Categorias de base

As revelações da Serie A 2016-17

Ano após ano, a Serie A quebra mitos e padrões. A temporada que acabou no último domingo enterrou de vez a ideia de que o Campeonato Italiano é retranqueiro, uma vez que a média de gols do torneio foi a maior desde 1950-51 e a mais polpuda entre as cinco grandes ligas europeias em 2016-17. Nesta década, os clubes do Belpaese também vem trabalhando para destruir os argumentos de quem considera o certame como o que tem times mais envelhecidos no continente.

Rejuvenescer os elencos é palavra de ordem na Velha Bota e, cada vez mais, jovens jogadores tem sido lançados mais cedo na Itália. Um bom termômetro para medir os impactos desta mudança de paradigma é o nosso especial com as revelações da Serie A: normalmente, escolhíamos 15 atletas que explodiram no campeonato ou que mostravam potencial para irem além. Desta vez, ampliamos o leque para 25 estrelas em formação, o que mostra como o espaço para as categorias de base é maior no país. Confira a lista.

>>> Saiba mais: as revelações da Serie A 2015-16

Thomas Strakosha

Idade: 22 anos (22 de março de 1995)
Posição: goleiro
Jogos (minutos): 21 (1954)
Clube: Lazio

Ser jogador de futebol está no DNA da família Strakosha: Thomas, goleiro da Lazio, tem um irmão atacante (Dhimitri) e é filho de Foto, ex-goleiro da Albânia nos anos 1990 e 2000. O arqueiro de 22 anos tem tudo para ser o mais brilhante do clã e superar os 73 jogos do pai pelas águias rubro-negras – em 2017, recebeu as duas primeiras convocações. Concorrente do atalantino Etrit Berisha na seleção, Strakosha vai pedindo passagem, pois já demonstrou crescer em grandes jogos e não temer os mais velhos.

Integrado ao elenco da Lazio após ser emprestado à Salernitana em 2015-16, Thomas ganhou espaço por causa de problemas físicos do titular Federico Marchetti e acabou ficando com a vaga no decorrer do ano. O goleiro estreou na fogueira diante do Milan, em San Siro, e, embora tenha demonstrado pouco amadurecimento, também fez ótimas defesas naquela partida. Reativo e muito frio, teve como pontos altos as atuações no dérbi romano do returno, vencido pela Lazio, e na final da Coppa Italia, ocasião em que evitou uma goleada da Juventus.

Pol Lirola

Idade: 19 anos (13 de agosto de 1997)
Posição: lateral direito
Jogos (minutos): 22 (1634)
Clube: Sassuolo (emprestado pela Juventus)

Saído das categorias de base do Espanyol, o catalão Pol Lirola foi observado ainda muito novo pela Juventus, que o levou a Turim para finalizar sua formação, em janeiro de 2015. Após fazer parte do elenco bianconero que faturou a tradicional Copa Viareggio, no ano seguinte, o lateral direito foi cedido ao Sassuolo em empréstimo bienal e logo se destacou.

Titular em parte da temporada, Lirola ganhou espaço no time de Eusebio Di Francesco pela velocidade, boa técnica e facilidade no apoio ao ataque: não à toa, o jogador que também atua como meio-campista teve personalidade para marcar um gol na Liga Europa, diante do Athletic Bilbao. Lirola já foi convocado para a seleção da Catalunha e para a Espanha sub-17, e nos próximos anos pode aparecer no escrete principal da Fúria.

Claud Adjapong

Idade: 19 anos (6 de maio de 1998)
Posição: lateral direito
Jogos (minutos): 9 (543)
Clube: Sassuolo

Adjapong é uma verdadeira cria da base do Sassuolo. Filho de ganeses e nascido na vizinha cidade de Módena, o jovem começou a fazer parte do vivaio neroverde a partir de 2013 e já no ano seguinte começou a disputar competições juvenis pelo clube. Nesta temporada, contribuiu para a primeira taça sassolesa da Copa Viareggio e até marcou um gol na final contra o Empoli: à época, já estava integrado ao plantel profissional e foi cedido ao time Primavera somente para a decisão.

Adjapong fez dois jogos pelo Campeonato Italiano em 2015-16 e conquistou mais espaço com o técnico Di Francesco na temporada seguinte, a ponto de balançar as redes na Serie A, em uma partida diante do Cagliari. Jogador de muita potência e habilidade, Claud atua em qualquer setor pelo lado direito do campo, mas prefere a lateral. Peça importante da seleção italiana sub-19, o jogador também já foi observado pelo técnico Gian Piero Ventura em um estágio de treinamentos da Nazionale.

