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Serie B: entre surpresas e decepções

Lanciano, líder da segundona, surpreende no campeonato (Virtus Magazine)

Não é só a Roma de Rudi Garcia que vem surpreendendo na Itália. O time da capital segue soberano na Serie A, mas a segundona do futebol italiano também tem reservado surpresas neste começo. Um quarto da temporada já se passou e agora trazemos um review do que de melhor, ou pior, aconteceu em mais uma emocionante e disputada Serie B.

Lanciano
O líder da Serie B é o (quase)
novato Virtus Lanciano. O time rossonero da região do Abruzzo, fundado em 1919 e
refundado em 1997, passou por maus bocados até a chegada da família Maio, em
2008. Quase rebaixado para a quarta divisão, Franco Maio, empresário notório no
ramo de reciclagem, comprou o clube e passou o comando para seus filhos. Quem está à frente é a bela Valentina, como presidente, enquanto Guglielmo é diretor-executivo. Foram
duas temporadas lutando pela salvezza na terceirona, até que em 2011-12 veio a
promoção inédita para a segunda divisão.
Na temporada de estreia na
segundona, o clube não teve uma campanha boa (9v, 21e, 12d), contudo o
suficiente para manter uma vantagem de cinco pontos para o Vicenza, primeiro na
zona de rebaixamento. Mais estabilizado financeiramente hoje, o time não fez um
grande calciomercato para a temporada 2013-14 (segundo o Transfermarkt, é o
quinto time de menor valor de mercado), mas com Marco Baroni, ex-treinador da
Primavera de Siena e Juventus, buscou uma fórmula que tem dado resultado na
Serie B: uma combinação certa entre experiência (Troest, Amenta,
Mammarella, Di Cecco e Plasmati) e a juventude de jovens jogadores emprestados por outros clubes, como Sepe (Napoli), De Col (Verona), Minotti (Atalanta), Gatto (Atalanta),
Casarini (Bologna), Büchel (Juventus), Thiam (Inter) e Falcinelli (Sassuolo).
Em 11 jogos, os rossoneri ainda
não sabem o que é perder (e se contarmos a última Serie B, são 17 jogos de
invencibilidade): foram 7 vitórias e 4 empates, com 25 pontos conquistados em 33
possíveis. O time de Baroni não tem muita criatividade e nem dá show como o
Livorno da última temporada, mas é eficiente como o Verona, com 14 gols
marcados, mas apenas 5 sofridos (a melhor defesa). O time do ex-companheiro de
Antonio Conte é mais um adepto do 4-3-3, que marca por zona, compacta bem atrás
e tem uma transição ofensiva rápida. Para se ter ideia, o time do Abruzzo só
teve o domínio da posse de bola em apenas três ocasiões, contra Cesena, Ternana
e Padova. Outro destaque é a bola parada, que tem como principal nome o
lateral-esquerdo Mammarella, responsável direto por sete gols – ele é o jogador com
maior número de assistências na B. O artilheiro do time é o zagueiro Amenta.
Empoli
Logo atrás da surpresa do
campeonato vem o já veterano Empoli. O acesso do clube toscano bateu na trave na última
temporada, quando o time perdeu para o Livorno no play-off, mas a esquadra toscana segue determinada a voltar
para a Serie A, que não disputa desde a temporada 2007-08. O time comandado por
Maurizio Sarri segue praticamente o mesmo da última temporada, com exceção dos
jovens Riccardo Saponara (Milan), Vasco Regini (Sampdoria) e Daniele Mori
(Novara).
O módulo continua o 4-3-1-2,
emulando por vezes um 4-3-2-1, e a equipe também tem uma mistura entre veteranos (Bassi, Moro, Croce, Tavano e Maccarone) e jovens (Laurini, Tonelli, Rugani, Hisaj, Pucciarelli,
Verdi, Barba, Signorelli e Mch’edlidze). Os azzurri lideraram o campeonato até a sexta
rodada, e agora estão a dois pontos atrás do Lanciano. São 23 pontos
conquistados por meio de 7 vitórias e 2 empates, com 2 derrotas. O time tem o
terceiro melhor ataque (18 gols), a segunda melhor defesa (8) e o melhor saldo
(+10). A perspectiva do Empoli é que siga em cima da tabela, mas o equilíbrio e
a duração do campeonato podem pesar.
Cesena e Avellino
Logo atrás do Empoli vêm Cesena e
Avellino, ambos com 21 pontos. O time da Emília-Romanha teve uma temporada
difícil em 2012-13 (12v, 14e, 16d) após o rebaixamento na Serie A, mas o bom
início em 2013-14 motiva os “cavalos-marinhos” a sonharem com a promoção de categoria.
Agora sob o comando de Pierpaolo Bisoli, de passagens por Cagliari, Bologna e no
próprio clube (entre 2008 e 2010), os emilianos colecionam 6 vitórias, 3 empates
e 2 derrotas, com 16 gols a favor e 9 contra (terceira melhor defesa, junto ao
novato Latina). Entre 4-3-3, 4-3-1-2 e 3-5-2, o time tem como destaques os
veteranos Succi, De Feudis e Campagnolo e os jovens Defrel, D’Alessandro e Garritano.
Com campanha semelhante (6v, 3e,
2d), mas saldo pior (14 gols marcados e 10 sofridos), o Avellino busca reeditar
o Verona. O clube da Campânia é conhecido dos que acompanhavam o futebol italiano na
década de 80, quando ficou na Serie A por 10 anos (entre 1978 e 1988), sempre
com campanhas intermediárias, e até surpreendendo em duas temporadas com a
oitava colocação (1981-82 e 1986-87). Depois de muitos problemas
financeiros, o clube finalmente conseguiu retornar para a Serie B ao ganhar a Lega
Pro Prima Divisione e vem surpreendendo até aqui, mesmo tendo o elenco de menor
valor de mercado. O time treinado por Massimo Rastelli joga
no 3-5-2 e tem como destaque a revelação Zappacosta (em co-propriedade com
a Atalanta), os veteranos Schiavon, Castaldo e D’Angelo e os
emprestados Galabinov (Livorno) e Terracciano (Catania).
Palermo, Siena e Pescara
Times de maiores folhas salariais
e recém-rebaixados da Serie A, Palermo, Siena e Pescara vêm decepcionando no
campeonato. Mesmo com mais recursos financeiros e melhor estrutura, os clubes
não correspondem às expectativas e hoje ocupam, respectivamente, a 6ª, a 13ª e a 16ª
posição na tabela.

