Mercado

Últimas horas do mercado: como os principais times italianos chegam à reta final da janela

Pela primeira vez na história, a janela de transferências na Itália se encerra antes da primeira rodada da Serie A. Pois bem, o Campeonato Italiano começa neste sábado e os clubes só poderão contratar até as 20h da sexta, 17. Considerando o horário de Brasília, o mercado fecha às 15h.

Esquentando as turbinas para o movimentado dia do fechamento, reunimos as tratativas dos dez primeiros colocados na última Serie A, com uma análise detalhada de seus movimentos. Nos dois próximos dias traremos ainda mais conteúdo sobre o campeonato. Fique ligado!

Confira em nossa página de transferências todos os negócios já confirmados pelos clubes italianos até o momento. Aproveite também para saber como começou a tradição italiana de dirigentes e empresários se reunirem em um hotel nos últimos dias de calciomercato.

Juventus

Cristiano Ronaldo, da Juventus (Getty)

Time-base: Szczesny; Cancelo, Bonucci, Chiellini, Alex Sandro; Can, Pjanic, Matuidi; Dybala, Douglas Costa; Cristiano Ronaldo. Técnico: Massimiliano Allegri.
Opções: Perin, Pinsoglio; De Sciglio, Benatia, Barzagli, Rugani, Spinazzola; Khedira, Marchisio, Bentancur; Bernardeschi, Mandzukic, Cuadrado.
Esquemas possíveis: 4-3-2-1, 4-3-3, 4-2-3-1, 3-5-2 e 3-4-3.

Chegaram: Perin, Cancelo, Bonucci, Spinazzola, Can e Cristiano Ronaldo
Saíram: Buffon, Lichtsteiner, Caldara, Höwedes, Asamoah e Higuaín
O que falta: nada

Não satisfeita em quebrar continuamente o recorde de títulos consecutivos da Serie A, a Juventus deu um passo fundamental para ir além do domínio nacional com a maior transferência da sua história. Duas décadas depois, novamente um clube italiano contratou o melhor jogador do mundo, e agora Turim é a casa de Cristiano Ronaldo. Uma transferência que poucos acreditavam ser possível quando surgiram os primeiros rumores, mas que rapidamente se tornou em realidade.

Além disso, a Velha Senhora protagonizou outra grande transferência junto ao Milan, com a volta de Bonucci, o filho pródigo. Depois da saída conturbada no verão passado e de um ano como capitão rossonero, o zagueiro fez o caminho inverso de outro ilustre cuore ingrato, Higuaín – até então, Pipita era o jogador mais caro do futebol italiano. O argentino se transferiu juntamente com o já não tão jovem Caldara, pronto para a elite depois de dois anos como protagonista da Atalanta, que o preparava para ser o herdeiro da zaga juventina.

Junto ao ídolo Buffon, também saíram em final de contrato os experientes Lichtsteiner e Asamoah, que numericamente foram substituídos por Perin, Cancelo e Spinazzola, muito mais jovens. A dupla lateral mantém o perfil versátil que faz parte do DNA do grupo construído pelos dirigentes Marotta e Paratici, expandindo as opções de Allegri para as alas, como ficou claro durante a pré-temporada. Nela, o português, destaque na rival Inter no primeiro semestre, foi utilizado mais avançado e até no lado esquerdo.

Da mesma forma, o alemão Can, que chegou sem contrato após passagem pelo Liverpool, traz novos cenários para o meio-campo bianconero com sua versatilidade: a princípio disputará vaga com o compatriota Khedira e Matuidi, mas pode fazer Pjanic descansar em algumas ocasiões e tem experiência jogando em todas as funções da defesa. Por isso, no momento o elenco da Velha Senhora está praticamente fechado e pronto para aquilo que motivou todos os movimentos da diretoria neste verão: conquistar a Liga dos Campeões.

Para isso, será fundamental convencer Alex Sandro e Pjanic a continuarem em Turim, tarefa agora mais tranquila com a chegada de Cristiano Ronaldo, e que pode ser facilitada com novos contratos. Contudo, resta a definição do futuro de Rugani, que poderia deixar a zaga com um número perigoso de jogadores, se considerarmos o histórico físico dos veteranos Chiellini e Barzagli. Ademais, a saída de Higuaín diminuiu as opções para o centro do ataque, que em breve também não contará com os jovens Kean e Favilli.