Senna Miangue

Idade: 20 anos (5 de fevereiro de 1997)
Posição: lateral esquerdo
Jogos (minutos): 7 (278)
Clube: Cagliari (emprestado pela Inter)

Belga de origem congolesa, Miangue tem um pezinho no Brasil: foi batizado em homenagem a nosso Ayrton Senna. Filho do ex-jogador Boniface Miangue, Senna chegou à Inter aos 16 anos, depois que o clube nerazzurro venceu a concorrência de Arsenal e PSV Eindhoven. Alto (1,92m) e forte, o belga foi contratado como zagueiro, mas acabou transformado em lateral esquerdo por causa de sua velocidade e técnica refinada: foi aí que sua carreira deslanchou e ele passou a ser convocado para a seleção sub-19 de seu país, passando dois anos depois ao time sub-21.

Vencedor da Copa Viareggio em 2015 e da Coppa Italia Primavera em 2016, Miangue estreou profissionalmente sob as ordens de Frank De Boer e mostrou personalidade nos cinco jogos que realizou pela Inter – incluindo os minutos finais do clássico contra a Juve. Após três partidas na Serie A e duas na Liga Europa, foi cedido ao Cagliari e se tornou reserva do também jovem Nicola Murru: atuou em quatro partidas, sempre entrando no decorrer da peleja, mas continuou mostrando margem de crescimento.

Antonio Barreca

Idade: 22 anos (18 de março de 1995)
Posição: lateral esquerdo
Jogos (minutos): 28 (2498)
Clube: Torino

“Um dos grandes laterais esquerdos da Serie A 2016-17 atua pela equipe de Turim”. A frase cairia bem para o juventino Alex Sandro, mas também para o granata Antonio Barreca: titularíssimo do Torino, o jogador se destacou no campeonato pelas atuações regulares, pela qualidade no apoio e pela precisão nos cruzamentos. Nascido na capital do Piemonte e criado desde cedo nas categorias de base do do Toro, Barreca foi vice-campeão nacional da categoria Primavera e precisou passar um tempo emprestado (atuou por Cittadella e Cagliari) e estrear pela seleção italiana sub-21 antes de ser aproveitado por seu time de origem.

Sinisa Mihajlovic o integrou ao plantel profissional grená nesta temporada e Barreca rapidamente galgou degraus rumo a titularidade da equipe, colocando Cristian Molinaro e Danilo Avelar no banco – foi o sétimo mais utilizado pelo treinador em 2016-17. Reconhecido como um dos melhores italianos em sua função, o lateral já foi convocado para um período de treinos da Squadra Azzurra.

Mattia Caldara

Idade: 23 anos (5 de maio de 1994)
Posição: zagueiro
Jogos (minutos): 30 (2797)
Clube: Atalanta (emprestado pela Juventus)

Mattia Caldara é mais uma prova viva de como a Atalanta tem um dos principais centros de formação de jogadores do futebol mundial. O clube que revelou Gaetano Scirea, um dos grandes zagueiros da história, acertou em cheio novamente ao dar oportunidade a Caldara: o defensor central tem tudo para ser referência da posição nos próximos anos. Nascido em Bérgamo, o jogador chegou ainda garotinho à base nerazzurra e estreou profissionalmente no fim da temporada 2013-14. No entanto, seguiu o caminho de tantos jovens e foi emprestado para ganhar tutano na Serie B, com as camisas de Trapani e Cesena.

O zagueiro não chegou a impressionar muito neste período, mas o técnico Gian Piero Gasperini fez questão de tê-lo no elenco atalantino e surpreendeu ao alçá-lo ao time titular na 7ª rodada, no centro de sua zaga formada por três componentes. O motivo se faria notar: o jogador mostrou um senso de posicionamento muito apurado, além de ser excepcional nas roubadas de bola e melhor ainda no jogo aéreo, a ponto de ter anotado sete gols na Serie A. Pilar do time na melhor campanha de sua história, o zagueiro já atuou e marcou pela seleção italiana e está acertado com a Juventus, que o deixará emprestado à Dea até junho de 2018. Com Caldara, Daniele Rugani e Alessio Romagnoli, a Itália está bem servida no setor após a aposentadoria de Leonardo Bonucci.

