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Os 10 maiores europeus orientais do futebol italiano

O futebol das repúblicas socialistas do Leste Europeu sempre foi sinônimo de destaque mundial. Seu maior expoente foi a Hungria, que primeiro chegou à final da Copa de 1938, e depois a seleção de Ferenc Puskás, que brilhou no Mundial de 1954. Outro exemplo decantado é a União Soviética campeã da Olímpiada de 1956 e da primeira Eurocopa, em 1960, com o mítico Lev Yashin no gol. Tivemos outras equipes sensacionais dos próprios magiares e soviéticos, mas também a Checoslováquia vice-campeã mundial duas vezes, em 1934 e 1962, e vencedora da Euro, em 1976; a Polônia das décadas de 1970 e 1980; a sensacional geração da Iugoslávia, em 1990; e, mais recentemente, grandes times de Croácia, Bulgária, Romênia e República Checa.

Boa parte dos jogadores desses times históricos, protagonistas ou coadjuvantes, passaram pelo futebol italiano com destaque. Alguns chegaram a marcar época, como os que elencamos em nosso ranking. Porém, antes de passar à lista, precisamos contextualizar as relações existentes entre o futebol da Itália e o do Leste Europeu, bem como as questões que envolvem os povos de ambas as regiões.

Um pouco de geopolítica e futebol
Dois dos países mais ricos da Europa tem grande relação com os países da Europa Oriental: por questões geográficas, de pura vizinhança, Alemanha e Itália absorvem traços da cultura de países do leste do continente. No caso italiano, algumas partes atuais do país já pertenceram à Iugoslávia. É o caso da região do Friuli-Venezia Giulia, que compreende cidades importantes como Údine e Trieste, esteve dividida entre iugoslavos e austríacos. Ao mesmo tempo, em outro período histórico, a Itália foi dona de partes da Eslovênia e da Croácia, países fronteiriços atualmente. Além destas nações do leste, o Belpaese também faz
fronteira marítima com Montenegro e Albânia, que também fazem parte dos Bálcãs.

A ligação italiana com a região dos Bálcãs é enorme e histórica. Algo que vem desde a Antiguidade Clássica e o Império de Alexandre, o Grande, macedônio que chegou a dominar um pedaço do sul da Itália, e depois com o Império Romano, que invadiu boa parte dos estados balcânicos. Não é à toa que nos países da Europa Oriental, até hoje diversas construções dos romanos seguem de pé, e costumes ligados a práticas religiosas são compartilhados.

Com o passar dos anos e as guerras e mudanças territoriais que atingiram as conturbadas regiões das penínsulas Itálica e Balcânica, o intercâmbio continuou. Hoje, as maiores comunidades de imigrantes na Bota são formadas por romenos e albaneses, e outros cinco países (Ucrânia, Moldávia, Polônia, Macedônia e Bulgária) estão entre os 20 povos que mais emigraram para a Itália.

Futebolisticamente, as relações entre as regiões também são antigas. Se dizia que as equipes do Leste Europeu eram acostumadas a jogar um futebol bastante ofensivo, de muito toque de bola e objetividade, principalmente no ataque, no esquema 2-3-5, chamado de pirâmide inglesa. Algo que contrastava com o futebol predominantemente tático praticado na Itália, que era mais cauteloso e prezava pelo domínio do jogo no meio-campo e contra-ataques, no método WW, espécie de 4-3-3 à moda antiga introduzido por Vittorio Pozzo. Eram as duas escolas que mais brilhavam na Europa à época.

Desde o final dos anos 1920, se jogava a Copa Mitropa, predecessora e inspiração para a Copa dos Campeões. Nela, participavam times da chamada Europa Central: Itália, Checoslováquia, Áustria, Hungria, Iugoslávia e também equipes de Suíça e Romênia, de vez em quando. Apesar da força econômica do futebol italiano, o talento das equipes da parte oriental da Europa se sobressaía. Antes da II Guerra Mundial, o domínio era de clubes da Hungria.

Valentino Mazzola, durante um jogo contra a Hungria (EPA)

No futebol de seleções, porém, a história era diferente. Em seus dois primeiros títulos mundiais, a histórica Itália treinada por Pozzo e comandada por Giuseppe Meazza, venceu na final duas seleções da Europa Oriental. Em 1934, a vitória na final foi pelo placar de 2 a 1 sobre a extinta Checoslováquia. Quatro anos depois, conquista sobre a Hungria do goleador Gyula Zsengellér, por 4 a 2.