Napoli

Carlo Ancelotti, técnico do Napoli (AFLO)

Time-base: Meret; Hysaj, Albiol, Koulibaly, Ghoulam; Allan, Hamsík, Ruiz.; Callejón, Mertens, Insigne. Técnico: Carlo Ancelotti.
Opções: Karnezis, Contini; Malcuit, Chiriches, Maksimovic, Tonelli, Luperto, Mário Rui; Zielinski, Diawara, Rog; Verdi, Milik, Vinícius, Ounas, Younes.
Esquemas possíveis: 4-3-3, 4-2-3-1 e 4-4-2.

Chegaram: Meret, Karnezis, Maksimovic, Malcuit, Verdi, Vinícius e Younes
Saíram: Reina, Rafael, Sepe, Maggio, Milic, Jorginho, Machach, Grassi, Leandrinho e Inglese
O que falta: contratar goleiro e enxugar o elenco

O verão não tem sido uma época muito generosa para o Napoli. A maior mudança deveria ser apenas no comando técnico, com Ancelotti substituindo Sarri – o que por si só já geraria muito desconforto, pelas claras diferenças de abordagem entre os dois treinadores. Porém, os problemas do clube de De Laurentiis foram um pouco além e a pré-temporada tem se provado uma grande dor de cabeça, especialmente após a goleada sofrida para o Liverpool. O amistoso em Dublin expôs o maior dos problemas: o gol.

Com a saída do veterano Reina, a meta napolitana ficou vaga inclusive nas primeiras semanas de preparação. Foi ocupada provisoriamente por Sepe, que já não faz mais parte do grupo. Entre várias sondagens, a direção fez um acordo com a Udinese e optou pela promessa Meret e trouxe no pacote o rejeitado Karnezis.

Contudo, o jovem goleiro, que dividiu a titularidade na Spal na temporada passada com Gomis, sofreu uma fratura logo nos primeiros dias e a responsabilidade sobrou para o grego, então reserva do Watford. Karnezis não convenceu e falhou bastante nos amistosos de pré-temporada, deixando uma contratação para o gol como a grande questão a ser solucionada até o dia 17. Por enquanto, o principal nome em pauta é o do mexicano Ochoa, que tem jogado regularmente pelo Standard de Liège após a Copa do Mundo.

Com a saída de Maggio e os problemas físicos de Ghoulam, outra necessidade eram as laterais, por isso o foco da diretoria era um defensor para jogar nos dois lados. Seis jogadores foram sondados: Arias, Vrsaljko, Darmian, Lainer, Sabaly e Malcuit. O colombiano foi para o Atlético de Madrid, que emprestou o croata para a Inter – que também está conversando com o italiano. Por sua vez, não houve acordo pelo austríaco, valorizado no Red Bull Salzburg, e o senegalês foi rejeitado nos exames médicos. Sobrou o francês, ex-Lille, que deverá fazer sombra para Hysaj enquanto Mário Rui se encarrega da esquerda.

No meio-campo, Jorginho foi substituído pelo espanhol Fabián Ruiz, grande destaque do Bétis na última temporada e maior contratação do Napoli nesta janela, mas é Hamsík que deverá assumir a função do ítalo-brasileiro. A iniciativa é de Ancelotti, que decidiu experimentar o capitão após uma conversa com o eslovaco, que chegou a cogitar sua saída em junho.

No mais, o elenco partenopeo parece fechado, e na verdade tem algumas peças sobrando. Hoje Ancelotti conta com quatro zagueiros além dos titulares Albiol e Koulibaly: Chiriches é o primeiro reserva e o jovem Luperto pode seguir por ser formado no clube. Maksimovic, que voltou desvalorizado do empréstimo ao Spartak Moscou, e Tonelli devem ser negociados até sexta. O volante Grassi definiu seu futuro nesta terça: após a desistência da Spal, que não conseguiu renovar o empréstimo, foi repassado ao Parma. Ele estava atrás de Zielinski, Diawara e Rog na hierarquia do clube.

Como Ancelotti se trata de um treinador pragmático e que não tem um sistema tático específico, há várias opções no ataque, mas nem todas no mesmo nível de Callejón, Mertens e Insigne, exceto por Milik e Verdi, que finalmente se mudou para Nápoles. Recém-chegado do Chievo, o centroavante Inglese estava à margem do elenco e, por isso, foi emprestado ao Parma. Resta saber o destino do brasileiro Vinícius, contratado da segunda divisão portuguesa graças a Jorge Mendes, que o incluiu como parte da renovação de Ghoulam. Por fim, Younes se lesionou nas férias e seu aproveitamento no clube segue uma incógnita, depois de ter desprezado o clube antes de assinar contrato.