Alessandro Bastoni

Idade: 18 anos (13 de abril de 1999)
Posição: zagueiro
Jogos (minutos): 3 (162)
Clube: Atalanta

A Atalanta já tem o substituto para quando Caldara deixar o clube, em 2018. Bastoni é um zagueiro com tipo físico e características técnicas muito similares ao titular nerazzurro em 2016-17 e já está sendo preparado por Gasperini para ganhar mais espaço na temporada seguinte. Filho do ex-jogador Nicola Bastoni, Alessandro viajava 250 km por dia, entre seus 11 e 16 anos, para poder comparecer ao CT de Zingonia. O defensor lombardo superou estas dificuldades, e nas competições de base, demonstrou determinação, personalidade, poder de marcação e bom posicionamento, além de verve goleadora – anotou um gol na final do Italiano sub-17, conquistado pela Atalanta, inclusive. Uma espécie de Caldara 2.0, mas que tem Thiago Silva como seu ídolo.

Bastoni é figurinha carimbada das seleções de base da Itália desde o sub-15 e, atualmente, é capitão dos azzurrini sub-18. Entre os profissionais, claro, a exigência é maior, mas o jogador impressionou quando foi exigido. Alessandro fez apenas três partidas na Serie A, mas foi muito elogiado em sua estreia: na ocasião, foi escalado como titular diante da Sampdoria e se destacou, com grande exibição e cortes decisivos para manter a vitória por 1 a 0. Na próxima temporada, deve dar continuidade a sua escalada.

Filippo Melegoni

Idade: 18 anos (18 de fevereiro de 1999)
Posição: meio-campista
Jogos (minutos): 1 (46)
Clube: Atalanta

Se Bastoni é Caldara 2.0, Melegoni é a nova versão de Roberto Gagliardini. Pippo chegou à Atalanta aos seis anos de idade e, quando jovenzinho, se dedicava com treinamentos extras para se tornar um jogador profissional. Na base, teve um percurso de braços dados com o amigo Bastoni e foi campeão nacional sub-17, marcando também um gol na final contra a Inter.

Gasperini fez Melegoni estrear profissionalmente no mesmo dia em que Bastoni, no jogo contra a Sampdoria. Ao contrário do zagueiro, o meia não disputou a partida inteira e acabou substituído no intervalo, mas pode demonstrar movimentos interessantes para o bom funcionamento do 3-4-3 do treinador. Além do bom posicionamento, tem bom controle de bola e boas ideias, mas deve ainda ganhar mais porte físico – por este motivo acabou sendo pouco utilizado neste ano.

Manuel Locatelli

Idade: 19 anos (8 de janeiro de 1998)
Posição: meia central
Jogos (minutos): 25 (1819)
Clube: Milan

Desde muito cedo o garoto Locatelli gerava enormes expectativas sobre si. Prova disso é que, quando tinha apenas 11 anos, o Milan o tirou da renomada base da Atalanta e apostou suas fichas naquele que poderia ser um dos mais doces frutos do projeto de renovação rossonera. Preparado com toda atenção em Milanello, Manuel rapidamente se tornou peça importante das seleções juvenis da Itália, sobretudo da sub-17 e da sub-19: com a segunda, foi vice-campeão europeu, em 2016. Justamente neste ano ele recebeu suas primeiras oportunidades como profissional.

Locatelli estreou pelo Milan no final da última Serie A, mas fez somente dois jogos sob o comando de Cristian Brocchi. Com Vincenzo Montella e o crescente processo de “linha verde” italiana no clube, entrou no centro do projeto e passou a ser utilizado com frequência, até entrar no time titular – processo impulsionado pela lesão de Riccardo Montolivo. Muito combativo, ofereceu ao Diavolo mais dinamismo do que o capitão no centro do campo e também deu mais ousadia ao setor. Técnico e com capacidade de sair jogando, Locatelli se destacou principalmente por causa dos decisivos golaços em sequência contra Sassuolo e Juventus, que valeram importantes pontos para o Milan. Além de ajudar a equipe a voltar à Liga Europa, o regista também conquistou o primeiro título como profissional, a Supercopa Italiana.

