Brasileiros no calcio

Humberto no Palmeiras, Tozzi na Lazio: um coadjuvante de luxo

Em semana de dérbi capitolino, Roma se destaca na mídia esportiva italiana. Geralmente, com vários brasileiros. Para se ter uma idéia, a última vez em que nenhum brasileiro esteve em campo num Lazio-Roma foi em 24 de outubro de 1993. De lá pra cá, nos 32 jogos posteriores, o país teve ao menos um representante em campo – no jogo do primeiro turno, foram cinco. Mas, na cidade eterna, a Roma é quem tende a consagrar mais nomes.

Dezessete brasileiros jogaram a Serie A pela Lazio; vinte e dois, pela Roma. Porém, é mais fácil recordar-se daqueles que envergaram a camisa giallorossa, como Falcão, Cerezo e Aldair. Do lado de Santa Cornelia, os nomes mais representativos são os do lateral/meia César e da dupla Niginho e Ninão, da década de 1930. Mas dois habilidosos brasileiros travavam disputa interessante no fim da década de 1950: Dino da Costa e Humberto Tozzi. O primeiro passou para a posterioridade como o maior artilheiro da história do clássico na Serie A, com nove gols, marca só igualada por Marco Delvecchio, em 2003. Já o segundo raramente é lembrado pela torcida.

Humberto nasceu no Rio de Janeiro e foi revelado pelo São Cristóvão. Aos 19 anos, já estava no Palmeiras. Polivalente, jogava no meio e no ataque, formando a temida linha Liminha, Humberto, Ney, Jair e Rodrigues Tatu. Numa trajetória meteórica, foi artilheiro de sua primeira competição, o Paulistão de 53, e acabou convocado para a Copa do Mundo de 1954. Humberto ainda ficaria no Parque Antarctica por mais dois anos, com a artilharia de outro campeonato estadual, até sair para a Lazio, onde a habilidade e a velocidade se aliaram a uma perigosa armadilha, a indiciplina causada pela distância do lar.

Na Itália, Humberto virou Tozzi. Logo conquistou a titularidade, mas os gols demoraram a sair. Só em sua segunda temporada veio a consagração. A marca de sete gols em 25 partidas na Serie A era mais baixa que a do último ano, mas a Coppa Italia compensou. Em nove jogos, saíram dez gols, dois deles em uma ocasião especial: Humberto Tozzi enfrentou Dino da Costa sete vezes, mas só saiu vitorioso na partida do dia 21 de junho de 1958, derrubando a então favorita Roma – os 3×2 sobre a maior rival praticamente garantiram o ingresso laziale às quartas-de-final. Após passar por Marzotto, Juventus e Fiorentina, os gols do artilheiro converteram-se no primeiro título da história do clube.

Em 1958-59, atingiu seu recorde pessoal na Serie A, ao anotar 14 gols. Na temporada seguinte, mesmo quando passou a demonstrar sua insatisfação com a vida longe do Brasil, manteve a titularidade. Apenas sombra do prolífico atacante, Tozzi marcou seu último gol pela Lazio em dezembro de 1959, mas só se despediu sete jogos depois, numa derrota para a Inter de Angelillo. Em fevereiro retornou ao Palmeiras, após renunciar a um contrato milionário na Lazio e a uma transferência para o Torino. De volta, conquistou a Taça Brasil de 1960, mas deixou o time na metade do ano seguinte. Jogaria ainda em Olaria, Fluminense e Portuguesa antes de encerrar sua carreira.

Humberto Barbosa Tozzi
Nascimento: Rio de Janeiro, 4 de fevereiro de 1934
Falecimento: Rio de Janeiro, 17 de abril de 1980
Na Itália: Lazio (104 jogos, 44 gols)
Outros clubes: São Cristóvão, Palmeiras, Olaria, Fluminense e Portuguesa
Seleção brasileira: 7 jogos, 1 gol

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