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Como a Roma usa as redes sociais para encontrar crianças desaparecidas

Anúncio de Mert Cetin na Roma


Fake news, discurso de ódio, difamação, bullying. Enquanto as empresas de redes sociais lutam para tornar o ambiente digital um pouco menos tóxico, a Roma decidiu fazer algo de diferente neste verão europeu: usou o poder das plataformas para encontrar crianças desaparecidas.

Em julho, o clube giallorosso se juntou a instituições ligadas mundialmente à causa e usou o poder que tem no Twitter, Facebook e Instagram para causar impacto positivo. Graças a uma campanha que uniu anúncios da janela de transferências a imagens de crianças desaparecidas, um garoto e uma adolescente já voltaram às suas famílias.

A ideia era simples: a foto de cada reforço viria ao lado da imagem de uma criança longe de casa.

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O principal responsável pela ação é Paul Rogers, diretor mídias digitais do time desde 2015. Ele afirma que o clima de ódio nas redes sociais foi um motivador para a campanha. “Essa é uma causa na qual acreditamos muito e que pode unir torcedores no momento em que as redes sociais se tornam um ambiente tão tóxico”, contou Rogers, ao site Sky Sports.

O primeiro resultado apareceu no fim de agosto, quando uma menina de 15 anos, de Londres, foi encontrada, seis dias depois do anúncio do zagueiro turco Mert Cetin. Em setembro, o anúncio do lateral-direito Davide Zappacosta, emprestado do Chelsea, mostrou um menino de 9 anos. Ele estava desaparecido desde junho, na Bélgica, e foi encontrado.

A equipe de redes sociais, então, obedecendo às recomendações da instituição, apagou os posts originais, dando às crianças o direito ao esquecimento. “Queremos que mais posts sejam deletados das nossas redes sociais, não há nada melhor”, comemorou Paul Rogers, em post emocionado no LinkedIn. A equipe recebeu um prêmio pela colaboração para a infância e a juventude.

O que outros times podem aprender

Com 1,8 milhão de seguidores na conta original no Twitter e 481 mil na conta em inglês, a Roma está longe de ser o time com maior número de fãs na rede. Ainda assim, coleciona cases positivos. De vídeos criativos e memes a ações de responsabilidade social, o clube usa medidas diferentes das planilhas publicitárias para medir resultados.

“É uma coisa simples para nós fazermos, mas que tem impacto e significado para muita gente. Nós não fizemos isso para ganhar um tapinha nas costas”, disse Paul Rogers, ao Sky Sports.

Queríamos fazer algo para mostrar que o futebol pode fazer o bem. É um mérito não só da Roma, mas também de outros torcedores e da mídia que apoiou isso.”

Em entrevista à CNN Sports, Rogers descartou que a ideia fosse tão inovadora ou original. A inspiração veio da banda Soul Asylum, que usou o clipe da música Runaway Train para divulgar a imagem de 36 crianças, em 1993. A ideia do diretor de mídias digitais da Roma é que esse tipo de ação se espalhe para outros clubes: “Acredito que, se outro time resolver fazer algo parecido, será um grande sucesso”.



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