Serie A

36ª rodada: postulantes pela Europa vencem e briga fica viva para jogos finais



Faltando duas semanas para o fim do campeonato, os resultados da rodada de número 36 da Serie A deixaram a competição ainda mais emocionante. Na parte de cima da tabela, tivemos vitórias das seis equipes que disputam vagas para Liga Europa e Liga dos Campeões. Na ponta inferior da disputa, a Lazio, oitava colocada, só almeja a Europa League, enquanto na parte superior, a Inter, terceira, precisa de uma vitória em dois jogos para se garantir na competição de clubes mais importante do planeta.

Na luta contra o rebaixamento, rodada positiva para Bologna, Udinese e Empoli, e de muita preocupação para o Genoa. Na busca pela artilharia, Quagliarella foi o único entre os cinco principais postulantes que marcou na rodada e ficou muito perto de, pela primeira vez na carreira, ser o maior goleador da Serie A. Confira o resumo do final de semana.

Roma 2-0 Juventus
Florenzi (Dzeko) e Dzeko (Ünder)

Tops: Mirante e Ünder (Roma) | Flops: Pjanic e Cuadrado (Juventus)

No último jogo do domingo, a Roma de Ranieri conseguiu uma importante vitória, depois de começar muito mal a partida contra a Juventus. O goleiro Mirante foi decisivo para o resultado positivo dos giallorossi, que continuam com boas chances de conseguir uma vaga para a Liga dos Campeões.

Ranieri mandou a campo uma equipe escalada no 4-3-3, com El Shaarawy e Kluivert nas pontas. Com o título já garantido, a Juventus foi a campo com força máxima, escalada no 4-4-2 com Cuadrado e Matuidi abertos e Cristiano Ronaldo e Dybala como dupla de ataque. Ao contrário de partidas recentes no campeonato, a Vecchia Signora começou a partida muito ligada, com intensidade nas ações ofensivas pelos flancos e uma dinâmica interessante entre a dupla de ataque. Logo nos primeiros minutos, Cuadrado teve excelente oportunidade de inaugurar o marcador, mas finalizou mal e Mirante defendeu.

O time capitalino sofreu para conseguir estabelecer sua saída de bola. Apesar de ter uma boa qualidade de passe, Nzonzi é lento e tem pouca capacidade de giro, como Pellegrini tem características voltadas à pressão alta e Zaniolo é um jogador de toques em campo ofensivo. Com isso a saída ficou muito dependente de apoios do Florenzi por dentro, mas ele esteve bem marcado por Matuidi.

Ainda no primeiro tempo, a Juventus criou duas grandes oportunidades de abrir o marcador. No primeiro lance, Cristiano Ronaldo partiu com a bola dominada pelo lado esquerdo, deixou dois marcadores para trás e rolou para Dybala finalizar com força e obrigar Mirante a fazer uma grande defesa. Minutos depois, mais uma jogada bem trabalhada, de um lado a outro, até Cristiano rolar para Dybala finalizar e Mirante tocar na bola – que ainda resvalou na trave antes de ser afastada.

Além da falta de tranquilidade para sair jogando, a Roma precipitou muitos ataques: pode ser muito perigoso perder a bola em campo ofensivo contra uma equipe que tem Cristiano Ronaldo para organizar a transição. Desta maneira, no início do segundo tempo, mais uma chance de gol foi criada, com o português arrancando em velocidade e ativando Dybala, que rolou para a finalização de Can e nova defesa de Mirante.

Ranieri trocou Pellegrini por Cristante e Kluivert por Ünder. O frescor que esses jogadores ofereceram e a queda física da Juventus geraram um novo cenário para a partida, com a Roma conseguindo jogar um pouco mais pelo centro do campo e tendo espaço para ativar o mano a mano dos pontas. Desta maneira, o time da casa marcou o primeiro gol aos 79, com Florenzi trabalhando por dentro e aproveitando a qualidade de Dzeko no pivô, para gerar superioridade numérica e sair na cara de Szczesny, sobre quem deu uma cavadinha e abriu o placar. Com a vantagem e espaço para contra-atacar, os donos da casa sacramentaram a vitória nos acréscimos: Ünder acelerou desde o campo de defesa e tocou para Dzeko definir.