Roma

Javier Pastore, da Roma (LaPresse)

Time-base: Olsen; Florenzi, Manolas, Fazio, Kolarov; Cristante, De Rossi, Pastore; Ünder, Dzeko, Kluivert. Técnico: Eusebio Di Francesco.
Opções: Mirante, Daniel Fuzato; Karsdorp, Marcano, Juan Jesus, Bianda, Santon, Luca Pellegrini; Lorenzo Pellegrini, Strootman, N’Zonzi, Gonalons, Coric, Zaniolo; Schick, El Shaarawy, Perotti.
Esquemas possíveis: 4-3-3 e 3-4-3

Chegaram: Olsen, Mirante, Fuzato, Marcano, Bianda, Santon, N’Zonzi, Pastore, Cristante, Coric, Zaniolo e Kluivert
Saíram: Alisson, Skorupski, Lobont, Bruno Peres, Capradossi, Nainggolan, Gerson e Defrel
O que falta: ponta-direita

Monchi finalmente mostrou serviço depois de um ano na capital e a Roma foi um dos clubes mais ativos no mercado. Mais uma vez vendeu bastante, mas dessa vez sem perder tantos titulares, e buscou equilibrar forças entre experiência e juventude. Melhor jogador da equipe na temporada passada, Alisson foi vendido para o Liverpool como o goleiro mais caro da história (acabou superado dias depois por Kepa, do Chelsea), enquanto o ídolo Nainggolan, em meio a atritos com a direção e a comissão técnica, se mandou para a rival Inter.

Para o lugar do goleiro brasileiro, Olsen foi escolhido após ótimo desempenho na Copa do Mundo. O sueco tem bastante bagagem europeia jogando por Malmö e Copenhague, mas não deixa de ser uma aposta, considerando que só passou a ser considerado depois de ter se destacado na Rússia. O reserva Skorupski também saiu, e em troca veio o veterano Mirante, que deverá fazer sombra para o novo titular e apadrinhar Daniel Fuzato, promessa revelada no Palmeiras que substitui o aposentado Lobont.

Se Strootman e Nainggolan tiveram problemas com o trabalho de Di Francesco, Monchi tentou resolver a situação com novos jogadores. O volante N’Zonzi foi contratado nesta terça para disputar posição com De Rossi, enquanto Cristante e Pastore chegaram para mudar a cara do meio-campo giallorosso. O ex-milanista, goleador da Atalanta na última temporada, chega sob a expectativa para decolar de vez na carreira, enquanto o argentino assume uma nova função para tentar recuperar o protagonismo que acabou perdendo na França.

A profundidade do setor também será fundamental para cumprir os objetivos do clube: ir além da briga por uma vaga na Liga dos Campeões no campeonato e novamente avançar o mais longe possível na competição europeia. Enquanto Strootman segue em Trigoria e Pellegrini deverá ser a primeira opção, a contratação de N’Zonzi deve fazer Gonalons deixar a Cidade Eterna. Os jovens Coric e Zaniolo completam o meio-campo, sendo que o croata deverá ser o herdeiro de Pastore.

Já a primeira linha seguiu intacta com a renovação de Florenzi e a permanência de Manolas. A defesa também ganhou reforços: o mais interessante deles é o espanhol Marcano, zagueiro que se consolidou na defesa do Porto nos últimos anos e também pode jogar na lateral esquerda. Também chegaram o jovem Bianda (mais uma promessa francesa revelada no Lens) e o versátil Santon, que pode jogar nas duas laterais e foi incluído como parte do negócio que levou Nainggolan para a Inter. Recuperados de lesões graves sofridas em 2017, Karsdorp e Luca Pellegrini completam as opções para as laterais.

O único espaço aberto no elenco resta na ponta direita, que originalmente tem apenas o turco Ünder, fenômeno na reta final da última temporada, mas que ainda não jogou com consistência. Apesar de Schick, Kluivert e El Shaarawy poderem jogar na função, a direção não parou depois de ter perdido Malcom para o Barcelona e ainda busca um protagonista: Suso, Bailey e Promes são os preferidos. Kluivert, aliás, é a novidade do setor, e promete brigar por seu espaço na esquerda. O holandês não quer repetir o passado do pai na Itália, flop no Milan antes de fazer sucesso no Barcelona.

Inter

Lautaro Martínez, da Inter (Getty)

Time-base: Handanovic; Vrsaljko, De Vrij, Skriniar, Asamoah; Vecino, Brozovic; Politano, Nainggolan, Perisic, Icardi. Técnico: Luciano Spalletti.
Opções: Padelli, Berni; D’Ambrosio, Miranda, Ranocchia, Dalbert; Gagliardini, Borja Valero, Emmers; Candreva, João Mário, Karamoh, Keita; Lautaro, Pinamonti.
Esquemas possíveis: 4-2-3-1, 4-4-2, 4-1-4-1, 3-4-1-2 e 3-5-2.