Em termos de clubes, mesmo depois da perda de prestígio da Copa Mitropa (ou Copa da Europa Central) – na metade da década de 1950, com a criação da já citada grande competição de clubes da Uefa –, eram os clubes do leste que dominavam. Apenas no ocaso do torneio, nos anos 1980 e 1990, os italianos detiveram a primazia no torneio, que teve última edição em 1992.

No catenaccio que tomava conta da Itália nos anos 1960, foram poucos os jogadores que conseguiram espaço na Serie A. A questão estilística das escolas fazia com que o número de atletas do leste não fosse alto. Porém, o fato é que foram as questões políticas inerentes à Guerra Fria e de restrições no número de estrangeiros do mercado italiano que fizeram o número de grandes jogadores das repúblicas socialistas que jogaram na Serie A ter sido menor do que poderia. Apenas com a queda da Cortina de Ferro, nos anos 1980, é que a quantidade deles aumentou nos gramados da Itália.

Aumentou bastante, diga-se. Hoje, a Croácia é o país do Leste que mais cedeu jogadores ao Campeonato Italiano: 59, ao todo. Em seguida vem a Sérvia, com 56 – os países ocupam a sexta e a sétima posições no ranking de número de estrangeiros que já jogaram na Serie A. Entre as 20 nacionalidades mais representadas no geral, destacam-se, ainda, outros países da região, como Romênia, Hungria e República Checa.

Influência direta no futebol italiano
A região do Friuli-Venezia Giulia é uma das mais litigiosas da Itália, como citamos. Lá se falam o italiano e dialetos regionais, mas também alemão, esloveno e croata. Ao mesmo tempo, a riqueza cultural ajuda que ela e suas regiões adjacentes, outrora pertencentes à Itália, seja das mais frutíferas no futebol do país.

Para começar, a tradicional Triestina, vem de Trieste, cidade que já foi disputada pela Itália e pela antiga república socialista, no século passado, e é a única equipe “estrangeira” a já ter jogado a Serie A. Em Trieste, nasceram, também, Cesare Maldini e Nereo Rocco, ídolos do Milan, e Giuseppe Grezar e Giorgio Ferrini, ícones do Torino. Ali perto, em Gorizia, nasceu Edoardo Reja, técnico que fez sucesso por Napoli e Lazio nos anos 2000.

Um pouco mais distante, na cidade de Fiume (conhecida atualmente como Rijeka), na  Croácia, nasceram futebolistas importantes. Gente como Giovanni Varglien, campeão mundial com a Itália em 1934, Antonio Vojak, um dos grandes artilheiros da história do Napoli, Rodolfo Volk, goleador da Roma, e Ezio Loik, meia importante do Grande Torino. Todos os citados, no entanto, são considerados italianos, apesar de suas origens em terras que vez ou outra foram de outros países.

O checo Zeman, um dos técnicos mais ofensivos que o futebol italiano já teve (Giornalettismo)

Além de todos os friulanos e julianos citados, outros personagens com origem da Europa Oriental tiveram muita influência no futebol italiano. Um deles é o zagueiro Pietro Vierchowod, filho de um ex-militar ucraniano, que combateu pelo Exército Vermelho soviético. O Zar marcou época nas décadas de 1980 e 1990, ganhou tudo o que podia e ainda atuou em três Copas do Mundo.

Outro que merece ser citado é Zdeněk Zeman, treinador checo naturalizado italiano. Zeman introduziu na Itália um futebol ofensivíssimo, que até hoje é visto de forma revolucionária. Seu tio, Čestmír Vycpálek, também foi treinador, e chegou a ganhar títulos com a Juventus.

Vale lembrar ainda que a Itália, como outros países do mundo, também teve forte presença de técnicos húngaros entre os anos 1920 e 1960. Tidos como grandes taticistas, os magiares eram muito procurados por equipes em todo o planeta, e todos os times grandes italianos tiveram ao menos um técnico húngaro – na verdade, foram vários. Na Itália, os que mais se destacaram foram Béla Guttmann, Árpád Weisz, Nándor Hidegkuti, Lajos Czeizler, Alfréd Schaffer e József Viola.

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe, desempenho por seleções nacionais e prêmios individuais. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

Observação: nenhum dos jogadores citados na introdução foi considerado para a nossa lista. Afinal, consideramos apenas jogadores tidos como estrangeiros, e os citados tinham cidadania italiana e defenderam a Itália em nível de seleção.

