Coppa Italia

Em alta: empolgante, Coppa Italia tem jogaços nas quartas e semifinais surpreendentes

Durante muitos anos, escrevemos na Calciopédia e, principalmente, no antigo Quattro Tratti, sobre como a Coppa Italia havia perdido importância e estava sendo desvalorizada com o tempo. Bastou a Juventus se tornar hegemônica nas duas principais competições nacionais do país, emendar quatro dobradinhas e tornar a conquista de qualquer título um verdadeiro artigo de luxo para o panorama mudar. A deixou de ser um prêmio de consolação, que valia apenas vaga na Liga Europa, e passou a ser cobiçada, disputada a tapa. Não à toa, a edição 2018-19 do torneio é a melhor e mais emocionante deste século.

Nesta semana, as quartas de final da Coppa Italia foram de tirar o fôlego. O “pior” jogo foi Inter e Lazio, que teve um gol aos 124 minutos – ou seja, o quarto minuto da prorrogação – e disputa por pênaltis. Antes disso, Piatek arrebentou pelo Milan, a Atalanta do mágico Gasperini eliminou a favoritíssima Juve e a Fiorentina atropelou a Roma.

No fim das contas, os quatro favoritos não avançaram e três dos semifinalistas disputaram finais da competição nesta década. O Milan foi vice em 2016 e 2018, a Fiorentina também amargou a segunda posição, em 2014, enquanto a Lazio foi campeã em 2013 e chupou dedo em 2015 e 2017. O “peixe fora d’água” é a Atalanta, campeã em 1963 e vice em 1987 e 1996. A etapa, disputada em jogos de ida e volta, acontecerá na última semana de fevereiro e na derradeira de abril.

Novo clube, velhos hábitos: Piatek mantém verve goleadora no Milan (LaPresse)

Milan 2-0 Napoli
Piatek (Laxalt) e Piatek (Lucas Paquetá)

É centroavante que você queria, Milan? Se Higuaín não rendeu o esperado, há um tal de Piatek para compensar. Na primeira partida como titular pelo Milan, o polonês já deu as caras com uma doppietta contra o Napoli e levou os rossoneri para as semifinais mais uma vez. O momento das duas equipes poderia indicar favoritismo azzurro, mas o domínio histórico milanista sobre os partenopei na Coppa Italia se provou acurado. Até hoje, o Diavolo passou pelos napolitanos na fase final da competição em todos os duelos.

Três dias depois do confronto que terminou zerado no campeonato, os anfitriões pareciam renovados: dessa vez a pontaria dos rossoneri estava afiada. Afinal de contas, Piatek estava no comando do ataque e não perdeu as oportunidades que teve na frente de Meret. Lançado por Laxalt, o polaco facilmente superou Maksimovic antes de abrir o placar, aos 11 minutos. Aos 27, dessa vez em passe de Lucas Paquetá, fintou Koulibaly antes de acertar bonita finalização e marcar seu oitavo gol na copa. Artilheiro da competição, já é o atleta que mais anotou na Coppa Italia desde a temporada 2004-05, quando Andrea Lazzari fez nove pela Atalanta. O recorde é de Gianluca Vialli, que fez 13 em 1988-89.

Do outro lado, apesar de ter dominado a posse de bola, o Napoli foi bastante improdutivo no ataque e novamente teve ação resumida a bolas cruzadas procurando Milik, consagrando Romagnoli e companhia com diversos cortes e interceptações. Melhor em campo no sábado, Donnarumma pouco trabalhou contra um ataque liderado por Insigne, que vive péssimo momento e não marca desde o início de novembro.

Paira uma nuvem de chuva constante sobre Di Francesco: até quando ele aguentará a cantilena? (AP)

Fiorentina 7-1 Roma
Chiesa (Mirallas), Chiesa (Mirallas), Muriel (Biraghi), Benassi (Muriel), Chiesa (Benassi), Simeone (Gerson) e Simeone (Veretout) | Kolarov (El Shaarawy)

Que a Roma está acostumada a levar sete gols não é novidade para ninguém. No entanto, o resultado no Artemio Franchi pegou todos de surpresa. A sonora goleada teve a marca das últimas semanas agitadas da Fiorentina, que decidiu nos acréscimos partidas movimentadas contra Torino, Sampdoria e Chievo. Dessa vez, o time de Stefano Pioli massacrou e colocou ainda mais pressão sobre Eusebio Di Francesco e aprofundou a turbulência nos bastidores do clube romano.

Como contra a Atalanta, a Roma tentou marcar alto em Florença. Isso ofereceu bastante espaço para o time da casa aproveitar. Sempre em contra-ataques ou lançamentos em profundidade, Chiesa e companhia fizeram a festa na defesa giallorossa. O filho de Enrico, inclusive, marcou os dois primeiros, reprisando as doppiette contra Torino e Chievo. Ambos os gols tiveram a participação de Mirallas, que aproveitou muito bem a chance como titular.

No centro do ataque, Muriel também deixou sua marca, indo às redes pela terceira partida seguida, após jogada de Biraghi. O gol do colombiano, aliás, saiu logo depois que Kolarov chutou forte da entrada da área e descontou para os visitantes – nem deu tempo para comemorar, já que a Roma foi frustrada na sequência. Também dos pés do atacante sul-americano saiu o quarto: a atacante que se inspira em Ronaldo Fenômeno serviu Benassi já no segundo tempo. A missão viola ficou ainda mais fácil quando, pouco depois, Dzeko foi expulso por reclamar acintosamente de uma falta já marcada pela arbitragem sobre o companheiro Pellegrini.

