Serie A

13ª rodada: Menos arbitragem, mais futebol

Quando Toni e Aquilani voltam a jogar futebol, significa que tudo está de vento em popa. É este cenário improvável que vive a Fiorentina treinada por Montella (Sky)

O apelo do título é mais do que direto. Enquanto Inter e Juventus discutem resquícios do Calciopoli e perturbam os ânimos da Itália, com brigas históricas, a Fiorentina faz o que todos querem ver: joga um bom futebol. Terceira colocada na tabela, a equipe de Vincenzo Montella tem feito o que dela já se esperava, mas com personagens desacreditados. Desde Pizarro, que vinha em má fase e se reencontrou, a Toni e Aquilani, que estavam mal há pelo menos três temporadas – o primeiro praticamente já estava encerrando a carreira, e agora já tem quatro gols no campeonato. O futebol bem jogado, sim, faz bem ao futebol italiano. A luta por uma arbitragem melhor também, desde que legítima e sem cair em antagonismos pouco produtivos. Acompanhe o resumo da rodada.

Fiorentina 4-1 Atalanta
13 jogos, 8 vitórias, 3 empates, 2 derrotas e 27 pontos. Esse é o retrospecto da Fiorentina de Vicenzo Montella. A “hipnotizante” viola não perde há 7 jogos, sendo que venceu os últimos 5 confrontos – números que se repetiram pela última vez apenas quando Cesare Prandelli treinava a equipe. Não bastasse, ainda tem a segunda melhor defesa do campeonato (10 gols sofridos), atrás somente da líder Juventus – da qual tem 5 pontos de diferença -, e o quarto melhor ataque, com 23 gols marcados. Em Florença, mesmo sem Jovetic, a equipe teve uma atuação irretocável – exceto pelo gol sofrido, em falha da defesa – sobre uma irregular Atalanta, que vinha melhorando.

Aparentemente recuperado de seu último problema físico, Aquilani foi o principal destaque da goleada, com dois gols (um em uma bela cobrança de falta) e uma assistência para Toni anotar seu 4º gol na temporada. Destacaram-se também Gonzalo Rodríguez, autor do primeiro gol, o montenegrino Savic, que “roubou” a titularidade do sérvio Tomovic, Borja Valero, com mais uma assistência (a 5ª na Serie A), e Pasqual, soberano sobre Schelotto e Raimondi. Agora, a equipe toscana irá até o Piemonte enfrentar o Torino, confronto complicado pelo estilo de jogo da equipe de Gian Piero Ventura e seu aplicado 4-2-4. A Atalanta, que vinha numa sequência de 4 vitórias em 5 jogos, receberá o cada vez mais decadente Genoa, que, além da derrota no dérbi, não vence há 9 jogos e perdeu 6 confrontos consecutivos. (Arthur Barcelos)

Juventus 0-0 Lazio
Como na temporada passada, Juve e Lazio fizeram jogo muito disputado em Turim. Dessa vez, porém, Del Piero não estava em campo, para furar o bloqueio laziale em ótima cobrança de falta, e o placar não saiu do 0 a 0. De resto, foi tudo muito parecido. Os donos da casa pressionaram bastante desde o início da partida, mas esbarraram em boas defesas de Marchetti e na falta de pontaria dos atacantes. No fim do jogo, a Velha Senhora somava 16 chutes a gol (a maioria sem perigo), contra apenas três da Lazio.

Pogba, que substituiu Pirlo, fez mais uma boa partida e a ausência do maestro não pesou. Do lado direito do campo, porém, Isla foi muito mal no lugar de Lichtsteiner e comprometeu as investidas do time por ali. Quando Pepe entrou, no segundo tempo, as coisas melhoraram. No ataque, Giovinco mostrou (mais uma vez) que não é o goleador que a Juve precisa e Quagliarella não conseguiu manter o bom momento. Do lado da Lazio, destaca-se a ótima disciplina tática e poder de marcação. Petkovic agradece. Com o empate, a Juve permanece líder, quatro pontos à frente da Inter, e a Lazio continua na quinta posição. (Rodrigo Antonelli)