Top 50 Europeus do Leste na Itália

11. Cristian Chivu; 12. Srečko Katanec; 13. Alen Bokšić; 14. Vladimir Jugović; 15. Samir Handanovič; 16. Gheorghe Hagi; 17. Hristo Stoichkov; 18. Goran Pandev; 19. Adrian Mutu; 20. Marek Jankulovski; 21. Igor Kolyvanov; 22. Kakhaber Kaladze;  23. Igor Shalimov; 24. Naim Krieziu; 25. Dan Petrescu; 26. Oleksandr Zavarov; 27. Mirko Vučinić; 28. Stevan Jovetić; 29. Ștefan Radu; 30. Lajos Détári; 31. Senad Lulić; 32. Karel Poborský; 33. Tomáš Ujfaluši; 34. Florin Răducioiu; 35. Miralem Pjanić; 36. Igli Tare; 37. Darko Kovačević; 38. Sergei Aleinikov; 39. Dragan Stojković; 40. Predrag Mijatović; 41. Mateo Kovačić; 42. Oleksiy Mykhaylychenko; 43. Darko Pančev; 44. Robert Jarni; 45. Gyula Zsengellér; 46. Gheorghe Popescu; 47. Hasan Salihamidžić; 48. Haris Škoro; 49. Ivan Jurić; 50. Luboš Kubík.

10º – Tomáš Skuhravý

Posição: atacante
Clube em que atuou na Itália: Genoa (1990-96)
Títulos: nenhum
Prêmios individuais: Jogador checoslovaco do ano (1991)

Depois de ter sido vice-artilheiro da Copa de 1990, realizada na Itália, Skuhravý continuou sua vida em solo italiano. O jogador checoslovaco – que, a partir de 1992, assumiu a nacionalidade checa, com a divisão do país – foi contratado pelo Genoa logo após o Mundial e foi um dos grandes destaques da equipe na primeira metade da década de 90. Atacante de muita força, presença de área e forte no jogo aéreo, foi utilizado como uma das principais armas do time genovês e, em 163 partidas pela Serie A, com 57 gols, é o maior artilheiro da equipe na história da competição.

Skuhravý marcava gols de todas as formas, e não obstante parecesse gordinho, era bastante ágil – inclusive, ficou conhecido pelas cabriolas que dava nas comemorações dos gols. Na temporada 1990-91, que deu ao Grifone a classificação à Copa Uefa, foi o artilheiro do time, com 15 gols, ao lado do uruguaio Carlos Aguilera, que anotou sete deles de pênalti. Na disputa da Copa Uefa, o forte atacante do Leste Europeu fez apenas dois gols, mas ambos fundamentais: o primeiro deles foi contra o Oviedo, aos 89 minutos de jogo, e definiu a classificação dos rossoblù na primeira fase da competição. Com pouca história nos dérbis contra a Sampdoria, o checo se livrou de um incômodo em seu último clássico, quando marcou um gol de pênalti na vitória por 3 a 1 contra os rivais. Após a aposentadoria, o atacante chegou a viver na região de Gênova, mostrando sua ligação com o clube e a Itália.

9º – Dejan Savićević

Posição: meia-atacante
Clube em que atuou na Itália: Milan (1992-98)
Títulos: Liga dos Campeões (1994), Supercopa Europeia (1994), Serie A (1993, 1994 e 1996) e Supercopa Italiana (1992, 1993 e 1994)
Prêmios individuais: nenhum

Nos seis anos em que defendeu o Milan, Savićević foi importantíssimo no San Siro. Sucessor legítimo do trio holandês formado por Frank Rijkaard, Ruud Gullit e Marco van Basten, Savićević herdou o trono que lhe era de direito. Muito habilidoso, ele era responsável pela criação e apoiava bastante os finalizadores, o que lhe rendeu 34 gols em 144 partidas pela agremiação rossonera. O meia-atacante cansou de erguer troféus pelo Milan: abocanhou três Serie A, três Supercopas italianas, uma Liga dos Campeões e uma Supercopa europeia.