Chegaram: Vrsaljko, De Vrij, Asamoah, Nainggolan, Politano, Lautaro e Keita
Saíram: Cancelo, Lisandro, Santon, Rafinha e Éder
O que falta: enxugar o elenco e a “cereja do bolo”

Um dos clubes que mais se anteciparam no mercado, a Inter começou a “recrutar” ainda em março, quando assinou pré-contrato com De Vrij, e dois meses depois fez o mesmo com Asamoah, tirando dois jogadores importantes das rivais Lazio e Juventus sem pagar nada pelas transferências. Em meio a isso, graças aos contatos de Milito e Zanetti, também antecipou a concorrência ao tratar direto com o Racing pelo jovem Lautaro, concluindo o negócio também antes da janela de verão ter aberto.

De qualquer forma, o primeiro jogador anunciado oficialmente foi também a principal contratação dos nerazzurri por enquanto: Nainggolan. A negociação com a Roma avançou de forma surpreendente no final de junho, também antes da abertura da janela e o clube de Milão incluiu no acordo final o rejeitado Santon e a promessa Zaniolo. Formato de negócio similar ao que levou Politano à Pinetina. O atacante também foi apresentado em junho e acertou por empréstimo com direito de compra, numa tratativa em que o jovem Odgaard foi enviado para o Sassuolo.

Os únicos titulares da temporada passada que não continuaram em Milão foram Cancelo e Rafinha, que voltaram a seus clubes de origem após o final dos empréstimos – Valencia e Barcelona não concordaram com as condições da Inter para que a dupla prosseguisse em Milão. Com o elenco praticamente fechado, a direção tratou de finalizar algumas saídas para equilibrar as contas e permanecer de acordo com as regras do Fair Play Financeiro, que deu uma leve folga neste verão depois que o clube cumpriu os objetivos do plano de três anos acordado pela direção anterior.

Após um mês sem novas contratações, o foco ficou voltado para duas necessidades do elenco: a lateral direita e o meio-campo. Depois de longa negociação com o Atlético de Madrid, Vrsaljko (valorizado pelo bom desempenho com a Croácia na Copa do Mundo) desembarcou em Milão pelas condições que a Inter desejava: empréstimo com direito de compra, sempre pensando nas limitações impostas pela Uefa para a inscrição de novos jogadores na Liga dos Campeões.

Para o meio-campo, a grande reviravolta acabou sendo a abertura de outro croata para uma transferência que parecia impossível: a de Modric, tricampeão europeu com o Real Madrid e eleito melhor jogador do último Mundial. As conversas ainda continuam e a novela parece longe do final, seja feliz ou triste para os nerazzurri, que chegaram a ter tudo encaminhado por Vidal, inclusive um acordo com o Bayern pelo empréstimo com direito de compra. Apesar disso, a Inter acabou se afastando do negócio por algumas situações ainda não esclarecidas.

Embora o mercado seja bom, nem tudo está indo de acordo com os planos, uma vez que o clube ainda não conseguiu arranjar um clube que aceitasse seus requisitos para a transferência de João Mário, que, a princípio, seguirá com o grupo mesmo depois de ter declarado que não voltaria a jogar pelos nerazzurri. A direção também tenta convencer Candreva a sair. O camisa 87 poderia ser incluído na negociação com o Monaco pelo atacante Keita, mas parece satisfeito em Milão, apesar das constantes críticas da torcida.

Lazio

Acerbi, da Lazio (Divulgação)

Time-base: Strakosha; Luiz Felipe, Acerbi, Radu; Marusic, Parolo, Lucas Leiva, Milinkovic-Savic, Lulic;  Luis Alberto; Immobile. Técnico: Simone Inzaghi.
Opções: Proto, Vargic, Guerrieri, Adamonis; Cáceres, Wallace, Bastos, Maurício; Patric, Basta, Anderson, Badelj, Berisha, Murgia, Di Gennaro, Cataldi, Minala, Durmisi, Lukaku; Correa, Sprocati, Lombardi; Caicedo, Rossi.
Esquemas possíveis: 3-5-1-1 e 3-4-2-1.

