Brasileiros no calcio

Edinho, capitão da Udinese nos tempos de Zico

Brasileiro de sucesso no futebol carioca e que aceitou o desafio de jogar e fazer história pela modesta Udinese. É inevitável que num primeiro momento o nome de Zico venha à mente, porém, um ano antes de o camisa 10 flamenguista ser contratado pelos bianconeri, outro jogador desembarcava no Friuli para ser o segundo brasileiro da história da equipe de Údine. Ambiciosa, a pequena Udinese fechava com Edinho, zagueiro que já tinha duas Copas do Mundo no currículo e que seria um dos grandes responsáveis por, hoje, a Udinese ser um dos times da Itália mais identificados com o futebol verde e amarelo.

Edinho começou sua carreira no Fluminense, clube pelo qual marcou época, como integrante da Máquina Tricolor, no final da década de 1970. Mesmo jovem e não muito alto (apenas 1,80m), tinha um vigor físico invejável e uma qualidade para jogar acima da média para um defensor. Ganhou destaque no clube carioca por suas arrancadas que armavam os contra ataques da equipe e viveu cinco anos de ouro pela equipe das Laranjeiras. Pelo Flu, seu maior destaque foi no título do Campeonato Carioca de 1980, quando marcou o gol da vitória em uma de suas especialidades: as cobranças de falta.

Em pouco tempo consolidou seu espaço também na seleção brasileira, jogando as Copas do Mundo de 1978 e 1982 – além da Copa de 1986, quando já era veterano. Com 27 anos, duas Copas do Mundo na bagagem e muita experiência, surgiu a oportunidade de atuar na Europa. A proposta porém, não parecia ser das mais atrativas: era a Udinese que se interessava por ele. Uma equipe que perambulava por divisões inferiores e que havia vivido apenas algumas boas colocações na elite na década de 1950. Após a reabertura do mercado estrangeiro para o futebol italiano no início da década de 1980, Edinho se tornaria o segundo brasileiro a vestir a camisa bianconera na história – o primeiro foi o lateral direito Orlando Lelé, que marcou época por América-RJ e Vasco e que passou por Údine entre 1981 e 1982.

As zebrette disputariam a quarta temporada consecutiva na Serie A, depois de 18 anos de ausência. Em meio ao escândalo Totonero, que desmoralizou o futebol na Bota, os clubes italianos buscavam recuperar o prestígio junto a torcida e para isso, a Udinese apostou na contratação de um jogador consagrado na América do Sul e que, com seu estilo de jogo, não deveria ter dificuldade de se adaptar ao futebol italiano.

E não teve. Comandado por Enzo Ferrari, em sua primeira temporada, Edinho foi peça fundamental para que a Udinese ficasse com a sexta colocação, a segunda melhor da história, até então. A defesa era o grande forte daquela equipe, que não sofreu gols em 11 dos 30 jogos da Serie A. Edinho, por sinal, atuou em todas as partidas.

O brasileiro foi o destaque e artilheiro da equipe na temporada: fez 25% dos gols em 1982-83: oito de 32. Na Serie A, a média é ainda superior: se a equipe friulana fez apenas 25 gols, sete deles foram de Edinho; boa parte deles de pênalti, já que ele era o cobrador oficial do time – as cobranças de faltas também estavam em seu repertório. Assim, o brasileiro balançou as redes mais vezes que jogadores com gabarito, como Franco Causio, Ivica Surjak e Pietro Paolo Virdis.

No ano seguinte, os friulanos trouxeram outro ex-integrante da seleção de 1982, mas com muito mais fama que Edinho. A contratação de Zico pela Udinese é até hoje considerada um feito que consagrou o Galinho como o maior jogador da história bianconera – saiba mais aqui.

Falcão e Edinho: estrelas de seus times na Serie A (revoluciomnibus.com)

Depois de rivais no Rio, Zico e Edinho jogaram juntos por duas temporadas na Itália, antes do retorno do Galinho ao Flamengo. No primeiro ano da parceria, Zico obviamente se converteu na estrela da equipe, e “roubou” do compatriota o posto de artilheiro da Udinese. Em uma temporada farta de emoções, a Udinese – ainda dirigida por Ferrari – mudou completamente seu estilo de jogo e se tornou um time que fazia e sofria muitos gols. Em 1983-84, Edinho anotou seis gols – também fez dois contra, e foi pilar da terceira pior defesa do campeonato. O futebol ofensivo por pouco não levou a equipe à Copa Uefa: quatro pontos separaram os friulanos da Inter, quinta colocada. O ano seguinte, o da despedida de Zico, foi mais difícil e a Udinese chegou a flertar com o rebaixamento.

Capitão, Edinho permaneceu no Friuli por mais dois anos, e viveu uma realidade mais dura, na qual a Udinese apenas brigava para não cair. Continuou sendo titular e o maior nome da defesa, e chegou a marcar uma rara tripletta, na Coppa Italia diante da Reggiana, em 1985-86. Neste período, foi treinado pelo brasileiro Luís Vinício e pelo ex-jogador Giancarlo De Sisti, mas a equipe não engrenava.

No último ano, atuou com jogadores importantes, como Marco Branca, Francesco Graziani, Fulvio Collovati e Daniel Bertoni, mas foi rebaixado. Outro escândalo de manipulação de resultados atingiu o futebol italiano, na temporada 1986-87, e a Udinese foi penalizada em nove pontos, o suficiente para ser rebaixada. Então, o zagueiro voltou ao Brasil para atuar por Flamengo, Fluminense e Grêmio, antes de se aposentar e trabalhar como treinador, sem repetir o mesmo sucesso dentro de campo. Edinho também se arrisca como comentarista dos canais Globosat.

Apesar de toda a fama do camisa 10, Edinho não é esquecido no Friuli. Com a camisa bianconera, foram 138 jogos e 22 gols. Não ganhou títulos mas, ao lado de Zico, ajudou a elevar o patamar da equipe, que passou a ser conhecida no Brasil. Desde então, Údine é um destino de muitos jogadores brasileiros, como Amoroso, Warley, Barreto, Danilo, Allan e tantos outros.

Veja todos os gols de Edinho na Itália e dance uma lambada

Edino Nazareth Filho, o Edinho
Nascimento: 5 de junho de 1955, no Rio de Janeiro
Posição: Zagueiro
Clubes em que atuou: Fluminense (1975-82 e 1988-89), Udinese (1982-1987), Flamengo (1987-88) e Grêmio (1989-90)
Títulos conquistados: Campeonato Carioca (1975, 1976, 1980), Taça Guanabara (1975 e 1988), Troféu Teresa Herrera (1977), Campeonato Gaúcho (1989 e 1990), Campeonato Brasileiro (1987), Copa do Brasil (1989), Supercopa do Brasil (1990), Jogos Pan Americanos (1975)
Clubes como treinador: Fluminense (1991, 1993 e 1998), Botafogo (1992), Marítimo-POR (1993-94), Flamengo (1994-95), Vitória (1996 e 2003), Portuguesa (1997 e 2006), Grêmio (1998), Goiás (2002), Bahia (2003), Brasiliense (2004-05), Atlético-PR (2005), Sport (2005), Boavista (2009), Joinville (2010) e Americana (2010-11)
Seleção brasileira: 59 jogos e 3 gols

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