Inter 2-2 Cagliari

Um erro absurdo da arbitragem no final do jogo (pênalti não marcado sobre Ranocchia) não pode esconder o fato de que a Inter foi mal contra o Cagliari, em pleno Meazza. Desordem tática, erros infantis na defesa (cometidos principalmente pelo brasileiro Juan), e demora na leitura do jogo, por parte de Stramaccioni, são alguns dos motivos do tropeço interista frente aos sardos. O time da casa saiu na frente, com boa cabeçada de Palacio, mas depois o Cagliari ganhou o meio-campo e pressionou. Handanovic trabalhou muito, fez duas boas defesas, mas não conseguiu evitar o empate e a virada, com dois gols de Sau.

Depois de sofrer a virada, a Inter foi para frente de maneira desordenada. Um gol muito fácil perdido por Milito, praticamente debaixo das traves, quando a partida estava empatada em 1 a 1, parece ter baixado o moral da equipe. Depois da chance desperdiçada e da virada sofrida, Agazzi fez excelentes defesas, e só não esperava que Astori marcasse um gol contra bobo, cortando um cruzamento que iria para suas mãos. Na próxima semana, a Inter visita o Parma, enquanto o Cagliari recebe o Napoli.


Napoli 2-2 Milan

Um duelo que colocava frente a frente duas grandes promessas do futebol italiano. Enquanto Insigne, do Napoli, ainda não explodiu, de fato, o milanista El Shaarawy começa a comprovar toda a aposta que a direção rossonera fez nele. Depois de marcar seu primeiro gol pela Squadra Azzurra no jogo ante a França, na quarta-feira, salvou o Milan da derrota, com dois gols, em um jogo que poderia deixar o Napoli ainda mais perto da Juventus. Porém, enquanto o atacante cumpria seu papel e se isolava na artilharia do campeonato, com 10 gols, Abbiati comprometeu a partida. O arqueiro falhou no primeiro gol da equipe sulista, marcado por Inler logo nos minutos iniciais (e há quem credite falha sua no segundo, marcado por Insigne) e Galliani, das tribunas não perdoou. Soltou o verbo (“goleiro de m…”) contra o goleiro justamente na semana que mesmo após ter elogiado o camisa 32, admitiu já pensar em outros goleiros para a meta do clube de Milão, entre eles, Perin, do Pescara.

A reação do Milan, a bem da verdade, foi possível porque o Napoli não matou o jogo. No primeiro tempo, após erro de Constant, Insigne poderia ter feito o terceiro, mas preferiu tocar (mal) para Cavani. Quando o jogo estava 2 a 1, Hamsík chutou para fora a bola que poderia definir o placar. Mas não dá para tirar os méritos do Milan. Apesar de ainda estar longe da parte de cima, a equipe vem tendo atuações melhores nos últimos jogos, dando esperanças de crescimento para sua torcida. Agora, o rubro-negro vai para um importantíssimo duelo na Champions League, quando o Milan visita o Anderlecht para tentar sacramentar a classificação. (Caio Delagiustina)

Sampdoria 3-1 Genoa

Quando entraram em campo, na última partida do domingo, Sampdoria e Genoa ocupavam, respectivamente, a penúltima e a última posições da tabela. Do lado da mandante, sete derrotas seguidas. Do outro, nove jogos sem vencer. Ou seja, quem perdesse, se afundaria de vez. E foi o que aconteceu com o Genoa. No início, a Samp tinha uma organização tática melhor, porém era o Genoa que chegava com mais perigo. Mas uma falha do sistema defensivo genoano pôs tudo a perder aos 16 minutos, quando Maresca tentou um chute de fora da área e a bola parou em Poli, que, completamente livre na área, marcou o primeiro gol doriano. Em nova falha defensiva rossoblù, Icardi puxou contra-ataque pela direita e chutou. Frey defendeu parcialmente, mas o lateral Bovo não conseguiu parar e acabou desviando uma bola simples para o fundo do gol. A Samp, com Icardi e Munari, poderia ter aberto 4 a 0 ainda no primeiro tempo.