Foi em Milão que o craque da antiga Iugoslávia viveu a fase mais gloriosa de sua carreira. Já consagrado por uma passagem vitoriosa pelo Estrela Vermelha – pelo qual foi campeão europeu e mundial; também sido eleito como o segundo melhor jogador do continente, em 1991 –, Savićević chegou como reforço para o time de Fabio Capello por 10 bilhões de liras. Na primeira temporada, como reserva, viu a equipe cair na final da Liga dos Campeões frente ao Olympique Marseille, mas foi campeão italiano. No ano seguinte, ele não foi protagonista durante toda a campanha, mas brilhou demais na final da Liga dos Campeões contra o Barcelona. Na ocasião, Savićević marcou um gol por cobertura e ainda deu uma assistência para Daniele Massaro. Individualmente, o montenegrino teve as duas melhores temporadas entre 1994 e 1996, quando marcou 15 gols, somando as duas temporadas. O último dos tentos anotados pelo Diavolo aconteceu em janeiro de 1998, em dérbi contra a Inter. A partida, válida pelas quartas de final da Coppa Italia, acabou com um histórico 5 a 0 a favor dos rossoneri.

8º – Marek Hamšík

Posição: meio-campista
Clubes em que atuou na Itália: Brescia (2004-07) e Napoli (2007-hoje)
Títulos: Coppa Italia (2012 e 2014) e Supercopa Italiana (2014)
Prêmios individuais: Jogador eslovaco do ano (2009, 2010, 2013 e 2014), Melhor jogador jovem da Serie A (2008) e Seleção da Serie A (2011)

Em toda a história do Napoli, apenas três jogadores estrangeiros – sem contar três oriundi – foram capitães do Napoli. Diego Armando Maradona, Roberto Ayala e Marek Hamšík. Só isto já poderia fazer do eslovaco um dos maiores jogadores da história napolitana, mas Marekiaro é mais do que isto. Em quase oito anos vestindo azzurro, tem 343 jogos e 85 gols, consolidando-se entre os cinco que mais entraram em campo pelo Napoli (é o quarto) e entre os 10 maiores goleadores (é o sétimo). Por três temporadas consecutivas, de 2008 a 2010, foi o artilheiro da equipe, e nas outras marcou muitos gols e liderou o time nas assistências. Hamšík foi, também, o primeiro estrangeiro a ser eleito o melhor jogador jovem da Serie A.

O eslovaco chegou ao Napoli em 2007, depois de ter passado três anos no Brescia, que o contratou para integrar as categorias de base – Hamšík tinha apenas 17 anos. A estrela sempre foi grande: seu primeiro gol na Itália, ainda pelos brescianos, foi sobre o Milan. Já em Nápoles, anotou gols contra Juventus, Inter, Milan, Roma, Lazio e Fiorentina. Quase sempre em campo, mostrou ser um meia central completo. Desde que aportou na Campânia, Hamšík destilou seu repertório: preparo físico invejável (se lesiona muito pouco), muita movimentação e qualidade no passe, além de grande poder de inserir-se entre os marcadores e finalizar. Ao lado de Ezequiel Lavezzi e Edinson Cavani, fez parte do segundo melhor Napoli da história, o que devolveu ao clube a grandeza dos tempos de Maradona. Foi o único dos três tenores a ficar, e simboliza o momento da equipe: contratado juntamente a Lavezzi em 2007, quando os azzurri voltaram da segundona, é o maior ídolo da torcida, e nunca deixou o time mesmo tendo recebido ofertas.

7º – Zvonimir Boban

Posição: meio-campista
Clubes em que atuou na Itália: Bari (1991-92) e Milan (1992-2001)
Títulos: Liga dos Campeões (1994), Supercopa Europeia (1994), Serie A (1993, 1994, 1996 e 1999) e Supercopa Italiana (1993 e 1994)
Prêmios individuais: Jogador croata do ano (1991 e 1999)

Boban ficou bastante conhecido no panorama internacional por ser um jogador com posições políticas fortes. Engajado na causa da independência da Croácia em relação à antiga Iugoslávia, chegou a chutar um policial sérvio que agredia um torcedor, em um jogo pelo Dinamo Zagreb, foi suspenso e perdeu a Copa de 1990. Ficou satisfeito, ainda assim, por ter feito o que julgava correto. Na Itália, o meia continuou demonstrando a mesma personalidade e foi um dos grandes nomes do Milan nos anos 1990. Zorro, como ficou conhecido, trocou Zagreb pelo Milan, em 1991, mas os rossoneri emprestaram o jogador ao Bari, para que se ambientasse à Itália. Apesar de ter sofrido com uma hepatite e não ter conseguido salvar os galletti da queda, o croata fez boa dupla com David Platt e chamou a atenção da Itália.

