Serie A

11ª rodada: Milan empata em casa e vê seus rivais encostarem na briga pela liderança

A 11ª rodada da Serie A começou triste: no meio da semana, morreu, aos 64 anos, Paolo Rossi, ídolo italiano e campeão do mundo em 1982. Todas as partidas tiveram um minuto de silêncio em homenagem ao craque, que também foi relembrado nos telões e com braçadeiras em sinal de luto.

Em campo, tivemos apenas um empate em toda a jornada – e ele foi justamente do líder Milan, que por pouco não foi derrotado em casa pelo Parma. Com o tropeço, o time rossonero viu os seus adversários encostarem: a Inter está apenas três pontos atrás, enquanto Napoli e Juventus têm quatro de desvantagem. O deslize do Milan deixou a ponta da tabela ainda mais embolada. A distância entre o Diavolo e a sexta colocada – a Roma, que goleou o Bologna fora de casa por 5 a 1 – é de apenas seis pontos.

Na parte inferior, o lanterna Crotone conseguiu sua primeira vitória no campeonato ao bater o Spezia por 4 a 1 e colou em Genoa e Torino, que perderam. A primeira equipe fora da zona de rebaixamento é a Fiorentina, que somou três derrotas nos últimos cinco jogos e inspira preocupação na torcida. A Udinese, por sua vez, conseguiu sua terceira vitória seguida e se afastou da confusão. Confira a análise da rodada.

>>> Classificação e artilharia da Serie A

Milan 2-2 Parma

Gols e assistências: Hernandez (Çalhanoglu) e Hernandez; Hernani (Gervinho) e Kurtic (Hernani)
Tops: Hernandez (Milan) e Hernani (Parma)
Flops: Kessié (Milan) e Iacoponi (Parma)

Para fechar a rodada, o líder Milan tropeçou e empatou com o bom time do Parma. O resultado fez a vantagem dos rossoneri cair para três pontos, enquanto os crociati têm cinco pontos de vantagem sobre a zona de rebaixamento. A partida teve enredo de filme de terror para os donos da casa, mas terminou com alívio graças ao empate obtido nos acréscimos.

Logo aos 13 minutos, Gervinho – sempre ele – fez boa jogada pela lateral e achou o brasileiro Hernani livre na área para abrir o placar para os visitantes. O Milan, então, teve gol de Castillejo anulado por um impedimento de alguns centímetros e acertou o travessão duas vezes num mesmo lance, com Díaz e Çalhanoglu. O turco ainda finalizou no poste outras duas vezes e, quando Kurtic marcou o segundo do Parma num contragolpe, a situação rubro-negra parecia irreversível. Só que o Diavolo tinha Hernandez: o francês marcou exatos dois minutos depois, de cabeça, e continuou participando da pressão milanista. Aos 91, o empate foi consumado: Sepe fez grande defesa em chute de Rebic, e Hernandez encheu o pé no rebote.

Cagliari 1-3 Inter

Gols e assistências: Sottil; Barella, D’Ambrosio (Barella) e Lukaku (Martínez)
Tops: Sottil (Cagliari) e Barella (Inter)
Flops: Walukiewicz (Cagliari) e Perisic (Inter)

No primeiro jogo do domingo, a Inter sofreu, mas conseguiu responder à eliminação na Champions League, no meio da semana anterior. O início da partida foi positivo para os nerazzurri, que pararam em quatro defesas importantes de Cragno e num corte providencial sobre Eriksen. A equipe foi perdendo tração depois que Conte pediu para que o dinamarquês não avançasse tanto e, no fim da primeira etapa, foi vazada com o primeiro chute a gol dos sardos, efetuado por Sottil. Ainda houve tempo para Pavoletti perder chance cara a cara com o Handanovic.

Conte, que deve ter reclamado bastante no intervalo, fez três substituições nos primeiros 15 minutos da etapa complementar, mas o time só veio a marcar depois que Lautaro foi a campo e o time mudou para um sistema com quatro defensores, aos 72. Cinco minutos após a troca, Barella empatou com um belo chute de primeira, na sequência de uma cobrança de escanteio. Barellino brigava muito em campo e foi fundamental novamente aos 84, quando cruzou na medida para o artilheiro dos gols importantes – falamos de D’Ambrosio – marcar, de cabeça, em seu primeiro toque na bola. No último lance, o Cagliari foi pra cima em busca do empate, na bola aérea, e a Inter emendou contra-ataque com Lukaku: o belga passou por Cragno (que, embora tenha feito grande primeiro tempo, foi impreciso nos lances dos gols) e garantiu a quarta vitória seguida da vice-líder do campeonato.