Alessandro Murgia

Idade: 20 anos (9 de agosto de 1996)
Posição: meia central
Jogos (minutos): 14 (537)
Clube: Lazio

Homem de confiança do técnico Simone Inzaghi, Alessandro Murgia subiu para os profissionais neste ano, bancado pelo comandante que o acompanhou durante anos na base da Lazio. Com o time Primavera biancoceleste, o meio-campista teve uma boa trajetória de crescimento, polvilhada por bons resultados: em competições da categoria, foi duas vezes campeão da Coppa Italia, levantou uma Supercopa e ainda foi vice da Serie A. No time principal, já ficou contribuiu para a classificação à Liga Europa e para o segundo lugar na copa da Velha Bota.

O futebol de Murgia lembra bastante o de outro meio-campista romano, mas criado na base da rival: Andrea Bertolacci. Tal qual o cunhado – Nicola Murgia, atriz e irmã de Alessandro, é casada com Bertolacci –, o laziale atua como meia central e vai bem de uma área à outra, com intensidade, poder de marcação e capacidade de aparecer para finalizar. Não à toa, Murgia já fez dois gols na Serie A, diante de Torino e Fiorentina.

Lucas Torreira

Idade: 21 anos (11 de fevereiro de 1996)
Posição: meio-campista
Jogos (minutos): 35 (3224)
Clube: Sampdoria

Impressiona que um técnico estudioso e observador como Óscar Tabárez ainda não tenha convocado o ótimo Lucas Torreira uma vez sequer para a seleção uruguaia – e não é por falta de visão, já que os “italianos” Matías Vecino e Diego Laxalt atuam pela Celeste. Impressiona também como o baixinho nascido às margens do Rio Uruguai e na fronteira com a Argentina tenha tão rapidamente deixado de ser atacante para se tornar um feroz e competente marcador, daqueles que trancam o portão à frente da zaga e jogam a chave fora. E isso sem deixar de sair para o jogo com qualidade.

Torreira chegou à Itália em 2014, ainda como segundo atacante. Na base do Pescara, com Massimo Oddo, foi recuado, ganhou massa muscular e aprendeu a unir a sua técnica refinada no pé direito com o “trabalho sujo” da marcação – entre suas inspirações, estão Lucas Biglia, Walter Gargano e David Pizarro. Assinou com a Sampdoria em 2015 e passou mais um ano a serviço da equipe do Abruzzo, ajudando-a a subir para a primeira divisão. Com a camisa doriana, deu o salto na Serie A: pilar do time de Marco Giampaolo, atuou em quase todas as partidas na competição e foi o segundo que mais entrou em campo pela Samp. Com muita regularidade, Torreira ajudou o time de Gênova a ter uma das meiucas mais duras do campeonato e chamou a atenção de grandes equipes, como a Inter.

Luca Mazzitelli

Idade: 21 anos (15 de novembro de 1995)
Posição: meia central
Jogos (minutos): 17 (1099)
Clube: Sassuolo

Cria da ótima base da Roma, Mazzitelli estreou pelo clube giallorosso na última rodada da Serie A 2013-14 e passou os últimos dois anos emprestado a Südtirol (terceira divisão) e Brescia (segunda), até ser adquirido por um clube de maior evidência, o Sassuolo. Na Emília-Romanha, o jogador mostrou grande personalidade e fez com Lorenzo Pellegrini (mais um da base romanista) uma forte parceria no tridente de meio-campistas dos neroverdi, equilibrando técnica e intensidade.

Entre suas principais características estão o empenho na marcação, a qualidade nas verticalizações, a potência nos chutes de longa e média distância e a boa presença de área. O titular da seleção sub-21 italiana também chegou a marcar um gol neste Campeonato Italiano, em um empate por 2 a 2 contra o Napoli.

Franck Kessié

Idade: 20 anos (19 de dezembro de 1996)
Posição: volante
Jogos (minutos): 30 (2342)
Clube: Atalanta

Kessié não esconde de ninguém: se inspira no futebol de Yaya Touré e Michael Essien. Clássico box to box, o meio-campista chegou à Atalanta em janeiro de 2015, quando já havia sido convocado para a seleção da Costa do Marfim e atuava no Stella Club, de seu país. Após meses na base nerazzurra, foi emprestado ao Cesena e, por causa das boas atuações na Serie B, foi integrado ao elenco profissional bergamasco. Daí para a explosão foi um pulo: suas atuações chamaram a atenção de clubes como Chelsea e Roma, mas foi o Milan que garantiu o reforço para a temporada 2017-18.