Com uma postura diferente na volta do vestiário, o Grifone tomou conta do jogo no segundo tempo. Acuou a Samp em praticamente todo tempo, até que chegou ao gol aos 27 minutos, quando Immobile ficou com uma bola mal afastada pela defesa blucerchiata após chute mascado de Vargas. A partir daí, a pressão aumentou ainda mais, mas o golpe de misericórdia da Samp veio aos 43, quando Tissone fez excelente lançamento para Icardi, que bateu na saída de Frey e liquidou a partida. Foi o primeiro gol do jovem, estreante na Serie A. Com o resultado, o Genoa caiu para a lanterna, e a Samp, com o reencontro com as vitórias, subiu quatro posições, ficando no meio da tabela. (Thiéres Rabelo)


Roma 2-0 Torino

Sem brilhantismo, a Roma bateu o Torino, em um jogo muito morno, que fechou a rodada da Serie A nesta segunda. Depois da derrota no dérbi, e sem contar com De Rossi, os romanos se recuperaram bem e, pela primeira vez no ano, saíram de campo sem sofrer gols. Pudera: enfrentaram o Torino, que tem um estilo de jogo ofensivo, mas pouco conclusivo. No entanto, os romanos tiveram dificuldades contra a forte defesa turinense e só conseguiram abrir o placar graças a um pênalti muito mal marcado pelo árbitro de linha, que estava a menos de três metros do lance e errou.

Após a penalidade sofrida por Marquinho, convertida por Osvaldo, o jogo acabou ficando ainda mais lento. Gian Piero Ventura, técnico do Toro, acabou expulso por reclamação, e a equipe perdeu o norte dentro de campo. A Roma ainda marcou o segundo, depois que um chute de Pjanic acabou desviado para as redes, mas foi só. Na próxima rodada, o Torino recebe a forte Fiorentina, enquanto Zdenek Zeman retornará a Pescara, no confronto da sua Roma contra a equipe que levou à Serie A.


Udinese 2-2 Parma

O Parma arrancou um empate de 2 a 2 no fim da partida contra a Udinese, no Friuli. Sem seis jogadores afastados por lesão (Benatia, Pinzi, Gabriel Silva, Willians, Lazzari e Muriel), além de Danilo, suspenso, o técnico Francesco Guidolin estava longe de ter uma equipe forte para o confronto. No entanto, o retrospecto bancava a vitória bianconera: o Parma só tinha vencido a Udinese no Friuli uma vez, na década. Di Natale abriu a contagem com um bonito gol: após lançamento de Domizzi, o capitão dominou e encobriu Mirante. Brkic, ainda no primeiro tempo, salvou a Udinese numa forte cabeçada de Amauri.

Na etapa final, logo no começo, um redivivo Marchionni empatou. Na sequência, Mirante deu rebote em finalização de Basta e Pereyra estufou a rede, fazendo o segundo para a Udinese. Aos 35 minutos, Palladino entrou no lugar de Sansone para mudar o panorama da partida. Num gol bem parecido com o de Di Natale, o atacante do Parma definiu o resultado final no Friuli. Na próxima rodada, a Udinese tenta se reestabelecer no campeonato ao confrontar a Lazio, em Roma; por sua vez, o Parma joga em casa contra a Inter. (Murillo Moret)

Bologna 3-0 Palermo
O Bologna comprovou o que havíamos dito na crônica da última rodada e mostrou que realmente não tem um time tão fraco como a tabela nos faz querer acreditar. Diante do Palermo, a defesa funcionou mais uma vez e o ataque voltou a marcar, mesmo que dois dos três gols tenham sido de pênalti. O jogo foi bastante quente e, além dos dois pênaltis, oito cartões amarelos e quatro vermelhos foram mostrados (Taïder, do Bologna, e Ujkani, Barreto e Labrín, do Palermo, foram os expulsos). Recorde na temporada europeia até o momento.