Barella brilhou contra o Cagliari, mas os gols decisivos da vitória da Inter foram D’Ambrosio e Lukaku (Getty)

Napoli 2-1 Sampdoria

Gols e assistências: Lozano (Mertens) e Petagna (Lozano); Jankto (Verre)
Tops: Lozano (Napoli) e Verre (Sampdoria)
Flops: Ruiz (Napoli) e Augello (Sampdoria)

No fim de semana, o Napoli manteve o seu bom momento e sua posição no G4. Só que não foi fácil passar pela Sampdoria no estádio Diego Armando Maradona. Jankto marcaria o primeiro depois de receber de Verre, invadir a área e encher o pé, vencendo o goleiro Meret. Audero se destacou, fazendo duas boas defesas em lances de Mertens e Insigne, ainda no primeiro tempo, mas a metade inicial da partida se destacou pela dificuldades de criação dos dois times.

Gattuso colocou Lozano e Petagna no intervalo e o dedo do técnico se fez notar. O mexicano marcou o primeiro de cabeça, aos 53, depois de bom cruzamento de Mertens. Chucky ainda acertou a trave, pouco depois, e aos 68 minutos daria a assistência para o gigante Petagna virar, também de cabeça. O atacante vive uma ótima temporada, superando as dificuldades de adaptação vivenciadas em 2019-20.

Genoa 1-3 Juventus

Gols e assistências: Sturaro (Pellegrini); Dybala (McKennie), Ronaldo (pênalti) e Ronaldo (pênalti)
Tops: Dybala e Cuadrado (Juventus)
Flops: Rovella e Masiello (Genoa)

A Juventus conseguiu sua segunda vitória fora de casa nesta temporada, mas teve dificuldade de passar pela forte defesa do Genoa. A primeira etapa da partida foi bem sonolenta, com poucas oportunidades para ambos os times e chegou a dar a sensação de que a Velha Senhora poderia colecionar mais um tropeço fora de casa para. Com 70% da bola no jogo inteiro, o time bianconero criou cinco grandes chances e só aproveitou uma delas a partir da construção de jogadas, ratificando os problemas que o time de Pirlo tem neste aspecto.

No segundo tempo, a Juve arriscou jogadas rápidas e teve sucesso. De Ligt lançou para McKennie e o norte-americano deu um leve toque de cabeça para Dybala driblar o defensor e abrir o placar. Quando parecia que a Juve estaria tranquila, veio o balde de água fria. Pellegrini, emprestado ao Genoa, cruzou na medida para Sturaro, também ex-bianconero, empatar. O clima voltou a ficar tenso para a Vecchia Signora, só que dois pênaltis bobos permitiram que Ronaldo anotasse uma doppietta em seu centésimo jogo pelo clube de Turim e garantisse o triunfo.

Ronaldo volta a brilhar no Marassi: doppietta de pênalti garantiu triunfo da Juventus sobre o Genoa (Sportimage)

Bologna 1-5 Roma

Gols e assistências: Cristante (contra); Poli (contra), Dzeko (Pellegrini), Pellegrini (Spinazzola), Veretout (Mkhitaryan) e Mkhitaryan (Karsdorp)
Tops: Pellegrini e Mkhitaryan (Roma)
Flops: Danilo e De Silvestri (Bologna)

A Roma não tomou conhecimento do Bologna e marcou seus cinco gols logo no primeiro tempo, sendo três nos 15 minutos iniciais – resultado que levou os bolonheses a entrarem em regime de concentração por ordem de Mihajlovic. Quem marcou primeiro foi o Poli (só que contra), depois de tentar evitar cruzamento de Spinazzola para Dzeko. O capitão bósnio recebeu de Pellegrini e driblou o zagueiro Danilo para marcar o segundo: foi seu único na partida, já que desperdiçou outras duas grandes chances. Depois de dar assistência, foi a vez de Pellegrini marcar o seu, aproveitando a falha na linha de impedimento rossoblù.

A Roma poderia ter feito cinco ou seis a zero até os 24 minutos, mas o Bologna veio a reduzir o placar quando Cristante devolveu os favores da defesa petroniana e marcou, ao tentar dominar uma bola fácil. O bom Veretout deixou o seu em ótima tabelinha do time visitante e Mkhitaryan, que participou da jogada, ampliou sua vantagem na artilharia giallorossa depois de um arranque de Karsdorp pelo lado direito. No segundo tempo, a Roma diminuiu um pouco o ritmo, enquanto o time da casa resolveu problemas no meio-campo e equilibrou um pouco a partida. Um dos jogadores que entraram foi Domínguez, que teve um gol anulado. Tivemos também a estreia de Mattia Pagliuca, filho do grande Gianluca Pagliuca, goleiro da seleção italiana em 1994 e 1998.

