Copa do Mundo

Afinal, é a Itália

Ruiz marcou o gol costarriquenho (Reuters)

Falávamos após a primeira partida da
Itália nesta Copa do Mundo que era raro ver uma seleção italiana que
passasse com tranquilidade por uma fase de grupos do mundial. Pois
contra a Costa Rica, os azzurri trataram de voltar à sua tradição
e foram derrotados por 1 a 0, naquela que talvez foi sua pior
apresentação em anos recentes, seguramente a pior sob o comando de Prandelli. Costa Rica classificada e duas
seleções ainda vivas na briga pela última vaga: a italiana e a uruguaia.

Na última rodada, quando enfrenta o
Uruguai em Natal na próxima terça-feira, a Itália se classifica
com um simples empate, como segunda colocada do grupo. É
matematicamente possível, também, que a Nazionale termine em
primeiro lugar do grupo, com uma combinação de resultados que
elimine a diferença de três gols de saldo para a Costa Rica, que
enfrenta a Inglaterra também no dia 24. Em caso de derrota para os
uruguaios, a Itália estará eliminada na fase de grupos pela segunda
Copa consecutiva, fato que não acontece desde as copas de 1958 e
1966.
Prandelli efetuou três alterações no
time, em relação àquele que iniciou a partida contra a Inglaterra.
O capitão Buffon, em sua quinta Copa do Mundo (recorde histórico) retornou ao gol, no lugar de Sirigu, após ser
liberado pelo departamento médico. Um inseguro Paletta deu lugar a
Abate, tomando a lateral direita de Darmian, que passou à
lateral esquerda e devolveu Chiellini à zaga, ao lado do companheiro
de Juventus, Barzagli. No meio, Thiago Motta entrou no lugar de
Verratti, mas conseguiu produzir ainda menos do que o atleta do PSG.
O primeiro tempo teve dois jogos
distintos em seu decorrer. E em nenhum deles a Itália jogou melhor.
Aliás, até os 30 minutos, foi uma partida sofrível de ambos os
times, que praticamente não chutaram a gol. A implacável defesa
costarriquenha acuou a movimentação ofensiva da Itália, sem dar
espaços para Pirlo arquitetar o jogo.
Os dois únicos recursos utilizados
pelos comandados de Prandelli na primeira porção do jogo eram
lançamentos longos do camisa 21, buscando o isolado Balotelli, e
algumas raras movimentações individuais de Marchisio, pela
esquerda. A Costa Rica assustava com bolas paradas, aproveitando-se
da insegurança da modificada defesa italiana.
Foi a partir dos 30 que o jogo mudou
por completo, com um lance específico. Pirlo faz lançamento do
campo de defesa e encontrou Balotelli correndo em profundidade atrás
da zaga, cara a cara com Navas. O centroavante dominou perfeitamente
e tentou encobrir o goleiro, mas chutou mal, de canela, e a bola saiu
à direita. O mesmo Balotelli teve nova chance logo aos 32,
aproveitando novo lançamento de Pirlo, chutando livre da meia-lua da
área, mas parando em boa defesa de Navas.
A Costa Rica assustou os italianos na
sequência, quando o bom Bolaños chutou forte da entrada da área,
obrigando Buffon a fazer difícil defesa no canto esquerdo baixo, aos
35. A partida melhorou bastante, até que chegou ao ápice aos 42,
quando Campbell foi lançado em contra-ataque e sofreu pênalti claro
com um empurrão de assuntoso de Chiellini, pelas costas. Debaixo de
muitos protestos das arquibancadas, pela penalidade não marcada, veio o gol costarriquenho no
lance seguinte: Ruiz aproveitou cruzamento perfeito da esquerda e
cabeceou forte. A bola bateu no travessão, cruzou a linha da meta
claramente e saiu do gol após quicar.
Depois de instantes de “bate-boca”
entre os atletas dos dois times na saída para os vestiários, o
clima esquentou ainda mais na Arena Pernambuco. Prandelli optou por
lançar a Itália ao ataque no segundo tempo, substituindo, ainda no
intervalo, Thiago Motta – bastante apagado – por Cassano – igualmente
apagado durante o segundo tempo. Pouco após o início do segundo
tempo, aos 12, outro atacante entrou em campo, quando Insigne
substituiu Candreva. Neste ponto, os dois neo inseridos compuseram um
trio de ataque com um centralizado Balotelli, em um 4-3-3.
Começou, então, um massacre de ataque
contra defesa. Nos últimos 15 minutos de jogo, a Itália chegou a
ter 70% de posse de bola. A troca de passes dos homens de azul era
eficiente, beirando os 90% de acerto. Mas nada disso adiantou, já que os passes não entravam na área adversária. Ainda
aos 24, outro atacante entrou em campo para os azzurri, quando Cerci
substituiu Marchisio. Era o tudo ou nada de Prandelli. Mas que passou
longe de dar certo.
Bagunçada, a Itália não conseguiu
superar a forte linha de defesa da Costa Rica, praticamente
intransponível e que permitiu apenas quatro finalizações italianas
no segundo tempo. Sem conseguir criar nada, a Itália insistia nos
lançamentos longos para o ataque, mas que não foram problemas para
a bem postada zaga adversária, que colocou os italianos em condição
de impedimento incríveis 11 vezes em toda a partida. Além disso, a
própria Costa Rica esteve mais perto de marcar, em alguns
contra-ataques rápidos, mas a defesa italiana se safou. Hora de reavaliação para Prandelli.
Notas: Buffon 7.0, Abate 5.0, Chiellini
5.0, Barzagli 6.0, Darmian 5.5, De Rossi 5.0, Candreva 4.0, Thiago
Motta 3.0, Pirlo 6.5, Marchisio 7.0; Balotelli 4.0; Cassano 2.0,
Insigne 3.0, Cerci 3.0
Itália 0-1 Costa Rica
Local: Arena Pernambuco, Recife
Gol: Ruiz 43′
Itália (4-1-4-1): Buffon; Abate,
Chiellini, Barzagli, Darmian; De Rossi; Candreva (Insigne 57′),
Thiago Motta (Cassano, no intervalo), Pirlo, Marchisio (Cerci 69′);
Balotelli. T: Cesare Prandelli
Costa Rica (3-6-1): Navas; González,
Umaña, Duarte; Gamboa, Borges, Tejeda (Cubero 68′), Bolaños, Ruíz
(Brenes 81′), Díaz; Campbell (Ureña 74′). T: Jorge Luis Pinto

Árbitro: Enrique Osses (CHI)

1 comentário

  • A Italia foi horrorosa no 1º tempo. Sem saída de bola e com uma marcação forte do adversário(Bem diferente do primeiro jogo). A equipe ficou submissa as jogadas magicas de A. Pirlo.

    Prandelli tinha que mexer. Mas não daquele jeito(Na minha opinião). Colocaria Verratti ou Insigne(recuando Marchisio a 2º volante) no lugar de T. Motta e manteria o maestro no seu devido lugar, como meia de armação e não como 2º volante, função que ele não faz tão bem, pois necessita de mais velocidade. Principalmente contra uma retranca daquela. BELO TEXTO!

    ACORDA PRANDELLI E FORZA AZZURRA!

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