O time siciliano, que já não conta com Gennaro Gattuso,
demitido por Maurizio Zamparini na sexta rodada (após 2 vitórias, 1 empate e 3
derrotas, num mal sucedido 4-2-3-1), hoje conta com o bom Giuseppe Iachini.
Por sinal, desde a mudança no comando, os rosanero venceram três e empataram
outras duas, o que permitiu a ascensão na tabela. Dada a qualidade do elenco, que é mais
caro, inclusive, que os de Torino, Livorno, Verona e Chievo, da Serie A, a perspectiva é que
siga crescendo e brigue pelo título.

O Siena, por sua vez, não faz
exatamente uma campanha desastrosa, com 4 vitórias, 5 empates e 2 derrotas,
além de 22 gols marcados (melhor ataque) e 16 sofridos (quinta pior defesa), o
que deveria lhe dar 17 pontos, um a menos que o Palermo. Porém, o time da Toscana foi mais uma vez
penalizado pela FIGC, agora em 5 pontos, por problemas com o imposto de renda,
previdência social e salários não pagos. Hoje comandado por Mario Beretta, de
passagem pelo clube toscano entre 2006 e 2008, joga no 4-3-3 e vem contando com
boas atuações dos já conhecidos Rosina, Paolucci, D’Agostino, Giacomazzi, Vergassola e Pulzetti, além do jovem Giannetti.
Com 11 pontos, 2 vitórias, 5
empates, 4 derrotas, 15 gols pró e 15 contra vem o decepcionante Pescara. Nas
mãos de Pasquale Marino, o clube do Adriático começou bem o campeonato com um 3
a 0 em casa sobre a Juve Stabia, porém não venceu mais até a última rodada,
voltando a conquistar três pontos ao bater a Reggina por 3 a 2 fora de casa.
Primeiro com um 4-3-3, e hoje no 3-4-3, o time de Marino não vem rendendo aquilo
que se esperava, mesmo com bons jogadores, a exemplo de Mascara, Maniero, Pelizzoli e Ragusa, e jovens promessas como Viviani, Vukusic, Politano, Piscitella, Frascatore, Capuano, Brugman e Zuparic.
Seleção da Serie B (até a 11ª rodada)
Sepe (Lanciano); Laurini (Empoli), Troest (Lanciano), Rugani (Empoli), Mammarella (Lanciano); Mazzarani
(Modena), Valdifiori (Empoli), Rosina (Siena); Hernández (Palermo), Pavoletti
(Varese), Antenucci (Ternana). Técnico: Baroni (Lanciano)
Perfil tático da Serie B
4-3-3 (7 – Lanciano, Cesena, Crotone,
Siena, Novara, Ternana, Bari)
3-5-2 (7- Avellino, Modena, Brescia,
Latina, Cittadella, Reggina, Juve Stabia)
4-4-2 (5 – Spezia, Varese,
Trapani, Carpi, Padova)
4-3-1-2 (2 – Empoli, Palermo)
3-4-3 (1 – Pescara)
Classificação da Serie B aqui

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