Çalhanoglu decretou o importante triunfo do Milan em Florença (AP)

Fiorentina 0-1 Milan
Çalhanoglu (Suso)

Tops: Çalhanoglu e Donnarumma (Milan) | Flops: Dabo e Fernandes (Fiorentina)

No sábado, Fiorentina e Milan se enfrentaram em uma partida de pouca continuidade ofensiva de lado a lado, e que terminou com a vitória do Diavolo graças à atitude de Çalhanoglu e aos erros de Montella nas escolhas táticas. Com o triunfo, o Milan se colocou em uma posição mais favorável para chegar a próxima Liga dos Campeões, já que a Atalanta enfrenta a Juventus na próxima rodada e o Milan possui a vantagem no confronto direto em caso de empate em pontos. Já a Viola chegou a 12 jogos seguidos sem vitórias e amplificou sua crise: o treinador contesta o lado emocional dos jogadores e se perde na escolha das peças e na forma de utilizá-las.

Ainda sem poder contar com o retorno de Biglia e tendo perdido Caldara, Calabria e Paquetá para o restante da temporada, Gattuso mandou a campo o que tinha de melhor, inclusive sendo capaz de superar as rusgas com com Bakayoko e lançá-lo como titular. Montella não pode contar com Veretout, suspenso, e optou por deixar Simeone no banco, escalando Chiesa, Muriel e Mirallas como trio de ataque.

Desde os primeiros minutos os rossoneri foram superiores no jogo, com bastante ritmo ofensivo e Çalhanoglu e Kessié pisando na área adversária. O turco foi fundamental para a vitória de sua equipe, pois foi muito incisivo e buscou resolver as jogadas, assumindo a responsabilidade de comandar o jogo. Foram quatro finalizações do camisa 10 no jogo: Lafont defendeu todas as que ele fez com os pés, mas não conseguiu pará-lo quando Suso cruzou para que raspasse, de cabeça.

Outra vez vimos Chiesa muito abaixo do que pode produzir – e parte disso vai para a conta de Montella. O ponta tem velocidade, explosão e boa finalização, mas não tem drible em espaço reduzido. O camisa 25 da Viola precisa da transição rápida, do campo aberto, para punir os defensores mais lentos. Ficando muito preso à lateral do campo, se torna mais simples marcá-lo. Embora Donnarumma tenha sido providencial em alguns momentos, parte da vitória rossonera se deu, também, pela ineficácia gigliata.

Inter 2-0 Chievo
Politano e Perisic

Tops: Miranda e Politano (Inter) | Flops: Rigoni e Cesar (Chievo)

No jogo que encerrou a 36ª rodada, Inter e Chievo se enfrentaram no San Siro diante de pouco mais de 57 mil torcedores, que comemoraram um triunfo fundamental para a Beneamata – que, agora, precisa de mais três pontos em duas rodadas para se garantir matematicamente na Liga dos Campeões. Apesar de vencer com muita tranquilidade, sem permitir nenhuma finalização à sua meta, a Inter outra vez jogou menos do que poderia frente ao pior time do campeonato e demonstrou que depende muito de Brozovic para conseguir boas exibições.

Sem poder contar com o meia croata, Spalletti escalou seu meio-campo com Vecino, Valero e Nainggolan. Mesmo controlando a posse de bola desde o primeiro minuto, a Beneamata tinha uma circulação ofensiva limitada, movimentava pouco as suas peças e construía o jogo com muita lentidão. O time voltou a cruzar muitas bolas na área buscando Icardi e o ataque ao espaço de Nainggolan, mas pecou na pontaria. Politano e Perisic insistiram muito e buscaram com frequência o um contra um, conseguindo levar perigo ao time rival. Foi com Politano que a Inter abriu o placar no final do primeiro tempo, numa sobra de bola que terminou com finalização no canto do goleiro Semper.

O jogo voltou ainda mais lento para a segunda etapa: o Chievo que não conseguia ultrapassar o meio-campo e a equipe nerazzurra relutava em acelerar o ritmo ofensivo e definir o placar. Aos 76 minutos, Rigoni facilitou as coisas para a Inter, quando levou o segundo amarelo e foi expulso. Depois de muitas tentativas – seis finalizações, sendo uma delas na trave –, Perisic aproveitou uma boa jogada de Cédric e Candreva, no apagar das luzes, e fechou o placar. O Chievo é a vítima preferida do croata, que anotou sete gols em sete partidas contra os clivensi. Também houve tempo para a ovação do San Siro a Pellissier: o veterano do Chievo, que está se aposentando, disputou os derradeiros minutos da partida.