No ano seguinte, foi incorporado de vez ao elenco rossonero e começou a ganhar títulos nos âmbitos nacional e continental. Inicialmente, o croata chegou a disputar posição com jogadores como Ruud Gullit, Dejan Savićević, Demetrio Albertini, Roberto Donadoni e Roberto Baggio, o que lhe tirava um pouco de espaço. Boban, no entanto, começou a aparecer mais no time titular a partir de meados de 1994, e entrou em campo na histórica final da Liga dos Campeões de 1994, frente ao Barcelona. Absoluto no meio-campo rossonero a partir de 1996-97, o classudo meia desfilava seu futebol, atuando como trequartista tanto no Milan quanto na melhor Croácia da história – que fez barulho na Euro 1996 e ficou com a terceira posição na Copa de 1998. A última conquista de Boban foi justamente aquela em que ele foi mais importante: no scudetto rossonero de 1999, era ele quem ditava o ritmo do time, mostrando habilidade e visão de jogo.

6º – István Nyers

Posição: meia-atacante
Clubes em que atuou na Itália: Inter (1948-54), Roma (1954-56), Lecco (1958-60) e Marzotto (1960-61)
Títulos: Serie A (1953 e 1954)
Prêmios individuais: nenhum

Quando se fala de jogadores húngaros, muita gente se lembra de Gyula Zsengellér, Lajos Détári, Flórián Albert, Sándos Kocsis, Nándor Hidegkuti, László Kubala e todos, claro, citam Ferenc Puskás. No entanto, outra grande estrela do futebol do país foi István Nyers, que atuou em quatro times italianos, mas teve sucesso mesmo na Inter. Atacante de flanco, o húngaro, ambidestro, preferia jogar pelo lado esquerdo, mas também atuava centralizado com alguma frequência. Habilidoso e muito bom finalizador tanto com as pernas quanto com a cabeça, nos seis anos em que jogou pela Internazionale, ele viveu seu auge: com 133 gols em 182 partidas, é o quarto maior artilheiro da história nerazzurra. Pudera: em quatro temporadas o Enfant Terrible marcou 110 vezes, sendo goleador da Serie A em 1949 e alternando entre a segunda e a terceira posições – assim como seu time no campeonato –, brigando com Gunnar Nordahl, do Milan, e John Hansen, da Juventus. Eram os três times que disputavam o primado do futebol italiano após o Desastre de Superga, que matou excelente geração do Torino em 1949.

O atacante magiar chegou ao San Siro de certa forma por causa de um personagem que se tornaria ícone do clube anos depois. Helenio Herrera, que montou a Grande Inter nos anos 1960, treinava o Stade Français, e era admirador do futebol de Nyers. Foram apenas dois anos em sua volta à França, onde nascera, e o atacante acabou chamando a atenção da Inter em um amistoso. Em Milão, Nyers atuou ao lado de jogadores importantes naquele período do clube nerazzurro, como o holandês Faas Wilkes e o italiano Amedeo Amadei, e principalmente com o sueco Lennart Skoglund e com o italiano Benito “Veleno” Lorenzi, com quem fez um dos trios mais dinâmicos e goleadores da história nerazzurra. O tridente foi o grande responsável por tirar o clube de uma fila de 13 anos sem Serie A, com o bicampeonato em 1953 e 1954. Naquela época, Nyers, que tinha quase 30 anos, marcava menos gols, mas era importante: após ser barrado por pedir um aumento de salário, voltou ao time titular no dérbi contra o Milan, e marcou os três da vitória por 3 a 0. Aliás, marcar sobre o Milan era sua especialidade: ao todo, foram 11 gols, o que lhe conferem o título de vice-artilheiro nerazzurro no confronto, e terceiro colocado geral. Depois de deixar a Inter, Nyers ainda teve dois anos dignos por uma Roma mediana – que chegou a ser terceira colocada em sua primeira temporada –, perambulou pela Espanha e voltou à Itália para jogar por Lecco e Marzotto, na Serie B.

5º – Zbigniew Boniek

Posição: meia-atacante
Clubes em que atuou na Itália: Juventus (1982-85) e Roma (1985-88)
Títulos: Copa dos Campeões (1985), Recopa Europeia (1984), Supercopa Europeia (1984), Serie A (1984) e Coppa Italia (1983 e 1986)
Prêmios individuais: Jogador polonês do ano (1982) e Inserido na lista Fifa 100

Os melhores jogadores do mundo passavam pela Itália nos anos 1980. E Boniek, principal nome da Polônia em três Copas do Mundo, não poderia deixar de jogar a Serie A. O meia-atacante ganhou seus principais títulos com a camisa da Juventus, mas é mais adorado pela torcida da Roma. Até hoje, por uma série de declarações públicas, juventinos desprezam o ex-jogador, que por sua vez parece mais doce ao falar da Roma. Fato é que, mesmo assim, pelo que deu à Juve, Boniek foi homenageado com uma estrela no Juventus Stadium – os 50 melhores jogadores da história bianconera receberam a honraria. Curiosamente, Zibi chegou a acertar com a Roma, em 1982, mas acabou assinando mesmo com a Juve. O primeiro polonês a atuar na Serie A já havia chamado a atenção da Juve alguns anos antes, quando o Widzew Łódź eliminou a Velha Senhora na Copa Uefa e o próprio atacante cobrou o pênalti decisivo.