Chegaram: Proto, Anderson, Acerbi, Durmisi, Badelj, Berisha, Correa e Sprocati
Saíram: Marchetti, De Vrij, Felipe Anderson, Nani e Djordjevic
O que falta: enxugar o elenco

Inicialmente criticada pela saída gratuita do seu melhor zagueiro para uma concorrente direta, a Lazio silenciosamente fez um mercado bastante interessante e equilibrado do ponto de vista financeiro. Com a conhecida austeridade de Lotito, o diretor Tare utilizou apenas o dinheiro da única venda para substituir De Vrij com Acerbi, um dos zagueiros mais regulares da Serie A nos últimos anos, além de apostar na recuperação de Durmisi, que disputará vaga na ala esquerda, e reforçar o meio-campo com ótimas opções.

Ainda sem saber exatamente o futuro de Milinkovic-Savic, mas agora confiando que o sérvio continuará pelo menos mais esta temporada, o treinador Inzaghi ganhou três opções diferentes para o setor, algo que faltou bastante no primeiro semestre de 2018, quando o elenco cansou e acabou perdendo a vaga na Liga dos Campeões na última rodada – pior, nos últimos oito minutos do campeonato. Contratado de graça, Badelj é opção para revezar com Lucas Leiva ou jogar ao lado do ex-jogador do Liverpool.

Se croata e brasileiro jogarem juntos, tal formação poderia aproximar ainda mais Milinkovic-Savic de Luis Alberto, agora dono da camisa 10 laziale, e de Immobile. Também liberaria espaço para Correa, meia-atacante versátil contratado junto ao Sevilla, que abre ainda mais o leque de opções para Inzaghi. Outro meio-campista que chegou e pode cumprir diversas funções é o kosovar Berisha, destaque contra a própria Lazio na Liga Europa jogando pelo Red Bull Salzburg.

Enquanto Strakosha permaneceu, a direção buscou um novo goleiro reserva: o veterano Proto, belga de origem italiana que jogou anos no Anderlecht e estava no Olympiacos. Falta definir o terceiro goleiro, já que Vargic e Guerrieri seguiram no elenco e Adamonis voltou de empréstimo. Inclusive, o goleiro lituano não é uma exceção: o zagueiro Maurício, os meias Cataldi e Minala, os atacantes Lombardi e Rossi também retornaram, estão treinando com o grupo e seguem com a situação indefinida.

Milan

Gonzalo Higuaín, do Milan (Getty)

Time-base: G. Donnarumma; Calabria, Caldara, Romagnoli, Rodríguez; Kessié, Bakayoko, Bonaventura; Suso, Higuaín, Çalhanoglu. Técnico: Gennaro Gattuso.
Opções: Reina, A. Donnarumma, Gabriel; Conti, Abate, Musacchio, Zapata, Strinic, Simic; Biglia, Mauri, Montolivo, Bertolacci; Halilovic, Cutrone, Borini, Bacca.
Esquemas possíveis: 4-3-3, 3-4-3, 4-4-2 e 3-5-2.

Chegaram: Reina, Caldara, Strinic, Bakayoko e Halilovic
Saíram: Storari, Gómez, Antonelli, Locatelli, Kalinic e André Silva
O que falta: reforços no meio-campo

Passado o caos da gestão de Li Yonghong, além do drama e dos problemas com a Uefa, o Milan agora tem a certeza de que disputará a Liga Europa novamente. Pressionada pelos movimentos dos rivais, a nova direção formada por Leonardo e Maldini agiu rápido para reforçar o setor que mais precisava: o ataque. Higuaín é uma certeza de gols e produção ofensiva, muito necessário para um time que sofreu na temporada passada com os flops de Kalinic e André Silva e teve que confiar no garoto Cutrone.

O argentino, segundo maior artilheiro em atividade na Serie A e o maior recordista de gols em uma edição do campeonato, também traz prestígio e competitividade para fazer a equipe de Gattuso brigar por vaga na Liga dos Campeões. Esse objetivo, no entanto, ainda parece distante considerando o desequilíbrio e a falta de profundidade do elenco. Não à toa, o capitão Bonucci pediu para sair e acabou trocado por Caldara, o novo parceiro de Romagnoli, que assumiu a braçadeira. Uma boa notícia para Mancini, aliás – e mais ainda para o próprio Gattuso, que terá uma centro de zaga jovem e de alto nível.

Na dúvida sobre o futuro de Donnarumma, de desempenho irregular na última temporada, Reina chega para ser um incômodo ao jovem goleiro e disputar posição em um ano que novamente será bastante agitado em Milanello. No mais, a defesa não contou com maiores mudanças, considerando também que Conti finalmente terá a chance de mostrar seu bom futebol depois de ter passado boa parte da última época lesionado, enquanto o croata Strinic será uma concorrência mais segura para Rodríguez na esquerda. Nas últimas horas, o clube se aproximou também de Laxalt, jogador do Genoa que fez grande Copa do Mundo com o Uruguai.