Perisic ajudou a tranquilizar a torcida interista: a UCL está mais próxima (Image Sport)

Atalanta 2-1 Genoa
Barrow (De Roon) e Castagne (Djimsiti) | Pandev (Romero)

Tops: Barrow e De Roon (Atalanta) | Flops: Zukanović e Kouamé (Genoa)

Um jogo com duas faces para abrir a rodada. Em Reggio Emilia, tivemos um primeiro tempo bastante tenso e uma segunda etapa condicionada por um gol marcado logo no primeiro minuto. Com objetivos bem diferentes a essa altura do campeonato, Atalanta e Genoa compartilhavam a necessidade de somar pontos e deixaram que o nervosismo ditasse o ritmo das ações até o intervalo.

Sem poder contar com Masiello e Mancini, suspensos, que se somaram ao desfalque do lesionado Rafael Toloi, Gasperini escalou a Dea em seu habitual sistema com três zagueiros, adaptando o holandês Hateboer à função. Do lado do Genoa, Sturaro foi o único desfalque de maior gravidade para Prandelli, que escalou sua equipe no 4-1-4-1, com Bessa e Kouamé nas pontas e Lapadula no comando do ataque.

O primeiro tempo não foi bom para os mandantes, que precipitavam muito as jogadas e acabavam facilitando o encaixe da marcação rival. Faltava a experiência de Gómez, também suspenso. As tentativas de dobradinha pelo lado direito, entre Hateboer e Castagne, com Ilicic trabalhando por dentro, esbarravam na boa partida defensiva de Criscito. Com a falta de continuidade ofensiva da Atalanta, o Genoa conseguiu criar em contra-ataques, sempre com o brasileiro Bessa como diretor ofensivo, mas Lapadula acabou desperdiçando a melhor oportunidade do primeiro tempo.

Na volta do intervalo, Gasperini colocou Barrow no lugar de Pasalic, buscando melhorar o peso ofensivo da equipe, que teria Zapata e Barrow como dupla de ataque e Ilicic centralizado. E não poderia ter dado mais certo. No primeiro minuto do segundo tempo, De Roon enxergou o desmarque de Barrow nas costas de Zukanovic e o jovem atacante da Dea marcou seu primeiro gol no campeonato. Com o placar favorável, o clima no estádio ficou mais leve e a Atalanta conseguiu trabalhar melhor seu sistema de atrair o rival, sair trocando passes e ativar os alas com Ilicic na ligação. Sete minutos depois do primeiro gol, Djimsiti apareceu como elemento surpresa na área rival e finalizou cruzado para o meio da área; Castagne atacou o espaço e marcou o segundo.

Sabendo da situação de risco que sua equipe vive no campeonato, Prandelli buscou aumentar a velocidade e intensidade do time nas transições para tentar a reação. Para isso, colocou Pedro Pereira em campo e ativou a presença de área com Sanabria. Kouamé tem talento e é um jogador interessante, mas não faz um bom final de campeonato: novamente foi substituído depois de pouco produzir. O Genoa só conseguiu descontar aos 89, depois que Pandev recebeu passe de calcanhar de Romero e finalizou. No final das contas, a Atalanta garantiu pontos fundamentais em sua luta por uma vaga na próxima LC, enquanto os grifoni estão em uma situação mais delicada do que nunca e precisam se fechar nas duas rodadas finais para evitarem a queda.

Cagliari 1-2 Lazio
Pavoletti (Castro) | Luis Alberto (Marusic) e Correa (Luis Alberto)

Tops: Luis Alberto e Proto (Lazio) | Flops: Romagna e Pellegrini (Cagliari)

Na Sardenha, Cagliari e Lazio se enfrentaram em uma partida que poderia representar a concretização da permanência para os donos da casa, em caso de vitória. Por sua vez, os visitantes já entraram em campo sem chances de atingirem pontuação necessária para a Liga dos Campeões e buscaram mais alguns pontos para não dependerem do título da Coppa Italia para irem à Europa League.