Lazio 1-2 Verona

Gols e assistências: Caicedo (Lazzari); Lazzari (contra) e Tameze
Tops: Tameze e Silvestri (Verona)
Flops: Radu e Milinkovic-Savic (Lazio)

No último jogo do sábado, mais uma vez o Verona de Juric mostrou grandes qualidades e surpreendeu um rival mais forte. Dessa vez, aproveitou as oscilações da Lazio na Serie A e a venceu no Olímpico pela primeira vez em 35 anos – na última vez que o Hellas havia obtido tal resultado, nenhum atleta do elenco gialloblù era nascido. O triunfo tem mérito absoluto do treinador croata, que experimentou um ataque sem referências fixas, o que confundiu a defesa da Lazio – duplamente surpreendida pela escalação do volante Tameze como um dos jogadores de frente, ao lado de Zaccagni e Salcedo.

O trio dos butei trocava bastante de posição, mas nenhum deles veio a abrir o placar. Depois de Immobile perder uma boa chance, já no finalzinho da etapa inicial Dimarco chutou cruzado e Lazzari, ao tentar cortar, mandou contra o próprio patrimônio. A equipe capitolina reagiu no início do segundo tempo, com um belo giro de Caicedo, só que, aos 67, o Verona recebeu um presentão. Radu cometeu um grande erro ao recuar de qualquer jeito para Reina e Tameze aproveitou: driblou o goleiro e colocou o seu time na frente. O restante da partida teve um assédio laziale ao gol dos mastini, mas o goleiro Silvestri fez duas grandes defesas quando foi exigido e garantiu a vitória dos visitantes e a ultrapassagem na tabela: o Hellas é o sétimo colocado, com 19 pontos, e a Lazio é a oitava, com 17.

Finalmente adaptado ao Napoli, Lozano tem sido importante para os azzurri (LaPresse)

Atalanta 3-0 Fiorentina

Gols e assistências: Gosens (Zapata), Malinovskyi e Rafael Toloi (Djimsiti)
Tops: Malinovskyi e Djimsiti (Atalanta)
Flops: Venuti e Pezzella (Fiorentina)

A Atalanta voltou ao caminho da vitórias e o triunfo foi conquistado do jeito que Gasperini gosta: o placar só não foi maior graças a Drągowski, que vem evitando o pior para a Fiorentina a cada rodada, ainda que o time violeta siga sem vencer na Serie A desde outubro e, após cinco partidas, não tenha se acertado sob as ordens de Prandelli. Só na primeira etapa, a equipe da casa efetutou 16 finalizações – três das quais sofreram importantes intervenções de Dragowski – e veio a marcar o primeiro aos 44, depois que Gosens  completou uma boa jogada de Zapata.

Com a vantagem, a Dea passou administrar e atacar com consciência. Malinovskyi – substituto de Gómez, que ficou no banco e parece próximo da saída – viria a ampliar, aos 55. Em sua especialidade, o chute de longa distância, o ucraniano marcou um belo gol de falta. Oito minutos depois, o brasileiro Rafael Toloi fez o seu depois de aproveitar desvio de Djimsiti. Com um jogo a menos, a Atalanta está com 17 pontos, e no meio de semana, enfrenta a Juventus. A Fiorentina, por sua vez, tem apenas três pontos de vantagem para a zona de rebaixamento e recebe o Sassuolo, em sua casa.

Sassuolo 1-0 Benevento

Gols e assistências: Berardi (pênalti)
Tops: Consigli (Sassuolo) e Schiattarella (Benevento)
Flops: Haraslín (Sassuolo) e Lapadula (Benevento)

Tivemos um jogo bastante truncado e marcado por episódios na abertura da rodada. O Sassuolo fez valer o seu favoritismo para conseguir os três pontos, mas sofreu bastante e contou com uma grande atuação do goleiro Consigli para assegurar o triunfo, que lhe manteve na quinta posição. O Benevento produziu 30 finalizações e não marcou, fato que nenhuma equipe das cinco grandes ligas da Europa havia conseguido.