O marfinense foi destaque no ano fantástico da Atalanta, sobretudo na primeira metade da campanha. Jogando como um regista de muita mobilidade, era Kessié quem começava e muitas vezes terminava as jogadas articuladas pelo time, graças a seu enorme poder de inserção na área adversária. Entre outras características importantes, o atleta orobico também se destaca por sua força, velocidade, bom cabeceio e capacidade de finalização – é um bom cobrador de pênaltis, inclusive. Kessié é o tipo de jogador que consegue resolver jogos sozinho: marcou sete gols na temporada e foi decisivo em diversas partidas, como nas importantes vitórias contra Roma e Empoli. O Milan terá um jogador de muito potencial em seu elenco.

Seko Fofana

Idade: 22 anos (7 de maio de 1995)
Posição: meio-campista
Jogos (minutos): 22 (1920)
Clube: Udinese

Seko Fofana é quase que um gêmeo futebolístico de Franck Kessié. Os dois marfinenses têm em comum o porte físico, a habilidade e o poder de finalização, além de se espelharem em Yaya Touré. Porém, enquanto o jogador da Atalanta emula mais a fase defensiva do craque do Manchester City, o camisa 6 da Udinese dedica-se mais aos movimentos ofensivos, uma vez que costuma atuar mais avançado, até mesmo como trequartista. Suas prestações vinham mostrando alto nível, mas uma fratura na fíbula no início de março interrompeu sua evolução. Ao todo, Fofana encerrou sua participação em 2016-17 com 22 partidas e cinco gols marcados.

O meio-campista, que nasceu em Paris e optou por defender a Costa do Marfim, começou a carreira no Lorient e passou pelos juvenis do Manchester City e pelos profissionais de Fulham e Bastia antes de ser adquirido pela Udinese, em julho. Após um início titubeante sob as ordens de Giuseppe Iachini, Fofana cresceu de produção com a chegada de Luigi Delneri, que começou a escalá-lo como interno de meio-campo. Na função, começou a ser comparado a Paul Pogba, pela explosão, técnica, o ataque nos espaços e o pensamento rápido, que lhe capacita a dar assistências e anotar golaços. Alguém duvida que ele será mais um jogador que renderá enorme lucro à Udinese?

Roberto Gagliardini

Idade: 23 (7 de abril de 1994)
Posição: meio-campista
Jogos (minutos): 26 (2351)
Clube: Atalanta e Inter

Até meados de 2016 ninguém dava bola para Roberto Gagliardini. O meio-campista entrou nas categorias de base da Atalanta com sete anos, rodou por Cesena, Spezia e Vicenza sem chamar muita atenção, e só quando voltou à Bérgamo, sua terra natal, entrou em evidência. Gagliardini foi reposicionado por Gasperini e começou a atuar como um meio-campista central com responsabilidades equânimes para defender e atacar. Forte e alto, é um hábil marcador e consegue unir um privilegiado posicionamento a seus atributos físicos para se sobressair diante dos adversários. Ao mesmo tempo, é muito técnico, tem visão de jogo e um bom poder de finalização de fora da área.

Estas características fizeram com que o bergamasco recebesse oportunidades na equipe orobica nesta temporada – embora a titularidade só tenha sido conquistada no final de outubro. Dias depois foi convocado por Ventura para a Nazionale, o que levou o treinador a receber uma enxurrada de críticas. O futuro provaria que o selecionador estava certo: Gaglio teve dois meses em altíssimo nível e foi um dos grandes destaques de uma das fases mais agudas da Atalanta na Serie A, o que lhe valeu uma transferência avaliada em 22 milhões de euros para a Inter. Em Milão, mostrou personalidade e se tornou titular absoluto da equipe, também sendo fundamental para que a Beneamata vivesse seu melhor momento no campeonato, entre janeiro e março. Metrônomo no centro do campo, Gagliardini é o herdeiro de Daniele De Rossi na Squadra Azzurra.

Jakub Jankto

Idade: 21 anos (19 de janeiro de 1996)
Posição: meio-campista
Jogos (minutos): 29 (2005)
Clube: Udinese

A Udinese teve uma bela dupla de meio-campistas nesta temporada, até Seko Fofana se machucar. Isso porque o marfinense completava bem o futebol do dinâmico e potente checo Jakub Jankto, um jogador capaz de correr por todo o campo. O meia canhoto atuou mais vezes como interno, mas também pode ser improvisado como ala e ter o mesmo (alto) rendimento, por causa de sua velocidade, regularidade no apoio e qualidade nos cruzamentos. A forte formiguinha da equipe friulana chamou a atenção de grandes clubes e também pode ser negociado a peso de ouro pela Udinese.