Maran não pode contar com Ionita, suspenso, e optou pelo jovem Deiola no meio-campo. De resto, o habitual 4-3-1-2, com Barella como armador e João Pedro e Pavoletti como dupla de ataque. Já Inzaghi tinha muitos problemas com lesões e não pode contar com Strakosha e Milinkovic-Savic para a partida. A Lazio entrou em campo no 3-5-2 de sempre, com Luis Alberto e Parolo organizando o jogo no meio-campo e Correa e Caicedo avançados. A ideia era explorar a potência física da dupla.

Sabendo da importância do jogo, os laziali imprimiram ritmo muito intenso, somando trocas de passe na zona central e conseguindo atacar bem as costas dos laterais do Cagliari. Aos 31 minutos, saiu o primeiro gol: uma linda jogada trabalhada da esquerda para a direita, de pé em pé, terminou no passe de Marusic para o meio da área e num chute colocado de Luis Alberto, no canto inferior direito da meta sarda.

O Cagliari não conseguia iniciar bem suas jogadas com a dupla de zaga, Romagna e Klavan. Por isso, buscou muito a ligação direta com Pavoletti, mas não tinha eficiência no modo que pressionava em busca da segunda bola. Sem somar saídas, a equipe viu a Lazio continuar trabalhando bem as jogadas em campo ofensivo e o 2 a 0 poderia ter se concretizado ainda no primeiro tempo, num chute de Badelj que explodiu no travessão.

Precisando buscar o resultado para garantir sua permanência na elite, sem depender de outros resultados, os donos da casa se lançaram ao ataque nos primeiros minutos do segundo tempo, o que acabou sendo bom para a equipe da capital. Logo aos 53, a Lazio encaixou um lindo contra-ataque com Luis Alberto, que rolou para Correa bater cruzado e marcar.

Com uma boa vantagem, o time celeste perdeu concentração na defesa e permitiu algumas chances de gol aos rivais, que deram trabalho ao goleiro Proto com bolas levantadas na área. Já nos acréscimos, foi a partir de um cruzamento que Pavoletti reduziu a vantagem, mandando no ângulo do arqueiro belga. Embora tenha vencido, é impressionante como a equipe de Inzaghi permite gols nos minutos finais. Dos 40 que sofreu no campeonato, 13 foram marcados nos 15 derradeiros minutos das partidas.

Zapata e Barrow comemoram: a Atalanta está perto de feito inédito (EFE)

Torino 3-2 Sassuolo
Belotti (De Silvestri), Zaza (Meïté) e Belotti (De Silvestri) | Bourabia (Djuricic) e Lirola

Tops: Belotti e De Silvestri (Torino) | Flops: Bourabia e Ferrari (Sassuolo)

Dando o pontapé inicial ao domingo de futebol na Itália, tivemos uma das melhores partidas da rodada. Com uma vitória suada, conquistada com uma virada sobre o bravo Sassuolo, o Torino manteve acesa a chama do sonho europeu e continua a impressionar: é uma das melhores temporadas que o clube foi capaz de produzir nas últimas décadas. Não à toa, Belotti conseguiu igualar Paolo Pulici e Francesco Graziani, dupla de goleadores do último scudetto grená, obtido em 1976: haviam sido os últimos a marcarem pelo menos 15 tentos em duas temporadas pelo Toro.

Bem diferentes em termos de estilo de jogo, Mazzarri e De Zerbi tem em comum o bom trabalho que realizam com suas equipes. O Torino tem uma defesa muito sólida, a terceira melhor do campeonato, atua quase sempre com linha de cinco no momento defensivo e conta com as transições ofensivas pelos flancos como maior arma ofensiva. Já o Sassuolo gosta de ficar com a bola, atuou muitas vezes no 4-3-3 e apresentou elementos interessantes de construção de jogo apoiado.

Como esperado, o Torino começou tomando a iniciativa, atacando com muita intensidade com as subidas de Ansaldi pelo lado esquerdo e buscando sempre Belotti como referência dentro da área. Quando perdeu a posse de bola, o Toro marcou com muita agressividade nos duelos individuais, buscando acabar rapidamente com as tentativas de triangulações dos visitantes. Essa intensidade inicial do Torino acabou resultando em cruzamentos perigosos e, em um deles, Magnanelli acabou cometendo penalidade por conta de uma interceptação com o braço. O artilheiro Belotti cobrou mal, a bola bateu no travessão e saiu.

