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Meia versátil, Mark Bresciano foi o australiano de maior sucesso no futebol da Itália

O Parma estava com o caixa cheio depois das vendas de Gianluigi Buffon e Lilian Thuram. No verão de 2002, a equipe treinada por Cesare Prandelli recebeu um pacote de jovens talentos: Adriano, Alberto Gilardino, Daniele Bonera, Adrian Mutu, Matteo Brighi, Massimo Donati… Um dos jogadores contratados para aquela temporada foi o destaque da campanha da promoção do Empoli para a Serie A.

As lesões travaram o início da caminhada de Mark Bresciano pela Emília-Romanha. Estiramento na coxa, tornozelo, quadríceps, coxa novamente. Era um começo frustrante para o atleta que havia custado 7 milhões de euros e estabelecido o valor recorde para um australiano. No ano anterior, o meio-campista, então aos 21, foi um dos principais atletas do Empoli: marcando gols (foram 10 naquela época) e assistindo Antonio Di Natale e Massimo Maccarone.

Bresciano é oriundo de duas das comunidades de imigrantes mais presentes na Austrália: o meia é filho de um italiano com uma croata. Seu sonho era jogar na Itália. Os três anos de Empoli, assim, foram os mais significativos para o atleta. “Não digo que não gostei dos outros lugares, mas a primeira experiência em um novo lugar é sempre especial”, declarou.

Vincenzo Grella é um personagem importante na trajetória de Bresciano pela Itália. O meio-campista batia bola com o amigo Vince, também descendente de italiano, numa equipe sub-10 de Rosanna, nos subúrbios de Melbourne, Austrália. Os dois atuaram juntos no Instituto do Esporte Australiano, depois no Carlton, Empoli e, entre 2004 e 2006, no Parma. “Somos como irmãos. Sair de casa tão cedo… Passamos por momentos ruins juntos”, afirmou Mark.

Alguns dos momentos negativos certamente aconteceram no Parma, que vivia enormes dificuldades financeiras por causa da bancarrota da Parmalat. Em 2004-05, a equipe só não caiu para a segunda divisão por causa do jogo-desempate contra o Bologna. Na mesma temporada, os crociati surpreenderam e foram semifinalistas da Copa Uefa.

Bresciano comemora gol: sim, sua celebração habitual era ficar paradão, numa pose marrenta (Chiamarsi Bomber)

Embora tenha atuado bem no Parma e feito oito gols em 2003-04 e 2005-06, o australiano definitivamente viveu seus pontos mais altos e baixos da carreira na Sicília, com a camisa do Palermo. Ele foi à Copa do Mundo de 2006 como atleta palermitano: um meia-atacante com 18 gols nos últimos três anos e que estava em plena forma física. Voltou da Ásia com a pecha de jogador essencial na campanha de oitavas de final de uma Austrália eliminada na prorrogação para a Itália. O presidente do clube, Maurizio Zamperini, ofereceu ao atleta um contrato de quatro anos.

No primeiro jogo da temporada, Bresciano esboçou o impacto: um gol de bicicleta numa vitória divertida sobre o Reggina, por 4 a 3. O Palermo de Francesco Guidolin tirou o melhor do australiano ao lado de Fábio Simplício, Eugenio Corini e Franco Brienza para levar a equipe ao quinto lugar ao fim do campeonato, que valeu uma vaga na Copa Uefa. Entre 2007 e 2009, o australiano esbanjava qualidade ao deixar as funções de trequartista ou ponta para atuar cada vez mais recuado, como um articulador. No entanto, ainda aparecia no ataque para marcar seus gols e comemorar de um jeito particular, como se fosse uma estátua.

A fase dentro de campo era boa, mas nem tudo eram flores para o australiano. “Foi a minha pior experiência na Itália. Eu estava devastado e provavelmente foi quando decidi que queria sair [do país]”. A frase de Bresciano faz referência ao dérbi da Sicília em 2 de fevereiro de 2007. O Palermo venceu o Catania por 2 a 1, mas o jogo ficaria conhecido por outra razão.

No segundo tempo, quando os torcedores rosaneros ainda chegavam ao estádio – alegando problemas operacionais –, a torcida começou a jogar bombas. O árbitro suspendeu a partida durante 40 minutos visto que a polícia retrucou a ação com gás lacrimogêneo. Ao fim do jogo, os ultras do Catania continuaram atacando membros da polícia, entre eles Filippo Raciti, que teve o fígado severamente danificado por algum objeto robusto. A briga generalizada aconteceu justamente uma semana depois de um dirigente (Ermanno Licursi) ser espancado até a morte ao tentar separar a briga que aconteceu num jogo amador, em Lizzi.

Já experiente, Bresciano encerrou sua passagem pela Itália com a camisa da Lazio (TMW)

Bresciano teve proposta para sair em 2007-08. Na verdade, foi muito mais: o técnico Sven-Göran Eriksson ligou para ele e contou que o acordo com o Manchester City estava certo. O australiano fez parte da pré-temporada na Inglaterra, porém, a transferência foi desfeita: o clube queria dividir o pagamento de 7 milhões de dólares, Zamparini disse não e rejeitou a venda. O meia, então, voltou à ilha dizendo que “estava feliz em permanecer”.

O careca ainda disputou a Copa do Mundo de 2010 e atuou na Lazio durante um ano (saiu dos planos do time da capital na metade do vínculo), sem a proeminência de outrora. A última temporada pelo Palermo, na qual completou 100 partidas pelo rosanero, já tinha sido assim. Chegou a marcar na data comemorativa, contra o Milan, mas ele já era um reserva de um meio-campo invocado, que tinha Simplício, Antonio Nocerino e Fabio Liverani atrás do trio formado por Javier Pastore, Fabrizio Miccoli e Edinson Cavani.

Depois de ser reserva por um ano e deixar a Lazio, Bresciano rumou para o futebol asiático, onde acumularia petrodólares nos Emirados Árabes Unidos e no Qatar. O australiano de origem italiana ainda chegou a ser convocado para o seu terceiro Mundial e acompanhou os Socceroos em sua breve turnê pelo Brasil, em 2014. Mark não ganhou minutos em terra brasilis e se despediu da seleção (e do futebol) no início de 2015 também sem entrar em campo, mas com um título. Membro do elenco australiano campeão da Copa da Ásia, encerrou sua carreira em grande estilo.

Mark Bresciano
Nascimento: 11 de fevereiro de 1980, em Melbourne, Austrália
Posição: meia
Clubes: Bulleen Lions (1995-97), Carlton (1997-99), Empoli (1999-2002), Parma (2002-06), Palermo (2006-10), Lazio (2010-11), Al Nasr (2011-12), Al-Gharafa (2012-15)
Títulos: Campeonato sub-20 da Oceania (1998), Copa das Nações da Oceania (2004) e Copa da Ásia (2015)
Seleção australiana: 84 jogos e 13 gols

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