Na jogada seguinte ao polêmico lance, Chiesa recebeu passe de Benassi para marcar sua primeira tripletta da carreira, duas semanas depois de ter feito a primeira doppietta. Em fase esplendorosa, o italiano chegou a sete gols nas quatro partidas de 2019. No final, foi a vez de Simeone desencantar e marcar mais dois gols, em belos passes de Gerson e Veretout, que aproveitaram os espaços nas costas de Fazio e Manolas.

Zapata continua carregando a Atalanta nas costas: dessa vez, despachou a Juventus (Getty)

Atalanta 3-0 Juventus
Castagne, Zapata (Gómez) e Zapata

Não bastassem as surpresas anteriores, a Atalanta fez a partida da sua vida para derrubar a Juventus no Atleti Azzurri d’Italia e vingar as eliminações que a Velha Senhora lhe infligiu nas últimas duas edições da copa. Dessa forma, a tetracampeã não estará nas semifinais pela primeira vez desde 2014, algo que tinha acontecido nesta década apenas três anos antes. Esta também foi a primeira vitória dos  bergamascos contra os bianconeri desde 2004. Naquela ocasião, a Dea também eliminou a Juve na copa – mas nas oitavas de final.

Como fizera contra a Juventus em dezembro, em casa, o time de Gian Piero Gasperini marcou alto a saída juventina, bastante prejudicada pelas ausências de Bonucci e Pjanic – no fim de semana, a Lazio também tinha feito o mesmo. Além de ter produzido suas melhores oportunidades roubando no campo adversário, a Atalanta também neutralizou os contra-ataques da Juventus, que pela segunda vez em três dias terminou o primeiro tempo sem um único chute ao gol.

Para alcançar uma façanha que apenas Barcelona e Real Madrid conseguiram nos últimos dois anos (bater a Velha Senhora por 3 a 0), a equipe de Bérgamo contou com vacilos fatais dos visitantes. A começar por Cancelo, que perdeu a bola para Castagne na frente da área; o próprio belga finalizou a jogada e abriu o placar. Menos de dois minutos depois, em nova confusão da defesa juventina, Zapata completou jogada de Papu Gómez para ampliar a vantagem.

Já no final da partida, na qual pouco se viu o craque Cristiano Ronaldo, Zapata brilhou de novo. Ofuscando o português, o colombiano aproveitou a falha de De Sciglio em recuo para marcar sua doppietta. Desde o início de dezembro, o artilheiro participou ativamente de 18 gols, sendo 17 tentos e uma assistência, e deixou sua assinatura nas últimas dez partidas. Nenhum outro jogador das cinco principais ligas europeias se saiu melhor nesse período, considerando todas as competições.

Strakosha defendeu e Lucas Leiva converteu o pênalti decisivo (EFE)

Inter 1-1 Lazio (3-4 nos pênaltis)
Icardi (pênalti) | Immobile (Caicedo)
Marcaram: Brozovic, Icardi e Cédric (Inter) | Immobile, Parolo, Acerbi e Lucas (Lazio)
Erraram: Lautaro e Nainggolan (Inter) | Durmisi (Lazio)

Se Inter e Lazio pecaram na técnica durante os 90 minutos, não faltou emoção no final do tempo normal e em toda a prorrogação, o que levou a partida da quinta para a disputa de pênaltis. A equipe romana sofreu, mas acabou, finalmente, tirando a adversária lombarda do caminho. A Beneamata estava entalada na garganta dos laziali, que vingaram o 3 a 0 sofrido no campeonato e a derrota por 3 a 2 na última rodada da temporada passada, que valeu a perda da vaga na Liga dos Campeões para os nerazzurri. A classificação teve um gosto ainda mais especial quando Nainggolan, ex-romanista, errou a cobrança final.

A Lazio repetiu a fórmula que resultou em um domínio de mais de uma hora contra a Juventus, na última rodada da Serie A. O time visitante entrou marcando alto e pressionando bastante a Inter, que, acuada, não conseguia sair jogando de nenhuma forma e pouco pisou na área adversária. Em contra-ataques, os visitantes levaram bastante perigo para Handanovic, que pouco a pouco se consagrava como o melhor em campo durante o tempo normal.

Afinal de contas, mesmo no segundo tempo, quando o time de Luciano Spalletti teve mais domínio territorial e controlou a posse de bola, a equipe de Simone Inzaghi se manteve mais produtiva e, nos extremos da etapa final, viu o goleiro esloveno virar herói, com defesas estrepitosas diante de Caicedo e Immobile. Do outro lado, Candreva e Lautaro desperdiçaram as chances mais claras de gol da partida, perdendo gols com Strakosha já batido. O goleiro albanês, por sua vez, foi o herói dos pênaltis, defendendo as cobranças displicentes de Lautaro e Nainggolan.

Antes disso, o jogo ganhou ares de dramaticidade quando Icardi respondeu ao gol marcado por Immobile – o camisa 17 deixou o dele no primeiro tempo da prorrogação. Já nos acréscimos do segundo tempo, Radu derrubou D’Ambrosio dentro da área e o argentino converteu a penalidade aos 125 minutos. Mesmo com outro gol (de cavadinha) na disputa por pênaltis, porém, não avançou com sua equipe.

Dessa forma, a Inter repetiu um cenário comum na década. Em apenas três oportunidades a equipe nerazzurra avançou para as semifinais da competição, que venceu em 2011 – o seu último título oficial, inclusive. Já a Lazio será a mais “experiente” das equipes semifinalistas, uma vez que disputado a final em três ocasiões nos anos 2010. O time celeste também foi o último campeão do quarteto: levantou a taça em 2013, após ter batido a arquirrival Roma.

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