O setor que mais preocupa no momento é o meio-campo. Embora Bonaventura, Kessié, Bakayoko e Biglia tenham qualidade para brigar por três vagas, faltam opções no banco para Gattuso completar o grupo. O treinador provavelmente terá que recuar Halilovic e Çalhanoglu para o setor, o que já aconteceu durante a pré-temporada. A nova direção rossonera também precisa resolver as situações de jogadores como Gabriel, Simic, Montolivo, Bertolacci e Bacca – só Monto, ex-capitão, parece ter alguma condição de seguir no clube.

Nos últimos dias da janela ainda haverá definição do futuro de Suso, que interessa à Roma. Samu Castillejo, a mais nova ideia em Milanello, poderia ser uma reposição para seu compatriota, mas também resolveria alguns problemas do grupo rossonero. Versátil, o espanhol está acostumado a jogar nas duas pontas e tem experiência atuando no meio-campo.

Atalanta

Duván Zapata, da Atalanta (AP)

Time-base: Berisha; Rafael Tolói, Mancini, Masiello; Hateboer, De Roon, Freuler, Gosens; Pasalic; Zapata, Gómez. Técnico: Gian Piero Gasperini.
Opções: Gollini, Rossi; Palomino, Djimsiti, Varnier, Bettella; Castagne, Pessina, Valzania, Reca; Ilicic, D’Alessandro; Barrow, Cornelius, Tumminello.
Esquemas possíveis: 3-4-1-2, 3-4-3 e 3-5-2.

Chegaram: Varnier, Bettella, Reca, Pasalic, Zapata e Tumminello
Saíram: Caldara, Spinazzola, Cristante, Haas, Melegoni, João Schimdt, Petagna e Vido
O que falta: emprestar revelações que não terão espaço

Mais uma vez na Europa, a Atalanta continua ambiciosa para seguir fazendo história. O bom relacionamento com grandes clubes como Juventus, Inter e Milan ajuda, mas mais importante é a capacidade para identificar e recrutar jogadores com o perfil certo para o elenco e também para produzir talentos para o futebol italiano. A nova temporada começou faz algum tempo para os nerazzurri de Bérgamo: a Atalanta foi a primeira equipe italiana a entrar em campo por causa da longa fase preliminar da Liga Europa. Além de começar a se preparar mais cedo, a equipe terá novos desafios.

Afinal, após outro grande ano, Gasperini viu mais alguns de seus titulares saírem. Destaque para Caldara e Cristante, peças-chave do time da última temporada: o zagueiro liderava a defesa e ainda aparecia para fazer gols, o que não faltou para o meio-campista revelado no Milan, que se tornou goleador ao ser reinventado pelo treinador. Reinventar, aliás, é uma palavra que não sai do vocabulário do clube, que conta com os retornos de Pessina, Valzania e D’Alessandro para completar o grupo.

Os jovens Varnier, Bettella e Tumminello também deverão ser observados de perto enquanto Barrow se consolida na equipe. Já o desconhecido Reca, ala-esquerdo polaco e primeira contratação da janela, pode ser a mais nova revelação da Dea, que já apresentou Hateboer e Gosens no último ano. Pasalic, meio-campista com perfil bastante similar ao de Cristante, chegou por empréstimo do Chelsea e tem experiência na Serie A depois de ter jogado no Milan dois anos atrás. O croata rapidamente conquistou o apreço do treinador.

Contudo, a grande movimentação neste verão em Bérgamo foi a chegada de Zapata. O colombiano tem as características perfeitas que Gasperini espera do seu centroavante e até é estranho pensar que os dois nunca trabalharam antes. Apresentando com muita moral pelo clube, Duván tem a potência física e o trabalho de equipe de Petagna com a cota de gols que sempre afastou o italiano da elite dos atacantes. Por isso, foi emprestado para a Spal.

De qualquer forma, Gasperini parece bastante insatisfeito e deixou clara a sua opinião na coletiva antes do jogo de volta contra o Hapoel Haifa na Liga Europa. “O mercado até este momento foi muito acanhado, por isso a equipe sente dificuldades. A direção sabe do que precisamos, porque eu sempre deixei claro. Há um orçamento considerável disponível, mas chegaram muitos jovens que ainda não estão prontos. Por isso, o elenco não está competitivo o bastante para disputar todas as competições. Se a expectativa é repetir os últimos dois anos, falta alguma coisa e talvez precisem de um treinador melhor”, ponderou.