Em Turim, chegou junto com Michel Platini, maior contratação do mercado, para jogar ao lado dos campeões do mundo Dino Zoff, Claudio Gentile, Antonio Cabrini, Gaetano Scirea, Franco Causio, Marco Tardelli e Paolo Rossi. Na primeira temporada, vice da Serie A (Roma campeã) e da Copa dos Campeões (deu Hamburgo), e título na Coppa Italia. Em seguida, o futebol técnico, de dedicação ao coletivo e de muitas arrancadas do polonês começou a dar mais resultados. Por causa de suas grandes exibições nos jogos de copas europeias, que usualmente aconteciam durante a noite, o polonês recebeu o apelido de Bello di notte (Belo da noite), dado pelo presidente do clube, Gianni Agnelli. Boniek, realmente, jogava bem nestes jogos: por exemplo, marcou o gol da vitória sobre o Porto na final da Recopa, em 1984, e sofreu pênalti na final da Copa dos Campeões vencida sobre o Liverpool, no trágico jogo disputado em Heysel. Após vencer quase tudo pela Juve – incluindo, aí, sua única Serie A –, passou à Roma, onde ficou mais três anos. Sua melhor temporada foi a primeira, na qual, comandado por Sven-Göran Eriksson, fez grande Serie A e ajudou os romanos a quase ultrapassarem a Juventus na tabela mesmo após estarem nove pontos atrás. Aposentou-se dois anos depois, jogando pela Roma, onde atuou como meia-atacante, volante e até como líbero.

4º – Siniša Mihajlović

Posição: zagueiro e volante
Clubes em que atuou na Itália: Roma (1992-94), Sampdoria (1994-98), Lazio (1998-2004) e Inter (2004-06)
Títulos: Recopa Europeia (1999), Supercopa Europeia (1999), Serie A (2000 e 2006), Coppa Italia (2000, 2004, 2005 e 2006) e Supercopa Italiana (1998, 2000 e 2005)
Prêmios individuais: Jogador sérvio do ano (1999) e Seleção da temporada European Sports Magazine (1999 e 2000)

Falou em cobranças de faltas, falou em Mihajlović. O canhoto sérvio, um dos maiores batedores de faltas da história do futebol, chegou ao futebol italiano depois de ter sido campeão europeu e mundial com o Estrela Vermelha. Logo após o título europeu, foi contratado pela Roma, clube pelo qual teve passagem discreta, atuando como volante. Em 1994, o jogador foi contratado pela Sampdoria e foi na equipe blucerchiata que conheceu o sucesso. Logo em sua primeira temporada, a Bomba de Borovo, como era chamado, teve sua posição alterada pelo técnico Vujadin Boškov e passou a atuar na lateral esquerda. Com a chegada de Sven-Göran Eriksson ao clube genovês, Miha teve sua posição alterada mais uma vez e virou zagueiro central, função na qual mais se destacou na carreira, atuando com a classe de quem tinha um pé esquerdo privilegiado.  Em quatro temporadas, o sérvio fez 110 jogos e marcou 20 gols pela Samp.

O bom desempenho pela equipe doriana e na Copa de 1998, pela seleção da antiga Iugoslávia, levou  Mihajlović à Lazio, levado por Eriksson. O jogador foi tão bem pela equipe biancoceleste que nem mesmo seu passado giallorosso atrapalhou a sua identificação com o clube de Formello. Foi no lado azul da capital que o sérvio encontrou a melhor fase da sua carreira. Ainda como zagueiro, dotado de uma ótima visão de jogo e de uma vontade inacabável, cobria bem os espaços e dificultava muito a vida dos atacantes. Depois, seus lançamentos longos eram uma arma a mais para os contra-ataques.  Sua potentíssima perna canhota lhe permitia marcar uma infinidade de gols de falta – ele chegou a marcar três vezes dessa forma em um único jogo, contra a Sampdoria. Em seis anos de Lazio, fez 33 gols em 133 partidas, venceu praticamente tudo o que pode e foi capitão em seus últimos dias de clube. O zagueiro ainda passou dois anos na Inter, para onde foi a convite do amigo Roberto Mancini – companheiro em Samp e Lazio. Ele foi reserva nos dois anos em Milão, mas marcou importantíssimos gols neste período. Conquistou mais três títulos e ampliou seu recorde: com 28 gols, ninguém fez mais gols de falta do que Mihajlović na história da Serie A.