Gilardino abriu o placar com um lindo chute de fora da área e chegou a seis gols nessa Serie A. Vale lembrar que Gila já passou dos 150 tentos na história da competição e, atrás de Totti e Di Natale, é o jogador que mais vezes marcou, entre aqueles ainda em atividade. Ainda na primeira etapa, o árbitro viu mão na bola de Donati e assinalou pênalti que Gabbiadini cobrou e ampliou. Também de pênalti, dessa vez sofrido por Gilardino, Diamanti fechou o placar no início da segunda etapa. Apesar da vitória, o Bologna respirou um pouco, mas não ficou longe da zona de descenso. Também com 11 pontos, mas logo atrás, vêm o próprio Palermo, Chievo e Pescara. (Anderson Moura)

Catania 2-1 Chievo

Há pouco a dizer sobre Catania e Chievo que não fuja do óbvio. Se, por um lado, o Chievo continua com problemas ofensivos e só ameaçou no final, quando perdia por 2 a 0, acertando a trave com Pellissier e marcando com Andreolli, o Catania mantém o ritmo da última temporada. Sétimo colocado, o time siciliano mantém o estilo de jogo de quando Montella era o técnico, e tem colhido os frutos. Um protagonista pouco falado é o novo técnico, Rolando Maran, que vem fazendo bom trabalho, preservando o melhor da equipe.

Neste domingo, a força do Catania no meio-campo apareceu na vitória. Lodi jogou bem, mais uma vez, e Almirón marcou os dois gols da vitória, dedicados a um filho que irá nascer nos próximos meses. Uma partida com pouco esforço, mas bom resultado, o que é, sem dúvidas, muito positivo na semana do dérbi siciliano, ante um Palermo desesperado, que estará cheio de desfalques. Já o Chievo enfrenta o Siena, em um jogo de equipes ameaçadas pelo rebaixamento.

Siena 1-0 Pescara

No jogo dos desesperados, o Siena conseguiu manter sua recuperação (eram quatro pontos em dois jogos) e conquistou mais três importantes pontos pela salvezza. A vitória contra um rival direto aproximou os bianconeri da saída da zona de rebaixamento, que agora está apenas um ponto distante. Do outro lado, a derrota culminou no pedido de demissão do técnico Stroppa, que acumulou oito derrotas em 13 partidas à frente do Pescara. O favorito para assumir o cargo é Franco Colomba, ex-treinador do Parma.

Os visitantes começaram o jogo em ritmo forte e surpreenderam o Siena, que parecia não esperar pela pressão. A tática funcionou nos primeiros minutos e o gol estava mais próximo do Pescara. Perto dos 20 minutos, contudo, os donos da casa conseguiram se equilibrar e ter o jogo nas mãos. Defendendo bem, aproveitava-se de contra-ataques para assustas o adversário. Aos 31 minutos, deu certo e Valiani fez o único gol do jogo. Em vantagem, o Siena melhorou e viu o goleiro Perin fazer boas defesas para evitar um placar maior. No fim da primeira etapa, o Pescara ainda teve chance de empatar, em cobrança de pênalti, mas não aproveitou: Pegolo rebateu cobrança de Vukusic. (RA)

Relembre a 12ª rodada aqui

Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Marchetti (Lazio); Konko (Lazio), Sorensen (Bologna), Rodríguez (Fiorentina), Morleo (Bologna); Nainggolan (Cagliari), Aquilani (Fiorentina), Poli (Sampdoria); El Shaarawy (Milan), Gilardino (Bologna), Sau (Cagliari). Técnico: Vincenzo Montella (Fiorentina).

1 comentário

  • Seria muito bom para o calcio que a Fiorentina levasse este scudetto. Para o clube e para a Itália.

    Estou muito feliz com a viola. Um futebol vistoso, sóbrio. Um elenco variado, aliando jovens e experientes. Grandes jogadores e um técnico excelente!

    De quebra, o clube vai bem. As finanças estão entre as mais saudáveis dos grandes times italianos (e mesmo da Europa).

    Até o final do ano deve anunciar a construção de um novo estádio em Firenze. Forza Viola!

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