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Como o futebol italiano reagiu à inundação de Veneza



Veneza vive um dos piores desastres da sua história. Na última terça-feira (12/11), o fenômeno da água alta levou a maré a 1,87m, maior marca desde 1966. Foi a pior semana desde que a cidade começou a coletar os dados oficialmente, em 1872. A prefeitura já conta o prejuízo na casa de um bilhão de euros, com o potencial de destruição alcançando 70% da cidade. Apesar de os turistas continuarem a tirar selfies, o momento de dor não é somente de seus cidadãos, mas também do futebol italiano.

Durante o fim de semana, federação, times, jogadores, ex-atletas e treinadores expressaram solidariedade ao momento pelo qual a cidade passa e criaram ações para tentar ajudar Veneza. Isso inclui a união de equipes rivais, a solidariedade de torcidas organizadas e diversas campanhas para ajudar a Sereníssima a se reconstruir.

Squadra Azzurra em Veneza

Uma delegação da seleção italiana desembarcou em Veneza no último sábado (16/11). Gabriele Gravina, presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC), estava com a equipe: “Uma cidade extraordinariamente romântica, bela, fascinante. Vê-la submersa em tanta água nos deixou com muita tristeza”. Também estavam ali Gianluca Vialli, ex-atacante azzurro, e o goleiro titular da seleção, Gianluigi Donnarumma. “O futebol pode dar esperança e alívio em um momento difícil como esse”, disse o milanista.

O papel do Venezia

O presidente do Venezia, Joe Tacopina, também acredita que o futebol tem tem a função de ajudar a população a se recuperar em momentos tão difíceis. A equipe joga a Série B.

Em entrevista ao jornal Gazzettino, o magnata norte-americano afirmou: “Somente agora, que moro em Veneza, entendo profundamente o drama de caminhar pela cidade e ver casas e lojas alagadas. Faz mal ao coração. Quero expressar toda a minha proximidade aos venezianos que estão demonstrando coragem e força.”

“Meu time e eu estamos à disposição dos cidadãos e da cidade para qualquer iniciativa que possa ser útil para aliviar o desalento e combater os danos sofridos.”

Homenagens

“Estou próximo a todos os venezianos e a essa maravilhosa cidade que já me deu tanto. Força Leoni, Força Veneza”, escreveu o ex-atacante Filippo Inzahi, treinador do Benevento. Ele usou o Instagram para expressar sua proximidade à cidade, onde morou e trabalhou de 2016 a 2018, quando a equipe subiu para a Série B.

Rivalidades de lado

Uma das maiores manifestações de solidariedade ao desastre de Veneza veio justamente de um rival, o Vicenza, que lidera seu grupo na Série C. O time publicou uma nota oficial no sábado, pedindo doações para a cidade. Eles também anunciaram a produção de uma camiseta em homenagem aos venezianos. O dinheiro vai para a cidade vizinha. A publicação destaca a vontade do time em ajudar “na retomada das atividades econômicas, sociais e culturais”.

A torcida organizada do Vicenza entrou na campanha, apesar da rivalidade. No jogo de domingo, contra o Ravenna, os fãs estenderam uma grande bandeira com o Leão de São Marco, símbolo da cidade submersa. Em nota, o grupo conclamou: “A bandeira é o símbolo desta região e de todos nós que, nesta terra, fixamos as nossas raízes”, diz o documento. “Não é política, como se costuma falar, porque a bandeira não é de nenhum partido ou movimento, mas pertence ao Vêneto. E nós queremos exprimir a nossa mais profunda e sincera solidariedade.”

O dinheiro do Chievo

O próximo domingo, 25 de novembro, será marcado por homenagens de outra cidade relativamente próxima, Verona. O Chievo, que enfrentará o Virtus Entella pela Série B, anunciou que destinará toda a renda da partida à prefeitura de Veneza.

No último domingo (17/11), num amistoso, a equipe entrou em campo com adesivos na camisa para sensibilizar os torcedores a comparecerem à partida contra o Entella. A pedido dos próprios jogadores, os uniformes utilizados serão leiloados na internet. Esta verba também será destinada à prefeitura.



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