A equipe granata sentiu a oportunidade desperdiçada e perdeu volume ofensivo; o Sassuolo aproveitou a oportunidade e cresceu na partida. Sempre com Sensi como organizador do jogo e diretor ofensivo, os neroverdi buscaram trabalhar as jogadas com tranquilidade e chegaram ao gol quando Bourabia finalizou com muita classe, da entrada da área. Na comemoração, o jogador levantou a camisa e acabou tomando o segundo amarelo e sendo expulso. Mesmo com um homem a menos em campo, os visitantes lidaram bem com o resto do primeiro tempo e levaram a vantagem para o intervalo.

Na volta para o segundo tempo, Mazzarri sacou Lukic e colocou Zaza em campo, no intuito de trabalhar com dois finalizadores dentro da área rival. Se atacou mais pela esquerda no começo da partida, o fluxo ofensivo do Torino mudou completamente na segunda etapa. Baselli e De Silvestri cresceram de rendimento pela direita e o jogo ficou quente. Aos 5o, o lateral cruzou com maestria para o centro da grande área e Belotti finalizou com um voleio espetacular, obrigando Consigli a fazer uma grande defesa. Quatro minutos depois, Baselli cavou uma bola linda para achar De Silvestri dentro da área: o ala direito só rolou para o capitão marcar.

Com um a menos, o Sassuolo não conseguia somar saídas defensivas e ficava encurralado. Entretanto, aos 71 minutos de jogo, Boga foi lançado em velocidade, fez o que quis com Moretti e finalizou para a defesa de Sirigu. No rebote, Lirola finalizou de calcanhar e devolveu a vantagem no marcador para sua equipe. Após o segundo gol, De Zerbi tirou Boga e colocou Babacar, passando a contar com um jogador para receber jogo direto. Os neroverdi passaram a marcar num 4-4-1.

Precisando virar jogo de qualquer maneira, o Toro se lançou ao ataque, sempre ao seu estilo, buscando os cruzamentos laterais ou a finalização de meia-distância. Os cruzamentos esbarravam na boa partida de Demiral – o turco teve 19 cortes na partida. Aos 81, contudo, Meïté conseguiu um passe digno de um autêntico trequartista e Zaza invadiu a área para marcar o gol do empate. Na saída de bola o Toro recuperou a posse e De Silvestri avançou para o ataque pela direita, até cruzar para Belotti completar mais um voleio maravilhoso e marcar o golaço que garantiu a vitória de sua equipe.

Belotti anotou uma doppietta e fez história em Turim (Getty)

Bologna 4-1 Parma
Orsolini (Dzemaili), Sepe (contra), Lyanco (Orsolini) e Sierralta (contra) | Inglese (Gervinho)

Tops: Pulgar e Orsolini (Bologna) | Flops: Sepe e Bruno Alves (Parma)

No primeiro jogo da dobradinha da segunda-feira, o Bologna se impôs diante do seu torcedor, praticamente garantiu sua permanência na Serie A e ultrapassou o Parma, que ainda tem chances matemáticas de voltar à segundona. Em franco crescimento, o time rossoblù chegou ao sexto triunfo seguido como mandante – o que não ocorria desde 2002 – e pela primeira vez tem mostrado uma sequência compatível com os investimentos feitos pelo presidente Joey Saputo. Um bom presságio para a próxima temporada.

Mihajlovic não pode contar com Mattiello, lesionado, além de Dijks, Poli e Sansone, suspensos, para essa partida. Assim, o treinador optou por jogar com Palacio aberto como ponta pela esquerda, em seu 4-2-3-1. Já D’Aversa tinha muitos problemas para resolver para uma partida tão importante: estavam indisponíveis para o clássico Gagliolo (lesionado), Kucka e Barillà (suspensos). O treinador dos ducali escalou a equipe no 3-4-3, com Gazzola e Dimarco nas alas e Sprocati e Gervinho nas pontas.

Desde o começo o Bologna teve o controle da partida. Pulgar foi seu principal organizador, carimbando todas as bolas que saíam da defesa em direção ao ataque – o volante é o melhor jogador da equipe na temporada. Através dos passes iniciais do chileno e da boa velocidade de Orsolini, os rossoblù conseguiram ter um bom volume ofensivo, aproveitando a falta de costume do Parma em fazer seus zagueiros jogarem com a bola. O time da casa criou boas chances no primeiro tempo e poderia ter levado uma vantagem para o intervalo.

