Sebastián Verón não estava em campo, perdia em toque de bola, já que Ángel di María e Máxi Rodríguez são jogadores muito verticais e não é o forte de Javier Mascherano cadenciar o jogo. Assim, o excluído Esteban Cambiasso, que sabe trabalhar com a bola nos pés, poderia ajudar a cumprir esta função, e também seria útil para proteger melhor a região em frente à defesa. Poderia ainda jogar improvisado como zagueiro, função que desempenhou com maestria na Inter de José Mourinho. Porém, Maradona acreditava que um time voltado apenas para o ataque seria suficiente para vencer uma Copa do Mundo. Não é.

Quanto ao ataque albiceleste, menos condenável foi a opção por Gonzalo Higuaín como titular, na vaga que poderia ser ocupada por um Diego Milito em grande fase. Mais jovem, o atacante do Real Madrid também realizou boa temporada no Real Madrid e sempre contou com a confiança do técnico, enquanto Milito entrou no grupo formado por Don Diego apenas no meio das Eliminatórias sul-americanas para a Copa. Apesar dos quatro gols marcados, Higuaín não fez grande competição: três de seus gols foram contra a Coreia do Sul, na única partida em que jogou realmente bem. No restante da competição, perdeu um caminhão de gols na estreia contra a Nigéria e fez partidas apagadas contra México e Alemanha. Milito, em fase tão exuberante, teve apenas dez minutos de futebol contra a Nigéria e uma partida como titular contra a Grécia, ocasião na qual a Argentina pouco estava interessada em construir um resultado expressivo. Muito poucas chances para um atacante que decidiu tudo para a Inter nesta temporada e que dificilmente jogará outra Copa do Mundo: em 2014, terá 35 anos.

Por outro lado, no que diz respeito aos jogadores que atuam na Itália, Maradona merece crédito por dar chances a Javier Pastore, do Palermo, que saiu do banco e atuou em três partidas do Mundial. Cancha importante para um jogador que, se confirmar o brilhante futuro que está construindo em La Favorita, deve ser titular da seleção argentina por muitos anos.

Edinson Cavani e Fernando Muslera

Na ótima campanha uruguaia, Edinson Cavani é apenas um figurante. O atacante do Palermo ganhou a posição de Ignacio Gonzalez na segunda rodada da Copa e, a partir de então, a Celeste Olímpica passou a jogar bem. Porém, não porque o atacante nascido na cidade de Salto tenha revolucionado a forma de jogar do time, mas porque o técnico Óscar Tabárez recuou Diego Forlán e o descobriu como trequartista nato e consolidou ainda mais a importância do atacante do Atlético de Madrid no time. O ótimo desempenho de Luis Suárez, parceiro de ataque, também contribui para o ofuscamento de Cavani, que, tímido, acertou apenas três chutes nos gols adversários e tem se destacado mais por ajudar a equipe uruguaia na ocupação de espaços e atribuições defensivas. Com a suspensão de seu companheiro de ataque por um toque de mão que evitou um gol de Gana, Cavani pode assumir o comando do ataque e espera marcar seu primeiro gol no Mundial, contra a defesa da Holanda. Atualmente, após duas boas temporadas no Palermo, o atacante está valorizado e, com a Copa do Mundo em curso, está decidindo seu futuro: negocia com Tottenham, Wolfsburg e Inter.

Entre os outros uruguaios que atuam na Serie A e estão no elenco de Tabárez para a Copa (além de Cavani, fazem parte do grupo Martín Cáceres, Walter Gargano e Fernando Muslera), apenas o goleiro Muslera é titular, confirmando a má safra de goleiros do país sul-americano. Irregular, o goleiro da Lazio foi uma das surpresas da primeira fase, ao superá-la sem sofrer gols, mas a partir da fase eliminatória, mostrou duas de suas facetas, conhecidas para quem acompanhou as últimas temporadas dos aquilotti: a insegurança e, paradoxalmente, o bom desempenho nos momentos decisivos. Nas oitavas-de-final, Muslera falhou ao tentar interceptar um cruzamento no gol de empate da Coreia do Sul, e, nas quartas, aceitou um chute de Sulley Muntari, à longa distância, no gol que abriu o placar para Gana. Porém, nos pênaltis, parou duas cobranças de jogadores ganenses e garantiu a classificação do Uruguai para as semifinais, 40 anos depois de sua última participação nesta fase.

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