Fiorentina

Marko Pjaca e Kevin Mirallas, da Fiorentina (Divulgação)

Lafont; Milenkovic, Pezzella, Vitor Hugo, Biraghi; Benassi, Dabo, Veretout; Chiesa, Simeone, Pjaca. Técnico: Stefano Pioli.
Opções: Dragowski; Diks, Ceccherini, Hristov, Hancko; Laurini, Venuti, Olivera; Saponara, Norgaard, Edimilson, Gerson, Cristóforo; Mirallas, Vlahovic, Eysseric, Théréau, Zekhnini, Graiciar.
Esquemas possíveis: 4-3-3, 4-2-3-1 e 3-5-2.

Chegaram: Lafont, Ceccherini, Hancko, Norgaard, Edimilson, Gerson, Mirallas, Vlahovic e Pjaca
Saíram: Sportiello, Cerofolini, Bruno Gaspar, Badelj, Sánchez, Gil Dias e Falcinelli
O que falta: goleiro reserva, laterais, meia central e enxugar o elenco

Empolgada com a suspensão da Uefa ao Milan, a Fiorentina começou a janela com a esperança de jogar a Liga Europa, mas o recurso do Diavolo ao TAS acabou tendo resultado e os viola ficaram a ver navios. De qualquer forma, isso não mudou a estratégia do veterano diretor Corvino, que protagonizou um mercado bastante agitado em Florença, apesar das limitações financeiras do clube. Mais importante do que isso foram as permanências de Chiesa e Simeone no ataque.

A dupla agora terá a companhia de Pjaca e Mirallas, que disputarão um lugar no 4-3-3 de Pioli – olho também no jovem Vlahovic, mais uma promessa que Corvino buscou junto ao Partizan. O setor será completado pelos meias-atacantes Saponara, Eysseric e Gerson. O brasileiro chegou por empréstimo e também brigará por um lugar no meio-campo. Sem o ex-capitão Badelj, que se mudou para a Lazio após o final do contrato, o meio, aliás, é o setor que gera mais dúvidas, mesmo porque a saída do croata não foi reposta à altura.

Durante a pré-temporada, Dabo foi o escolhido para jogar no centro do meio-campo ao lado de Benassi e Veretout, estes já bem afirmados no setor. Os dois se complementam: o italiano ataca a área e o francês organiza o jogo. O dinamarquês Norgaard, revelado pelo Hamburgo, será o concorrente do burquinense, enquanto o suíço Edimilson, primo de Gelson Fernandes, ex-Chievo e Udinese, foi o último contratado para o meio e será mais uma opção para Pioli.

A variedade de opções na frente não se reflete na defesa. A maior mudança está no gol, onde o jovem Lafont, contratado por um valor bastante acessível, substitui o irregular Sportiello, agora no Frosinone. Com a credencial de vir do Zilina, clube que revelou Skriniar, Hancko é mais uma aposta de Corvino e pode jogar tanto como zagueiro quanto como lateral-esquerdo, enquanto Ceccherini, ex-Livorno e Crotone, ficará na sombra dos titulares Milenkovic, que segue improvisado na direita, Pezzella, este o novo capitão viola, e Vitor Hugo.

No mais, faltam opções naturais para as duas laterais, já que Laurini, Venuti e Olivera não foram utilizados na preparação e apenas o holandês Diks participou. Junto com o trio, não está clara também as situações de Cristóforo, Théréau e Zekhnini, outros jogadores que estão sobrando no elenco viola.

Torino

Bremer, do Torino (Getty)

Time-base: Sirigu; Izzo, N’Koulou, Moretti; De Silvestri, Baselli, Rincón, Meïté, Ansaldi; Falque, Belotti. Técnico: Walter Mazzarri.
Opções: Ichazo, Rosati; Bremer, Lyanco, Bonifazi; Aina, Lukic, Valdifiori, Acquah, Berenguer; Niang, Ljajic, Edera, Parigini.
Esquemas possíveis: 3-5-2, 3-4-1-2 e 3-4-3.

Chegaram: Aina, Izzo, Bremer, Meïté e Lukic
Saíram: Milinkovic-Savic, Burdisso, Barreca, Molinaro, Obi e Gustafson
O que falta: volante

Na primeira janela completa com Mazzarri no comando técnico, o Torino trabalhou para dar a cara do treinador ao elenco. Mesmo sem grandes recursos, já que que exercitou as contratações em definitivo de N’Koulou, Ansaldi, Rincón e Niang, o presidente Cairo e o diretor Petrachi dedicaram um olhar especial para a defesa, que se viu desfalcada dos veteranos Burdisso e Molinaro, além do jovem Barreca – vendido ao Monaco por um bom valor.