Aos 52, essa vantagem chegou. Pulgar ativou Dzemaili dentro da área e o suíço tocou de primeira para Orsolini bater com categoria e vencer o goleiro. Poucos minutos depois de abrir o placar, o Bologna dobrou sua vantagem. Pulgar cobrou falta da intermediária, Sepe calculou mal o tempo da bola e se enrolou todo: a pelota bateu na trave, nas costas do desajeitado e atrasado arqueiro e morreu nas redes.

D’Aversa tentou fazer a equipe reagir na partida, colocando Siligardi e Inglese nos lugares de Gazzola e Ceravolo. Contudo o experiente zagueiro Bruno Alves atrapalhou os planos do treinador ao ser expulso: acumulou dois amarelos em segundos após falta dura em Orsolini e uma bronca no adversário, que arrastou no gramado, puxando-o pela camisa. Dez minutos depois de forçar a expulsão do zagueiro rival, Orsolini participou do 3 a 0: cobrou escanteio na cabeça de Lyanco, que colocou a bola na rede.

Ainda houve tempo para o Parma descontar, com Inglese, após bom contra-ataque puxado por Gervinho – a dupla produziu 22 dos 39 gols que a equipe tem no campeonato. Três minutos depois, contudo, Pulgar pressionou a saída de bola adversária e, ao tentar driblar Sierralta, levou sorte: a bola bateu no defensor do Parma e, enganando Sepe, foi mansa para o fundo do gol.

Frosinone 1-3 Udinese
Dionisi (Beghetto) | Okaka, Samir (De Paul), Okaka (Lasagna)

Tops: De Paul e Okaka (Udinese) | Flops: Ariaudo e Paganini (Frosinone)

Em um Benito Stirpe que recebeu bom público e teve um bom ambiente, o jogo entre Frosinone e Udinese colocou frente a frente duas equipes com objetivos diferentes a esta altura do campeonato. Já rebaixado, o Frosinone acabou tendo uma atuação muito pobre em níveis de concentração e intensidade. Por isso, os mandantes foram presas fáceis para uma Udinese desesperada para escapar do rebaixamento.

Tudor escalou a Udinese outra vez no 3-5-2, com De Paul como construtor por dentro, e optou por Okaka e Lasagna como dupla de ataque. As escolhas deram resultado e a equipe matou o jogo ainda no primeiro tempo. Logo aos 8, Okaka fez uma linda jogada individual, utilizando sua força física, e finalizou no canto inferior esquerdo de Bardi. Depois do primeiro gol da Udinese, o Frosinone até tentou impor algum ritmo ofensivo e criou chances de gol em cruzamentos laterais, mas Musso foi bem e impediu qualquer chance de reação.

No final do primeiro tempo o jogo foi decidido. Em cobrança de falta de De Paul, Samir subiu e cabeceou para o fundo da rede. Depois, em lindo contra-ataque puxado por De Paul, Lasagna recebeu e só ajeitou para Okaka empurrar para a baliza. Com a vitória encaminhada, os friulanos trataram de administrar a partida, evitando um desgaste físico maior e pensando nas próximas rodadas. Aos 85, Dionisi completou escanteio cobrado por Beghetto e marcou o gol de honra de sua equipe.

O brasileiro Diego Farias se adaptou bem ao Empoli e tem ajudado o time a respirar nas últimas rodadas (Getty)

Sampdoria 1-2 Empoli
Quagliarella (pênalti) | Diego Farias (Traoré), Di Lorenzo

Tops: Diego Farias e Di Lorenzo (Empoli) | Flops: Tonelli e Caprari (Sampdoria)

No Marassi, o Empoli conseguiu interromper uma sequência de nove jogos sem vencer a Sampdoria e, mesmo com uma partida ruim do artilheiro Caputo, somou pontos fundamentais para fugir do rebaixamento. O primeiro triunfo como visitante nesta temporada demorou demais e a boa equipe azzurra pode se ressentir disso: mesmo tendo feito um campeonato mais interessante que algumas adversárias, segue na zona de rebaixamento, com um ponto a menos que o Genoa, e terá de somar pontos contra times que, ao contrário da Sampdoria, ainda têm objetivos na temporada. Nas próximas semanas, recebe o Torino e visita a Inter.