Jankto foi descoberto pelos olheiros da equipe bianconera quando estava nas filas juvenis do Slavia Praga, com 18 anos recém-completados. Em 2015-16, fez uma Serie B de bom nível emprestado ao Ascoli e acabou aproveitado pela Udinese na atual temporada: utilizado pela primeira vez na 5ª rodada, virou habitué na escalação friulana e só não entrou em campo em cinco partidas do certame dali em diante. Suas boas partidas e os cinco gols marcados – incluindo um sobre a Juve e outro sobre a Inter – já lhe fizeram estrear pela seleção da República Checa.

Stefano Sensi

Idade: 21 anos (5 de agosto de 1995)
Posição: meio-campista
Jogos (minutos): 16 (1259)
Clube: Sassuolo

Comparado a Andrea Pirlo e Marco Verratti, Stefano Sensi é um meio-campista polivalente, que pode realizar qualquer função no setor, desde que centralizado. Regista, mediano, trequartista… tudo vai bem nos habilidosos pés do ambidestro jogador marquesão, que tem como principais características a qualidade no controle de bola e nos lançamentos longos.

Revelado pelo Cesena, Sensi foi contratado pelo Sassuolo após uma boa Serie B e só não se destacou mais na elite por conta de alguns problemas físicos, que o atrapalharam sobretudo na primeira parte da temporada. O jogador (que já foi sondado pela Juventus) já foi convocado para as seleções sub-20 e sub-21 da Itália e também marcou na primeira divisão: anotou contra o Crotone e diante do Cagliari, embora a súmula tenha indicado um gol contra de Marco Borriello.

Nicolò Barella

Idade: 20 anos (7 de fevereiro de 1997)
Posição: meio-campista
Jogos (minutos): 28 (2010)
Clube: Cagliari

Polivalente e protagonista: dois adjetivos que definem bem o “todo campista” Barella, destaque do Cagliari em sua razoável campanha de 2016-17. Filho da capital da Sardenha, Nicolò entrou nas divisões de base rossoblù com apenas nove anos e estreou na Serie A em 2014-15, aos 17. O jogador passou metade da última temporada emprestado ao Como, para ganhar experiência na segundona, e retornou ao time do técnico Massimo Rastelli para quebrar a hierarquia e assumir a titularidade dos casteddu.

Jogador dinâmico, agressivo, com ótima visão de jogo e qualidade nas bolas paradas, se tornou um pilar no esquema do treinador, atuando como articulador de jogadas logo atrás dos atacantes ou mais recuado, nas
faixas central e direita do meio-campo. Com passagens por todas as seleções italianas de base a partir da sub-15, Barella foi vice-campeão europeu sub-19, em 2016, e faz parte do elenco azzurro que disputa o Mundial sub-20, na Coreia do Sul.

Federico Chiesa

Idade: 19 anos (25 de outubro de 1997)
Posição: atacante
Jogos (minutos): 27 (1580)
Clube: Fiorentina

O filho do ex-atacante Enrico Chiesa já vestiu duas camisas defendidas com orgulho por seu pai: a da Fiorentina e a da seleção italiana. Assim como seu progenitor, Federico joga avançado, mas prefere atuar pelo flanco direito e contribuir com os goleadores a propriamente aparecer na área para concluir. Apesar disso, não se furta a finalizar de fora da área e se emocionou muito quando balançou as redes pela primeira vez, em partida contra o Chievo.

Chiesa entrou nas categorias de base da Fiorentina no longínquo 2007, quando ainda tinha 10 anos. O ala direita foi integrado ao elenco profissional somente nesta temporada e rapidamente passou a ser aproveitado pelo técnico Paulo Sousa, que viu nele um jogador suficientemente dedicado para cobrir os avanços de Federico Bernardeschi. Embora tenha sido escalado inicialmente com este pretexto, Chiesa rapidamente colocou as asinhas de fora e se tornou uma peça fundamental também para a articulação de jogadas da equipe violeta. A tendência é que uma das maiores revelações do futebol italiano nos últimos tempos amadureça ainda mais na próxima Serie A, já que superou seu batismo de fogo e deve ganhar mais importância no elenco.