3º – Dejan Stanković

Posição: meio-campista
Clubes em que atuou na Itália: Lazio (1998-2004) e Inter (2004-13)
Títulos: Liga dos Campeões (2010), Mundial de Clubes da Fifa (2001), Supercopa Europeia (1999), Recopa Europeia (1999), Serie A (2000, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010), Coppa Italia (2000, 2005, 2006, 2008, 2010 e 2011) e Supercopa Italiana (1998, 2000, 2005, 2006, 2008 e 2010)
Prêmios individuais: Jogador sérvio do ano (2006 e 2010) e Seleção da temporada European Sports Magazine (2007)

Stanković é, antes de tudo, um jogador com marcas pessoais invejadíssimas – sobretudo no futebol italiano. Muitos podem não vê-lo como um jogador importante, mas o sérvio, que se destacou com as camisas de Lazio e Inter, está no hall da fama como um dos estrangeiros mais vencedores na história do futebol da Bota. Entre os gringos, poucos o superam. Em termos de títulos de caráter nacional, Deki conquistou 17 títulos: seis Serie A, cinco Copas Itália e mais cinco Supercopas. Ninguém venceu mais Supercopas do que ele, e nenhum estrangeiro garantiu mais scudetti e títulos da copa. Em termos de Serie A, apenas Walter Samuel fica empatado (os dois, inclusive, estão entre os 20 maiores vencedores da competição), e falando de copa, é Goran Pandev quem se iguala – apenas Roberto Mancini, com seis títulos supera os dois. O meia ainda é um dos 10 estrangeiros com o maior número de jogos pela Serie A (368) e recordista de jogos com a Sérvia (103, somados ainda aos dos tempos de Iugoslávia e de Sérvia e Montenegro). Ufa!

O “drago” Stanković, porém, é muito mais do que números. Garoto prodígio, chegou na Lazio em 1998, por cerca de 10 milhões de euros. À época, a equipe capitolina montava um grande elenco, que viria a ser um dos melhores times da história laziale. Apesar do plantel estrelado, Stankovic conquistou o próprio espaço e marcou nove gols na temporada – inclusive, mostrando a que veio logo no debute, anotando gol contra o Vicenza. Em cinco anos e meio na equipe, Deki conquistou seus primeiros títulos no futebol italiano e rapidamente se converteu em um dos principais jogadores da equipe, principalmente após o time se desmantelar com a falência da Cirio, empresa de Sergio Cragnotti, proprietário do clube. Em janeiro de 2004, quase fechou com a Juventus, mas acertou com a Inter, na decisão que considera a mais acertada da carreira. Em Milão, ganhou tudo, e se transformou em um dos jogadores mais adorados pela torcida, por uma combinação de fatores: técnica acima da média, qualidade nos passes, muita raça e disposição e, principalmente, pelos golaços de fora da área, uma marca de sua carreira – Deki ainda tinha o hábito de marcar gols contra rivais, como Milan e Roma. Stanković foi titular da Inter por seis anos, e participou ativamente da campanha da Tríplice Coroa, em 2010, e depois perdeu espaço, pelos problemas físicos decorrentes da idade. Em seu melhor ano pela Beneamata, 2006-07, foi um dos melhores da posição no mundo, e principal nome da conquista do 15º scudetto interista.

2º – Andriy Shevchenko

Posição: atacante
Clube em que atuou na Itália: Milan (1999-2006 e 2008-09)
Títulos: Liga dos Campeões (2003), Supercopa Europeia (2003), Serie A (2004), Coppa Italia (2003) e Supercoppa Italiana (2004)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (2004), Jogador ucraniano do ano (1999, 2000, 2001, 2004 e 2005), artilheiro da Serie A (2000 e 2004), artilheiro da Liga dos Campeões (1999 e 2006), Melhor atacante da Europa (1999), Melhor jogador estrangeiro da Serie A (2000), Gol mais bonito da Serie A (2004), Seleção do ano da Uefa (2004 e 2005), Seleção do ano FifPro (2005) e Inserido na lista Fifa 100