O gol da partida saiu logo nos primeiros minutos da etapa inicial, em pênalti cobrado por Berardi, o capitão do Sassuolo. O time emiliano até tentou o segundo, mas seu setor de criação não estava num bom dia. A situação dos mandantes ficou mais complicada depois que, no início do segundo tempo, Haraslín chegou atrasado em Letizia, acertou seu tornozelo e foi expulso. Com um a menos, o Sassuolo se fechou e foi muito pressionado pelo Benevento: apesar da dificuldade de penetrar a defesa oponente – bem marcado, Lapadula pouco participou após uma grande chance perdida –, a equipe de Inzaghi testou Consigli em chutes de média distância e ainda acertou o travessão com Falque.

No Dall’Ara, a Roma passou o trator sobre o Bologna (AS Roma/LaPresse)

Crotone 4-1 Spezia

Gols e assistências: Junior Messias (Molina), Reca (Molina), Eduardo Henrique (Pedro Pereira) e Junior Messias (Simy); Diego Farias
Tops: Junior Messias e Molina (Crotone)
Flops: Sala e Terzi (Spezia)

A primeira vitória do Crotone no campeonato lavou a alma dos squali – e numa partida recheada de gols brasileiros. Ao todo, foram quatro tentos de jogadores canarinhos, algo que não acontecia desde 2008, quando o Milan teve Kaká e Pato marcando uma doppietta cada. O grande destaque da goleada foi Junior Messias, de 29 anos: em 2015, ele ainda disputava campeonatos amadores e era entregador de uma loja de eletrodomésticos de Turim.

O primeiro de Messias foi um golaço: recebeu de Molina, arrancou sozinho do meio-campo e cortou Terzi para bater de canhota, no cantinho de Provedel. Depois foi a vez de Diego Farias empatar, quando Zanellato saiu jogando errado dentro da área calabresa. Apesar disso, o Crotone não se abateu e deu um show no segundo tempo: Reca e Eduardo Henrique marcaram com sete minutos de diferença, novamente em lances com participação de Molina. Com dois de vantagem ficou fácil controlar o jogo e, para concluir o que começou, Messias marcou sua doppietta, aos 96. Se a vitória foi importante para acordar o time da Calábria, o Spezia se vê perto da zona de rebaixamento após pecar no confronto direto.

Torino 2-3 Udinese

Gols e assistências: Belotti (Bonazzoli) e Bonazzoli (Belotti); Pussetto (Deulofeu), De Paul (Pereyra) e Nestorovski (Pereyra)
Tops: Belotti (Torino) e Pereyra (Udinese)
Flops: Meïté (Torino) e Samir (Udinese)

Podemos definir esta partida como a mais agitada da rodada – ou a que teve o maior número de momentos decisivos em menor intervalo de tempo. Aos 24 minutos, a Udinese abriu o placar depois que Meïté perdeu a posse no meio-campo e permitiu que Deulofeu acionasse Pussetto. Como o Torino foi apático no primeiro tempo, Giampaolo fez três trocas no intervalo – uma em cada setor. Antes mesmo que as peças se adaptassem em campo, Bonifazi e Pereyra tabelaram e, na sequência da jogada, De Paul finalizou bonito, da meia-lua, para fazer o segundo dos friulanos.

Foi então que, aos 66, o jogo ficou maluco. Primeiro, Belotti marcou o seu centésimo gol pelo Torino ao aproveitar falha de Samir, que perdeu para Bonazzoli dentro da grande área. O capitão retribuiu o presente na sequência, ao passar de calcanhar para que seu companheiro de ataque – um dos que entrara no intervalo – dançasse na frente de Samir e empatasse. Só que a alegria durou pouco: aos 69, Nestorovski recebeu de Pereyra e venceu Sirigu. Um novo empate do Toro só não aconteceu na reta final da partida porque uma cobrança de falta de Rodríguez explodiu no travessão. Com um jogo a menos, o time de Gotti vê seus argentinos mostrarem bom futebol, chegou à terceira vitória seguida e se encontra no meio da tabela. O Toro, relegado à zona de rebaixamento, prossegue com Giampaolo, mas os jogadores ficarão em concentração durante toda a semana.

Seleção da rodada

Consigli (Sassuolo); Molina (Crotone), Djimsiti (Atalanta), Ferrari (Sassuolo), Hernandez (Milan); Mkhitaryan (Roma), Barella (Inter), Pellegrini (Roma); Lozano (Napoli), Ronaldo (Juventus), Junior Messias (Crotone). Técnico: Ivan Juric (Verona).

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