Como a Sampdoria já está garantida no meio da tabela, Giampaolo optou por experimentar. Mudou algumas peças, principalmente do meio para a frente, deixou Ramírez e Defrel no banco e contou com Caprari como organizador central e Gabbiadini como companheiro de ataque de Quagliarella. Já o Empoli de Andreazzoli entrou em campo no 3-5-2, com Bennacer como primeiro homem de meio-campo, à frente dos zagueiros, e Diego Farias e Caputo como dupla de ataque.

O primeiro tempo foi mais favorável aos donos da casa. Os dorianos conseguiam sair jogando com qualidade com Praet pela direita e Jankto pela esquerda, e depois ativavam Caprari em velocidade pelo centro do campo. Dessa maneira, a equipe criou boas chances de gol e só não abriu o placar devido a mais uma boa exibição de Drągowski.

Mesmo com 36 anos, Quagliarella não demonstra sinais de desgaste físico a esta altura da temporada. O artilheiro do campeonato estava realizando um trabalho defensivo muito importante, fechando as linhas de passe dos zagueiros com Bennacer e dificultando a saída de bola do Empoli. Foi assim em todo o primeiro tempo e em parte da segunda etapa. Porém, aos 57, Gabbiadini foi displicente e tudo o que a Sampdoria evitou que Bennacer criasse, acabou concedendo a Traoré. O jovem jogador azzurro acelerou a jogada após o passe errado do atacante adversário, tabelou com Diego Farias e deixou o brasileiro livre para marcar, com um toque de letra.

Depois de sofrer o gol, a Sampdoria teve de encarar um Empoli muito retraído, que não oferecia espaços entrelinhas para Caprari. Giampaolo tentou mudar a dinâmica do segundo tempo, trocando Ekdal e Caprari por Sau e Ronaldo Vieira, mas não teve muito tempo para ver se daria certo. O brasileiro Farias invadiu a área pelo lado esquerdo, driblou Tonelli e sofreu pênalti. Caputo bateu no meio, Audero rebateu e Di Lorenzo completou. A Samp praticamente se rendeu e só descontou no finalzinho, depois de Sau sofrer pênalti e proporcionar o 26º tento de Quagliarella.

Spal 1-2 Napoli
Petagna (pênalti) | Allan (Younes) e Mário Rui (Callejón)

Tops: Viviano (Spal) e Meret (Napoli) | Flops: Cionek (Spal) e Luperto (Napoli)

Spal e Napoli fizeram um bom jogo em Ferrara, mesmo que a peleja fosse apenas um amistoso – as duas equipes não têm mais objetivos em 2018-19. Semplici escalou seu time com força máxima, jogando no habitual e organizado 3-5-2, enquanto Ancelotti teve uma série de desfalques para a partida: Chiriches, Maksimovic, Insigne e Mertens estão lesionados, enquanto Ospina foi liberado para resolver problemas pessoais. Com isso, Luperto foi titular na zaga e Younes, na ponta esquerda.

Apesar do bom desempenho defensivo durante a temporada e de ser uma equipe que se impõe através do físico, a Spal sofreu muito no primeiro tempo com a mobilidade do time do Napoli. Younes, Callejón e Allan foram um terror para os mandantes na primeira etapa. Milik e Younes poderiam ter inaugurado o marcador ainda no primeiro tempo, mas suas finalizações não lograram êxito.

O primeiro napolitano saiu nos minutos iniciais da segunda etapa. Allan fez bonita jogada individual e, após a sobra, teve a bola nos pés para acertar no ângulo de Viviano e fazer 1 a 0. Na busca pelo empate, Semplici trocou Valoti por Antenucci e aumentou a presença ofensiva de sua equipe. Sempre buscando a ligação direta e vencer a segunda bola, os spallini cresceram na partida aos poucos e conseguiram o empate aos 84: Luperto fez pênalti em Floccari e Petagna converteu, anotando seu 15º gol no campeonato. Contudo, o Napoli chegou à vitória com um tento improvável: Mário Rui tabelou com Milik e Callejón e soltou um petardo no ângulo. A Spal tentou chegar ao empate outra vez, mas Meret estava atento e evitou o tropeço azzurro.

Seleção da rodada
Mirante (Roma); Di Lorenzo (Empoli), Lyanco (Bologna), Miranda (Inter), De Silvestri (Torino); Pulgar (Bologna), De Roon (Atalanta); Orsolini (Bologna), Luis Alberto (Lazio), De Paul (Udinese); Belotti (Torino). Técnico: Sinisa Mihajlovic (Bologna).



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