Patrik Schick

Idade: 21 anos (24 de janeiro de 1996)
Posição: atacante
Jogos (minutos): 32 (1643)
Clube: Sampdoria

Quando assinou com a Sampdoria, o habilidoso Patrik Schick não era exatamente um desconhecido: já havia estreado pela seleção principal da República Checa, após grandes atuações pelo escrete sub-21 e pelo Bohemians. No entanto, o atacante explodiu de uma vez no decorrer da temporada, ao lado de outros jovens em vias de consolidação, como o belga Dennis Praet, o eslovaco Milan Skriniar e o polonês Karol Linetty – sem falar no já citado Torreira. O atacante foi o grande nome da razoável campanha doriana em 2016-17.

Durante a temporada, Schick demorou a engrenar. Frequentou muito o banco, mas acabou usando isso a seu favor: se tornou uma arma letal para o segundo turno e ficou conhecido como “super substituto”. O estilo pouco usual (muito alto, forte fisicamente, mas ágil e habilidoso) fez o canhoto surpreender os adversários. O primeiro gol foi contra a hexacampeã Juventus e depois vieram outros contra mais times importantes, como Inter, Roma e Torino, até atingir a marca de 11 na Serie A – além de três assistências e atuação excepcional no clássico contra o Genoa. O checo é cobiçado por meia Europa e pode mudar de ares no verão, pois está na mira de equipes como Juve e Inter.

Andrea Petagna

Idade: 21 anos (30 de junho de 1995)
Posição: atacante
Jogos (minutos): 34 (2734)
Clube: Atalanta

Neto de Francesco Petagna, ex-jogador e ex-treinador da Spal, o corpulento Andrea é um raro caso de atacante que marca poucos gols e que ainda assim pode ser considerado um dos melhores de sua geração. Tido como uma promessa desde 2012, o jogador formado pelo Milan foi campeão italiano sub-15 e sub-17, além de ter vencido uma Copa Viareggio e ter passado por todas as seleções de base da Itália. Naquele ano, estreou pelos rossoneri e nos seguintes passou por Sampdoria e Vicenza sem brilho, mas assim mesmo foi comprado pela Atalanta, em 2015. O clube o emprestou ao Ascoli e ele se destacou na Serie B 2015-16: foram apenas sete gols pela equipe marquesã, mas os bergamascos haviam percebido no centroavante algo além do que o senso comum crê que um jogador de sua posição deve realizar.

Petagna barrou Mauricio Pinilla e Alberto Paloschi e se tornou fundamental ao funcionamento da Atalanta de Gasperini. O centroavante formou uma dupla implacável com Alejandro Gómez, servindo como um pivô de altíssima qualidade: foram 26 chances claras de gol criadas por ele e sete assistências em sua conta durante o campeonato. Mais do que isso, o canhoto Andrea (comparado a Christian Vieri) sempre mostrou muita técnica para segurar a bola e movimentação perfeita para puxar a marcação e deixar seus companheiros livres para vazar as defesas adversárias. Além disso, balançou as redes cinco vezes e recebeu as primeiras convocações de Gian Piero Ventura para a seleção da Itália.

Alberto Cerri

Idade: 21 anos (16 de abril de 1996)
Posição: atacante
Jogos (minutos): 13 (740)
Clube: Pescara (emprestado pela Juventus)

O centroavante Alberto Cerri surgiu como um verdadeiro prodígio das divisões de base. Nascido em Parma, foi formado pela equipe da cidade e estreou na Serie A ainda com 16 anos e antes mesmo de se tornar um goleador nos juvenis. Depois de ser artilheiro da Copa Viareggio e balançar muitas redes no Campeonato Primavera, foi emprestado ao Lanciano e se transferiu à Juventus, justo após a falência do Parma. Não foi aproveitado pela Velha Senhora e voltou a disputar a Serie B, desta vez com as camisas de Cagliari e Spal, mas não conseguiu manter a mesma forma dos tempos de Parma. Será que não cumpriria o esperado?