Acostumado a jogar no sistema de Mazzarri, Izzo chegou do Genoa como a principal novidade para a zaga granata, que a princípio será composta juntamente com N’Koulou e o veterano Moretti. A outra novidade é o brasileiro Bremer, que promete brigar por uma vaga no time titular. A ambientação não deverá ser um grande problema para a revelação do Atlético Mineiro, já que o são-paulino Lyanco, atualmente lesionado, está em Turim há um ano e meio e ambos jogaram juntos na base tricolor.

O Torino conta com várias opções no ataque para duas ou três posições, dependendo do esquema tático utilizado. O 3-5-2 foi o mais testado com a ausência de Ljajic na preparação: o sérvio foi um componente importante no 3-4-1-2 ou 3-4-3 de Mazzarri na segunda metade da última temporada. Falque e Belotti seguem intactos na frente e o italiano, inclusive, começou a temporada com doppietta na Coppa Italia e fome para recuperar a melhor forma.

Já o meio-campo ficou desfalcado por Obi e deve perder Acquah até o fim da janela. Em contrapartida, chegou apenas Meïté, que – por manter o perfil de volantes do time – começou a temporada como titular ao lado de Rincón e Baselli. Os dois também marcaram na estreia oficial na temporada, pela terceira fase da Coppa Italia. Um jogador que pode ganhar mais espaço é o espanhol Berenguer, versátil ponta que iniciou o ano jogando na esquerda no lugar de Ansaldi.

Sampdoria

Grégoire Defrel, da Sampdoria (Divulgação)

Time-base: Audero; Bereszynski, Andersen, Colley, Murru; Praet, Ekdal, Jankto; Ramirez; Defrel, Quagliarella. Técnico: Marco Giampaolo.
Opções: Belec, Rafael; Sala, Rolando, A. Ferrari, Regini, Leverbe, Júnior Tavares; Barreto, Linetty, Vieira, Verre; Caprari, Kownacki, Stijepovic.
Esquemas possíveis: 4-3-1-2.

Chegaram: Audero, A. Ferrari, Colley, Ekdal, Jankto, Vieira e Defrel
Saíram: Viviano, Tozzo, Silvestre, G. Ferrari, Strinic, Torreira, Capezzi e Zapata
O que falta: opções na defesa

Depois de um segundo turno decepcionante na última temporada, a Sampdoria ficou na última posição da primeira parte da tabela após ter figurado na zona europeia por várias rodadas. A equipe começou a nova temporada sem grande empolgação. Pior, viu os titulares Viviano, Silvestre, Gian Marco Ferrari, Strinic, Torreira e Zapata saírem, enquanto o mercado de entrada não foi tão empolgante.

Apesar disso, Sabatini, dirigente com passagens por Lazio, Palermo, Roma e Inter, já deixou sua marca com algumas contratações criativas. Colley, herdeiro de Koulibaly no Genk, é a grande aposta para a zaga do time, que segue bastante desfalcada e conta com apenas os jovens Andersen, Alex Ferrari e Leverbe, enquanto o capitão Regini permanece fora por lesão no ligamento cruzado do joelho. O são-paulino Júnior Tavares será opção na esquerda e o jovem Rolando, depois de boa passagem no Palermo, pode aparecer na direita.

No meio-campo, a novidade da vez é Ronaldo Vieira, volante inglês de 20 anos que nasceu em Guiné-Bissau e cresceu em Portugal. O garoto brigará por um lugar bastante disputado no meio-campo doriano, que segue com o destaque Praet, além de Barreto, Linetty e Verre. Também reforçaram o setor Ekdal, volante revelado na Juventus e destaque na Rússia com a seleção sueca, e Jankto, versátil meia checo que estourou na Udinese em 2017 e já estreou com gol decisivo na Coppa Italia.

Ainda com Quagliarella no comando, depois de ter sido especulada uma saída no verão, o ataque perdeu Zapata, que passou para a concorrente Atalanta, e ganhou Defrel, veloz atacante que surgiu muito bem no Cesena, se afirmou no Sassuolo e sofreu para conseguir espaço na Roma no ano passado. O francês, apesar disso, tem o perfil de Giampaolo e gera alguma expectativa, mas precisará ficar de olho no garoto Kownacki, que espera jogar mais minutos como titular depois do bom desempenho no final da temporada.

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