Simplesmente Andriy Shevchenko. Um nome imponente, que faz jus ao que o torcedor milanista via em cada jogo do clube entre 1999 e 2006. Em sete anos, ninguém jogou ou fez tantos gols quanto o ucraniano na Itália. Sheva era um atacante com todos os requisitos necessários para brilhar e ser um monstro da grande área. Com sua genialidade, tornava seus ótimos companheiros de ataque meros coadjuvantes – gente como Hernán Crespo e Pippo Inzaghi, por exemplo. Shevchenko viveu seu auge em Milão, e conquistou neste período quase todos os títulos possíveis em nível de clubes. No nível individual, o principal prêmio foi a Bola de Ouro como melhor jogador em atividade na Europa, em 2004.

Ao todo, Shevchenko fez 322 partidas e 175 gols com a camisa rossonera, o que o coloca como o segundo maior artilheiro da história do clube, atrás apenas de Gunnar Nordahl. O ucraniano de Kiev também é o maior artilheiro do Derby d’Italia, com 14 gols – e foi justamente a Inter sua vítima preferida em seus tempos de Itália, o que justifica que os interistas tivessem pesadelos antes e depois dos clássicos, e que os milanistas o amassem ainda mais. Sheva guarda consigo ainda um retrospecto fenomenal: marcou mais de 10 gols por sete incríveis anos consecutivos, um feito para poucos. Nem mesmo a fraca segunda passagem pelo Milan, quando foi emprestado pelo Chelsea e fez apenas dois gols em um ano, apaga a brilhante carreira desenvolvida pelo atacante no futebol italiano.

1º – Pavel Nedvěd

Posição: meio-campista
Clubes em que atuou na Itália: Lazio (1996-2001) e Juventus (2001-09)
Títulos: Serie A (2000, 2002 e 2003), Coppa Italia (1998 e 2000), Supercopa Italiana (1998, 2000, 2002 e 2003), Recopa Europeia (1999) e Supercopa Europeia (1999), Serie B (2007)
Prêmios individuais: Bola de Ouro (2003), Golden Foot (2004), Bola de Ouro da República Tcheca (1998, 2000, 2001, 2003, 2004 e 2009), Melhor jogador checo do ano (1998, 2000, 2003 e 2004), Melhor jogador da Serie A (2003), Melhor estrangeiro da Serie A (2003), Melhor meio-campista em torneio Uefa (2003) e Jogador do ano pela revista World Soccer (2003)

Nenhum jogador do Leste Europeu jogou tanto – em tempo e qualidade – e se identificou com o futebol da Itália quanto Nedvěd. O checo chegou à Itália por obra de um compatriota, o técnico Zeman. Com isso, o Anjo Loiro chegou à Lazio após ter se destacado na Eurocopa de 1996 com a seleção de seu país. Nas cinco temporadas em que defendeu as cores da Lazio, Nedvěd foi sempre o grande motor do meio-campo, graças a sua aplicação tática, inteligência, seu potente chute de fora da área e seus gols importantes. O meia fez parte do melhor time da história da Lazio e foi peça importante para a conquista do segundo scudetto do clube, além de marcar gol na final da Recopa contra o Mallorca, que culminou no primeiro título europeu vencido por uma equipe romana. No total, Nedvěd fez mais de 200 partidas com a camisa biancoceleste, marcando 51 gols e vencendo sete títulos em apenas cinco anos.

Depois do sucesso em Roma, o jogador passou à Juventus, onde se tornou um dos gigantes do futebol mundial. Pudera, a Fúria Checa foi contratada para substituir Zinédine Zidane, vendido ao Real Madrid por preço recorde. Ele começou a render sob comando de Marcello Lippi em dezembro daquele ano, atuando como trequartista. Nedvěd conquistou dois campeonatos nacionais e ainda liderou, juntamente com Alessandro Del Piero, a campanha do vice da Liga dos Campeões de 2003 – suspenso, não jogou a final contra o Milan. Durante oito temporadas em Turim, Nedved não ficou conhecido somente por seus passes precisos, golaços de fora da área e condição física inesgotável: ele ganhou muitos pontos com os juventinos quando ficou no clube após o Calciopoli – pelo escândalo, além de jogar a segundona, Nedvěd teve dois scudetti apagados do vasto currículo. Ele foi ovacionado pela torcida em seu último jogo como profissional, contra a Lazio, em 2008-09. Hoje, depois de tanta identificação com os binaconeri, é membro do conselho administrativo da Juventus, e segue vencendo fora de campo.

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