Em janeiro de 2017, veio o momento da virada. Cerri deixou a Spal e foi emprestado ao Pescara, com o intuito de enfim mostrar sua qualidade na primeira divisão. O jovem impôs seu físico robusto de clássico atacante italiano, à Luca Toni: aquele tipo de centroavante que protege bem a bola e coloca a pelota nas redes com apenas um desvio com qualquer parte do corpo. Voluntarioso, barrou o experiente Alberto Gilardino no Abruzzo, realizando 13 partidas e dois gols. A equipe treinada por Zdenek Zeman acabou com a lanterna da competição e Cerri não pode mostrar tanto o seu potencial, mas ao menos relançou seu nome e fez a Itália acreditar que ele ainda pode explodir.

Moise Kean

Idade: 17 anos (28 de fevereiro de 2000)
Posição: atacante
Jogos (minutos): 3 (32)
Clube: Juventus

Guarde este nome. Italiano de origem marfinense, o atacante Moise Kean nasceu em Vercelli, nas cercanias de Turim, e trocou as categorias de base do Torino pelas da Juventus em 2010. Desde 2015, quando começou a defender as seleções de base italianas, há muita expectativa sobre Kean: considerado um grande talento, ele é rápido, habilidoso e finaliza bem tanto com os dois pés quanto de cabeça. Pode se tornar o atacante que Mario Balotelli prometia ser.

Além de ter todas estas qualidades, Kean queima etapas por mérito próprio. Em 2015 passou a defender a seleção sub-17 e já tem 17 jogos e oito gols pelos azzurrini. Nesta temporada, estreou como profissional e quebrou marcas: foi o primeiro jogador nascido em 2000 a estrear na Liga dos Campeões e na Serie A. No Campeonato Italiano, também se sagrou o primeiro de sua classe a balançar as redes: foi com um certeiro cabeceio na última rodada, contra o Bologna. Olho nele.

Han Kwang-Song

Idade: 18 anos (11 de setembro de 1998)
Posição: atacante
Jogos (minutos): 5 (81)
Clube: Cagliari

A pinta de galã de um obscuro drama policial asiático esconde o fato de Han ser uma das grandes promessas do futebol daquele continente. Uma prova disso é que o fechado regime da Coreia do Norte permitiu que ele atuasse na Europa: antes mesmo de ser maior de idade, Han chegou a ser liberado para treinamentos em uma escola de futebol de Barcelona. O atacante foi capitão da seleção norte-coreana campeã asiática sub-16 em 2014 (foi um dos vice-artilheiros da competição), mas era praticamente desconhecido até fevereiro de 2017, quando sua curta carreira entrou em estágio repentino de crescimento.

Naquele mês, o prodígio chegou ao Cagliari para fazer testes e, após impressionar na Copa Viareggio, assinou contrato com os sardos. Em abril, foi o primeiro jogador de seu país a fazer uma partida e a balançar as redes no futebol italiano, o que já o colocava na história. Porém, Han mostrou mais que os números, um gol sobre o Torino e um outro anulado contra o Milan. Muito veloz, ambidestro e habilidoso, ele gosta de partir para cima dos adversários e não tem receio de finalizar – requisitos fundamentais para um atacante matador. Manter a personalidade será a chave do sucesso para um jogador que tem tudo para ser o maior nome asiático da Serie A desde Hidetoshi Nakata.

Pietro Pellegri

Idade: 16 anos (17 de março de 2001)
Posição: atacante
Jogos (minutos): 3 (88)
Clube: Genoa

Se Kean é precoce, Pellegri é ainda mais. Ao entrar em campo contra o Torino, o genovês igualou o recorde do grande Amedeo Amadei, que em maio de 1937 se tornava o mais jovem a estrear na Serie A, com 15
anos e 280 dias. Se o atacante rossoblù tiver uma carreira com um terço do tamanho da de Amadei, pode dar-se por satisfeito.

Forte fisicamente, de boa técnica e eficaz em qualquer tipo de finalização, Pellegri forma com Kean uma promissora dupla de ataque na seleção sub-17 da Itália – embora ele atue na “azzurrinha” mais como suporte ao jogador de origem marfinense do que como goleador. O jogador do Genoa já demonstrou que não sente a pressão em partidas importantes: na despedida de Francesco Totti, tentou estragar a festa ao balançar as redes com apenas dois minutos de peleja. Seu gol foi uma bela resposta a Kean, que havia feito história no dia anterior. Afinal, Pellegri se tornou o primeiro jogador nascido no terceiro milênio a marcar na Serie A e também colocou seu nome na história ao ser o terceiro mais jovem goleador do campeonato, atrás apenas de mitos como Amadei e Gianni Rivera. Credenciais: o garoto tem.

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